O HMS Belfast é um cruzador rápido que foi operado pela Marinha Real Britânica e a nona embarcação da Classe Town. Sua construção começou em dezembro de 1936 nos estaleiros da Harland & Wolff na homônima Belfast e foi lançado ao mar em março de 1938, sendo comissionado na frota britânica em agosto do ano seguinte. É armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de treze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 32 nós.
O Belfast entrou em serviço pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial e foi colocado no bloqueio contra a Alemanha, porém bateu em uma mina naval em novembro de 1939 e passou mais de dois anos sob reparos. Voltou ao serviço em novembro de 1942 e atuou na escolta de vários Comboios do Ártico no decorrer de 1943, participando em dezembro da Batalha do Cabo Norte contra o couraçado alemão . Deu suporte para os Desembarques da Normandia em junho de 1944, com a guerra terminando assim que foi transferido para o Oceano Pacífico.
O navio continuou servindo pela região do Sudeste Asiático após o fim do conflito e entre 1950 e 1952 participou também da Guerra da Coreia, realizando ações de bombardeio litorâneo e patrulhas costeiras. Foi modernizado de 1956 a 1959 e continuou atuando ativamente no exterior até ser descomissionado em agosto de 1963. Esforços para transformá-lo em um navio-museu começaram em 1967, inicialmente como um esforço governamental e depois como um esforço particular. Este último foi bem sucedido e o Belfast foi aberto para visitação em outubro de 1971 em Londres.
Características
A Classe Town se originou em 1933 como uma resposta à Classe Mogami da Marinha Imperial Japonesa, com os primeiros dois navios sendo encomendados no mesmo ano. Outros seis cruzadores foram encomendados até 1936, momento em que o Almirantado Britânico estava interessado em aprimorar o poder de fogo para que se igualassem também à Classe Brooklyn da Marinha dos Estados Unidos. Um projeto modificado com novas torres de artilharia principais e maior blindagem do convés foi aprovado em maio de 1936, do qual o Belfast foi construído.
O Belfast tem 186,99 metros de comprimento de fora a fora, boca de 19,3 metros e calado de 5,3 metros. Tinha um deslocamento padrão de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tem quatro caldeiras de tubos d'água Admiralty que alimentavam quatro turbinas a vapor Parsons, cada um girando uma hélice. Este sistema tinha uma potência indicada de 81,6 mil cavalos-vapor para uma velocidade máxima de 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora). Podia carregar até 2,4 mil toneladas de óleo combustível para uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a treze nós (24 quilômetros por hora). Era equipado com uma catapulta de aeronaves D1H à meia-nau e dois guindastes, podendo operar até dois hidroaviões Supermarine Walrus.
O armamento principal é composto por doze canhões Marco XXIII calibre 50 de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas, duas à vante da superestrutura e duas à ré. O armamento secundário inicialmente tinha doze canhões de duplo propósito Marco XVI calibre 45 de 102 milímetros em seis montagens duplas. A bateria antiaérea consistia em dezesseis canhões calibre 39 de 40 milímetros em duas montagens de oito canos e oito metralhadoras Vickers de 12,7 milímetros em duas montagens quádruplas. Também foi equipado com seis tubos de torpedo Marco IV de 533 milímetros em duas montagens triplas. Tem um cinturão de blindagem com 114 milímetros de espessura. Seu convés tem 76 milímetros sobre os depósitos de munição e 51 milímetros sobre as salas de máquinas. As torres de artilharia tem uma proteção de até 102 milímetros.
Carreira O Belfast foi encomendado em 21 de setembro de 1936. Seu batimento de quilha ocorreu 10 de dezembro nos estaleiros da Harland & Wolff em Belfast, na Irlanda do Norte. Foi lançado ao mar em 17 de março de 1938, Dia de São Patrício, e batizado por Anne Chamberlain, esposa do primeiro-ministro Neville Chamberlain. O navio passou por sua equipagem e realizou testes marítimos entre março e agosto de 1939. O custo de sua construção foi estimado em libras esterlinas em valores da época.
