A arte minoica ou arte da antiga civilização minoica desenvolveu-se entre cerca de tanto na ilha de Creta, como em diversas regiões do Egeu e Mediterrâneo, locais onde a influência minoica foi forte devido ao comércio intenso com potências e povos das proximidades.
Arquitetura
thumb|esquerda|Ruínas de Festo
Uma das contribuições mais notáveis dos minóicos a arquitetura é sua coluna, que foi maior no topo do que na base. As colunas geralmente eram feitas de madeira ao invés de pedra, e eram geralmente pintadas de vermelho. Eram montadas em uma base de pedra simples e cobertas com uma almofada, uma peça redonda em jeito de capitel. Durante o Minoano Médio os minoicos desenvolveram técnicas arquitetônicas revolucionárias como o uso de cantarias cortadas e a perfuração de encaixes no topo de blocos de cantarias para a fixação de grandes vigas horizontais.
Devido a mitologia, muitos estudiosos por anos lutaram para descobrir a localização do famoso labirinto do minotauro. Como Evans apontou em suas primeiras impressões, Cnossos deveria ser encarado como o labirinto, no entanto, recentes investigações apontam a caverna de Escoteino, a 12 km de Cnossos, como o real labirinto. Usada para a submeter os jovens a provas iniciativas, suas galerias subterrâneas descem até 55 metros de profundidade dispondo-se em 4 níveis com rutura de níveis e becos sem saída; pelo percurso há blocos calcários esculpidos que representam cabeças monstruosas. No fim do circuito há um altar de pedra. Além disso, segundo alguns autores, o nome "labirinto" (labýrinthos), por aproximação etimológica com a palavra lábris (machado duplo), apontaria para a seguinte interpretação: labýrinthos ao invés de sua interpretação literal poderia ser encarado como "palácio do lábris". Pré-palaciano
thumb|esquerda|Ruínas de Sybrita
O Minoano Antigo é caracterizado por um contínuo processo de evolução arquitetônica. No Minoano Antigo I pequenas aldeias aumentam vertiginosamente em número por toda ilha, embora ainda seja evidente a ocupação de cavernas. No Minoano Antigo II há edifícios de grande porte com grande número de divisões, alguns dos quais foram usados como armazéns, enquanto outros eram quartos ligados a corredores; há áreas pavimentadas adjacentes a estes edifícios. As paredes eram construídas com tijolos de argila e cascalho, rebocadas com cal e pintadas de vermelho. Em Vasilicí, por exemplos, as paredes eram apoiadas em uma estrutura de madeira, enquanto o telhado era sustentado por vigas de madeira cobertas de junco, cana e argila. Em Mirtos o teto era de ramos de oliveira cobertas com junco e cal; seu piso era de blocos de pedra cobertos por uma camada de argila branca. Em Cnossos, datados do Minoano Antigo III, estão localizados o edifícios conhecido como hipogeu e uma grande parede presumivelmente parte de um edifício monumental.
No final do Minoano Antigo, , os primeiros palácios minoicos começaram a ser erigidos. Supunha-se que a fundação dos palácios era síncrona (especula-se que os palácios tenham sido erigidos praticamente ao mesmo tempo) e datável do Minoano Médio em torno de (data do primeiro palácio em Cnossos), embora hoje se saliente que os palácios foram construídos durante um período mais longo em diferentes locais, em resposta a evolução local. Os primeiros palácios foram os de Cnossos, Mália e Festo, tendo estes sido influenciados por elementos de estilos de construções do Minoano Antigo.
