Keiko Sofía Fujimori Higuchi (Lima, 25 de maio de 1975) é uma administradora de empresas e política peruana que atualmente é a presidente do Peru desde 2026. Líder do partido Força Popular desde 2010, integrou o Congresso entre 2006 e 2011 e foi candidata à presidência quatro vezes, chegando ao segundo turno em todas as ocasiões. Como filha do ex-presidente Alberto Fujimori, desempenhou a função de primeira-dama entre 1994 e 2000 após o divórcio de seus pais.

Keiko é a filha primogênita de Alberto e de Susana Higuchi, ex-congressista. Depois de terminar o ensino secundário, mudou-se para os Estados Unidos, onde estudou administração de empresas. Em meio à separação dos pais, retornou ao Peru e tornou-se, em agosto de 1994, a primeira-dama. Nessa posição, acompanhou Alberto em viagens internacionais e compromissos oficiais. Mais tarde, voltou para os Estados Unidos e prosseguiu os estudos na Universidade de Boston, concluindo o bacharelado em artes (BA) em administração de empresas. Keiko cumpriu seus afazeres como primeira-dama até 2000, quando Alberto renunciou à presidência em meio a um escândalo de corrupção e se exilou no Japão.

Após o encerramento de uma comissão que investigou sua família por denúncias de corrupção, sem que tenha sido indiciada, mudou-se para Nova Iorque a fim de retomar os estudos. Neste período, tornou-se sócia de uma empresa, concluiu um mestrado em administração de empresas (MBA) na Universidade Columbia e conheceu seu futuro marido, Mark Vito Villanella, com quem casou-se em 2004 e teve duas filhas. Depois da prisão de Alberto no Chile, Keiko voltou ao Peru para defender seu legado e concorrer ao Congresso da República nas eleições gerais de 2006. Foi eleita a congressista mais votada da história do país, com mais de seiscentos mil votos, um recorde que prevalece até os dias atuais. No período em que fez parte do Congresso, foi uma parlamentar discreta que também atuou como porta-voz do fujimorismo, um movimento populista de direita.

Em 2008, Keiko fundou e passou a comandar o partido Fuerza 2011, mais tarde renomeado para Força Popular. Foi por esta agremiação que disputou as eleições de 2011, 2016 e 2021, com derrotas em todas as disputas, sempre por margens estreitas. Durante as campanhas, frequentemente evocou o legado de seu pai. Entre 2018 e 2020, permaneceu por mais de um ano presa no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, acusada de crimes como lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. Sustentando ser alvo de perseguição política, teve o processo penal posteriormente arquivado pelo Tribunal Constitucional em relação às acusações mais graves. Em 2026, venceu a eleição presidencial com 50,13% dos votos, tornando-se a primeira mulher eleita para o cargo e a segunda mulher a ocupar a presidência.

Primeiros anos, educação, carreira e família Início de vida, educação e primeira-dama do Peru Keiko Sofía Fujimori Higuchi (em japonês 藤森 恵子) nasceu em 25 de maio de 1975 no distrito Jesús María, em Lima, a capital do Peru. É a filha primogênita de Alberto Fujimori e Susana Higuchi, ambos descendentes de imigrantes japoneses. Além dela, seus pais tiveram outros três filhos: Hiro Alberto (nascido em dezembro de 1976), Sachi Marcela (março de 1979) e Kenji Gerardo (maio de 1980). Keiko e seus irmãos estudaram no colégio Sagrados Corazones Recoleta, uma instituição de ensino privada administrada pela Igreja Católica. Neste educandário, Keiko cursou o ensino primário e secundário.

Em 1990, seu pai foi eleito presidente. Em 1992, Alberto deu um autogolpe que dissolveu o Congresso, interveio no Poder Judiciário e na imprensa e perseguiu opositores. Posteriormente, com a aprovação de uma nova constituição, Alberto pôde ser candidato à reeleição. No mesmo ano, Keiko terminou o ensino secundário e, em 1993, mudou-se para os Estados Unidos, onde estudou inglês e cursou administração de empresas na Universidade Estadual de Nova Iorque em Stony Brook.

