Jane Seymour Fonda (Nova Iorque, ) é uma atriz, ativista, modelo, empresária e autora estadunidense. O trabalho de Fonda abrange diversos gêneros e mais de sete décadas de cinema e televisão. Recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira, incluindo dois Oscars de melhor atriz, dois Prêmios BAFTA, sete Globos de Ouro, um Prêmio Emmy, além de uma Palma de Ouro Honorária, um Leão de Ouro, um Prêmio Cecil B. DeMille e o Prêmio Screen Actors Guild pelo Conjunto da Obra.
Filha do ator Henry Fonda com a socialite Frances Ford Seymour, Jane fez sua estreia como atriz com a peça da Broadway, There Was a Little Girl, de 1960, pelo qual recebeu uma indicação ao Prêmio Tony; e no mesmo ano, fez sua estreia no cinema com a comédia romântica Até os Fortes Vacilam. Ela ganhou destaque na década de 1960, com filmes como Contramarcha Nupcial (1962), Um Domingo em Nova York (1963), Dívida de Sangue (1965), Descalços no Parque (1967) e Barbarella (1968); este último dirigido por seu primeiro marido, o cineasta Roger Vadim.
Sete vezes indicada ao Oscar, Fonda recebeu sua primeira nomeação por A Noite dos Desesperados (1969), e ganhou o prêmio de melhor atriz duas vezes na década de 1970, por Klute (1971) e Amargo Regresso (1978). Suas outras indicações foram por Julia (1977), Síndrome da China (1979), Num Lago Dourado (1981) e A Manhã Seguinte (1986). Os sucessos consecutivos em Adivinhe Quem Vem Para Roubar (1977), California Suite (1978), O Cavaleiro Elétrico (1979) e Como Eliminar seu Chefe (1980) a manteve na liderança das bilheterias. Em 1982, a atriz lançou um VHS de exercícios físicos chamado, Jane Fonda's Workout, que se tornou um dos VHS mais vendido de todos os tempos; Esse foi o primeiro de uma série de 22 vídeos lançados nos 13 anos seguintes, do qual vendeu mais de 17 milhões de cópias entre livros, vídeos, fitas cassete e CD. Em 1984, ela ganhou um Prêmio Emmy por sua atuação no telefilme Esculpindo Minha Vida. Em 1991, após se casar com o empresário Ted Turner, ela e se aposentou da atuação.
Em 2004, Fonda relançou sua carreira com o sucesso de bilheteria A Sogra (2005), seguido do drama Ela é a Poderosa (2007). Em 2009, ela retornou à Broadway na peça, 33 Variations, que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Tony de melhor atriz em peça de teatro. Seus trabalhos subsequentes no cinema incluíram: O Mordomo da Casa Branca (2013), Sete Dias sem Fim (2014), Youth (2015), Our Souls at Night (2017), Do Jeito que Elas Querem (2018), Moving On (2022), 80 for Brady (2023) e Book Club: The Next Chapter (2023). Em 2018, a HBO produziu um documentário sobre sua vida, intitulado Jane Fonda in Five Acts.
Seu papel na série de televisão The Newsroom (2012–14) da HBO lhe rendeu duas indicações ao Prêmio Emmy. De 2015 a 2022, Fonda estrelou a série de comédia da Netflix, Grace and Frankie, pela qual foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz em Série de Comédia.
Biografia Jayne Seymour Fonda nasceu em 21 de dezembro de 1937 na cidade de Nova Iorque. É filha do ator Henry Fonda e da socialite Frances Seymour Ford. À época, seu pai filmava Jezebel, com Bette Davis. Henry era descendente de neerlandeses e o sobrenome Fonda é originário de Eagum, uma vila no coração de Frísia, província do norte dos Países Baixos. Jane recebeu o nome da terceira esposa de Henrique VIII, Jane Seymour, com quem ela tem um parentesco distante por parte de mãe, e por causa de quem, até a quarta série, Jane disse que era chamada de "Lady" (como em Lady Jane). Seu irmão Peter (1940-2019) e sua sobrinha Bridget (n. 1964), também são atores.