thumb|Ruínas do palácio de Cato Zacro|esquerda
No Minoano Antigo houve diversos estilos tumulares, alguns deles importados das Cíclades (cistas). Os primeiros exemplos são as cavernas (utilizadas desde o neolítico final) onde é comum a presença de ossos de indivíduos diferentes misturados e habitualmente cremados. Lárnaques e pitos tornam-se populares durante o período, especialmente no Minoano Médio. Os lárnaques eram elípticos, relativamente baixo, não possuíam pedestais nem decoração, e eram depositados em covas individuais, em túmulos retangulares construídos ou nos tolos. Os tolos minoicos eram circulares, com um diâmetro entre quatro e treze metros, com paredes geralmente espessas compostas por blocos brutos de pedra ligadas com argila. Eram edificados sobre uma superfície plana ou contra uma saliência rochosa; suas portas eram pequenas e quase sempre fechadas por uma grande laje retangular do lado de fora. Os túmulos retangulares construídos dividem-se em duas categorias: série de longas e estreitas câmaras paralelas; grupo de quartos quadrados ou retangulares. Nestes túmulos e nos tolos as inumações eram múltiplas, tendo sido evidente que os ossos foram periodicamente desenterrados e posteriormente enterrados novamente, assim como há evidências de fumigações.
Protopalaciano
thumb|esquerda|Ruínas do palácio de Cnossos
Como característica marcante, os palácios minoicos do Minoano Médio (Festo com o Monte Ida) estão alinhados com a topografia circundante. A arquitetura destes complexos é identificada pelo estilo "quadrado dentro do quadrado", enquanto os palácios posteriores incorporam mais divisões internas e corredores. Para a edificação dos palácios utilizou-se calcário e gesso. Os palácios, disposto em torno de um pátio central, possuíam setores que agrupam apartamentos residenciais, salas para banquetes, salas de recepção, quartos de hóspedes, teatros, armazéns, santuários, escritórios administrativos e ateliês de ceramistas, gravadores de sigilos, artesãos de bronze, etc. Alguns ambiente possuem afrescos de animais, pessoas e plantas.
thumb|Vista das ruínas de Gúrnia
A ala ocidental de Festo (parte do primeiro palácio) é rodeada por uma série de pátios pavimentados que foram adentrados por duas entradas principais e cinco menores. Em Festo, Cnossos e Mália encontrou-se poços circulares conhecidos como koulourai (singular: kouloura) que funcionavam como silos; em Cato Zacro há cisternas, drenos e uma fonte. Os armazéns de Mália dispunham seus pitos em áreas elevadas no chão, pois no centro dos armazéns há canais que terminavam em buracos que eram usados para recolher tudo que derramasse dos vasos. Não há consenso quanto à função do edifício conhecido como Cripta hipostila, onde foram identificadas criptas pilares e uma bacia lustral.
A oeste do palácio de Mália há um complexo arquitetônico composto por três edifícios, onde a do meio (conhecida como Quartier Mu) é o mais proeminente. Ocupando uma área de 450 m², possuí cerca de 30 quartos térreos, um santuário com uma lareira retangular, quatro depósitos com sistemas de drenagem, uma sala pavimentada, uma bacia lustral, um poço de luz, e duas escadas para andares superiores; a disposição dos aposentos ilustra certa estratificação social. Do lado oposto da rua estão localizadas três oficinas contemporâneas que possivelmente eram de empregados de Quartier Mu. Os hipogeus do pré-palaciano, agora erigidos fora das dependências palacianas, geralmente localizam-se em pátios públicos que separam o palácio da cidade circundante. Semi-subterrâneos, não há consenso quando sua função, tendo sido considerados como armazéns, no entanto, segundo investigações recentes, possivelmente funcionaram como depósitos de água, ou latrinas de detritos.
thumb|esquerda|Ruínas do palácio de Mália
Neste períodos, o sentimento de mudanças sentidos na sociedade como um todo, influiu diretamente no tratamento dos minoicos com seus mortos. Os tolos continuam a ser erigidos, contudo, em menor número; um tolo de Archanes possuí um dromo (corredor de entrada), uma característica dos tolos micênicos. Um novo tipo de sepultura, os túmulos com câmara, surgem neste período. São compostos por passagens horizontais com inclinação para baixo, o dromo e o estômio (porta de entrada menor que o corredor) que se abre para uma câmara retangular ou arredondada. Nesta fase os pitos tornam-se mais comuns eram depositados em covas simples, isolados ou em grupos, em cavernas, em tolos, em ossários retangulares ou em túmulos de câmara. Os lárnaques tornam-se menores e mais profundos quando elípticos; há os primeiros exemplos de formas retangulares sem pernas assim como formas pintadas.
