O Schloss Herten é um castelo com fosso de água, no bordo ocidental do centro da cidade de Herten, no Distrito de Recklinghausen. Está situado num antigo jardim paisagístico à inglesa e foi mencionado pela primeira vez em 1376. Desde 1962, o edifício principal do palácio é um monumento classificado.

Os edifícios actuais foram construídos por Henric de Suer, um mestre de obras natural de Coesfeld, e pelo seu filho Johann, para as famílias Stecke e Nesselrode. Uma vez que o edifício principal tinha sido abandonado como residência após a Primeira Guerra Mundial, degradou-se rapidamente e ameaçava colapsar devido aos danos causados pela mineração. Só uma profunda renovação empreendida pela Associação Regional de Vestefália-Lippe (Landschaftsverband Westfalen-Lippe), entre 1974 e 1989, salvou o edifício gótico tardio do colapso total.

História Moradores e proprietários

A família dos von Herten, vassalos da Abadia de Werden, é mencionada pela primeira vez num documento, em 1286, com "Gerlach von Hertene". Supõe-se que a sua primeira residência fosse no actual centro da cidade de Herten, perto da Igreja de Santo AntónioA. Kracht: Burgen und Schlösser im Sauerland, Siegerland, Hellweg, área industrial, p. 294.. No século XIV, aquela linhagem de cavaleiros construiu uma casa-forte no sítio do actual palácio, que foi mencionada em 1376 como um feudo da Abadia Imperial de Werden.

Por casamento, a "Casa Herten" passou em meados do século XIV para os Senhores de Galen, cuja herdeira Elseke a transmitiu, em 1488 através do seu casamento celebrado em 1476, ao seu marido, Dietrich von Stecke zur Leythe.

Anna von Stecke casou em 1529 com Bertram I von Nesselrode, tesoureiro hereditário dos ducados de Jülich e Berg. Como muitos membros da Casa Nesselrode, Bertram foi statthalter (governador) do Eleitorado de Colónia no território de Vest Recklinghausen entre 1539 e 1556. A partir de 1530 continuou uma ampliação e renovação da casa-forte já começada em 1520.

O complexo manteve-se na posse da família von Nesselrode por quase 300 anos. O Freiherr Franz von Nesselrode-Reichenstein foi elevado, em 1702, à dignidade de conde imperial pelo Imperador Leopoldo I. Quando Johann Franz Josef von Nesselrode, último representante da linhagem masculina dos Nesselrode de Herten, faleceu, em 1826, o palácio chegou, pela sua filha Charlotte, à família von Droste zu Vischering, que no mesmo ano também foram elevados a condes imperiais. De seguida, os membros da linhagem de Herten passaram a chamar-se a si próprios de "Droste zu Vischering von Nesselrode-Reichenstein"A. Duncker: Die ländlichen Wohnsitze, Schlösser und Residenzen der ritterschaftlichen Grundbesitzer in der preußischen Monarchie..

A família redidiu no complexo até pouco depois da Primeira Guerra Mundial. Quando passaram a viver no Schloss Merten, em Eitorf, a partir de 1920, o Schloss Herten foi abandonado como residência e entregue à degradação. Durante a Ocupação do Ruhr, entre 1923 e 1925, ainda serviu como alojamento para as tropas francesas, que deixaram o palácio num estado de devastação.

Transitoriamente, o proprietário do complexo foi a Associação regional de Vestefália-Lippe (Landschaftsverband Westfalen-Lippe), que comprou os edifícios degradados pelo tempo, juntamente com o parque do palácio, em 1974. Este último é propriedade da cidade de Herten desde Novembro de 2008.

História da construção

Os Senhores de Herten ergueram na primeira metade do século XIV uma casa-torre medieval em pedra, cujas poucas relíquias ainda são hoje visíveis na cave abobadada da ala norte. A abóbada de aresta com nervuras assenta, provavelmente, sobre fundações mais antigas S. Kleineschulte: Schloss Herten, p. 342.. Outros elementos dessa época foram encontrados por uma escavação de emergência realizada em 1974, embora não tenham sido reconstruídos.