Em 14 de abril de 1950, quando Fonda tinha 12 anos de idade, sua mãe cometeu suicídio após voluntariamente buscar tratamento num hospital psiquiátrico. A Jane foi dito que a mãe morreu de ataque cardíaco. As assinaturas de jornais e revistas que eram entregues na mansão dos Fonda foram canceladas, e os professores e alunos da escola da jovem instruídos a não discutirem o assunto. Jane descobriria a verdade meses mais tarde, enquanto folheava uma revista de cinema na aula de artes. Após a morte de Frances, Henry se casou com a também socialite Susan Blanchard ainda em 1950; o casamento acabaria em divórcio um pouco mais de cinco anos depois.
Aos 15 anos, Jane começou a ter aulas de dança na Fire Island Pines, em Nova Iorque. Ela estudou na prestigiada Greenwich Academy, um internato para garotas, em Greenwich, Connecticut.
Carreira Década de 1950 Antes de dar início à carreira de atriz, Fonda foi modelo nos anos 1950, tendo estampado a capa de diversas revistas de moda, entre elas a Vogue. Jane se interessou pela atuação em 1954, após ter atuado com o pai numa produção beneficente da peça The Country Girl no Teatro Comunitário de Omaha. Estudou no Emma Willard School em Troy e na Universidade Vassar.
Após desistir de Vassar, ela foi morar em Paris por dois anos para estudar arte. Ao retornar, se encontrou com Lee Strasberg, do renomado Actors Studio, organização que oferece curso preparatório para atores. De acordo com Fonda, Strasberg foi a primeira pessoa, com exceção de seu pai, que lhe disse que tinha talento.
Década de 1960 284x284px|thumb|direita|A atriz em foto promocional de 1963 Seus trabalhos no teatro no final da década de 1950 estabeleceram os alicerces para sua carreira no cinema na década de 1960. Gravou quase dois filmes por ano até o fim da década a partir de Tall Story (1960), no qual recriava uma de suas personagens mais famosas da Broadway: uma líder de torcida que perseguia um astro do basquete, interpretado por Anthony Perkins. Logo em seguida estrelou em Period of Adjustment e Walk on the Wild Side, ambos lançados em 1962. Em A Walk on the Wild Side, Jane interpretou uma prostituta, e ganhou o Globo de Ouro de Revelação Mais Promissora.
Em 1963, ela estrelou Sunday in New York. O jornal Newsday afirmou que Jane se tratava da "mais adorável e talentosa de todas da nossa nova geração de atrizes". Seus dois filmes seguintes, Joy House e Circle of Love (ambos de 1964), foram gravados na França. O maior avanço de sua carreira veio com Cat Ballou (1965), em que interpretava uma professora de escola rural que virava fora da lei. A comédia western, recebeu cinco indicações ao Oscar e foi um dos dez filmes de maior bilheteria do ano nos Estados Unidos. Este filme é considerado para muitos o ponto de ruptura na carreira de Fonda, trazendo-a para o estrelato aos 28 anos de idade. No ano seguinte, ela retornou à França para filmar The Game Is Over (1966), frequentemente descrito como seu filme mais sensual, e apareceu na edição de agosto de 1966 da revista Playboy, em fotos de paparazzi tiradas no set de filmagem. Jane processou a revista por publicá-las sem o seu consentimento.
Seus próximos papéis foram em The Chase (1966), ao lado de Robert Redford e, as comédias Any Wednesday (1966) e Barefoot in the Park (1967), a última novamente ao lado Redford. Em 1968, ela interpretou o papel-título na paródia de ficção científica Barbarella, dirigida por seu então marido, o cineasta francês Roger Vadim, que estabeleceu seu status como um dos maiores símbolos sexuais no fim dos anos 1960. Em contraste, atuou no drama They Shoot Horses, Don't They? (1969), pelo qual recebeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz. No mesmo período, escolhia cuidadosamente os filmes em que atuaria, rejeitando os papéis principais em O Bebê de Rosemary e Bonnie and Clyde.