Em 1994, sua mãe começou a acusar o marido de tentar silenciá-la, de torturá-la e denunciou esquemas de corrupção no governo. Por sua vez, Alberto defendia-se e rejeitava as acusações. Alberto e Susana separaram-se ainda naquele ano. Com isso, retornou ao seu país e interrompeu seus estudos em Stony Brook. Em 23 de agosto de 1994, assumiu as funções de primeira-dama, tornando-se a mais jovem primeira-dama do continente americano. Juntamente com suas atribuições simbólicas, como acompanhar o pai em compromissos públicos, também chefiava a Fundação pelas Crianças e a Fundação Peruana Cardioinfantil, fundada por ela em março de 1996 para operar crianças com cardiopatias congênitas.

Em maio de 1997, concluiu seus estudos na Universidade de Boston, recebendo o título de bacharel de artes em administração de empresas. Durante sua temporada nesta universidade, que começou em julho de 1995, cumpriu simultaneamente suas obrigações como estudante e primeira-dama. Nos três anos seguintes, acompanhou Alberto em diversas viagens, representando o país em conferências realizadas em Santiago, Ottawa e Cartagena das Índias.

Como primeira dama, passou por três polêmicas principais que lhe renderam críticas: a acusação de que roupas doadas para a caridade pelos japoneses haviam sido desviadas, o que foi mais tarde arquivado pela Suprema Corte; a de ter mandado pintar salas do Palácio do Governo de rosa; e o que foi visto por seus opositores como uma falta de defesa de sua mãe quando esta denunciou que era perseguida pelo presidente. Em relação a esta última polêmica, Keiko se defendeu alegando que era uma "lenda" as supostas torturas contra sua mãe. Mãe e filha reconciliaram-se no ano de 2004, e Susana afirmou que pediu a Keiko para tornar-se primeira-dama do país em seu lugar, bem como a apoiou em suas campanhas eleitorais.

Em 1998, quando Alberto tentava postular uma nova reeleição, Keiko declarou-se contrária à iniciativa do pai ao assinar um documento produzido pela oposição. Na ocasião, declarou: "Como filha eu preferiria que meu pai descansasse, mas como cidadã penso que o país precisa [dele]." No entanto, Keiko ajudou o pai em sua candidatura à reeleição em abril de 2000, o que já havia feito na campanha de 1995. Em novembro de 2000, aproveitando-se de uma viagem a Brunei, Alberto fugiu para o Japão e renunciou à presidência em meio a um escândalo de corrupção que tornou o seu governo insustentável. Na época, Keiko pediu para que seu pai não renunciasse e voltasse ao Peru para se defender. Em agosto de 2001, ela viajou para Tóquio para encontrar-se com ele, que tinha dupla cidadania, o que fez com que o Japão negasse os pedidos para extraditá-lo. Posteriormente, o ex-presidente foi para o Chile com a intenção de voltar ao Peru e postular-se novamente como candidato à presidência.

Investigações, continuação dos estudos, casamento e família Em janeiro de 2001, a Comissão Waisman, formada por congressistas, investigou os Fujimori por suspeitas de corrupção. A comissão chegou a evidências consistentes de que os estudos no exterior de Keiko e seus irmãos foram pagos com dinheiro não declarado às autoridades fiscais. Vladimiro Montesinos, um dos principais assessores de Alberto, afirmou que tais recursos originaram-se de fundos do Serviço de Inteligência Nacional. Durante as audiências em que foi ouvida, Keiko assegurou que o financiamento de seus estudos havia sido feito de forma legal, com recursos da família provenientes da venda de uma propriedade. Ao contrário de seus familiares que fugiram do país para escaparem da justiça, ela permaneceu no Peru e colaborou com as autoridades. A Comissão Waisman acabou não indiciando penalmente Keiko e seus irmãos. Uma década depois um fiscal reabriu o caso, que foi arquivado pelo Ministério Público. Ao todo, o Congresso instaurou oito comissões de inquérito sobre o caso, mas nenhuma concluiu pela existência de um crime.

