O Arsenal do Exército foi um estabelecimento industrial e logístico do Exército Português, destinado a garantir o fabrico, o armazenamento e a distribuição de artilharia e de outro equipamento ao Exército e à Armada.

Com origem nas Tercenas das Portas da Cruz criadas no século XV, passou sucessivamente a Tenência em 1640 e a Arsenal Real do Exército em 1764. Foi extinto definitivamente em 1927. No antigo edifício onde funcionava a sede do Arsenal do Exército e a sua Fundição de Baixo está hoje instalado o Museu Militar de Lisboa.

História Tercenas das Portas da Cruz No local de onde viria mais tarde a ser a sede do Arsenal do Exército, desde o final do século XV, funcionavam as Tercenas das Portas da Cruz, estabelecimento que incluía oficinas de fundição de artilharia e de fabrico de pólvora e armazéns de material de guerra. As Tercenas situavam-se no exterior da antiga Cerca Fernandina de Lisboa, próximo das suas Portas da Cruz e junto ao rio Tejo.

As oficinas de fundição de artilharia situavam-se na parte de baixo do edifício das Tercenas, começando a ser conhecidas por "Fundição de Baixo".

Durante os reinados de D. Manuel I, D. João III e D. Sebastião, as Tercenas das Portas da Cruz vão sofrendo grande desenvolvimento, fornecendo artilharia para as armadas que participavam nas explorações marítimas portuguesas e às fortalezas estabelecidas no Ultramar.

Contudo, com a União Ibérica estabelecida em 1580, as Tercenas iniciam um período de decadência. São despojadas de muito do seu material e a sua produção é enviada na totalidade para Castela. Por essa razão, a Fundição de Baixo passa a ser conhecida como "Fundição dos Castelhanos".

Tenência Restaurada a Independência a 1 de dezembro de 1640, é criada a Tenência sob a direção do tenente-general de artilharia do Reino, cujo primeiro titular foi Rui Correia Lucas. A Tenência constituía a repartição do Estado encarregue de assegurar o fabrico, o armazenamento e a distribuição de artilharia e outro material de guerra às forças armadas, funcionando na dependência da Junta dos Três Estados. A Repartição da Tenência estava instalada por cima da Fundição de Baixo.

Dependentes da Tenência, estavam também todos os artilheiros do Reino, exercendo o tenente-general de artilharia a função de juiz dos mesmos.

Durante a Guerra da Restauração, a Tenência assegurou o fornecimento de material ao Exército Português, contribuindo para a sua vitória.

Durante os séculos XVII e XVIII, a Fundição de Baixo foi objeto de obras de desenvolvimento. Contudo, dada a sua impossibilidade de expansão, foram sendo criadas outras unidades fabris sob a dependência da Tenência, entre as quais a Fundição de Cima, no atual Campo de Santa Clara.

No reinado de D. João V, o edifício da Fundição de Baixo sofre obras de grande remodelação que não chegam a estar terminadas quando ocorre o terramoto de 1 de novembro de 1755, já durante o reinado de D. José I. Depois das destruições causadas pelo terramoto, o marquês de Pombal ordena a construção de um novo edifício em 1760.

Arsenal do Exército Na sequência da reorganização do Exército, realizada sob a direção do conde de Lippe, através do Alvará de 24 de março de 1764, a Tenência passa a designar-se "Arsenal Real do Exército", continuando sob a chefia do tenente-general de artilharia do Reino.

Para além de dirigir diretamente o Arsenal do Exército em Lisboa, que funcionava como armazém geral do Exército e armazém regional para a Corte e província da Estremadura, o tenente-general de artilharia também superintendia em dois estabelecimentos regionais. O primeiro destes era a Vedoria-Geral de Artilharia da Província do Alentejo, em Estremoz, que se destinava a abastecer as tropas das províncias meridionais (Alentejo e Algarve), e o segundo era o Armazém Provincial da Cidade do Porto, que se destinava a abastecer as tropas nas províncias setentrionais (Beira, Minho, Trás-os-Montes e Partido do Porto).

Por esta altura, são instaladas, no primeiro andar, do edifício sede do Arsenal do Exército, cinco salas de armas ricamente decoradas com pinturas e esculturas de artistas portugueses, onde são expostas armas e armaduras antigas, bandeiras, troféus de vitórias dos portugueses e bustos de personagens históricas ilustres. Estas salas constituem o precursor do atual Museu Militar de Lisboa.

Em 14 de janeiro de 1791 a sua gestão foi entregue à Junta dos Três Estados.Junta dos Três Estados, AATT.

Por alturas de 1800, sob a direção do tenente-general Bartolomeu da Costa, o Arsenal do Exército sofre um grande incremento. Na época, constituía o maior complexo industrial do país, estando na vanguarda da tecnologia mundial.

Em 1833, é extinta a Junta dos Três Estados, passando a direção do Arsenal do Exército e estar a cargo de um inspetor do Arsenal.

Em meados do século XIX, o Arsenal do Exército inclui as seguintes unidades industriais e logísticas: Fundição de Baixo, Fundição de Cima, Igreja de Santa Engrácia (ainda inacabada na altura), Oficinas de Espingardeiros, Coronheiros, Ferreiros e Correeiros de Santa Clara, Colégio de Aprendizes e Oficina Pirotécnica de Santa Apolónia (antigo Convento de Santa Apolónia), Arrecadação de Projéteis de Cruz da Pedra, Refino de Salitre e Enxofre de Alcântara, Fábricas de Pólvora de Barcarena, Armazéns e Fornos de Carvão de Rilvas, Armazéns de Pólvora de Caxias, Armazéns de Pólvora do Forte da Areia, Paióis de Beirolas, Armazéns de Cartuchame e Projéteis de Braço de Prata, Trem de Elvas e Fundições e Ferraria da Foz de Alge.

Na sequência do plano para a reorganização da arma de artilharia, implementado através do Decreto de 11 de dezembro de 1869, é extinto o cargo de inspetor do Arsenal do Exército, o que origina a extinção implícita do Arsenal do Exército, ficando cada uma das suas unidades fabris na dependência direta do diretor-geral de artilharia.

O Arsenal do Exército é restabelecido em 1898, agrupando os seguintes estabelecimentos: Fundição de Canhões, Fábrica de Armas, Fábrica de Pólvora, Fábrica de Pólvora sem Fumo e Depósito de Material de Guerra. Em 1908, também incorporada no Arsenal, é inaugurada a Fábrica de Projéteis de Artilharia em Braço de Prata.

Em 1927, o Arsenal do Exército foi extinto definitivamente, passando as suas diversas unidades de produção a constituir estabelecimentos independentes.

Já no início da década de 1980, vários dos estabelecimentos industriais que haviam integrado o antigo Arsenal do Exército voltam a ser reunidos sob uma administração comum, constituindo a empresa pública INDEP - Indústrias Nacionais de Defesa, EP.TAVARES, João Moreira, Indústria Militar Portuguesa no Tempo da Guerra 1961-1974, Casal de Cambra: Caleidoscópio, 2005

Ver também Arsenal Real da Marinha de Lisboa Fábrica Militar de Braço de Prata Museu Militar de Lisboa

Ligações externas

Arsenal Real do Exército, por Felipe Pessanha de Almeida, MAPA, 9 de Novembro de 2016| Última atualização em 17 de Abril de 2017

Categoria:Exército Português Categoria:Junta dos Três Estados Categoria:Extinções em Portugal em 1937