O Unterseeboot 432 foi um submarino alemão do Tipo VIIC, pertencente a Kriegsmarine que atuou durante a Segunda Guerra Mundial. Foram construídos submarinos da mesma classe entre os anos de 1938 e 1944.
Em seus meses de operação o U-432 afundou e danificou navios mercantes e 3 navios pesqueiro totalizando toneladas de arqueação. Colocou a pique em 11 de março de 1943 o contra-torpedeiro HMS Harvester (H-19) da Marinha Real Britânica. Atingiu o navio de guerra com dois torpedos, na sequencia o submarino foi seriamente danificado por cargas de profundidade, metralhado quando subiu a superfície e afundado quando a corveta Aconit (1941-1947) colidiu com o submarino. Os sobreviventes em número de foram recolhidos pelo Aconit que navegava sob a bandeira da França Livre, tripulantes morreram inclusive o capitão Hermann Eckhardt (1916-1943). Na corveta estavam os sobreviventes do HMS Harvester (H-19) assim como 4 sobreviventes do submarino U-444 que foi afundado na mesma batalha naval. Todos foram levados para Greenock na Escócia.
Características técnicas O U-432 pertenceu a classe de u-boot Tipo VIIC. Com os primeiros submarinos sendo comissionados no início da Segunda Guerra Mundial esta classe de submergíveis foi a maior a ser produzida em todos os tempos. A família de barcos em que o U-432 estava incluído permitiu que a Kriegsmarine, comandada na época pelo Grande almirante Karl Doenitz (1891-1980), atuasse no Atlântico Norte causando significativo prejuízo ao esforço de guerra dos Aliados, afundando navios e interrompendo o fornecimento de provisões e armamentos.
Este tipo de barco foi produzido por estaleiros diferentes utilizando projetos desenvolvidos pela NV Ingenieurskantoor voor Scheepsbouw. A empresa de fachada foi instalada na Holanda em 1922 após o término da Primeira Guerra Mundial pelos estaleiros de origem alemã F. Krupp Germaniawerft, AG Vulcan Stettin e AG Weser a fim de burlar as restrições de manutenção e desenvolvimento de submarinos impostas pelo Tratado de Versalhes.
O Tipo VIIC foi uma evolução do Tipo VIIB, sendo maior e mais pesado, e como consequência com uma velocidade um pouco menor que o seu antecessor. O aumento de espaço interno foi uma necessidade para acomodar um novo tipo de sonar que passou a equipar os U-boot, e fez com que o seu casco fosse alongado.
Dimensões O U-432 com casco duplo tinha um comprimento total de m, boca de m e altura de m. O casulo interno que ficava sob pressão quando o u-boot submergia media m de comprimento por m de altura e nesse espaço ficavam alojados os tripulantes, sendo 4 oficiais graduados. A espessura do casco sob pressão media mm. O barco deslocava m³ de água na superfície e m³ quando submerso.
O submarino quando na superfície precisava uma lâmina d'água superior a m. Foi projetado para navegar submerso em profundidade máxima de m. A profundidade calculada de colapso do casco ficava entre - metros.
Autonomia thumb|233 px|esquerda|Reposição de torpedos e Canhão de 88 mm. Os tanques de diesel conforme projeto do barco, tinham a capacidade para receber t de combustível. Um artifício usado para aumentar a capacidade de armazenamento era encher os tubos de torpedo 1 e 3 de combustível, elevando para t o total de diesel no início das patrulhas. O combustível extra era transferido para os tanques conforme disponibilidade de espaço, liberando os tubos de torpedos. O diesel, segundo relatos dos tripulantes aprisionados após o afundamento do submarino, era de boa qualidade e originário da Romênia.
O barco era movimentado na superfície por dois motores diesel fabricados pela Wumag Waggon und Maschinenfabrik AG, Goerlitz, sob licença Krupp, cada um deles com 6 cilindros, potência de cv, alcançando - rpm. Submerso o submarino era movimentado por dois motores elétricos fabricados pela Siemens (Siemens Aktiengesellschaft), cada um deles com, potência de cv, alcançando rpm. Os motores elétricos eram alimentados por dois grupos de baterias de células com capacidade de A/h, que por sua vez eram carregados pelos motores diesel quando em funcionamento navegando na superfície. Estes motores movimentavam duas hélices de três pás com m de diâmetro. Um leme duplo direcionava a embarcação.
