thumb|upright=1.5|A mais antiga imagem conhecida de Maria com o Menino Jesus.(, Catacumbas de Santa Priscila, Roma) A Arte paleocristã ou Arte cristã primitiva é a arte, arquitetura, pintura e escultura produzida por cristãos ou sob o patrocínio cristão desde o início do até o final do . Não há arte cristã sobrevivente do . Após aproximadamente o final do a arte cristã mostra o início do estilo artístico bizantino.
Antes do início do , os cristãos, sendo um grupo minoritário perseguido, podem ter sido coagidos por sua posição a não produzirem obras de arte duradouras. Uma vez que nesse período o cristianismo era uma religião exclusiva das classes mais baixas, a falta de arte sobrevivente pode refletir uma falta de recursos para patrociná-la. Os primeiros indícios claros na afirmação de um estilo próprio cristão surgem em inícios do , sendo seu expoente as pinturas, murais nas catacumbas romanas, lugar de culto e refúgio cristãos. Normalmente os primeiros cristãos representavam o corpo humano de maneira proporcional e bidimensional, por vezes adaptando elementos da arte pagã, e obviamente harmonizando-os com os ensinamentos cristãos, bem como também desenvolveram sua própria iconografia, por exemplo, símbolos como o peixe (Ictus).
Três primeiros séculos esquerda|thumb|Ilustração de 1891 do traçado original da Antiga Basílica de São Pedro em Roma.
Durante a perseguição aos cristãos sob o Império Romano, a arte cristã era deliberadamente furtiva e ambígua e, por vezes, era colocado em locais junto com a arte pagã comum, mas possuía um significado especial para os cristãos. É provável que tenham existido vários centros artísticos com estilos artísticos próprios, como Alexandria e Antioquia, mas é em Roma que se revelam as primeiras pinturas murais em catacumbas, locais que serviam de cemitério subterrâneo aos aderentes do cristianismo, de fato, a arte cristã sobrevivente mais antiga provém do início do nas paredes dos túmulos nas catacumbas de Roma. Inicialmente, Jesus foi representado indiretamente pelo pictograma simbólico do Ictus (peixe), pavão, Cordeiro de Deus ou uma âncora. Mais tarde foram utilizados símbolos personificados, incluindo a representação do profeta Jonas, cujos três dias no ventre da baleia foram pré-figurados como o intervalo entre a morte de Cristo e sua ressurreição, e Daniel na cova dos leões ou Orfeu encantando animais. A imagem do "Bom Pastor", um jovem recolhendo ovelhas, era a mais comum dessas imagens, embora ela não fosse, provavelmente, entendida como um retrato de Jesus histórico.Eduard Syndicus; Early Christian Art; Burns & Oates, London, 1962. pag.: 21-3
Estas imagens compartilham características com as figuras chamadas korus na arte greco-romana. A "quase total ausência de imagens da cruz plana e sem adornos nos monumentos cristãos do período das perseguições", com exceção na forma disfarçada da âncora é notável. A cruz, que simboliza a crucificação de Jesus, não foi representada artisticamente por muitos séculos, possivelmente por que a crucificação era uma punição reservada aos criminosos comuns. É possível também que ele fosse evitado por ser um símbolo especificamente cristão, indisfarçável, pois, como atestam diversas fontes literárias, o sinal da cruz já era utilizado desde os primeiros anos.
A pomba é um símbolo de paz e pureza e pode ser encontrada nas obras artísticas com um halo ou emanando uma luz celestial. Em uma das mais antigas imagens trinitárias conhecidas, o "Trono de Deus como uma imagem trinitária" (um relevo em mármore esculpido por volta de 400 na coleção da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano), a pomba representa o Espírito Santo. Ela está voando sobre um trono vazio representando Deus Pai, com uma capa e um diadema repousados no trono representando Deus Filho.
O peixe () é utilizado como símbolo de Jesus Cristo, representando não somente a Última Ceia, mas também a água utilizada pelo batismo cristão. Além disso, a palavra "peixe" em língua grega é formada pelas iniciais da frase "Jesus Cristo Filho de Deus Salvador" (Iesus Christos Theou Uios Soter).
O cristograma (XP), aparentemente utilizado pela primeira vez por Constantino I, é formado pelas duas primeiras letras de Christos em grego (Chi e Rho). Ele só surgiu após o cristianismo ter sido adotado no Império Romano.
Arquitetura
Até à declaração de liberdade de culto, a arte cristã não tinha uma tipologia arquitectónica própria, optando por celebrar o seu culto em lugares pouco relevantes. Com o Édito de Milão, Constantino I apoia a construção de templos próprios, em Roma, Milão, Ravena, de modo a divulgar a nova religião e acolher o crescente número de convertidos.
Ainda contemporâneo das edificações de Constantino surge o edifício religioso de planta centralizada (circular, poligonal ou em cruz) baseado no balneário romano, adaptado agora como basílica (como a Basílica de Santa Constança) e que servirá de base ao tipo de panteão construído a partir do Renascimento. O interior desenvolve-se à volta do núcleo com deambulatório concêntrico de cobertura em abóbada de berço, clerestório e coroação em cúpula. A esta estrutura podem surgir também anexados capelas funerárias e baptistérios. Embora se tenha observado também a ocidente, esta edificação vai sobretudo ter maior aderência na arquitetura bizantina.
