A Lua Me Disse é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 18 de abril a 30 de setembro de 2005, em 143 capítulos. Substituiu Começar de Novo e foi substituída por Bang Bang, sendo a 68ª "novela das sete" exibida pela emissora.

Escrita por Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, com a colaboração de Antonia Pellegrino, foi dirigida por Leandro Neri e André Felipe Binder. A direção geral foi de Rogério Gomes e Roberto Talma, com direção de núcleo de Roberto Talma.

Contou com Adriana Esteves, Wagner Moura, Marcos Pasquim, Zezé Polessa, Arlete Salles, Aracy Balabanian, Débora Bloch, Natália Lage e Maurício Mattar.

Enredo Nascida e criada no fictício Beco da Baiúca, Heloísa (Adriana Esteves) trabalha há alguns anos como babá para a milionária Maria Regina (Maitê Proença), com quem desenvolveu uma relação de amizade e confiança. Paralelamente, ela vive um romance com Ricardo (Frank Borges), filho da poderosa Ester Bogari (Zezé Polessa), que desaprova a união por Heloísa ser pobre. Após descobrir a gravidez da moça, Ricardo enfrenta a mãe, sofre um grave acidente e morre. Ester culpa Heloísa pela morte do filho e inicia uma batalha judicial pela guarda do neto, Artur (Guilherme Vieira).

Dez anos se passam. Heloísa cria Artur sozinha e prospera ao tornar-se administradora da rede de lojas populares “Frango com Tudo Dentro”. Agora ela se ver dividida entre Tadeu (Marcos Pasquim) — um homem misterioso e recém chegado ao Beco da Baiúca — e Gustavo (Wagner Moura), o filho mais velho e renegado de Ester, apaixonado por ela desde a juventude. Enquanto isso, Ester, incapaz de esquecer sua rivalidade com a nora, continua tentando afastar Artur da mãe através de manipulações e provocações veladas. Ao decorrer da trama, Tadeu cria uma obsessão doentia por Heloísa e acaba se aliando com Ester para tentar separá-la de Gustavo.

A vida de Heloísa sofre uma reviravolta quando Maria Regina morre e a nomeia tutora de sua filha adolescente, Branca (Monique Alfradique). Agora responsável legal pela menina, Heloísa passa a representá-la no Banco Benate Bogari, cuja coproprietária é, ironicamente, a própria Ester. A decisão de Maria Regina tinha um objetivo claro: impedir que Branca fosse entregue à avó ambiciosa, Leontina (Aracy Balabanian), e aos tios interesseiros, Madô (Débora Bloch) e Armando (Giuseppe Oristanio), que fariam de tudo para dilapidar o patrimônio antes da maioridade da herdeira.

Elenco Intérprete Personagem Adriana Esteves Heloísa Queiroz Wagner Moura Gustavo Bogari Prado Zezé Polessa Ester Bogari Prado / Maristela Marcos Pasquim Tadeu Martins Arlete Salles Ademilde Goldoni Débora Bloch Maria Doroteia Sá Marques Dantas (Madô) Aracy Balabanian Leontina Sá Marques Natália Lage Beatriz Carvalho Queiroz Patrícya Travassos Geórgia Bogari Maurício Mattar Lúcio Dantas Isabel Fillardis Violeta da Mata Monique Alfradique Branca Sá Marques Benate Paulo Vilhena Adonias Goldoni Pepita Rodríguez Diva Queiroz Otávio Augusto Alberto Queiroz Zezeh Barbosa Anastácia da Mata / Latoya Mary Sheyla Jurema da Mata / Whitney Luiz Guilherme José Murtinho (Zé Bisonho) Diva Pacheco Sulanca Murtinho Miguel Magno Roma Romantini (Dona Roma) / Amoroso Valentin Pannacota Stella Miranda Adalgisa Goldoni Bia Nunnes Adail Goldoni José D'Artagnan Júnior Adilson Goldoni Beth Goulart Elvira Góes Sá Marques Giuseppe Oristanio Armando Sá Marques Bete Coelho Marisa Queiroz Veiga (Marisinha) Mário Gomes Agenor Veiga / Solano Elizângela Assunta Velato Maria Zilda Bethlem Zelândia Fortunato Cláudio Marzo Ivan Lago Chica Xavier Dionísia da Mata Maria Gladys Naíde Alves Pedro Neschling Murilo Queiroz Veiga (Murilinho) Juliana Baroni Soraya Goldoni Rafael Paiva Pedro Bogari Lago Fernanda Rodrigues Julieta Pontes Goldoni João Velho Gibraltar Fortunato Guilhermina Guinle Sílvia Bogari Lago Cassio Scapin Samovar de Santa Luzia Sylvia Massari Morcega Macedo Luís Salém Talarico Pereira Carol Machado Vitza Vranska Hugo Gross Valdo Magalhães Raoni Carneiro Ramon Góes Sá Marques Jacqueline Laurence Emelyne Junot (Memé) Thelma Reston Gôndola Goldoni Ivan Cândido Anselmo Assunção Sandro Christopher Dauro Póvoas Simone Soares Marta Moraes Vergniaud Mendes Joaquim Carvalho Queiroz Jorge Maya Meia-Noite Bumba Jaçanã (Índia) Jorge de Sá Jorge da Mata (Jorginho) Roberta Rodrigues Zenóbia Ronaldo Tasso Evaristo As crianças Guilherme Vieira Artur Queiroz Bogari Daniel Torres Odorico Murtinho