O Belfast partiu para Portsmouth em 3 de agosto de 1939 e foi comissionado na Marinha Real Britânica dois dias depois, menos de um mês antes do início da Segunda Guerra Mundial. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão G. A. Scott e a tripulação na época era composta por 761 homens, com sua primeira designação sendo para a 2ª Esquadra de Cruzadores da Frota Doméstica. Participou em 14 de agosto de seu primeiro exercício, a Operação Hipper, em que desempenhou o papel de um navio corsário alemão tentando escapar para o Oceano Atlântico. O Belfast conseguiu escapar da Frota Doméstica ao navegar pelo traiçoeiro Pentland Firth no norte da Escócia.
Segunda Guerra Mundial Patrulhas, mina e reparos O navio foi transferido para a 18ª Esquadra de Cruzadores em 31 de agosto, ficando baseado em Scapa Flow nas Órcades. A Alemanha invadiu a Polônia no dia seguinte e o Reino Unido e a França declararam guerra em 3 de setembro. O Belfast recebeu uma mensagem às 11h40min dizendo "Começar hostilidades imediatamente contra a Alemanha". O navio foi para o mar no dia 8 na companhia do seu irmão , dos cruzadores de batalha e e quatro contratorpedeiros em uma patrulha que tinha a intenção de interceptar embarcações alemãs retornando da Noruega. Eles estavam particularmente procurando o transatlântico , mas nenhum navio foi encontrado. O Belfast participou em 25 de setembro de uma operação para recuperar o submarino HMS Spearfish, durante o qual o cruzador foi atacado por aeronaves alemãs, mas não foi danificado. Ele partiu de Scapa Flow novamente em 1º de outubro para um patrulha pelo Mar do Norte, interceptando e abordando quatro dias depois um navio-fábrica norueguês neutro que estava navegando junto com seis baleeiros. O cruzador avistou o navio mercante sueco C. P. Lilljevach no dia 8, mas não conseguiu interceptá-lo devido ao clima ruim. No dia seguinte abordou o norueguês Tai Yin, que tinha sido listado pelo Almirantado como suspeito, assim tripulantes do Belfast assumiram o seu controle e o levaram para Kirkwall. O Belfast interceptou em 9 de outubro o transatlântico alemão SS Cap Norte oitenta quilômetros ao noroeste das Ilhas Feroe. O Cap Norte estava disfarçado do sueco SS Ancona e estava tentando voltar para Alemanha do Brasil, com reservistas alemães estando entre seus passageiros. A tripulação do cruzador posteriormente recebeu dinheiro pelo navio capturado de acordo com as regras do Almirantado. O navio sueco Uddeholm foi abordado no dia 12 e também levado para Kirkwall. O cruzador voltou para Scapa Flow na noite de 13 para 14 de outubro e estava entre os poucos navios ancorados no local devido a relatos de inteligência que indicavam um iminente ataque aéreo. Naquela mesma noite, o submarino alemão U-47 se infiltrou no ancoradouro e afundou o couraçado . O Belfast foi para Loch Ewe pela manhã.
thumb|esquerda|240px|O casco danificado do Belfast depois de bater em uma mina O cruzador foi tirado dos deveres de patrulha no Mar do Norte em 10 de novembro e transferido para a 2ª Esquadra de Cruzadores. A intenção desta formação era atuar como uma força de ataque independente baseada em Rosyth. O Belfast participaria no dia 21 de sua primeira surtida, um exercício de artilharia. Entretanto, ele bateu em uma mina naval às 10h58min enquanto deixava o Estuário do Forth. A detonação quebrou sua quilha e danificou uma de suas salas de máquinas e sala de caldeiras. Vinte tripulantes precisaram de tratamento hospitalar por ferimentos causados pela explosão, enquanto outros 26 sofreram ferimentos leves. O pintor 2ª classe Henry Stanton foi hospitalizado e morreu posteriormente de um ferimento na cabeça sofrido ao ser jogado contra um cabeçote. O rebocador Krooman, que estava rebocando alvos para o exercício, liberou suas cargas e rebocou o Belfast para reparos iniciais.
