thumb|292px|Mapa da Estremadura thumb|292px|A Plaza Mayor de Garrovillas de Alconétar thumb|292px|Templo romano de Diana, em Mérida thumb|292px|Serra de Gredos na sua parte estremenha, em La Vera A Estremadura, também grafada como Extremadura (; em estremenho: Estremaúra), é uma das comunidades autónomas da Espanha, situada no sudoeste da Península Ibérica. Com habitantes em 2024, tem a sua capital em Mérida e divide-se em duas províncias, as mais extensas do país: Cáceres (a norte) e Badajoz (a sul).
É a norte da comunidade que se enconta o Sistema Central e o seu pico mais alto, o Calvitero, de m de altitude. É também aí que encontra o limite com a comunidade de Castela e Leão. A leste possui a comunidade de Castela-Mancha, a sudeste e a sul a Andaluzia e a vertente ocidental da Serra Morena, e a oeste Portugal (regiões do Centro e do Alentejo, incluindo os distritos de Castelo Branco, Portalegre, Évora e parte do de Beja).
A sua capital é uma das duas únicas capitais de comunidade autónoma que não é sede de uma província de Espanha. Grande parte da sua superfície compreende parte das bacias hidrográficas de dois dos rios mais importantes da península, que partilha com Portugal — o Tejo e o Guadiana, e que são separadas pelos Montes de Toledo. O seu clima é mais quente a sul e temperado no norte.
O seu território, essencialmente rural e de tradição agrícola, faz com que diversos produtos nela produzidos sejam reconhecidos a vários níveis. É o caso dos vinhos (com várias denominações de origem), presunto, queijos, azeite, pimentão, mel, cerejas e vários tipos de carnes. A azinheira é a árvore típica da região e figura no centro do escudo estremenho, sendo muito característica o sistema da dehesa, conhecida em Portugal como montado. A Estremadura tem passado histórico partilhado com Portugal, desde a antiga Lusitânia até ao reino de Badajoz.
A região fez parte do Taifa de Badajoz entre os séculos XII e XIII antes de ser conquistada pelo Reino de Leão sob os auspícios de Afonso IX. Após a formação da Coroa de Castela pela união de ambos os reinos em 1230, a província da Estremadura surge oficialmente em 1371, correspondendo às regiões mais meridionais do Reino de Leão, daí o seu nome histórico de Extremadura Leonesa (em contraste com as estremaduras Portuguesa, Castelhana e Aragonesa). A região destaca-se por ser o berço de vários conquistadores: Francisco Pizarro, Hernán Cortés, Pedro de Valdivia, Pedro de Alvarado, Vasco Núñez de Balboa e Hernando de Soto.
As mais importantes festividades ocorrem no dia 8 de setembro, quando se celebra a festa católica em honra de Nossa Senhora de Guadalupe mas também o Dia da Estremadura.
A nível cultural, é uma comunidade linguisticamente diversa que possui, para além do castelhano, o estremenho, a fala e o português como línguas próprias. Pretendendo refletir esta diversidade, celebra-se a cada 18 de agosto, desde 2018, o Dia das Línguas da Estremadura.
Etimologia A origem do nome é incerta, tendo sido várias as origens apontadas para este corónimo.
Uma das hipóteses postula que a palavra deriva do latim Extrema Dorii — extremos do Douro — ou melhor — no outro extremo do Douro, fazendo referência à sua posição a sul deste rio e através do qual eram designados genericamente os territórios a sul dessa bacia.Palacios Martín, Bonifacio.
Outra, suportada por vários medievalistas, argumenta que o vocábulo «Estremadura» (Extremadura) deriva de «extremo», designando simplesmente o extremo sul de um reino. Este termo era usado durante a Reconquista para denominar as terras situadas nos extremos dos reinos cristãos do norte com o Al-Andalus muçulmano, tendo sido registado pela primeira vez no século X para designar a região em torno de Viseu. Deste modo, e no caso de Castela, estas eram as terras em volta do que é hoje a província de Sória (cujo escudo possui a inscrição "Soria pura cabeza de Extremadura" — tratar-se-ia da Estremadura castelhana). No caso do Reino de Leão, estes territórios mais extremos, distantes, e na primeira linha de defesa frente ao inimigo, ocupariam inicialmente uma boa parte da actual província de Cáceres, para depois se alargarem após a conquista do Reino de Badajoz — tratar-se-iam da Estremadura leonesa.