Participações especiais Intérprete Personagem Maitê Proença Maria Regina Sá Marques Benate Frank Borges Ricardo Bogari Prado Ângela Rebello Oneida Carvalho Lauro Góes Inácio Martins Maria Regina Dalva Martins Iracema Starling Silvana Santti Martins Sérgio Mox Osvaldo Santti Débora Olivieri Janete Pontes Chaguinha Capitão Gomes(em flashbacks) Manoel Eliziário Seu Pinto(em flashbacks) Catarina Abdala Dedeja Murtinho Jens Peter Edward Pierre, Conde de Chatterville Xuxa Lopes Mildred Crawford Adriana Londoño Drª. Paulette Cristina Pereira Cigana Roseta Marcelo Mansfield Detetive Lobo Oswaldo Loureiro Deputado Boaventura Carlos Bonow Rodrigo (novo namorado de Geórgia no final) Ricardo Petraglia Cachorrão Polaco (pretendente de Ademilde) Joel (pretendente de Ademilde) Agildo Ribeiro Coriolano (pretendente de Ademilde) Stephan Nercessian Professor (pretendente de Ademilde) Adriano Reys Bandeira Dois (pretendente de Ademilde) Paulo César Pereio Carga Pesada (pretendente de Ademilde) Mário Cardoso Saudoso (pretendente de Ademilde) Eduardo Dussek Caricato (pretendente de Ademilde) Fábio Sabag Touro Sentado (pretendente de Ademilde) Carlo Mossy Nocaute Jackson (pretendente de Ademilde) Roberto Roney Everaldo (pretendente de Ademilde) Iara Jamra Mulher de Professor Ida Gomes Mãe de Coriolano Othon Bastos Juiz no caso de Heloísa Promotor no caso de Heloísa Sandra Barsotti Juíza do casamento de Heloísa e Gustavo Alexandre Zacchia Policial que investiga a invasão à casa de Heloísa Valéria Alencar Detenta amiga de Heloísa Jandir Ferrari Diretor do programa de Madô Pia Manfroni Produtora do programa de Madô Marcello Melo Virgílio, empregado de Ester Alessandra Maestrini Convidadas do programa de Madô Thalita Carauta Samantha Schmutz Inez Viana Ana Baird Mariana Vaz Funcionárias do Banco Bogari Andrea Mattar Renata Paschoal Nanah Garcia Ana Gloz Tradutora de Vitza Daniela Pessoa Assessora do deputado

Produção thumb|210px|left|As primeiras gravações ocorreram em Innsbruck, na Áustria. Desde o fim de Salsa e Merengue (1996), Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa tentavam emplacar outra telenovela juntos, porém suas sinopses sempre eram recusadas, uma vez que ambos escreviam o seriado Sai de Baixo entre 1996 e 2002 – o qual Miguel também protagonizava – e a emissora acreditava que dois projetos simultâneos iria desgasta-los. Em 1998, a telenovela Escândalo chegou a ser anunciada e teve José Wilker, Maitê Proença, Marília Pêra e Rosi Campos escalados para a história que iria expor os bastidores das revistas de celebridade, porém foi cancelada após Sai de Baixo ser renovado.

