"Morena de Angola" é uma canção da cantora brasileira Clara Nunes lançada em 1980 no álbum Brasil Mestiço. A canção se tornou uma das mais famosas de sua carreira.

Antecedentes

Clara Nunes preparava o vinil Brasil Mestiço desde o final de 1979. Em maio de 1980, Clara fez uma viagem a Luanda, Angola, a convite de Chico Buarque, para uma série de apresentações com outros 64 artistas brasileiros no Projeto Kalunga, cuja renda seria destinada à construção de um hospital. A amizade entre os dois artistas iniciou-se graças ao marido de Clara, o compositor Paulo César Pinheiro, que conhecia Chico desde os bastidores dos festivais da TV Record. Ambos disputaram a I Bienal do Samba, que Pinheiro venceu com a composição Lapinha. A viagem a Angola estreitaria os laços entre Clara e Chico.

Em junho de 1980, já no Brasil, a cantora entrou em estúdio para gravar Brasil Mestiço. Apesar do repertório estar fechado, ela ligou para Chico pedindo para que ele compusesse uma música para ela, assim como ele havia lhe prometido durante a viagem. O compositor enviou a Clara "Morena de Angola", faixa que abriria o álbum e se tornaria um dos maiores sucessos da cantora.

Composição A ideia para a canção surgiu enquanto os artistas estavam num ônibus à caminho da praia de Caotinha, em Benguela. Clara, conversando com Chico sobre o conceito de seu álbum, sugeriu a ele que compusesse uma canção para ela; o cantor concordou. No mesmo dia, à noite, seguiram para o morro da Catumbela, onde assistiram a uma apresentação de cantos e danças típicas. Referências a todos estes locais estão presentes na letra da canção que, segundo Chico, conta "a história toda" da viagem. O próprio termo "Morena", no título da canção, pode ser uma referência a uma famosa praia de Benguela.

A canção conta a história de uma morena que "leva o chocalho amarrado na canela". Na dança conhecida como moçambique, um pequeno chocalho feito de palha trançada, cujo interior é cheio de pedras ou garrafas, costuma ser amarrado nas canelas dos dançarinos, à maneira de algumas tribos africanas. Há também uma referência à receita de galinha à cabidela, prato tradicional de ex-colônias portuguesas no qual se cozinha o arroz junto com o sangue e a carne do animal. O verso "Passando pelo regimento, ela faz requebrar a sentinela" faz referência à Guerra Civil Angolana, indicando que os sentinelas não resistiriam ao requebrado da morena. Outro verso que faz referência à Guerra Civil é "Será que ela não fica afoita pra dançar na chama da batalha?".

Após a viagem a Angola, cujo contexto pós-independência impressionou a cantora, Clara começou a se inteirar sobre o contexto político brasileiro. Ela passou a participar ativamente de movimentos que tinham como finalidade discutir a abertura política do país. Começou também a falar sobre política e discutir o tema de forma veemente, inclusive em entrevistas. Por este motivo, Chico colocou o verso "Morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA" na canção.

Para Marco Polli, em artigo na edição brasileira do Le Monde diplomatique, se trata do sétimo pior verso da história da música brasileira. Para ele, a fatalidade da Guerra Civil Angolana não justifica o tom alegre da canção.

Videoclipe thumb|Clara Nunes no videoclipe da canção.

A canção encantou os produtores do Fantástico, que converteram-na em um videoclipe, que estreou no dia 17 de agosto de 1980, um dia antes do lançamento do álbum. Um dos Compactos Simples do Long-Play.

Créditos Créditos adaptados do Discos do Brasil.

Chico Buarque – Compositor Geraldo Vespar – Arranjos Raphael Rabello – Violão de sete cordas Francinete – Coro Dazinho – Ritmo Gordinho (Antenor Marques Filho) – Ritmo Cuscus – Ritmo Jorge José da Silva : Ritmo Zenilda Barroso – Coro Dinorah (Affonsina Pires) – Coro Cabelinho (Walter Silva de Vasconcellos Chaves) – Ritmo Barbosa – Coro Genaro – Coro Alceu Maia – Cavaquinho Elizeu Felix – Ritmo Luna – Ritmo Wilson das Neves – Bateria Luizão Maia – Baixo elétrico Hélio Delmiro – Violão Juçara Marçal – Coro

Versão de Chico Buarque

No mesmo ano em que Clara Nunes lançara a canção, o compositor Chico Buarque, também lançou sua versão, gravada em seu álbum Vida.

Créditos (Versão de Chico Buarque) Créditos adaptados do Discos do Brasil.

Chico Buarque – Compositor Francis Hime – Arranjos e Piano Arthur Verocai - Violão Chico Batera – Percussão Bebel Gilberto – Coro Miúcha – Coro Danilo Caymmi – Coro Bee de Campos – Coro Cristina Buarque – Coro Sílvio Barbosa – Trombone Wilson Canegal – Ritmo Zênio de Alencar – Tuba Geraldo – Percussão Armando Marçal (Marçalzinho) – Percussão Ney Martins – Ritmo Alceu Maia – Cavaquinho Manuel Araújo – Trombone Luizão Maia – Baixo elétrico Edmundo Maciel – Trombone Telma Costa – Coro

Outras regravações A primeira regravação da canção foi feita pelo próprio Chico Buarque, no álbum Vida, lançado também em 1980.Letra da canção no sítio oficial de Chico Buarque Também faria parte do álbum e DVD Carioca - Ao Vivo, lançado por Chico em 2007. Elba Ramalho regravaria a canção em 1991 em Felicidade UrgenteInformações sobre o disco Felicidade Urgente no sítio Cliquemusic. e em 1999 em Solar.Informações sobre o disco Solar no sítio Cliquemusic. Em 1989, "Morena de Angola" foi gravada por Ney Matogrosso em Ney Matogrosso Ao Vivo.Informações sobre o disco Ney Matogrosso Ao Vivo no sítio Cliquemusic. Em 2003, em comemoração aos 60 anos de nascimento de Clara, a gravadora DeckDisc lançou o álbum duplo Um Ser de Luz - Saudação a Clara Nunes. Nele, Rita Ribeiro interpretou "Morena de Angola".Clara Nunes - Dados Arísticos no Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira.

Além de ter sido regravada por Chico Buarque, Elba Ramalho, Ney Matogrosso e Rita Ribeiro, a canção foi remixada duas vezes. A primeira delas, em 1995,Informações sobre o disco Clara Nunes Com...Vida no UOL Megastore. no álbum Clara Nunes Com Vida, um tributo à cantora, traz os vocais de Chico sobrepostos aos de Clara na gravação original.Verna, Paul (editor). "Reviews & Previews". Billboard. 8 de junho de 1996. p. 17. Vol. 108, Nº 23. ISSN 0006-2510. Trecho da revista no Google Books. A segunda remixagem foi feita pelo DJ Zé Pedro em seu álbum Música para Dançar, que faz releituras de grandes sucessos da música brasileira e foi lançado em 2002.Informações sobre o disco Música para Dançar no sítio Cliquemusic.

Ligações externas no site oficial de Chico Buarque

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