O U-432 tinha autonomia de / mm a 10 nós e / mn a nós navegando na superfície, imerso ele alcançava mn a 4 nós e mn a 2 nós. Em emergência o barco podia mergulhar em - segundos.
Quando necessário o ar do submarino era purificado com filtros que utilizavam cartuchos com potássio.
Armamento Os tubos lança-torpedos tinham centímetros de alma e estavam localizados quatro na proa e um na popa. O barco podia levar 14 torpedos por patrulha. Para ataques na superfície o submarino contava com uma metralhadora anti-aérea calibre 20 mm e um Canhão de 88 mm instalado avante no convés, carregava para estas armas e cartuchos respectivamente.
Comandantes O capitão Heinz-Otto Schultze (1915-1943) esteve no comando do navio por dias dos dias em que o barco esteve em ação. Pelo seu sucesso a frente do barco foi condecorado com a Cruz de Ferro de 1ª classe (1941) e com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (1942). Comandante PeríodoKptlt. Heinz-Otto Schultze 26 de abril de 1941 - 15 de janeiro de 1943Kptlt. Hermann Eckhardt 16 de janeiro de 1943 - 11 de março de 1943
Operações thumb|150px|Kapitänleutnant (KptLt/KL) Heinz-Otto Schultze. Em sua carreira, o submarino participou de oito patrulhas, sempre subordinado a 3ª Flotilha de Unterseeboot da Kriegsmarine.
Em 15 de fevereiro de 1942, quando em patrulha na costa leste dos Estados Unidos, afundou o navio mercante Buarque ( toneladas) de bandeira brasileira com dois torpedos. O ataque aconteceu a 30 milhas a sudoeste do Cabo Hatteras que fica no litoral do estado norte-americano da Carolina do Norte. Os tripulantes e passageiros, com exceção de um que faleceu, sobreviveram e foram salvos por embarcações da Guarda Costeira, Marinha dos Estados Unidos e um navio petroleiro. Três dias depois, na mesma região o também brasileiro Olinda ( toneladas), foi parado por um tiro de canhão, os tripulantes após abandonar o navio foram interrogados, e posteriormente o navio foi bombardeado e afundado. Todos os tripulantes foram resgatados pelo contratorpedeiro USS Dallas (DD-199). Foram os dois primeiros navios brasileiros a serem afundados na Segunda Guerra, após o rompimento de relações diplomáticas com os países que compunham o Eixo.
O U-432 esteve sob ataque em três momentos:
17 de outubro de 1941 Durante o ataque ao Comboio SC 48 (5 - 22 de outubro de 1943), quando o U-432 foi o responsável pelo afundamento do petroleiro norueguês Barfonn e pelo cargueiro de bandeira grega Evros, o contratorpedeiro HMS Broadwater (H-81) e a corveta HMS Abelia (K-184) fizeram ataques com cargas de profundidade e danificaram o submarino, comprometendo os controles do leme e o funcionamento dos motores elétricos. A embarcação submergiu de forma involuntária a uma profundidade de metros, após reparos de emergência retornou a patrulha. 2 de maio de 1942 O barco foi ligeiramente danificado após ataque aéreo quando em patrulha no Atlântico Norte. thumb|esquerda|283 px|Desenho da corveta Aconit. 11 de março de 1943 O Comboio HX 228 (28 de fevereiro - 15 de março de 1941) partiu do porto de Nova Iorque com destino a Liverpool navegando a uma velocidade média de nós. Os navios mercantes que faziam parte do comboio, eram protegidos por navios de escolta além de cobertura aérea em parte do percurso. Cinco navios cargueiros, um contratorpedeiro e dois submarinos não retornaram a seus portos.
Na manhã de 11 de março, o U-432 surpreendeu o HMS Harvester (H-19), que estava imobilizado em consequência de danos sofridos após ter abalroado o Unterseeboot U-444. O contratorpedeiro foi rodeado por várias vezes, o submarino manteve a profundidade de periscópio, e disparou um torpedo de proa a uma distância de metros e outro de pôpa a metros, ambos atingiram o alvo, afundando o contratorpedeiro.
