Naomi Elaine Campbell (Londres, 22 de maio de 1970) é uma supermodelo e atriz britânica. Surgiu na década de 1980 junto com outras top models famosas da época. Tornou-se uma das figuras mais influentes da moda ao ser a primeira modelo negra a estampar capas de revistas de destaque, como a Vogue França.

Carreira Naomi Campbell iniciou sua carreira como modelo ainda na adolescência, após ser descoberta aos 15 anos enquanto estava com amigas em Covent Garden, em Londres. Na ocasião, foi abordada por Beth Boldt, então responsável pela agência Synchro Model Agency, que a incentivou a ingressar na carreira.

Após autorização de sua mãe, Campbell iniciou trabalhos como modelo ainda durante os estudos, conciliando a carreira com a formação escolar. Poucos meses depois, realizou seu primeiro trabalho internacional para a revista Elle, em uma sessão fotográfica nos Estados Unidos, o que marcou o início de sua projeção profissional.

Ainda na adolescência, passou a trabalhar regularmente em Paris, onde desenvolveu sua carreira no circuito europeu de moda e estabeleceu contatos com importantes nomes da indústria, como o estilista Azzedine Alaïa, que teve papel relevante em seus primeiros anos na profissão.

Em 1988, já consolidada como modelo requisitada por estilistas internacionais, Naomi Campbell tornou-se a primeira mulher negra a figurar na capa da edição francesa da revista Vogue. No mesmo período, também apareceu na capa da edição britânica da revista, tornando-se uma das primeiras modelos negras a alcançar esse tipo de projeção em publicações de grande circulação.

No ano seguinte, mudou-se para Nova Iorque, onde passou a residir e desenvolver sua carreira internacional, aparecendo posteriormente na capa da edição norte-americana da Vogue.

Naomi Campbell é amplamente reconhecida como uma das chamadas “supermodelos originais”, grupo de modelos que alcançou projeção internacional no final da década de 1980 e início dos anos 1990, período em que a profissão passou a ter maior visibilidade midiática e impacto cultural.

Nesse contexto, Campbell integrou um grupo de modelos frequentemente associado à consolidação do fenômeno das supermodels, ao lado de nomes como Cindy Crawford, Linda Evangelista e Christy Turlington.

Campbell manteve uma estreita colaboração com a casa de moda italiana Versace ao longo de sua carreira, sendo presença frequente em desfiles e campanhas da marca, especialmente durante as décadas de 1980 e 1990.

Nesse período, foi associada ao grupo de supermodelos que ajudaram a consolidar a identidade estética da Versace, marcada por desfiles de grande visibilidade e forte presença midiática.

Em 1991, Naomi Campbell participou de uma campanha publicitária da marca Guess, ao lado da modelo Eva Herzigová.

Em 1995, foi uma das modelos selecionadas para o calendário anual da Pirelli, publicação reconhecida por destacar personalidades do mundo da moda e da cultura. No mesmo ano, lançou o álbum Babywoman, que alcançou vendas significativas em alguns mercados internacionais, especialmente no Japão.

Ainda em 1995, publicou o romance Swan, centrado na vida de modelos internacionais, e lançou um livro fotográfico com imagens de sua carreira, cuja receita foi destinada a ações humanitárias, incluindo iniciativas ligadas à Cruz Vermelha.

Campbell também participou de atividades filantrópicas, incluindo colaborações com iniciativas apoiadas pela UNESCO, voltadas ao financiamento de projetos educacionais em países em desenvolvimento.

Na década de 1990, a supermodelo britânica tornou-se a primeira modelo negra a abrir um desfile da grife italiana Prada, em 1997. O feito foi considerado um marco na indústria da moda, em um contexto historicamente criticado pela baixa diversidade racial nas passarelas. Apenas em 2018, outra modelo negra voltaria a abrir um desfile da marca, quando Anok Yai foi escolhida para a mesma posição, mais de duas décadas após o feito de Campbell.