A partir de 1520, foi realizada para a víuva de Heinrich von Steckes, Sophie von Morrien, a renovação e ampliação da casa-torre de pedra para um castelo fechado em estilo tardo-gótico. Os mestres de obras responsáveis foram Henric de Suer, natural de Coesfeld, e o seu filho Johann. Por esse motivo, tem semelhanças inconfundíveis com o Schloss Nordkirchen de então, também construído, em 1516, por Henric de Suer. Os trabalhos continuaram a parir de 1529, com pequenas alterações, para Betram I von Nesselrode. Segundo relatos contemporêneos, depois da conclusão da construção em 1560, poderia falar-se de um "enorme edifício com fortificações e muralhas" (gewaltigen Bau mit Festungen und WällenU. Schumacher-Haardt: Schloss Herten, p. 4.) que, por meio das suas paredes rectangulares com bastiões de canto, pôde resistir por dois anos, a partir de 1583, a um cerco de Gebhard I von Waldburg no decorrer da Guerra de Colónia. Restos das antigas muralhas ainda permanecem na área da alameda de castanhos, a leste.

A expansão da casa-torre de pedra para uma estrutura bastionada irregular de quatro alas (escavações mostraram que foi originalmente planeada com uma planta quadrada) foi feita em várias fases.

Em primeiro lugar, uma ala de extensão foi construída sobre estacas em grade na parte norte do complexo, que se juntou a leste à casa-torre. Em anos posteriores foi adicionada uma galeria de dois pisos ao lado do edifício virado para o pátio. Com a sua fachada, representa os mais antigos restos sobreviventes de uma frontaria de exibição na Vestefália. A sua construção ainda não pode ser datada com precisão, sabendo-se apenas que foi concluída antes do fim da primeira metade do século XVI.

Em seguida foi, provavelmente, construída a ala leste com as suas salas de representaçãoU. Schumacher-Haardt: Schloss Herten, p. 8.. Na época, o piso térreo abrigava apenas um grande salão a que se seguia uma sala-câmara para sul.

A ala oeste do complexo foi adicionada na terceira fase de construção. A sua parte central era constituída por uma casa previamente existente, cujas empena foi conservada e ainda hoje é visível no sótão. Esta casa tinha logo a norte a actual torre noroeste e, posteriormente, foi expandida para sul através duma outra torre.

Finalmente, foi inserida obliquamente uma ala de ligação com dois pisos entre as alas leste e oeste, de diferentes comprimentos, na parte sul do complexo. O seu primeiro piso, hoje em dia ainda preservado, é suportado por uma colunata tardo-gótica. Actualmente, não está determinado o momento exacto em que o seu segundo piso foi demolido; provavelmente terá sido entre 1850 e 1870U. Schumacher-Haardt: Schloss Herten, p. 15. Juntamente com a construção da ala sul, foi erguida uma torre-escada octogonal, ainda hoje preservada, no canto sudeste do pátio interior. Foi uma das primeiras do seu tipoA. Kracht: Burgen und Schlösser im Sauerland, Siegerland, Hellweg, Industriegebiet, p. 298., já que até então só eram comuns as escadas de alvenaria nas paredes exteriores ou escadas de madeira interiores nos andares superiores.

A partir de cerca de 1650, Bertram von Nesselrode e a sua esposa, Lucia von Hatzfeld, fizeram algumas obras de modernização dos edifícios, que também estão associadas com algum abrandamento da planta. Neste período, foi redescoberto pelos trabalhos de restauro o tecto pintado em perspectiva do grande salão no piso térreo da ala leste. Este tecto é único na VestefáliaInformações sobre o palácio no website da cidade de Herten (acedido em 13 de Fevereiro de 2011).