Década de 1970 Na década de 1970, Fonda viveu seu período de maior aclamação crítica como atriz. Ela ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Atriz em 1972, interpretando uma garota de programa de luxo, a jovial Bree Daniels, no thriller psicológico Klute (1971). Durante a temporada de premiações de 1971-1972, Fonda dominou a categoria de Melhor Atriz em quase todas as principais cerimônias de premiação; além de sua vitória no Oscar, ela recebeu seu primeiro Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático. Em 1972, ela estrelou como uma repórter ao lado de Yves Montand em Tout va bien, clássico marxista de Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin. No mesmo ano, os diretores fizeram o documentário Letter to Jane, no qual ficam quase duas horas comentando sobre uma foto da atriz tirada em sua visita ao Vietnã do Norte. Entre 1972 e 1977, Fonda não obteve nenhum grande sucesso de bilheteria, apesar de ter estrelado em filmes alternativos aclamados como: A Doll's House, Steelyard Blues (ambos de 1973) e The Blue Bird (1976), o último, filmado na União Soviética. Nessa época, ela reduziu seu trabalho na atuação e o ativismo político tornou-se seu foco.
Seu retorno à atuação aconteceu com a fundação de sua própria produtora, a IPC Films, com a qual ela estrelou filmes que a ajudaram a recuperar seu status de estrela. A comédia de 1977, Fun with Dick and Jane, foi considerado seu "retorno" às grandes bilheterias. No mesmo ano, ela conseguiu boas críticas por sua performance em Julia, filme pelo qual ganhou o seu primeiro BAFTA de Melhor Atriz em Papel Principal, o seu segundo Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático e recebeu a sua terceira nomeação para o Oscar de Melhor Atriz. Em 1978, Fonda estrelou o drama Amargo Regresso, como Sally Hyde, uma mulher que se envolve com um veterano da Guerra do Vietnã, que retorna à vida civil paraplégico. O filme tornou-se um grande sucesso comercial e crítico, e rendeu a Fonda seu segundo Oscar de Melhor Atriz e um terceiro Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático, sendo esta sua segunda vitória consecutiva. Ainda em 1978, ela estrelou o drama de faroeste Comes a Horseman, como uma rancheira durona, e mais tarde, assumiu um papel coadjuvante em California Suite, onde interpretou uma mulher viciada em trabalho e divorciada. Em 1979, ela estrelou o filme The China Syndrome, como uma repórter de televisão ambiciosa que investiga o encobrimento de um acidente nuclear. Pelo papel, ela ganhou seu segundo prêmio BAFTA de Melhor Atriz e recebeu sua quinta indicação ao Oscar de melhor atriz. No mesmo ano, ela estrelou o filme The Electric Horseman, novamente com seu parceiro de cena, Redford.
Décadas de 1980 e 1990 miniaturadaimagem|392x392px|Fonda no tapete vermelho do Oscar de 1990. Fonda continuou a aparecer em filmes de destaque na década de 1980, como na comédia Nine to Five, ao lado de Lily Tomlin e Dolly Parton. O filme foi um sucesso de crítica e bilheteria, tornando-se o segundo lançamento de maior bilheteria do ano, nos EUA. Há muito tempo Fonda desejava trabalhar com seu pai, na esperança de que isso ajudasse no relacionamento tenso entre eles. Ela alcançou esse objetivo quando quando comprou os direitos de filmagem de On Golden Pond (1981). Katharine Hepburn se juntou aos três no elenco principal. O filme rendeu a Jane sua única indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante e a Henry seu único Oscar de melhor ator, que Jane aceitou em seu nome, uma vez que ele estava muito doente. Henry Fonda morreria cinco meses depois.
Durante muitos anos, Fonda fez aulas de balé para se manter em forma, mas depois de fraturar o pé durante as filmagens de A Síndrome da China, ela não pôde mais dançar. Para compensar, começou a fazer aeróbica e exercícios de fortalecimento; O resultado foi o livro, Jane Fonda's Workout Book, um diário com fotos e relatos de sua rotina e como fazer ginástica em casa mudou sua vida. O sucesso de vendas do livro, inspirou a criação do vídeo, Jane Fonda Workout, lançado em 1982. Com mais de um milhão de cópias vendidas, tornou-se uma das fitas de VHS mais vendidas, e ajudou a popularizar os aparelhos de videocassete nos EUA. Até 1995, ela lançou uma série de 23 vídeos e treze programas de áudio em fita cassete e CD, vendendo um total de 17 milhões de cópias.