Up, Up and Away! (no Brasil, Para o alto e avante!) é um arco de história publicado em 2006 pela editora norte-americana DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time-Warner. Escrita por Geoff Johns e Kurt Busiek e desenhada por Pete Woods, a história foi publicada em oito partes, entre abril e junho de 2006, nas edições 837 a 840 da revista Action Comics e 650 a 653 de Superman. Na trama, Superman recupera seus super-poderes e seu papel de super-herói após um ano vivendo apenas como Clark Kent.
A história é a primeira de uma série que Johns produziria ao lado de Busiek entre 2006 e 2009 nas quais, ao mesmo tempo que davam continuidade à história de Superman, caracterizando-o como alguém que já atuava como super-herói há mais de uma década, incluíam referências inéditas aos primeiros anos de sua vida, reincorporando ao cânone elementos da mitologia do personagem que haviam sido eliminados por outros escritores anteriormente. A trama foi bem-recebida pela crítica e, durante a sua publicação, apresentou bons resultados junto ao público: as suas oito edições venderam, juntas, cerca de 550 mil exemplares.
Antecedentes e contexto
Superman Em meados de 1985 o editor Andrew Helfer recebeu da DC Comics a incumbência de escolher os escritores que trabalhariam nas revistas de Superman após a conclusão do evento Crise nas Infinitas Terras, e vários autores foram abordados. Dentre eles, John Byrne e Marv Wolfman. No ano seguinte, a dupla reformulou não apenas Superman e seu elenco de apoio, mas toda a mitologia do personagem. Entre junho e agosto de 1986 foi lançada uma minissérie intitulada The Man of Steel, escrita e desenhada por Byrne, que desconsiderou todas as histórias publicadas até então e estabeleceu uma uma nova origem para Superman. A partir de setembro, passariam ser contadas as novas histórias do personagem, formando um novo cânone. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages!")
Como parte dessa reformulação, toda a linha de revistas foi reformulada a partir de setembro de 1986: uma nova revista intitulada Superman foi lançada, com roteiros e desenhos de Byrne, e as duas outras revistas do personagem foram alteradas: a revista Superman original, mantendo sua numeração, teve seu título alterado para Adventures of Superman e passou a ser escrita por Marv Wolfman, enquanto Action Comics, também mantendo sua numeração original, passou a partir da edição 584 a ser uma revista dedicada à histórias do gênero team-up.MILLER, p.35-44COOKE, p. 45-55 As revistas manteriam uma média de 200 mil exemplares por mês nos anos seguintes e seriam consideradas um sucesso, particularmente em reacender o interesse do público pelo personagem.
Embora o trabalho de Wolfman se encerrasse em 1987 e o de Byrne, no ano seguinte, os conceitos por eles estabelecidos continuariam sendo uma forte influência nas histórias do personagem por mais de uma década. Entre 1992 e 1993 foi publicada uma das histórias que melhor exemplifica essa influência: A Morte e o Retorno de Superman. Durante o extenso arco de história o personagem enfrenta seu mais poderoso oponente até então, o monstro Apocalypse, e, embora fosse bem-sucedido em derrotá-lo, acabaria falecendo.
O enterro de Superman recebeu considerável cobertura por parte da mídia especializada, sendo inclusive interrompia a publicação de suas revistas por três meses, e quando retomadas, eram protagonizadas cada uma por um personagem diferente ao longo de meses. O herói eventualmente retornaria, enfrentaria um de seus quatro "substitutos" - o "Superciborgue", um supervilão disfarçado - e reconquistaria a confiança do público. No universo ficcional onde se situavam as histórias, entretanto, apenas cerca de dois meses se passam entre o dia em que Superman fora considerado morto e seu retorno.
Lex Luthor Em 2000, durante a reunião anual realizada entre o corpo editorial da DC Comics e a equipe de profissionais responsáveis pelas várias revistas protagonizadas por Superman para definir o rumo que as histórias tomariam no ano seguinte, discutiu-se como continuar avançando a história do personagem Lex Luthor. Desde 1986 o personagem não mais era caracterizado como um "cientista louco" que ficara calvo por causa de Superman quando ambos eram adolescentes vivendo em Smallville, mas como um influente e inescrupuloso empresário de Metrópolis e um dos homens mais ricos do mundo. Embora fosse desde a sua concepção um vilão, uma série de tramas publicadas na década de 1990 mostravam Luthor recebendo, aos olhos do público, o crédito por inúmeras "boas ações", como a reconstrução de Gotham City após uma série de eventos ter devastado a cidade.
Com Paul Levitz e Janette Kahn - editor-chefe e publisher da editora, respectivamente - presentes, a equipe propôs que Luthor se candidatasse ao cargo de Presidente dos Estados Unidos e vencesse o pleito de forma legítima. No final daquele ano o vilão lançou-se como candidato à eleição presidencial dos Estados Unidos de 2000 e, com a publicação do especial Lex 2000, se elegeu presidente, substituindo George W. Bush no Universo DC como o 43º Presidente dos Estados Unidos, sem que a editora tivesse planos à longo prazo para retirá-lo do cargo. Luthor já era visto pelos cidadãos dos Estados Unidos como um visionário e um benevolente empresário e durante o período em que esteve no cargo, ao olhos do público, reformou o sistema educacional, liderou o país durante a vitória contra uma invasão alienígena e alcançou grande popularidade. A eleição do vilão e sua inicialmente bem-sucedida presidência, por mais corrupto que ele fosse, foram eventos apontados em 2001 como uma das maiores "derrotas" já enfrentadas por Superman. Sintetizaria o colunista Steven Grant, em texto publicado naquele ano no site americano Comic Book Resources: "Cada dia que Lex Luthor continua sentado no Salão Oval, Superman parece mais e mais um babaca impotente". Luthor só seria demovido do cargo quando, próximo de completar seu mandado, enfrentou Superman e Batman num confronto público. Aparentemente enlouquecido, o vilão caiu em desgraça frente o público.