O U-432 permaneceu submerso, não adotando o procedimento padrão de vir a superfície após um ataque e não percebeu a aproximação da corveta Aconit que veio em socorro aos sobreviventes do HMS Harvester. O Aconit iniciou com sucesso um ataque com cargas de profundidade, danificando o submarino que foi ao fundo alcançando uma profundidade estimada de metros, sendo obrigado a retornar a superfície após falha geral no sistema de iluminação principal, parada total dos motores elétricos e fogo seguido de explosão no quadro principal de força. O barco subiu lentamente a superfície, e foi dada a ordem de vestir coletes salva-vidas e preparar para abandonar o navio. Na superfície após a abertura da escotilha, o submarino foi metralhado pelo Aconit. Neste ataque vários tripulantes e o capitão Hermann Eckhardt morreram. Após o cessar fogo os demais tripulantes se jogaram ao mar, e o Aconit em uma tentativa de abordagem e aprisionamento do submarino, atingiu com seu casco o barco, ocasionando o seu imediato afundamento.
Subordinação thumb|153 px|direita|Insígnia da 3ª Flotilha de Unterseeboot. A 3ª Flotilha de Unterseeboot, também conhecida como U-Flotilha "Lohs" uma homenagem ao comandante de submarino da Primeira Guerra Mundial Johannes Lohs (1889-1918), teve sob suas ordens U-Boots entre eles o U-432.
A flotilha teve como base durante a Segunda Guerra, Kiel (março de 1941 - setembro de 1941) e La Pallice (outubro de 1941 - setembro de 1944).
26 de abril de 1941 - 1 de agosto de 1941 3ª Flotilha de Unterseeboot (treinamento da tripulação) 1 de agosto de 1941 - 11 de março de 1943 3ª Flotilha de Unterseeboot (operação de guerra)
Patrulhas Em sua primeira patrulha o submarino partiu da Noruega, passando ao norte das Ilhas Feroe, costa da Islândia e Groelândia, atravessando o Mar Celta para aportar na costa oeste da França. Na viagem seguinte, passou novamente pelo Mar Celta, navegando em seguida pelo Atlântico Norte, retornando a França. Na terceira patrulha, foi feita em direção ao sul passando pela costa da Espanha e Portugal e chegando a sua última base La Pallice. Na quarta viagem atravessou o Atlântico Norte, chegando até a região central da costa leste dos Estados Unidos. Na patrulha seguinte que foi a sua mais longa permanência no mar, cruzou novamente o Atlântico, indo em direção ao Canadá. Na viagem de número sete vagou pelo Atlântico Norte. Em sua penultima saída, rumou em direção ao sul, passando pela costa de Portugal, chegando até o Marrocos. Na oitava e última saída, rumou para região central do Atlântico Norte aonde foi afundado. thumb|213 px|direita|Base de U-Boots em Brest, França. thumb|213 px|direita|Base de U-Boots em Saint-Nazaire, França. thumb|213 px|direita|Casamata para proteção dos U-Boots na base de La Pallice, França. Comandante Partida Chegada Dias Tonelagem afundada Heinz-Otto Schultze 30 de julho de 1941 Kiel (Alemanha) 31 de julho de 1941 Horten 2 Heinz-Otto Schultze 9 de agosto de 1941 Horten (Noruega) 12 de agosto de 1941 Trondheim 4 1 Heinz-Otto Schultze 25 de agosto de 1941 Trondheim (Noruega) 19 de setembro de 1941 Brest26 2 Heinz-Otto Schultze 11 de outubro de 1941 Brest (França) 2 de novembro de 1941 Saint-Nazaire23 3 Heinz-Otto Schultze 10 de dezembro de 1941 Saint-Nazaire (França)23 de dezembro de 1941 La Pallice14 4 Heinz-Otto Schultze 21 de janeiro de 1942 La Pallice (França) 16 de março de 1942 La Pallice55 5 Heinz-Otto Schultze 30 de abril de 1942 La Pallice 2 de julho de 1942 La Pallice 64 6 Heinz-Otto Schultze 15 de agosto de 1942 La Pallice 4 de outubro de 1942 La Pallice51 5 868 7 Heinz-Otto Schultze 30 de novembro de 1942 La Pallice 5 de janeiro de 1943 La Pallice37 8 Hermann Eckhardt 14 de fevereiro de 1943 La Pallice 11 de março de 1943 afundado26 Total dias
Navios atacados pelo U-432