Em 1997, Campbell deixou de atuar como porta-voz da organização de defesa dos direitos dos animais People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), após utilizar uma peça de vestuário em pele durante um desfile de moda em Milão.

Em 2002, participou de um desfile do estilista Jean Paul Gaultier, apresentado após a aposentadoria de Yves Saint Laurent, no qual integrou a apresentação com figurino característico da proposta artística do evento.

No mesmo período, associou-se ao empreendimento Fashion Café, rede internacional de restaurantes vinculada ao universo da moda, em parceria com outras modelos como Elle Macpherson e Claudia Schiffer.

Naomi Campbell foi colocada na 6ª posição na lista das 20 modelos-ícones, publicada pelo site norte-americano Models.com.

Em 2008, participou de um ensaio fotográfico para a edição de dezembro da Vogue russa.

Em 3 de maio de 2010, Naomi Campbell participou de uma entrevista no programa The Oprah Winfrey Show, na qual abordou aspectos de sua trajetória profissional e experiências pessoais ao longo de sua carreira.

Ao longo da década de 2010, manteve residência em diferentes países, incluindo a Rússia, onde teve ligação com o empresário Vladislav Doronin.

Nos últimos anos, Naomi Campbell manteve presença ativa na indústria da moda, participando de desfiles e campanhas de marcas internacionais. Em 2024, foi tema da exposição “Naomi: In Fashion”, realizada no Victoria and Albert Museum, em Londres, dedicada aos seus mais de 40 anos de carreira.

No mesmo período, continuou a desfilar em semanas de moda internacionais, incluindo apresentações para Dolce & Gabbana e Dsquared2.

Campbell também continuou a aparecer em capas de revistas de moda, incluindo a edição de setembro da Vogue Brasil em 2025.

Escândalos Ao longo de sua carreira, Naomi Campbell esteve envolvida em controvérsias relacionadas ao seu comportamento profissional, frequentemente relatadas pela imprensa.

Em 21 de fevereiro de 2001 Campbell foi expulsa da loja Voyage, em Londres, depois de gritar com os empregados, que demoraram para abrir a porta para ela. Ela teve que sair da loja de roupas, exclusiva para sócios, depois de dizer aos empregados que eles deveriam tê-la reconhecido imediatamente, abrindo-lhe a porta mais rápido.

Em 3 de agosto de 2005 a atriz Yvonee Scio deu queixa à polícia de que Naomi Campbell, até então sua melhor amiga, a agrediu por usar um vestido igual ao dela. Yvonne declarou à polícia que foi hospitalizada com um corte na boca e várias contusões, após Naomi ter lhe dado socos e chutes no hotel Eden, em Roma, Itália. Devido ao ataque, Scio perdeu vários trabalhos até ter o rosto recuperado dos machucados.

Em outubro de 2006, Campbell foi detida no centro de Londres por agredir a psicóloga que lhe dava assistência no seu tratamento contra a toxicodependência.

Em 16 de janeiro de 2007, foi declarada culpada pela Corte Criminal de Manhattan (Manhattan Criminal Court) por agredir com um celular a sua empregada, Ana Scolavino, em seu apartamento, em Nova Iorque. A briga ocorreu em março de 2006 e foi motivada pela demora da empregada em achar uma calça. Os promotores disseram que o celular atingiu a cabeça da mulher, abrindo um corte, que exigiu alguns pontos. Naomi disse que não tinha a intenção de machucar a empregada, mas teve que pagar as despesas médicas de US$ 363 da ex-funcionária, fazer serviços comunitários durante cinco dias e assistir a sessões de terapia para controlar a raiva.

