thumb| direita| 300px| Pedro e Paulo.Por El Greco, atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo. O Incidente em Antioquia é o título-padrão que os historiadores se utilizam para se referir à disputa, nos primeiros anos da Igreja, entre os apóstolos Paulo e Pedro, que ocorreu na cidade de Antioquia por volta do meio do século I d.C. A fonte primária para o incidente é a Epístola aos Gálatas, de Paulo (). Desde F.C. Baur, os acadêmicos encontraram evidências de conflitos entre os líderes da igreja antiga. Como exemplo, James D. G. Dunn propôs que Pedro seria um "intermediário" entre as visões conflitantes de Paulo (mais próxima dos gentios) e Tiago, o Justo (mais próxima dos judeus).: "Pois Pedro era provavelmente, de fato e de direito, o intermediário que fez que qualquer outro para manter unida a diversidade existente na era apostólica. Tiago, irmão de Jesus, e Paulo, os dois mais proeminentes líderes na época, além de Pedro, estavam muito identificados com suas respectivas "marcas" de cristianismo, pelo menos aos olhos dos que estavam no polo oposto deste espectro. Mas Pedro, como visto principalmente no incidente em Antioquia em Galátas 2, tinha tanto o cuidado de manter sua herança judaica , que faltava em Paulo, e uma abertura para as demandas impostas pelo nascente cristianismo, que Tiago não tinha." [itálicos no original]
Cristãos gentios e a Torá
Conforme os gentios começaram a se converter do paganismo para o cristianismo, uma disputa surgiu entre os líderes da nascente igreja se eles deveriam ou não observar todos os mandamentos da Lei Mosaica. Em particular, se debatia se os gentios convertidos precisariam ou não ser circuncidados e se precisavam observar as regras alimentares dos judeus. A circuncisão em particular era considerada repulsiva pela cultura helenística.: "O contato com a vida grega, especialmente os jogos na arena [que envolviam nudez], fizeram com que a distinção ficasse óbvia para os helenistas, ou anti-nacionalistas; e a consequência foi a tentativa de parecer cada vez mais com os gregos por epispasmo ('cobrir a marca de sua circuncisão'); I Macc. i. 15; Josephus, "Ant." xii. 5, § 1; Assumptio Mosis, viii.; I Cor. vii. 18; , Tosef., Shab. xv. 9; Yeb. 72a, b; Yer. Peah i. 16b; Yeb. viii. 9a). E, acima de tudo, os judeus observantes desafiaram o édito de Antíoco IV Epifânio proibindo a circuncisão (I Macc. i. 48, 60; ii. 46); e as mulheres judias mostravam sua lealdade à Lei, mesmo sob risco de vida, circuncidando elas mesmas seus filhos.";
Provavelmente, de forma completamente independente de Paulo, mas por volta do mesmo período, o assunto dos "gentios e a Torá" também estava sendo debatido entre os rabinos, como relatado no Talmude, e o resultado foi a doutrina da Sete Leis de Noé e a determinação de que "Aos gentios não deve ser ensinada a Torá". Rabino Emden, do século XVIII, era da opinião de que o objetivo original de Jesus e, especialmente, o de Paulo era apenas converter os gentios para as "Sete Leis" e permitir, ao mesmo tempo, que os judeus mantivessem a Lei Mosaica completamente. Veja também a Teologia da dupla aliança.
thumb| esquerda| 200px| Tiago, o JustoÍcone russo.
Concílio de Jerusalém
Paulo saiu de Antioquia e viajou até Jerusalém para discutir a sua missão aos gentios com os "apóstolos e presbíteros" cristãos. Descrevendo o resultado desta reunião, Paulo diz que "...eles viram que me havia sido confiado o Evangelho da incircuncisão".