Em 2002, viajou para Nova Iorque com a intenção de estudar na Universidade de Columbia. Além de continuar seus estudos, a mudança também propositava tirá-la do foco da mídia peruana. Neste período tornou-se sócia da Summit Products, uma empresa exportadora de produtos naturais e aromaterapia cultivados e produzidos no Peru. Foi acionista desta empresa até 2008.

Em Nova Iorque, Keiko conheceu Mark Vito Villanella, um norte-americano de Berkeley Heights descendente de italianos e nascido em 1976. Eles casaram-se em 13 de julho de 2004 em uma cerimônia católica realizada no distrito de Miraflores e conduzida pelo arcebispo Juan Luis Cipriani Thorne. Depois do casamento, retornaram a Nova Iorque, onde Keiko começou a cursar um mestrado em administração de empresas (MBA) na Universidade de Columbia. Naquela época, não tinha a intenção de voltar ao seu país e ter uma carreira profissional lá. O casal, no entanto, voltou ao Peru, onde Villanella ganhou cidadania peruana e tornou-se dono de uma imobiliária. A primeira filha do casal, Kyara Sofia, nasceu em 2007, e a segunda, Marcela Kaori, em 2009. Keiko e Mark se divorciaram em junho de 2022.

Congressista

Durante a década em que esteve no poder, Alberto conseguiu estabilizar a economia e derrotar o grupo terrorista Sendero Luminoso. No entanto, seu legado foi marcado por pontos negativos: um alto nível de corrupção, sendo considerado por muitos como um dos governos mais corruptos da história do país; violações de direitos humanos; e o autogolpe de 1992. Após sua prisão no Chile, em 2005, ficou impedido de candidatar-se à presidência, bem como teve indeferida sua aliança Sí Cumple. Por este motivo, partidários de agremiações políticas que deram sustentação ao governo Fujimori criaram a Aliança pelo Futuro. Com o ex-presidente legalmente impedido de presidir o novo partido, Keiko foi registrada como a presidente. Neste contexto, voltou ao país com a missão de defender as aspirações presidenciais do pai e concorrer ao Congresso nas eleições gerais de 2006. Como ela própria admitiu, sua candidatura foi ideia de seu pai.

Em 6 de janeiro de 2006, Keiko conseguiu a inclusão da Aliança pelo Futuro no Registro de Organizações Políticas. Nas eleições legislativas daquele ano, encabeçou a lista de seu partido como candidata ao parlamento pela Região Metropolitana de Lima. A candidatura da aliança para a presidência, liderada por Martha Chávez Cossio e tendo como primeiro vice-presidente Santiago Fujimori, irmão de Alberto, ficou em quarto lugar, com 7,4% dos votos. Keiko foi a congressista mais votada naquele ano, com votos (14,55%), o triplo do segundo colocado, constituindo um recorde de parlamentar mais votada do Peru, o qual perdura até os dias atuais. A Aliança pelo Futuro recebeu 1,4 milhão de votos nas eleições legislativas, ou 13% do total de votos válidos, elegendo treze congressistas e transformando-se na quarta maior força política do Congresso. Na noite do primeiro turno, em 9 de abril, declarou: "Eu acho que uma grande parte do apoio é porque eu sou filha de Alberto Fujimori e, obviamente, eu sou a destinatária do amor e gratidão que as pessoas têm para o meu pai."

Com a eleição de Alan García para a presidência, Keiko fez parte do grupo oposicionista no Congresso. Ela adotou um tom moderado em relação a García, que tinha uma minoria parlamentar, e inclusive deu a entender que poderia cooperar com certas políticas. De qualquer forma, Keiko e seu bloco parlamentar deram apoio a diversos projetos do governo Alan García, como a malsucedida reforma do Código Penal que visava reintroduzir a pena de morte para condenados por terrorismo. Mais tarde, propôs a restauração da pena de morte para estupradores de menores de idade e autores de latrocínios.

thumb|esquerda|Keiko durante debate parlamentar, em 2010