Apenas em maio de 2004, Miguel e Maria Carmem tiveram a sinopse de A Lua Me Disse aprovada e programada para substituir Começar de Novo. Apesar da história começar na Suíça, as primeiras gravações foram realizadas em Innsbruck, na Áustria, uma vez que o destino era mais barato, viajando para o local Maitê Proença, Débora Bloch, Aracy Balabanian e Monique Alfradique viajaram para a cidade de para gravar as primeiras cenas da novela referentes a seus personagens.

Escolha do elenco A direção teve dificuldades para fechar o trio de protagonistas – Heloísa, Gustavo e Tadeu – sendo convidados diversos atores como Cristiana Oliveira, Carolina Ferraz, Vladimir Brichta, Thiago Lacerda, Murilo Benício, entre outros que já estavam escalados para outras telenovelas. Decidiu-se então promover o novato Wagner Moura a protagonista e escalar a dupla Adriana Esteves e Marcos Pasquim, que já tinha repercutido positivamente em Kubanacan. Zezé Polessa interpretaria Ademilde, porém foi remanejada para a antagonista Ester e o papal anterior passou para Arlete Salles. Ângelo Paes Leme interpretaria Adonias, porém foi substituído por Paulo Vilhena. Monique Alfradique fez testes com outras 60 atrizes iniciantes para conseguir o posto da coprotagonista Branca.

Foi a estreia de Wagner Moura em telenovelas e também sua penúltima antes de voltar a dedicar-se apenas ao cinema e seriados, reiterando que não havia se enquadrado ao formato.

Exibição

Outras mídias Nunca reprisada, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay em 31 de julho de 2023, como parte do Projeto Resgate.

Controvérsias Acusações de racismo Antes da estreia, Miguel Falabella declarou que a novela abordaria o racismo no Brasil através das personagens de Zezeh Barbosa e Mary Sheyla, que originalmente ficariam ricas e seriam hostilizadas na alta sociedade. Porém os planos mudaram e as duas personagens foram retratadas como mulheres negras que tinham vergonha da cor de sua pele e de seus nomes, mudando-os para Latoya e Whitney. Parte do público viu as personagens como um recorte de pessoas reais que tem preconceito com a própria cor, porém a maioria achou a abordagem inadequada pelas duas sempre proferirem frases consideradas racistas contra outros negros de forma cômica em um horário que crianças poderiam ver, entender como piada e reproduzir. Apesar disso os autores fizeram a personagem Latoya terminar a trama trabalhando em um circo vestida de macaca, o que também gerou revolta.

Outro ponto problemático foi a empregada Índia, interpretada pela atriz indígena Bumba, que constantemente era alvo das humilhações das personagens de Stella Miranda e Bia Nunnes, sendo tratada como "selvagem" e "burra" por sua origem. Em julho de 2005 o Congresso Nacional do Brasil e a Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural fizeram uma nota de repúdio ao racismo retratado pela novela. Diversas denúncias foram registradas e Ministério Público Federal interveio na novela, vetando que cenas de humilhação contra negros ou indígenas sob alegação de que eram "constrangedoras ou degradantes" e classificando a abordagem como racismo.

Acusações de transfobia e homofobia Outro tema que incomodou o público foi a personagem Dona Roma, de Miguel Magno, considerada caricata e que reforçava estereótipos das travestis e transexuais, além do fato de ser interpretada por um homem em vez de uma atriz do gênero, refutando a representatividade. Além disso, as diversas ofensas trocadas pelos homens da novela se chamando de "bicha" e "baitola" foram consideradas inadmissíveis e que reforçavam a homofobia, fazendo a ONG Grupo Gay da Bahia processar os autores.

Advertência no Globoplay