Um caso semelhante ocorre também com a Galiza estremeira, termo que designa os territórios fronteiriços das regiões vizinhas onde é falado o galego.
Não deve confundir-se a Estremadura espanhola com a antiga província portuguesa da Estremadura, embora a etimologia seja a mesma.
História
A Lusitânia foi uma antiga província romana que incluía uma parte do que é hoje Portugal (excepto a zona norte), e uma grande porção do que é hoje a Estremadura espanhola. Tinha como capital Emerita Augusta, a actual Mérida, uma das mais importantes cidades à época.
Muitos conquistadores espanhóis são originários da Estremadura, facto que está na origem de muitas cidades da América Latina terem nomes de aldeias e cidades da Estremadura: Mérida é nome de grandes cidades do México e da Venezuela, Medellín é uma pequena localidade estremenha, mas também a segunda maior cidade colombiana; Albuquerque é a maior cidade no Novo México e o seu nome provém de Alburquerque, na província de Badajoz.
Geografia A área da Estremadura é de , o que faz dela a 5ª Comunidade Autónoma de Espanha em área. As suas duas províncias são as maiores em área de Espanha.
Sistemas montanhosos Ao norte da comunidade erguem-se as serras do Sistema Central, com a Serra de Gredos, Serra de Béjar — onde a Estremadura alcança a sua maior altitude no Calvitero com — e Serra de Gata, que a separam da meseta norte-castelhana.
No centro encontra-se, de este para oeste, a Serra de las Villuercas, a Serra de Montánchez e a Serra de San Pedro, que fazem parte dos Montes de Toledo.
A sul eleva-se a Serra Morena, que separa Estremadura de Andaluzia. upright=0.85|thumb|Rio Ibor à passagem pela localidade de Bohonal de Ibor, na província de Cáceres
Hidrografia Todo o território estremenho pertence à vertente atlântica e a quatro bacias hidrográficas distintas: Tejo, cujos afluentes principais são, na margem direita (norte), o Tiétar e o Alagón, e na margem esquerda (sul), o Almonte, Ibor, o Salor e o Sever (este último fazendo fronteira com Portugal). Os afluentes da margem direita contribuem com maior caudal, dado que se alimentam principalmente das torrentes de montanha do Sistema Central, onde as precipitações são muito abundantes e no inverno se acumulam grandes quantidades de neve. Guadiana, cujos afluentes principais são, na margem direita (norte), o Guadarranque e o Ruecas, e na margem esquerda (sul), o Zújar — o mais caudaloso — e o Matachel Guadalquivir.
Clima esquerda|thumb|Vale do Jerte esquerda|thumb|Dehesa (pastagem de montado) estremenha na primavera O clima da Estremadura é do tipo mediterrânico, excepto no norte, onde é do tipo mediterrânico continentalizado, e no oeste, onde a influência do Atlântico faz com que o clima seja mais suave.
Em geral, e dado que o clima é mediterrânico, caracteriza-se por verões muito quentes, concentrando-se a precipitação nos resto do ano, já que no período estival é muito escassa. Os invernos são extensos e suavizados pela influência oceânica da relativa proximidade da costa atlântica portuguesa.
A orografia influencia decisivamente o clima em algumas partes da região, criando microclimas muito húmidos nas serras do norte, particularmente nas comarcas da Serra de Gata, Vale do Ambroz, Hurdes, Vale do Jerte e La Vera, onde as precipitações são muito abundantes.
Temperaturas As temperaturas médias anuais oscilam ente 16 e 17 °C. No norte a temperatura média é de 13 °C, mais baixa que os 18 °C do sul — os valores sobem à medida que se avança para sul, até chegar às imediações da Serra Morena, onde voltam a diminuir com a altitude.
