Everything That Happens Will Happen Today é o segundo álbum feito em colaboração entre David Byrne e Brian Eno, lançado em 18 de agosto de 2008 pela Todo Mundo. O álbum explora os temas de humanidade contra a tecnologia e otimismo apesar das circunstâncias sombrias em uma mistura de música eletrônica e gospel. A recepção da crítica foi em sua maior parte positiva e o álbum recebeu vários prêmios, tanto por sua conteúdo musical quanto por sua embalagem e produção técnica.

O álbum é o primeiro esforço conjunto entre os dois músicos desde My Life in the Bush of Ghosts de 1981 e o trabalho de Eno produzindo e coescrevendo com os Talking Heads. Byrne e Eno trabalharam nas faixas com colaboradores em seus estúdios durante 2007 e o início de 2008 através de e-mail. O single "Strange Overtones" foi lançado de graça para promover o álbum e Byrne fez uma turnê durante 2008 e 2009 tocando músicas deste lançamento como também de colaborações anteriores da dupla. Essa turnê foi documentada com o extended play Everything That Happens Will Happen on This Tour – David Byrne on Tour: Songs of David Byrne and Brian Eno e o filme concerto Ride, Rise, Roar.

Everything That Happens Will Happen Today foi lançado com uma estratégia de divulgação única que envolvia Byrne criando uma gravadora, a Todo Mundo, e contratando a companhia Topspin Media para promover o álbum na internet usando o boca-a-boca e vendas digitais para comercializar a música. Vários formatos foram criados para permitir que os ouvintes tivessem opções de como escutar a música—desde áudios gratuitos até uma embalagem de luxo feita de estanho.

História Em dezembro de 2007, David Byrne anunciou no programa de música da BBC Radio, The Weekender, que ele estava trabalhando com seu antigo colaborador Brian Eno em um novo álbum de "canções apropriadas", descrevendo-o como "algo totalmente diferente" do experimental My Life in the Bush of Ghosts. Enquanto os dois discutiam a remixagem de 2006 daquele álbum em um jantar, Eno sugeriu adicionar letras e vocais a algumas canções que ele havia escrito e desejava completar, algumas já tendo oito anos de idade. A dupla inicialmente não planejou fazer um álbum inteiro, porém enquanto progrediam, eles se sentiram confiantes o bastante para terminar uma coleção completa de canções. Apesar dos dois terem discutido fazer um novo álbum juntos por vários anos, esse foi o primeiro esforço sincero desde o início da década de 1980.

Byrne visitou o estúdio de Eno em Londres para ouvir as mixagens brutas de seus demos e os dois decidiram colaborar para terminar de escrever as canções, deixando Eno e Peter Chilvers para converter uma variedade de formatos de músicas digitais para MIDI, extirpando-se, assim, informações irrelevantes e tornando-as adequadas para Byrne embelezar (Chilvers receberia agradecimentos no encarte do álbum como "Arqueólogo Digital"). Os dois continuaram a trabalhar neste e em outros projetos musicais por vários meses—apesar de Byrne ter confessado estar "aterrorisado" em escrever letras para os demos—e concordaram que se o projeto não fosse agradável para ambos, eles iriam abandoná-lo. A dupla decidiu manter a discrição sobre o projeto e não anunciar a colaboração por medo de não conseguirem completar um álbum com um material novo de qualidade, ou se eles terminassem recauchutando colaborações anteriores e decidissem não lançar novas canções.

Composição Eno tinha várias composições musicais, porém não conseguia escrever letras para acompanhá-las, enquanto Byrne tinha várias letras sem nenhum acompanhamento. Eno queria fazer dos vocais o "evento central" da música ao juntar cantos gospel com uma música eletrônica inesperada, que também incluía elementos de música da África Ocidental. A enfâse nos vocais foi parcialmente inspirada em Phillip Bimstein. No outono de 2007, Byrne pegou um CD com as mixagens estéreo dos demos de Eno e passou um ano tentando escrever letras para terminar as canções, tentando equilibrar os acordes simples que Eno havia escrito com os mais complexos que ele preferia. Apesar de ser algo atípico para Eno, muito das canções foram escritas em uma guitarra acústica, com a ajuda do Steinberg Cubase. Os músicos trocaram os demos de Eno com as letras e as melodias vocais completadas por Byrne através de e-mail até 14 canções terem sido gravadas antes de junho de 2008. Eno inicialmente deu uma resposta positiva, que encorajou Byrne a continuar a escrever para apenas se tornar crítico quando o projeto estava sendo completado. Ao final das gravações, Eno enviou faixas cada vez mais desafiadoras para ver se Byrne conseguiria completá-las—as últimas duas foram para o álbum como "I Feel My Stuff" e "Poor Boy".

No início, Byrne estava hesitante em escrever letras para as faixas porque soava muito como música folclórica. Ele caracterizou o processo como muito devagar e cheio de trepidação, em parte devido a expectativa da colaboração anterior da dupla e também por causa da estrita divisão de trabalho que eles tiveram entre escrever a instrumentalização e a vocalização. Eno forneceu apenas alguns esboços vocais e Byrne fez mudanças mínimas na instrumentação em várias faixas e evitou mudar os acordes na melodia para se adequar ao seu estilo de canto. A dupla trabalhou em um estúdio juntos em apenas duas ocasiões, durante uma semana inteira e depois em um fim de semana e nenhum dos parceiros teve um veto durante o processo de seleção de faixas ou produção. De acodo com Byrne, o principal desafio nessa técnica de escrita "era mais emocional do que técnico: escrever canções sinceras sem nenhum cliché".