Em 1687, durante a época de Natal, um grave incêndio destruiu grande parte das alas norte e oeste, tendo a valiosa biblioteca sido destruída na sua maior parte. O Freiherr Franz von Nesselrode-Reichenstein construíu de novo o castelo, até 1702, na sua actual forma barroca. No decorrer da reconstrução, também foi edificado o portal elaboradamente planeado, no lado oeste do complexo. Ao mesmo tempo, o senhor da obra mandou criar, a norte do edifício, um jardim barroco à francesa, com numerosas fontes e estátuas. Vinte desenhos a caneta preservados, da autoria do pintor valão Renier Roidkin e datados de cerca de 1730, dão uma boa ideia da aparência que o jardim teria na época. Seguindo uma moda inglesa, foi construída uma orangerie, até 1725, cerca de 200 metros a nordeste.

Uma vez que o já degradado edifício palaciano não foi mais usado a partir de 1925, o aluimento de terras causado pela mineração encarregou-se do resto e fez com que a construção de quatro alas quase entrasse em colapso. Por esse motivo, a partir de 1967 foram tomadas medidas de segurança nas fundações do edifício. No entanto, a decadência dos edifícios que se mantinham de pé não foi controlada, até que a Associação Regional da Vestefália-Lippe tomou conta dos edifícios ruinosos em 1974. No mesmo ano começaram os esforços de recuperação, que duraram até 1989 . Para salvar o edifício principal teve que se aceitar uma perda significativa da estrutura original do edifício: na reabilitação, todas as fundações e todas as placas de piso foram substituídas por estruturas de betão armado e todos os telhados – com excepção de uma pequena parte na ala oeste – foram completamente renovados.

Descrição O actual Schloss Herten é composto por duas partes, sendo a sua secção principal (Hauptburg) um edifício de tijolo, com torres redondas nos cantos, completamente cercado por um fosso. O seu pátio exterior (Vorburg) – também construído em tijolo – fica para oeste, na sua própria ilha, e na época estava ligado à parte principal por uma ponte levadiça. Do conjunto ainda faz parte uma terceira ilha, a sul, que em tempos passados foi, provavelmente, usada como jardim.U. Schumacher-Haardt: Schloss Herten, p. 3..

Edifício principal

O núcleo principal (Hauptburg) tem quatro alas encerrando um pátio interior. A sua alvenaria de tijolos é dividida horizontalmente por frisos em pedra. Com excepção da alterada ala sul, as alas têm dois pisos e são rematadas por um telhado de duas águas. As alas leste e oeste têm telhados inclinados, adornados com pináculos nas empenas. Três cantos do edifício fechado em quatro alas são marcados por torres redondas de dois pisos com telhados cónicos. Na parte sul da ala oeste, que recebeu na fachada exterior um padrão de diamante com tijolos vidrados, encontra-se o portal principal desde o início do século XVIII. O portão é emoldurado por um edícula. Acima do arco assenta uma janela saliente, que coroa um frontão segmentado. Cartuchos à esquerda e à direita do portão lembram as linhagens residentes no Schloss Herten, o fogo devastador e a reconstrução. Também se pode ler ali, esculpido em pedra, o lema QUAERATUR VIRTUS – INVENIETUR HONOS (procura a Virtude – encontrarás à Honra).

A fachada voltada para o pátio da ala norte possui um simples portal com arco de volta perfeita e está ladeada por duas torres-escada. A oposta ala sul mostra, no lado do pátio, uma galeria tardo-gótica, cujas colunas têm uma incomum superfície retorcida.

Os espaços interiores do palácio são marcados pela renovação da década de 1980. Apenas as salas de representação da ala leste ainda mantêm o velho estilo barroco. Isto inclui os tectos de estuque das salas pequenas, que datam de cerca de 1700. Muito valiosas para a história da arte, ainda estão semi-preservadas as pinturas do tecto do salão de festas, de meados do século XVII.

Edifícios na ilha do vorburg Remise O actual edifício em tijolo do pátio exterior (vorburg) está no núcleo, provavelmente, desde o século XVI S. Kleineschulte: Schloss Herten, p. 342 e foi, em tempos, a ala ocidental duma casa de recolha de carruagens (remise). Este edifício térreo tem um telhado inclinado de duas águas, cujas empenas são escadeadas. É seguido no seu extremo norte, em ângulo recto, pelas ruínas duma outra antiga ala do edifício.

Capela