Neopalaciano e Pós-palaciano
thumb|Ruínas de Hagia Triada
As cidades do neopalaciano eram compostas por palácios, sistemas de canalização de água e esgoto, ruas calcetadas, lojas comerciais, etc; conectavam-se entre si por estradas pavimentadas. Ductos de pedra levavam água de morros e das chuvas, distribuindo-as por tubos de banheiros e privadas; águas e resíduos eram levados através de manilhas de barro. Foram variadas as plantas das cidades deste período: blocos de casas divididas por ruas pavimentadas; um edifício central principal (às vezes um palácio menor) e um aglomerado de edifícios pequenos no entorno; um palácio central e grandes casas no entorno; casas grandes separadas ou aglutinadas em espaços menores. Além das cidades havia vilarejos isolados compostos por casas de tijolos e madeira, construídas sobre blocos de calcário; mansões rurais também são comuns. No litoral, estaleiros foram erigidos para fabricação de navios.
Hagia Triada (assentamento neopalaciano, notório durante o pós-palaciano) foi um grande complexo em forma de L suntuosamente decorado, localizado no extremo leste do palácio de Festo. Deste preserva-se os bairros residenciais e algumas parcelas dos bairros manufatureiros (oficinas) e de armazenamento. Outros característicos complexos do períodos são o Pequeno Palácio de Cnossos, a Villa Real de Cnossos, Nirou Khani e a cidade de Gúrnia.
No âmbito tumular covas, cavernas e cistas são raramente usadas. Durante o período os túmulos com câmara são os sepultamentos mais característicos. Os tolos micênicos (retangulares ou circulares com um telhado abobado) invadem a ilha; os tolos de Maleme são distintivos, pois possuem um telhado piramidal. Há novos tipos tumulares: sepulturas em forma de fosso com ou sem nicho. São fossos retangulares de dois metros de profundidade cobertos por lajes de pedra; os exemplares com nicho possuem de profundidade geralmente com um metro de altura por dois de comprimento.
thumb|esquerda|Afresco mostrando macaco com açafrões
Afrescos
Todos os afrescos minoicos conhecidos são datados do período neopalacial. São encontrados em Festo, Mália, Hagia Triada, Amnisos, Tílissos, e principalmente Cnossos, assim como em Acrotíri, Agia Irini e Filácopi. Entre as representações artísticas estão procissões religiosas, animais marinhos (golfinhos, peixes, polvos), terrestres (leão, gato, macacos) e voadores (pássaros), flores e outras representações botânicas, cenas de pugilismo e outras modalidades de luta, taurocatapsia (saltos sobre touros), seres mitológicos (grifos) e deuses, pessoas da sociedade, liteiras, etc.. Os rostos dos homens eram pintados com vermelho, enquanto os das mulheres eram pintados de branco.
Os minoicos extraíam as tinturas usadas nos afrescos e vasos pintados de diversos materiais: preto do carbono e manganês; branco de cal e argila branca; vermelho do ocre vermelho e hematita; rosa da mistura de ocre vermelho com argila branca; amarelo do ocre amarelo; azul de ferro natural, lápis-lazúli e azul egípcio; verde da mistura de ocre ou malaquita com azul egípcio; cinza de carbono com argila branca ou cal; marrom da mistura de ocre vermelho e azul egípcio ou riebeckite; e castanho da mistura de ocre amarelo com carbono.
Cerâmica
thumb|150px|Vaso globular
Pré-palaciano
A cerâmica neolítica de Creta foi produzida sem rodas de oleiros e cozida sobre fogueiras; a argila empregada podia variar de vermelha para preta e foi pintada, assim como polida através do esfregar da superfície do vaso após a cozedura. A forma mais comum eram bacias simples e abertas. No pré-palaciano novos estilos desenvolveram-se com base nos estilos neolíticos, tendo aparecido entre os achados exemplos antropomórficos, objetos, etc..