Monjolinho é um distrito do município brasileiro de Ortigueira, no Paraná. Distrito criado pela Lei nº 2511 de 17 de março de 1928.
História As raízes históricas da região começam em 1610 com a Missão Guaíra, um empreendimento jesuíta espanhol com o objetivo de evangelizar indígenas que já habitavam as terras. Em 1622 foi fundada a redução São Francisco Xavier e em 1625 a de Nossa Senhora da Encarnación, atualmente na localidade de Natingui. Em 1691 um conflito triplo e sangrento na região resultou na dizimação das populações locais e um aparente vazio demográfico. Pesquisas apontam para invasão dos Bandeirantes Paulistas e a ataques de grupos indígenas rivais em busca de ouro, além de assassinato de escravos e colonos no fogo cruzado.
Antes de 1900, já residiam na região fazendeiros como Isidoro da Rocha Pinto, Manoel Teixeira Guimarães, Salvador Donato e o delegado Francisco Barbosa de Macedo. Já no início do século XX, por volta do ano 1900, os pioneiros Adolfo Alves de Souza, Domiciano Cordeiro dos Santos e Marcílio Rodrigues de Almeida, vindos do distrito de Socavão, no município de Castro, instalaram-se em um morro conhecido como Monjolinho. Eles chegaram acompanhados por uma caravana de sertanejos e formaram ali um pequeno povoado em terras que, na época, pertenciam ao município de Tibagi. O nome Monjolinho surgiu porque na região existia um monjolo (nome de origem indígena) movido a água usado pelos primeiros moradores para moer grãos, e o local acabou sendo identificado pela presença desse engenho rural.
Formação administrativa Em 17 de março de 1928 foi criado o distrito de Monjolinho no município de Tibagi, de acordo com a Lei nº 2511. Pelo decreto-lei estadual n.º 7573, de 20-10-1938, o distrito de Lajeado Bonito passou a denominar-se Queimadas e extingui-se o distrito de Monjolinho, sendo seu território anexado ao distrito de Queimadas (ex-Lajeado Bonito), no município de Tibagi. Pelo decreto-lei estadual n.º 199, de 30-12-1943, o distrito de Queimadas passou a denominar-se Ortigueira. Sob o mesmo decreto o distrito de Bela Vista passou a denominar-se Natingui. Em divisão territorial datada de 1-7-1950, o distrito de Ortigueira permanece no município de Tibagi. Elevado à categoria de município com a denominação de Ortigueira, pela lei estadual n.º 790, de 14-11-1951, desmembrado de Tibagi. Sede no antigo distrito de Ortigueira. Constituído de 5 distritos: Ortigueira, Barreiro, Lajeado Bonito, Monjolinho e Natingui (ex-Bela Vista) todos distritos, desmembrados do município de Tibagi. O município de Ortigueira foi instalado em 14-10-1952.
Demografia De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população no ano de 2010 era de habitantes. Nos últimos anos foi observado uma diminuição no número de residentes, sendo que, de acordo com o Censo de 2022, a área abrangida pelo distrito concentrava 1370 pessoas, sendo 202 residentes na área urbana e 89 domicílios. Já na área rural um total de 1479 pessoas e 742 domicílios.
Religião Na religiosidade local, há uma capela em homenagem à passagem do monge São João Maria pela localidade de Monjolinho. A pequena capela busca valorizar a tradição religiosa local e preservar um episódio marcante da história e da espiritualidade popular do município. De acordo com relatos transmitidos por antigos moradores, o monge teria permanecido acampado por cerca de três dias no ponto onde hoje se encontra uma cruz. A tradição oral afirma que, durante esse período, ele rezava, aconselhava os moradores e abençoava o lugar. Por essa razão, muitos habitantes passaram a considerar o local como sagrado e especialmente protegido, mantendo viva a devoção ao longo das gerações. O local continuou sendo visitado por fiéis e turistas que buscam fortalecer sua fé ou pagar promessas. Um dos principais atrativos do local é uma pequena bica de água que, segundo a crença popular, teria sido abençoada pelo monge. Muitos visitantes bebem dessa água ou levam pequenas quantidades para casa, acreditando em suas propriedades curativas. Também é comum que devotos deixem pedidos, bilhetes e promessas junto à cruz e à capela, mantendo uma tradição profundamente enraizada na cultura regional.
No âmbito religioso conta ainda com a Igreja Nossa Senhora Imaculada Conceição, principal igreja que representa a comunidade católica na localidade e pertence a Paróquia São Sebastião, de Ortigueira, confiada à congregação dos Padres Cavanis no Brasil, da Congregação das Escolas de Caridade.
Folclore e festividades O distrito possui um conjunto de narrativas tradicionais transmitidas principalmente pela oralidade entre moradores da zona rural. Muitas dessas histórias são consideradas parte do folclore do município. Essas narrativas frequentemente envolvem acontecimentos considerados sobrenaturais, aparições e histórias de tesouros escondidos, refletindo o imaginário coletivo das comunidades do interior do Paraná e que pode ser considerado patrimônio cultural imaterial. Uma das lendas mais conhecida pela comunidade deste distrito é "A lenda da Noiva Mariana e o Caldeirão de Ouro", que segundo a crença popular, o tesouro estaria ligado ao espírito da noiva, que guardaria ou indicaria o local onde o ouro foi escondido.
As festas na localidade são principalmente comunitárias e religiosas. Os eventos são organizados pela comunidade local e pela igreja da localidade, dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, onde no mês de dezembro é celebrado o louvor, incluindo missa festiva e almoço.
Infraestrutura No âmbito da educação, o distrito conta a com Escola Municipal Ulysses Guimarães e o Colégio Estadual Monjolinho.
O distrito é cortado por um trecho ferroviário que integra a Estrada de Ferro Central do Paraná.
Ligações externas
Categoria:Distritos de Ortigueira (Paraná) Categoria:Fundações no Paraná em 1928