Gertrude Scharff Goldhaber (Mannheim, 14 de julho de 1911 — Patchogue, 2 de fevereiro de 1998) foi uma física nuclear alemã.

De origem judaica, ela obteve seu doutorado pela Universidade de Munique e, embora sua família tenha sofrido durante o Holocausto, Gertrude conseguiu escapar para Londres e, posteriormente, para os Estados Unidos. Suas pesquisas durante a Segunda Guerra Mundial foram confidenciais e só foram publicadas em 1946. Ela e seu marido, o também físico Maurice Goldhaber, passaram a maior parte de suas carreiras pós-guerra no Laboratório Nacional de Brookhaven.

Membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, Goldhaber teve importância decisiva para o desenvolvimento da física nuclear experimental, especialmente por seu trabalho sobre a fissão nuclear e a emissão de nêutrons. Seus experimentos ajudaram a demonstrar que a fissão espontânea de núcleos pesados libera nêutrons, um resultado fundamental para a compreensão das reações em cadeia que sustentam tanto reatores nucleares quanto armas nucleares. Ao fornecer evidências empíricas sólidas em um campo ainda em consolidação nas décadas de 1930 e 1940, seu trabalho contribuiu para estabelecer bases seguras para a teoria nuclear e para o avanço de aplicações tecnológicas e energéticas, consolidando seu papel como uma das pioneiras na área.

Biografia Gertrude Scharff nasceu em Mannheim, na Alemanha, em 1911. Era filha de Otto Scharff e Nelly Steinhardter Scharff. Frequentou escola pública, onde se interessou pela ciência. Algo incomum para a época, seus pais apoiaram esse interesse, possivelmente porque seu pai desejava ser químico antes de ser obrigado a sustentar a família após a morte do pai. A infância de Goldhaber foi marcada por dificuldades. Durante a Primeira Guerra Mundial, ela se lembrava de ter que comer pão feito parcialmente de serragem, e sua família sofreu com a hiperinflação na Alemanha do pós-guerra, embora isso não a tenha impedido de frequentar a Universidade de Munique.

Na Universidade de Munique, Gertrude desenvolveu rapidamente um interesse pela física. Embora sua família tivesse apoiado seu interesse precoce pela ciência, seu pai a incentivou a estudar direito em Munique. Em defesa de sua decisão de estudar física, Gertrude disse ao pai: "Não estou interessada em direito. Quero entender do que o mundo é feito."

Como era comum para os estudantes da época, Gertrude passou semestres em várias outras universidades, incluindo a Universidade de Freiburg, a Universidade de Zurique e a Universidade de Berlim (onde conheceria seu futuro marido), antes de retornar à Universidade de Munique. Ao retornar a Munique, Gertrude aceitou um cargo com Walter Gerlach para realizar sua pesquisa de tese. Em sua tese, Gertrude estudou os efeitos da tensão na magnetização. Ela se formou em 1935 e publicou sua tese em 1936.

Com a ascensão do partido nazista ao poder em 1933, Gertrude enfrentou crescentes dificuldades na Alemanha por causa de sua ascendência judaica. Durante esse período, seu pai foi preso e encarcerado e, embora ele e sua esposa tenham conseguido fugir para a Suíça após sua libertação, eles retornaram posteriormente à Alemanha. Em 20 de novembro de 1941, os dois foram enviados para Kaunas, na Lituânia. Cinco dias depois, foram assassinados, como parte das execuções em massa de judeus deportados da Alemanha. Gertrude permaneceu na Alemanha até concluir seu doutorado em 1935, quando fugiu para Londres. Embora os pais de Gertrude não tenham escapado dos nazistas, sua irmã Liselotte conseguiu.

Carreira Durante os primeiros seis meses de sua estadia em Londres, Gertrude viveu do dinheiro que ganhou com a venda de sua câmera Leica, além do dinheiro que recebeu traduzindo do alemão para o inglês. Gertrude descobriu que ter um doutorado era uma desvantagem, pois havia mais vagas para estudantes refugiados do que para cientistas refugiados. Ela escreveu para 35 outros cientistas refugiados em busca de trabalho e todos, exceto um, disseram que já havia muitos cientistas refugiados trabalhando. Apenas Maurice Goldhaber respondeu, oferecendo alguma esperança e afirmando que achava que ela poderia encontrar trabalho em Cambridge. Gertrude conseguiu um emprego no laboratório de George Paget Thomson, trabalhando com difração de elétrons. Embora tivesse uma posição de pós-doutorado com Thomson, Gertrude percebeu que não lhe ofereceriam um cargo efetivo e, portanto, procurou outro trabalho.

Em 1939, Gertrude casou-se com Maurice Goldhaber. Ela então se mudou para Urbana, Illinois, para se juntar a ele na Universidade de Illinois. O estado de Illinois possuía leis rigorosas contra o nepotismo na época, o que impediu Gertrude Goldhaber de ser contratada pela universidade, pois seu marido já ocupava um cargo lá. Gertrude não recebeu salário nem espaço em laboratório e trabalhou no laboratório de Maurice como assistente não remunerada. Como o laboratório de Maurice era voltado exclusivamente para pesquisa em física nuclear, Gertrude Goldhaber também passou a pesquisar nessa área. Durante esse período, Gertrude e Maurice Goldhaber tiveram dois filhos: Alfred e Michael. Goldhaber acabou recebendo uma verba do departamento para auxiliar em suas pesquisas.

Em 1941, Goldhaber estudou as seções de choque das reações nêutron-próton e nêutron-núcleo, e, em 1942, a emissão e absorção de radiação gama por núcleos. Nessa época, ela também observou que a fissão nuclear espontânea é acompanhada pela liberação de nêutrons, um resultado que já havia sido teorizado anteriormente, mas ainda não demonstrado. Seu trabalho com fissão nuclear espontânea foi classificado durante a guerra e só foi publicado após o seu término, em 1946.

Gertrude e Maurice Goldhaber mudaram-se de Illinois para Long Island, onde ambos se juntaram à equipe do Laboratório Nacional de Brookhaven. No laboratório, ela fundou uma série de palestras mensais conhecida como Série de Palestras de Brookhaven, que continua em andamento até março de 2023.

Morte Ela morreu em 2 de fevereiro de 1998, aos 86 anos, em Long Island, Nova York.

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