A basílica cristã thumb|upright=1.5|A Basílica de Constantino em Tréveris
Cristianização da basílica romana No , logo depois que as autoridades imperiais descriminalizaram o cristianismo e com o apoio de Constantino I e de sua mãe, a imperatriz Helena, os cristãos passaram a construir edifícios maiores e mais belos para realizar seus ritos religiosos do que os antigos pontos de encontro do tempo das perseguições (como os cenáculos, as igrejas em cavernas e igrejas domiciliares). As fórmulas arquiteturais dos antigos templos pagãos não eram adequadas, não apenas por seu passado, mas por que as as cerimônias e sacrifícios pagãos eram realizados ao ar livre, à vista dos deuses, com templo servindo como repositório das figuras votivas e do tesouro. O modelo mais utilizado que estava às mãos quando Constantino quis comemorar a sua piedade imperial era a convencional e familiar arquitetura das basílicas.
Elas tinham uma nave central com um corredor de cada lado e uma abside no final: nela, numa plataforma elevada, se sentavam o bispo e os padres. Constantino construiu uma basílica deste tipo em seu complexo palatino em Tréveris e que foi depois facilmente convertido para ser usado como igreja. Ele consiste de um longo retângulo com dois andares de altura, com fileiras de janelas arqueadas, uma sobre a outra, sem corredores e, no final, após um enorme arco, a abside de onde Constantino se sentava. Trocando o trono por um altar e você terá uma igreja. As basílicas deste tipo foram construídas não apenas na Europa ocidental, mas também na Grécia, na Síria, Egito e Palestina. Bons exemplos deste tipo primitivo de construção incluem a Igreja da Natividade, em Belém (), a Igreja de Santo Elias, em Tessalônica (), e as duas grandes basílicas em Ravena.
As primeiras basílicas com um transepto foram construídas sob ordens do mesmo Constantino, tanto em Roma quanto em Nova Roma (Constantinopla):
Assim, um tema simbólico importante foi aplicado de forma muito natural a uma forma importada de usos civis e semi-públicos. No final do , outras basílicas foram construídas em Roma: Santa Sabina, São João de Latrão e São Paulo Extramuros (). São Clemente veio depois, no .
Uma basílica cristã do ou V se localizava após uma praça totalmente cercada com colunas ou uma arcada, como a stoa ou um peristilo, que são suas versões antecessoras, ou como o claustro, descendente deste desenho. Nesta praça se entrava através de um conjunto de edifícios que ficavam na rua. Este foi o modelo arquitetural da Antiga Basílica de São Pedro, no Vaticano, até que, no ela foi demolida para a construção da igreja atual, num plano diferente.
Na maior parte das basílicas, a nave central é mais alta que os corredores, formando uma fileira de janelas chamada clerestório correndo dos dois lados maiores, no alto. Algumas basílicas no Cáucaso, principalmente na Geórgia e na Armênia, a nave é apenas ligeiramente mais alta que os dois corredores e um teto único cobre os três. O resultado é um interior muito mais escuro e o desenho é conhecido como "basílica oriental".
Gradualmente, na Baixa Idade Média, as enormes igrejas românicas surgiram, mas ainda mantinham o plano fundamental da basílica.
Mosaico thumb|esquerda| Piso em mosaico da Igreja da Natividade, em Belém
O desenvolvimento da arquitectura e a emergente necessidade de decorar vastas superfícies vão impulsionar a produção artística do mosaico, uma técnica com origens na arte antiga, difundida na Mesopotâmia e com profundas tradições no período greco-romano. O mosaico romano, geralmente utilizado para o revestimento de pavimentos, é feito à base de pequenos cubos de mármore (tesselas) que se adaptam bem à reprodução cuidada de pinturas, mas de pouca intensidade cromática.
A arte paleocristã, podendo agora usufruir de maiores bases financeiras e relegando para segundo plano a pintura mural afresco, vai procurar aperfeiçoar a técnica e vai brindar o interior da igreja com intensas e vibrantes imagens policromáticas, possíveis pela substituição do mármore por pedaços de vidro colorido. Este novo material não permite, no entanto, uma paleta complexa de matizes e a modelação das figuras perde o seu contacto com o mundo real, as personagens apresentam-se como seres transcendentais, imateriais, habitantes de um reino de luz e ouro.
Pouco sobreviveu destes primeiros mosaicos do paleocristianismo, mas supõe-se que cobririam as grandes superfícies da abside, do arco triunfal e da nave, representando cenas bíblicas. Exemplos ainda podem ser vistos em Santa Constança e Santa Pudenciana, ambas do , em Roma. O que retrata a fabricação do vinho no deambulatório de Santa Constança ainda segue a tradição clássica de representar o ato como uma festa em honra ao deus Baco, que simboliza a transformação ou mudança, e é assim apropriado para um mausoléu, quer era função original do edifício. Em outra grande basílica constantina, a Igreja da Natividade, em Belém, o piso em mosaico original, com os motivos romanos típicos, ainda está parcialmente preservado. A chamada Tumba dos Júlios, perto da cripta da Basílica de São Pedro, é uma tumba abobadada do com mosaicos nas paredes e no teto que foram interpretados como cristãos. A antiga Tumba de Galério, em Tessalônica, convertida em igreja cristã durante o , foi enfeitada com mosaicos de altíssima qualidade, dos quais apenas fragmentos restaram, notavelmente uma faixa mostrando santos com as mãos erguidas em oração à frente de complexas fantasias arquiteturais.