Durante o verão a temperatura média do mês de julho ultrapassa os 26 °C, alcançando máximas acima dos 41 °C, acima do que se esperaria em teoria tendo em conta a relativa proximidade do Atlântico. A latitude da região determina que o grau de insolação seja elevado, o que, aliado à influência do anticiclone dos Açores e à reduzida altitude média da região, que oscila entre 200 e 400 m, determina a elevada temperatura média da região.
Os invernos são suaves. As temperaturas mais baixas registam-se nas zonas altas de montanha, como o Sistema Central, a serra de Guadalupe e algumas áreas da Serra Morena, onde a temperatura média no inverno é de 7,5 °C. thumb|Garganta (torrente) Mayor, na Serra de Tormantos, a norte de Plasencia
Precipitação A Precipitação anual oscila entre os 450 e 500 mm (litros por metro quadrado) nas zonas baixas e são muito mais abundantes nas comarcas do norte, especialmente em Serra de Gata, Vale do Ambroz, Hurdes, Vale do Jerte e La Vera, onde é comum ultrapassarem os 1200 mm anuais. Outras zonas de grande precipitação correspondem a lugares montanhosos, como a serra de Guadalupe e Serra Morena, onde é frequente alcançar os 1000 mm. As zonas onde a precipitação é menor são as de menor altitude — as Vegas Baixas do Guadiana.
A distribuição é muito sazonal, concentrando-se no inverno. Predomina a chuva de rajada, com ocorrências breves e bruscas, mais frequentes que a chuva contínua ou os chuviscos. Há períodos de vários anos em que a precipitação é maior (La Niña) e em que são menores (El Niño), que se sucedem alternadamente.
Demografia Municípios mais populososPosiçãoMunicípioPopulaçãoInstituto Nacional de Estadística de España, INE (2008-01-01). Real Decreto 2124/2008, de 2008-12-26 (BOE 312 de 2008-12-27) 1ªBadajoz||align=right|146 832 |- |2ª||align=left|Cáceres92 1873ªMérida||align=right|55 568 |- |4ª||align=left|Plasencia40 1055ªDon Benito||align=right|35 334 |- |6ª||align=left|Almendralejo33 1777ªVillanueva de la Serena||align=right|25 576 |- |8ª||align=left|Navalmoral de la Mata17 1039ªZafra||align=right|16 218 |- |10ª||align=left|Montijo15 973 A população da Estremadura é de habitantes, o que representa 2,38% da população espanhola ().
A densidade populacional é de , muito baixa em comparação com a espanhola ().
A província com mais população é a de Badajoz, com habitantes, com densidade populacional de e de área, o que faz dela a mais extensa de Espanha.
A província de Cáceres tem habitantes e ( de área, o que faz dela a segunda mais extensa de Espanha.
Os núcleos urbanos mais importantes em termos de população são Badajoz (), Cáceres () e Mérida ().
Estrangeiros No território estremenho vivem estrangeirosInstituto Nacional de Estadística de España, INE (2007-01-01) — na província de Badajoz e na de Cáceres.
A comunidade imigrante mais numerosa é a marroquina (), seguida da romena (), portuguesa (), brasileira () e colombiana ().
Entre os naturais da África subsahariana que vivem na Estremadura, a comunidade mais numerosa é a do Senegal, com 88 membros. No que respeita a pessoas originárias da Ásia, a maior comunidade é a chinesa, com 631 pessoas. thumb|Procissão da Semana Santa
Evolução histórica Segundo o censo de 1591, a população da Estremadura era de habitantes, 8% do total da Espanha. No censo fidedigno seguinte, que só se realizou em 1717, já só contava com .
Desde essa época a população verificou-se um aumento de população mais ou menos constante até aos anos 1960 ( em 1960).Fondo documental del Instituto Nacional de Estadística de España, INE. Censo 1960. Tomo III. Volúmenes provinciales. A partir daí assistiu-se a uma descida acentuada da população devido à emigração para outros países e para outras regiões mais prósperas de Espanha.
Religião Na Estremadura estão presentes numerosas confissões religiosas. A maior parte dos estremenhos são cristãos, católicos romanos na sua grande maioria, mas também evangélicos e anglicanos. As Testemunhas de Jeová e mórmons também têm alguns seguidores. Além disso, existem fiéis do Judaísmo e Islão, estes últimos com uma presença notável, que se estima em fiéis.