Os Atos dos Apóstolos descrevem a disputa como tendo sido resolvida pelo discurso de Pedro e concluindo com uma decisão por parte de Tiago, o Justo, de que não seria mais requerida a circuncisão dos gentios convertidos. Em Atos, Pedro diz:
Ao que respondeu Tiago:
Este "Decreto Apostólico" ainda é observado pelos gregos ortodoxos. afirma: "Nós vemos ainda que, durante o sínodo de Gangra, a regra do sínodo apostólico sobre o sangue e as coisas estranguladas ainda valia. Com os gregos, de fato, ele continuou sempre valendo como seus euchologion sempre mostraram. Balsamon, o conhecido comentarista sobre os cânones da Idade Média, em seu comentário sobre o sexagésimo-terceiro cânone apostólico, culpa expressamente os latinos por eles terem deixado de observar este comando. O que a Igreja Latina, porém, acha do assunto por volta do ano 400 d.C. aparece em Santo Agostinho, dizendo que, quando a barreira entre os judeus e os pagãos convertidos caiu, este comando sobre as coisas estranguladas e o sangue perdeu seu significado e é seguido apenas por uns poucos."
Porém, a autenticidade histórica dos Atos dos Apóstolos é, em si, disputada., na seção sobre "Objeções contra a autenticidade", cita :"Baur, Schwanbeck, De Wette, Davidson, Mayerhoff, Schleiermacher, Bleek, Krenkel e outros disputaram a autenticidade dos Atos."
O incidente thumb| direita| 300px| Pedro pregando.Por Masolino da Panicale, na Capela Brancacci, em Florença. De acordo com a Epístola aos Gálatas, capítulo 2, Pedro viajou para Antioquia e lá teve um confronto com Paulo. A epístola não diz exatamente se isso aconteceu antes ou depois do Concílio de Jerusalém, mas o incidente é mencionado nela logo após uma reunião em Jerusalém, que os acadêmicos hoje consideram como sendo o concilio:
Para o desapontamento de Paulo, o resto dos judeo-cristãos de Antioquia ficaram ao lado de Pedro, incluindo o seu parceiro de longa data, Barnabé.
Os Atos relatam um confronto entre Paulo e Barnabé logo depois do Concílio de Jerusalém, mas ali se lê que a razão foi a aptidão de João Marcos para se juntar ao grupo missionário de Paulo ().
Há algum debate sobre se a confrontação foi realmente entre Paulo e Pedro ou se foi entre o primeiro e um dos setenta discípulos da época, que também se chamava Pedro. Em 1708, um jesuíta francês, Jean Hardouin, escreveu uma dissertação que argumenta que "Pedro" era na realidade "outro Pedro", destacando assim a ênfase ao utilizar o nome aramaico Cefas (Pedro).
Resultado O resultado final do incidente permanece incerto. A Enciclopédia Católica afirma que "o relato de Paulo sobre o incidente não deixa dúvidas de que Pedro viu justiça na reprimenda". Em contraste, a obra "From Jesus to Christianity", de L. Michael White, alega que "o confronto com Pedro foi um falha completa, uma bravata política, e Paulo logo deixou Antioquia como persona non grata para nunca mais voltar".
De acordo com a tradição da Igreja, Pedro e Paulo ensinaram juntos em Roma e fundaram ali o cristianismo. Eusébio de Cesareia cita Dionísio de Corinto como tendo afirmado que "Eles ensinaram juntos dessa forma na Itália e sofreram o martírio na mesma época". Isso indica que eles se reconciliaram. Em , as epístolas paulinas são referidas como sendo "escritura", o que indica o respeito do autor (supostamente, Pedro) por pela autoridade apostólica de Paulo.
Ver também Festa de São Pedro e São Paulo Nova Perspectiva sobre Paulo Prosélito Era Apostólica
Notas Gal 2:1-10, Acts 15:1-19
Ligações externas - seção "The Incident at Antioch"
Bibliografia Dunn, James D.G. The Incident at Antioch (Gal 2:11-18) Journal for the Study of the New Testament 18, 1983, pg 95-122 Dunn, James D.G. Echoes of Intra-Jewish Polemic in Paul's Letter to the Galatians'' Journal of Biblical Literature, Vol. 112, No. 3 (Autumn, 1993), pp. 459–477
Categoria:Termos cristãos Categoria:Epístolas Paulinas