Em 3 de abril de 2008, aos 37 anos, foi presa no terminal 5 do aeroporto internacional de Heathrow, em Londres e libertada no dia seguinte, depois de pagar fiança. Havia ficado irritada, devido ao extravio de uma mala e agrediu dois policiais, aos quais chegou a chutar e cuspir, pelo que acabou sendo algemada. Em 20 de junho de 2008, o magistrado determinou que Campbell deveria cumprir 200 horas de serviços comunitários e pagar uma indenização de 200 libras (R$ 634) a cada um dos dois policiais agredidos. Disse o juiz Peter Yiacoumi:

Por causa desse incidente, foi banida do show de 90 anos do Nobel da Paz Nelson Mandela, ocorrido em 27 de junho de 2008 no Hyde Park, em Londres. Ele ficou desapontado com sua prisão, principalmente porque ela estava usando um boné de beisebol com o número 46664 na ocasião. 46664, foi o número de identificação do ex-presidente sul-africano durante seus 27 anos de prisão sob o regime do apartheid na prisão da ilha de Robben.

Em 3 de março de 2010, Naomi Campbel fugiu da polícia após agredir o chofer em Nova Iorque, por acreditar que ele ajudava o namorado dela, o empresário Vladislav Doronin, a encobrir possíveis traições dele. Pouco depois, o motorista, Miodrag Mejdina, emitiu um comunicado no qual dizia que teve "uma discussão com Naomi Campbell" e que "reagiu de forma exagerada", jogando a culpa da briga em si mesmo.

Em 31 de julho de 2015, Naomi Campbell foi condenada por um tribunal na ilha italiana de Lipari a seis meses de prisão com pena suspensa, após ser considerada culpada de agredir o fotógrafo Gaetano Di Giovanni durante um incidente ocorrido em agosto de 2009. O tribunal concluiu que Campbell atingiu o fotógrafo com a sua mala, causando-lhe uma lesão ocular. Apesar de um acordo entre as partes, o Ministério Público decidiu prosseguir o caso por considerá-lo de interesse público. A defesa de Campbell afirmou que iria recorrer da decisão.

Em 2024, Naomi foi afastada da gestão de instituições beneficentes após uma investigação do regulador britânico Charity Commission for England and Wales sobre a organização Fashion for Relief, fundada por ela. A investigação concluiu que houve múltiplos casos de má gestão financeira e governança inadequada na entidade. Entre abril de 2016 e julho de 2022, apenas cerca de 8,5% dos gastos totais da organização foram destinados a doações efetivas para causas beneficentes, enquanto parte dos recursos foi utilizada em despesas como hospedagem em hotel de luxo, tratamentos de spa e outros custos administrativos. Como resultado, Campbell foi proibida de atuar como administradora de instituições de caridade no Reino Unido por cinco anos, e a organização foi encerrada em 2024.

Campbell foi associada socialmente ao financista americano Jeffrey Epstein em registros públicos e documentos judiciais divulgados ao longo das investigações sobre a rede de abuso sexual liderada por ele. Campbell aparece no livro de contatos e em registros de voo do avião privado de Epstein, além de fotografias em eventos com ele e sua colaboradora Ghislaine Maxwell. A modelo afirmou que conheceu Epstein em 2001, quando foi apresentada a ele por seu então namorado, Flavio Briatore. Em declarações públicas após a prisão de Epstein em 2019, Campbell afirmou não ter conhecimento das atividades criminosas do financista e classificou seus crimes como “indefensáveis”, declarando apoio às vítimas.

Documentos judiciais e arquivos divulgados posteriormente indicam que Campbell manteve contato social com Epstein durante vários anos, incluindo convites para festas e eventos ligados ao mundo da moda. Registros também indicam que ela voou em seu avião privado e que seu nome aparece diversas vezes em documentos relacionados ao caso. Apesar dessas associações, Campbell não foi acusada de participação em crimes ligados à rede de tráfico sexual de Epstein, e seus representantes afirmam que ela não tinha conhecimento das atividades ilícitas do financista.

Naomi Campbell no Brasil Em abril de 2000, a edição brasileira da revista Playboy dedicou seis páginas à supermodelo (p. 156-161), que a partir de então esteve diversas vezes no Brasil.