O Monte da Guia é um cone vulcânico de origem submarina situado na freguesia das Angústias, junto à cidade da Horta, na ilha do Faial, arquipélago dos Açores. Eleva-se a 145 metros de altitude e liga-se ao restante território insular por um istmo arenoso que o une ao Monte Queimado e delimita a Baía do Porto Pim.

Em conjunto com o Monte Queimado e as áreas envolventes, encontra-se classificado como área de paisagem protegida desde 1980. No seu cume subsistem uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora da Guia e as instalações de uma bateria de costa erguida durante a Segunda Guerra Mundial.

Geologia O monte corresponde a um cone de tufos de tipo surtseiano, resultante de vulcanismo basáltico submarino com projeção predominante de cinza vulcânica. É constituído por camadas sobrepostas de tufo, estratificadas paralelamente às vertentes, correspondentes a depósitos piroclásticos de natureza hidromagmática parcialmente litificados e fortemente palagonitizados.

Possui duas crateras geminadas e parcialmente intersectantes, abertas a sul para o mar, as Caldeirinhas, também designadas Caldeira do Inferno, cuja vertente voltada ao oceano foi erodida pela ação marinha, permitindo a entrada livre da água.

O contíguo Monte Queimado constitui um cone de escórias basálticas, associado a uma erupção subaérea de tipo estromboliano, elevando-se a 81 metros de altitude. Nas suas encostas, parcialmente desmanteladas pela erosão marinha, são observáveis os materiais piroclásticos que o compõem, cinza, lapilli e bombas vulcânicas, bem como filões basálticos.

Toponímia e ocupação humana O topónimo deriva da invocação de Nossa Senhora da Guia, padroeira dos pescadores, cuja ermida, situada no cume, domina a paisagem.

A vertente voltada à cidade, de declive mais suave, foi historicamente dividida em compartimentos regulares destinados a hortas, jardins e campos de cultivo, sobretudo de milho. O local encontra-se igualmente associado à baleação e à passagem dos cabos submarinos transatlânticos, subsistindo edificado ligado a ambas as atividades, bem como à presença da família Dabney na ilha.

Área de Paisagem Protegida miniaturadaimagem|220x220px|A baía de Porto Pim, em dia de tempestade, com o monte ao fundo, em 2010 O Monte da Guia, o Monte Queimado e as áreas envolventes foram classificados como paisagem protegida pelo Decreto Regional n.º 1/80/A, de 31 de janeiro, em função do seu valor paisagístico e da riqueza florística e ornitológica do conjunto. O regime de gestão da área foi estabelecido pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 13/84/A, de 31 de março, que fixou os respetivos limites, objetivos de proteção e condicionamentos.

A área abrange cerca de 74 hectares e integra crateras, encostas, arribas, baías, enseadas, praias de calhau e de areia, recifes rochosos e grutas marinhas. A sua gestão compete ao Parque Natural do Faial, sob tutela da Secretaria Regional do Ambiente.

Flora e fauna Ocorrem no local espécies endémicas dos Açores, entre as quais a urze (Erica azorica), a erva-leiteira (Euphorbia azorica) e o bracel-da-rocha (Festuca petraea), bem como espécies nativas como a faia-da-terra (Morella faya) e o junco-agudo (Juncus acutus). O istmo alberga o habitat prioritário de dunas cinzentas; nele ocorre ainda a convolvulácea Ipomoea stolonifera.

A área constitui habitat privilegiado para a avifauna, sendo observáveis o cagarro (Calonectris borealis), o garajau-comum (Sterna hirundo), a garça-real (Ardea cinerea), a gaivota-argêntea e o pombo-das-rochas.

Ambiente marinho miniaturadaimagem|220x220px|As Caldeirinhas, crateras geminadas abertas ao mar na vertente sul do monte, em 2020 Os fundos abrangidos pela área protegida são de rocha e gravilha até uma profundidade máxima de 26 metros, apresentando os fundos adjacentes exteriores maior diversidade, com zonas de laje, blocos rochosos, paredes verticais, grutas e fundos de areia. O conjunto é amplamente representativo da biodiversidade marinha dos Açores. A baía de Porto Pim e as Caldeirinhas revestem-se de importância acrescida enquanto zonas de maternidade de várias espécies piscícolas.

As vertentes submarinas voltadas ao oceano, mais erodidas, são utilizadas para a prática do mergulho, ao contrário das voltadas à Baía do Porto Pim, mais abrigadas.

Enquadramento legal Entre 1984 e 2012, vigorou o regime do Decreto Regulamentar Regional n.º 13/84/A, de 31 de março, diploma regulamentador da classificação operada em 1980.

O Decreto Legislativo Regional n.º 46/2008/A, de 7 de novembro, criou o Parque Natural da Ilha do Faial, no qual a Área de Paisagem Protegida do Monte da Guia passou a integrar-se com o código FAI08, a par da Reserva Natural das Caldeirinhas (FAI01), abrangida pelos seus limites.Decreto Legislativo Regional n.º 46/2008/A, de 7 de novembro, Diário da República, 1.ª série, n.º 216.