Avaliações iniciais mostraram que a mina causou poucos danos diretos ao casco, tendo perfurado apenas um pequeno buraco embaixo de uma das salas de caldeiras, mas o choque da explosão entornou placas, quebrou maquinários, deformou os conveses e fez a quilha se curvar para cima em 7,6 centímetros. Foi colocado em situação de Cuidado e Manutenção, tornando-se responsabilidade do Estaleiro Real de Rosyth, enquanto sua tripulação foi dispersada para outros navios. Foi consertado o suficiente até 28 de junho para navegar até o Estaleiro Real de Devonport, onde chegou dois dias depois sob o comando do tenente-comandante H. W. Parkinson.
Trabalhos foram realizados durante os reparos para reconstruir e fortalecer seu casco. Seu cinturão de blindagem foi ampliado e deixado mais espesso. O armamento antiaéreo também foi aprimorado com novas montagens de canhões de 40 milímetros e adição de dezoito canhões Oerlikon de 20 milímetros em cinco montagens duplas e oito montagens únicas, enquanto as metralhadoras Vickers foram removidas. O Belfast também recebeu novos radares de controle de disparo para suas baterias principal, secundária e antiaérea. Seu conjunto de eletrônicos em novembro de 1942 tinha um radar Tipo 284 e quatro Tipo 283 para o armamento principal, três radares Tipo 285 para a bateria secundária e dois Tipo 282 para as armas de 40 milímetros. Também tinha um radar de varredura de superfície Tipo 273, radares Tipo 251 e Tipo 252 para identificação amigo-inimigo, mais um Tipo 281 e Tipo 242 para varredura aérea. Também foi equipado com um ecobatímetro Tipo 270. Uma protuberância foi adicionada à meia-nau para compensar o peso extra acima da linha de flutuação e proporcionar mais estabilidade e resistência longitudinal. Sua boca cresceu para 21 metros e o calado para 5,8 metros à vante e 6,15 metros à ré.
Comboios e Cabo Norte thumb|240px|O Belfast na Islândia em 21 de fevereiro de 1943 O Belfast foi recomissionado em Devonport em 3 de novembro de 1942 sob o comando do capitão Frederick Parham. Se tornou a capitânia do contra-almirante Robert Burnett, o comandante da 10ª Esquadra de Cruzadores. A formação era responsável por escoltar comboios para a União Soviética, operando a partir de Scapa Flow e da Islândia. Os radares reduziram a necessidade de reconhecimento aéreo do cruzador, assim seus hidroaviões foram desembarcados em junho de 1943. Ele passou 1943 em deveres de escolta de comboios e patrulhas de bloqueio, formando entre 5 e 8 de outubro parte da força de cobertura para a Operação Líder, um ataque aéreo contra navios mercantes alemães no norte da Noruega realizado pelo porta-aviões estadunidense .
O navio participou em 26 de dezembro de 1943 da Batalha do Cabo Norte. Esta ocorreu durante a noite polar e envolveu duas formações: a Força Um tinha o Belfast, seu irmão , o cruzador pesado e três contratorpedeiros, enquanto a Força Dois tinha o couraçado , o cruzador rápido HMS Jamaica e quatro contratorpedeiros. O vice-almirante sir Bruce Fraser, comandante da Frota Doméstica, esperava que o couraçado alemão fizesse uma surtida de sua base na Noruega para tentar atacar o Comboio JW 55B, que deixaria a Escócia rumo a Murmansk. O Scharnhorst partiu no dia 25 e encontrou no dia seguinte a Força Um, que tinha deixado Murmansk no dia 23. O couraçado alemão recuou depois de ser danificado pelos cruzadores britânicos, mas atacou novamente ao meio-dia, porém desta vez foi também interceptado pela Força Dois e afundado pelas duas formações. O Belfast foi uma das primeira embarcações a encontrarem o Scharnhorst e, como capitânia da 10ª Esquadra de Cruzadores, coordenou a defesa do comboio. O cruzador então seguiu o couraçado com seu radar fora do alcance visual, repassando suas informações para o Duke of York.
Tirpitz e Normandia