Crise Infinita Embora alguns historiadores e jornalistas defendam que desde a reformulação promovida em 1986 Superman não era mais costumeiramente caracterizado como um herói inspirador, são as histórias publicadas na década de 1990, particularmente após a morte do personagem, aquelas apontadas como as em que o herói era mostrado mais como alguém cheio de dúvidas do que como o ícone que deveria ser. Uma série de eventos publicados entre 2003 e 2005 culminaria na publicação de Crise Infinita, um crossover planejado não apenas como uma homenagem à história Crise nas Infinitas Terras, que naquele ano completaria vinte anos, mas como uma análise do valor, não apenas dos três principais heróis da DC Comics - Superman, Batman e Mulher-Maravilha - mas de todo o Universo DC, que havia se tornado algo excessivamente sombrio e dramático em comparação ao que era antes de 1986.
Superman é alvo de algumas das maiores "críticas" do evento. Em texto publicado em seu blog, Alan Kistler aponta que, no início de Crise Infinita, Batman é usado como veículo para questionar o que Superman havia se tornado nos últimos anos, alguém que "tentava demais se identificar com a humanidade, esquecendo do seu poder e do seu papel". Na história, "Batman argumenta que o surgimento de Superman havia inspirado toda uma nova era heróica, mas que ele havia se tornado alguém tão ocupado com dúvidas e preocupações que havia perdido a capacidade [de inspirar pessoas]". Batman chega inclusive a afirmar que a última vez que Superman havia inspirado alguém teria sido na sua morte e eventualmente Superman perceberia que o colega estava certo, ele havia se tornado alguém tão preocupado com os próprios limites que precisava ser lembrado de que podia confiar nos próprios instintos, no próprio senso de moralidade. Durante o evento, Superman é caracterizado novamente como um líder, alguém que inspira confiança naqueles que o seguem e renova as esperanças daqueles que dele precisam - Kistler toma como exemplo dessa caracterização o momento em que, "quando um edifício está prester a ruir, Superman simplesmente diz 'Eu resolvo'", e cumpre o que promete, impedindo que o prédio desmorone usando seus super-poderes.
Produção e publicação
thumb|180px|left|O editor-chefe da DC Comics, Dan DiDio. Em novembro de 2005 o editor-chefe da DC Comics, Dan DiDio, já havia anunciado que uma das três revistas de Superman seria cancelada após a conclusão de Crise Infinita. A intenção de DiDio era fazer com que a revista Adventures of Superman retomasse o seu título original e voltasse a se chamar apenas Superman. Disse: "Meu conceito é de que Batman e Superman não precisam ter inúmeras séries cada um, porque pode acabar existindo problemas entre elas. Então, cheguei ao ponto de deixar as duas mais antigas de cada um: Action Comics, Superman, Detective Comics e Batman". O cancelamento da revista chegou a ser caracterizado como "o fim de uma era" e "um evidente sinal de mudança", pois representava o fim de uma publicação iniciada pelo escritor John Byrne quando ele havia reformulado o personagem.
Em 2006 Geoff Johns, o responsável por Crise Infinita, foi anunciado como o escritor que assumiria o cargo de roteirista da revista Action Comics. Ao seu lado, inicialmente, estaria Kurt Busiek, que havia assinado um contrato de exclusividade com a editora no final de 2005, e fazer parte da nova equipe criativa responsável pelas histórias de Superman foi uma das razões que o fez aceitar a proposta. Em entrevista, Busiek declarou acreditar que "as coisas estão realmente estourando na DC, e há uma ênfase bem-vinda não só em fazer histórias que chamem a atenção, mas tornar claro que há algo importante e valoroso nas revistas que deixe o leitor fisgado por um longo período".
É a partir de Up, Up and Away! que é apresentado aos leitores como Superman se integra ao Universo DC após a conclusão de Crise Infinita. De acordo com a história A Queda de Camelot, publicada a partir de Superman #654, após a conclusão de Up, Up and Away!, Clark Kent já atuava como super-herói há mais de doze anosBUSIEK, Kurt; PACHECO, Carlos; MERINO, Jesus. Superman #654. DC Comics. Publicado originalmente em julho de 2006 Busiek e Johns tinham por objetivo, em sua tramas, dar continuidade à história de Superman, mas ao mesmo tempo incluir referências inéditas aos primeiros anos de sua vida. Todo esse trabalho culminaria, em 2009, na produção de Superman: Secret Origin, uma minissérie em seis partes produzida com o intuito de contar a "história definitiva" dos primeiros anos de Superman, incorporando elementos não apenas da mitologia construída desde que John Byrne reformulara o personagem em 1986, mas também das histórias produzidas antes disso.
Enredo O enredo transcorre da seguinte forma: Clark Kent, Lex Luthor e a Intergangue Clark Kent, sem super-poderes há um ano, tem aproveitado sua "vida normal" e se destacado cada vez mais como repórter no Planeta Diário, onde suas reportagens denunciando as atividades de Lex Luthor e da Intergangue lhe rendem atenção e elogios. Lex Luthor, por outro lado, não pode se considerar tão afortunado: mesmo que sua equipe de advogados tenha consigo lhe inocentar da mais de uma centena de acusações que lhe haviam sido feitas, os artigos escritos por Kent haviam destruído sua credibilidade, levando-o a ser expulso pelos demais acionistas da LexCorp, a empresa que ajudou a fundar.