A Galateia () é um romance de Miguel de Cervantes publicado em 1585 em Alcalá de Henares com o título de Primera parte de La Galatea, dividida en seis libros (Primeira parte da Galateia, dividida em seis livros).

Costuma-se classificar A Galateia como um romance pastoril. Tal descrição é muito limitada. De fato, suas personagens são pastores, mas o livro é um veículo para um estudo psicológico do amor, e este era o propósito de Cervantes ao escrevê-lo.

Cervantes começou a escrever o romance provavelmente quando voltou de seu cativeiro em Argel (dezembro de 1585). Teve pouco êxito nas livrarias, sobretudo se se compara com o grande sucesso de Diana de Montemayor e o ainda maior de "Diana enamorada", de Gaspar Gil Polo. Cervantes teve durante sua vida altíssimo conceito de seu romance, e planejava publicar a segunda parte, mas morreu sem conseguir fazê-lo.

O romance se ambienta em algum lugar - entre ideal e real - às margens do Tejo. Há uma trama principal e várias secundárias. Na principal, Elicio e Erastro são dois pastores enamorados de Galatéia, uma belíssima pastora que reúne todas as virtudes das heroínas cervantinas: discrição (isto é, inteligência e bom juízo), honestidade e bondade. Mas Galateia adora sua independência espiritual e não quer se ver sujeita ao jugo amoroso; assim, desdenha os dois pastores.

Além de belos poemas e interessantes narrativas curtas intercaladas no tema principal (como Cervantes faría mais tarde também no Dom Quixote e o em Os trabalhos de Persiles e Sigismunda) encontramos duelos dialéticos jocosos sobre a natureza do amor (livro IV, os pastores Lenio e Tirsi fazem suas respectivas apologias do desamor e do amor), ou sobre a psicologia amorosa (livro III, Orompo, Marsilo, Crisio e Orfinio discutem, em verso, sobre qual paixão derivada do amor causa mais dor, se os ciúmes, o desdém, a saudade ou a morte do ser amado).

No livro VI encontramos o grande Canto de Calíope: a musa da poesia aparece aos pastores e isto serve de pretexto a Cervantes para encaixar um extenso canto no qual ele elogia a todos os gênios vivos da poesia espanhola de então. Menciona e elogia, por exemplo, Góngora, Lope de Vega, Alonso de Ercilla, Fray Luis de León, Francisco Díaz e muitos outros.

Ao final do livro, os acontecimentos do romance ficam interrompidos bruscamente: Mas nunca se publicou a segunda parte, várias vezes prometida. De fato, durante a queima de livros no Dom Quixote, vários romances pastoris acabam na fogueira. O sacerdote e o barbeiro salvam a Galateia e anunciam que muito em breve Cervantes publicará a segunda parte. Mas não há dados reais da produção desta obra, só anúncios que não se cumpriram. Miguel de Cervantes. "Don Quijote de la Mancha". Edição do IV centenário patrocinada pelas academias espanholas. São Paulo: Alfaguara, 2004, capítulo VI, pg. 60.

Ligações externas

Texto em espanhol.

Categoria:Livros de Miguel de Cervantes