Ele mais tarde explicou, "Em poucas palavras, Brian escreveu a maior parte da música, e eu compus a maior parte das melodias vocais e letras, e então as cantei". Se as harmonias vocais de Byrne fossem muito radicais, Eno revisaria as instrumentações vocais para acompanhar, porém Byrne evitou escrever instrumentações e escolheu apenas adaptá-las. Usando um estilo similar ao álbum Speaking in Tongues, do Talking Heads, Byrne murmurou algumas das letras antes delas serem completadas e Eno também contribuiu com algumas harmonias vocais que ele credita como "piano inumano" devido a preferência de Byrne para a qualidade sônica das letras ao invés de seus significados literais, e seu método de escrever letras usa um associação livre. Ao compor as letras para o álbum, Byrne tentou escrever mantendo em sua mente o que agradaria Eno como seu colaborador. Ele também tentou escrever harmonias para Eno, que decidiu não cantar no álbum.

Ambos os músicos continuaram a trabalhar em seus próprios projetos durante a composição de Everything That Happens Will Happen Today. Byrne conduziu a segunda temporada de Big Love e completou suas colaborações com Fatboy Slim: o musical e o álbum Here Lies Love e o single "Toe Jam". Eno produziu o álbum Viva la Vida or Death and All His Friends, do Coldplay, e No Line on the Horizon, do U2. Byrne e Eno discutiram a colaboração do primeiro com Fatboy Slim e Chris Martin do Coldplay escreveu uma canção para a faixa instrumental "One Fine Day", mas aquiesceu quando ele ouviu a letra de Byrne (a banda também adaptaria outra composição instrumental de Eno que Byrne não finalizou em uma faixa de Viva la Vida). Quando a canção foi completada, os dois começaram, a sério, a escrever o resto das faixas. Byrne inicialmente teve um longo atraso ao escrever o material, porém enquanto o projeto progredia, ele começou a trabalhar várias horas por dia no álbum e acabou colocando sua colaboração com Fatboy Slim em espera até que todas as canções tivessem sido terminadas na primavera de 2008, com duas faixas sendo completadas ao final da última sessão. Ele mais tarde descreveria o processo como fácil uma vez que os detalhes foram escolhidos e resumidos para seu método de "pura alegria", declarando que escrever em uma colaboração é mais fácil do que escrever sozinho. Ele ainda creditou o período entre suas colaborações e a distância transatlântica como algo positivo, já que permitia que ambos mantivessem seus compromissos. Eno concordou, já que lhe dava mais tempo para se focar em uma pequena peça de música sem precisar esperar o progresso de Byrne. Byrne iria usar uma abordagem similar ao colaborar com Will Oldham.

Temas A dupla se inspirou em música gospel e ambos descreveram o álbum como "gospel eletrônico"—particularmente as faixas "Life Is Long" e "One Fine Day". Além de sutis temas biblícos nas letras, Eno foi influenciado pela musicalidade gospel, que ele inicialmente descobriu através do Talking Heads, enquanto trabalhava em More Songs About Buildings and Food, ao escutar "Surrender to His Will", do Reverendo Maceo Woods e do The Christian Tabernacle Choir. Nos anos que precederam o projeto, Eno havia escutado primariamente a músicas gospel—até mesmo se juntando a um coral gospel—e ficou atraído pelos vocais não reprimidos e a falta de pessimismo, como também sua natureza inclusiva. Eno ficou pensando sobre gospel por vários anos, porém não conseguia escrever letras para canções esperançosas.

Apesar de Byrne considerar a música "[diferente] de qualquer gravação gospel contemporanea que você ouviria lá fora", ela é "informada por aquele sentimento e aqueles tipos de letras, que aludem a esperança em face do desespero". Eno também considera o álbum "algo que combina algo muito humano, falível e pessoal, com algo bem eletrônico e matemático em alguns momentos". A música combina influências eletrônicas e gospel para "fazer aquele retrato do humano ainda tentando sobreviver em um cada vez mais complicado mundo digital... É bem fácil fazer simplesmente música digital e é bem fácil fazer apenas música humana, porém tentar fazer uma combinação é meio que excitante, eu acho". Faixas como "My Big Nurse" combinam o apocalíptico e o conforto, misturando esperança e desespero.

thumb|A história de Valentino Achak Deng (esquerda)—como contada por Dave Eggers (direita) no livro What Is the What: The Autobiography of Valentino Achak Deng—inspriou Byrne a escrever letras esperançosas. Os demos instrumentais foram primariamente escritos em acorde maior, que Byrne considerou um pouco "ominosos" e surpreendentes vindos de Eno. Apesar disso, as letras de Byrne terminaram sendo esperançosas e espirituais, com temas de redenção—que ele considera "otimismo apesar do pavor". A tensão entre otimismo e pessimismo e os temas espirituais emergiram rapidamente no curso de um ano quando Byrne estava escrevendo as letras, que ele especulou que poderiam ser um antídoto contra ser "completamente pessimista e cínico sobre política e o estado do mundo"; por exemplo, "The River" é sobre os efeitos do Furacão Katrina. Ele também citou o clima político da Guerra do Iraque, o início da crise econômica, as políticas da administração de George W. Bush e seu divórcio de Adelle Lutz como fatores que o inspiraram a criar músicas edificantes. Como ele explica, "eu fiquei surpreso com o que saiu... as faixas são bem diferentes do que eu teria feito sozinho. Eu me inclino em direção de coisas que são mais complicadas". Eno também achou que o álbum é muito melhor do que as canções que ele imaginou enquanto estava compondo sozinho.