O Decreto Regulamentar Regional n.º 19/2012/A, de 3 de setembro, que aprovou o plano de ordenamento aplicável à faixa costeira da ilha do Faial, passou a constituir o plano de ordenamento destas áreas protegidas, revogando o Decreto Regulamentar Regional n.º 13/84/A.Decreto Regulamentar Regional n.º 19/2012/A, de 3 de setembro, Diário da República, 1.ª série, n.º 171. miniaturadaimagem|220x220px|Anfiteatro da Bateria de Costa, em 2021 O regime atualmente aplicável decorre do Decreto Legislativo Regional n.º 7/2019/A, de 27 de março, que mantém a classificação da área e a sua articulação com a Reserva Natural das Caldeirinhas e com a Zona Especial de Conservação Monte da Guia.Decreto Legislativo Regional n.º 7/2019/A, de 27 de março, Diário da República, 1.ª série, n.º 61.

A área integra ainda o geossítio Monte da Guia e Porto Pim do Açores Geoparque Mundial da UNESCO e a Zona Especial de Conservação do Monte da Guia, no âmbito da Rede Natura 2000. Em seu redor desenvolve-se a Área Protegida de Gestão de Recursos do Canal Faial-Pico, sector Faial.

Bateria de Costa A Bateria de Costa do Monte da Guia foi estabelecida no cume do monte em 1941, no contexto da Segunda Guerra Mundial, com a função de defesa da cidade da Horta e do canal entre as ilhas do Faial e do Pico. Cooperava com a Bateria de Costa da Espalamaca e com a Bateria Antiaérea do Monte Carneiro. Juntamente com a bateria da Espalamaca, foi guarnecida pela Bateria Independente de Defesa da Costa (BIDC3), dispondo cada uma de dois oficiais subalternos, seis sargentos ou furriéis e vinte praças. O seu armamento provinha de peças que haviam pertencido ao couraçado Vasco da Gama, abatido ao efetivo em 1936.

Capela e miradouro

No topo do monte encontra-se a Capela de Nossa Senhora da Guia, dada como concluída em 1943 e erguida no local de uma primitiva ermida da mesma invocação, aberta ao culto em 1714. Nossa Senhora da Guia é considerada padroeira dos pescadores e dos marítimos da ilha, sendo a sua imagem levada anualmente, no primeiro domingo da Semana do Mar, numa procissão que parte da ermida, atravessa a baía do Porto Pim em cortejo náutico e termina na igreja das Angústias.

Junto à capela situa-se o Miradouro do Monte da Guia, de onde se observam a baía do Porto Pim, a cidade da Horta, as ilhas do Pico e de São Jorge e a faixa costeira até ao Morro de Castelo Branco.

Acesso e visitação miniaturadaimagem|220x220px|Estrada de acesso ao monte, em 2021 O cume é acessível por estrada e pelo trilho pedestre Entre Montes (PRC08FAI), que percorre igualmente o Monte Queimado. Do miradouro natural avistam-se a cidade da Horta, a baía de Porto Pim e, em dias de boa visibilidade, as ilhas do Pico, de São Jorge e Graciosa. Nas imediações situam-se a Casa dos Dabney, a Estação de Peixes Vivos - Aquário do Porto Pim e a Fábrica da Baleia de Porto Pim.

Em outubro de 2018, um deslizamento de terras no Monte Queimado obrigou ao encerramento temporário do Ramal do Monte da Guia, condicionando o acesso rodoviário aos centros ambientais. Após avaliação do Laboratório Regional de Engenharia Civil, que concluiu pela inviabilidade de intervenção no talude, foi adotada a solução de reperfilamento da via. A empreitada, contratada em julho de 2020, envolveu um investimento aproximado de meio milhão de euros e incluiu a execução de muros em betão armado.

O Parque Natural do Faial, no qual se insere a área protegida, foi distinguido em 2011 com o prémio EDEN, atribuído pela Comissão Europeia a Destinos Europeus de Excelência em turismo sustentável.

Ver também Antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim Capela de Nossa Senhora da Guia (Horta) Porto Pim Praia de Porto Pim Rede de Áreas Protegidas dos Açores

Referências

Bibliografia BARREIRA, César Gabriel. Um Olhar sobre a Cidade da Horta. Horta (Faial): Núcleo Cultural da Horta, 1995. MENESES, Manuel Sousa. «A defesa dos Açores no período da 2.ª Guerra Mundial (1939-1945)», in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II. Angra do Heroísmo: Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1989, pp. 1399-1516. Faial, Açores: Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View — Actividades Turísticas, Lda., 2003. ISBN 972-96057-1-8, p. 80. Levantamento dos Fortes Açoreanos, registo n.º 77137.

Ligações externas

Monte da Guia nos Parques Naturais dos Açores Bateria de Costa do Monte da Guia, no Inventário do Património Imóvel dos Açores/Horta

Categoria:Horta Categoria:Montanhas dos Açores Categoria:Paisagens protegidas de Portugal Categoria:Sítios de Importância Comunitária em Portugal Monte Guia, Bateria Costa Do