A Fundação Universitária para o Vestibular, mais conhecida pela sua sigla Fuvest, é uma fundação brasileira de direito privado ligada à Universidade de São Paulo (USP), fundada em 1976 na capital paulista, cujo objetivo principal é a realização dos exames vestibulares para admissão a essa instituição.

A Fuvest organiza o Vestibular da USP, processos seletivos de ingresso na graduação e pós-graduação na instituição e concursos para servidores da universidade. O seu principal certame o Vestibular da USP ou Concurso Vestibular Fuvest é realizado em duas fases, é atualmente o segundo maior vestibular do país, somente atrás do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Antecedentes Como os exames de admissão tornaram-se o meio preponderante de ingresso ao ensino superior no Brasil, esse tipo de seleção evoluiu para os chamados vestibulares. O aumento da demanda na disputa pelas vagas nas universidades públicas e a necessidade de organizá-lo melhor estimularam a criação de fundações específicas para realizar as provas. Dessa forma, foram criados as fundações Cescea (responsável por exames para área de humanas), Cescem (que organizava a seleção dos candidatos para as escolas médicas) e Mapofei (responsável pelos vestibulares de exatas) como exames unificados para diversas universidades privadas e públicas do Estado de São Paulo, entre as quais a USP.

Durante a década de 1970, uma proposta de organizar seu próprio vestibular para influenciar e controlar melhor o processo de seleção dos seus estudantes ganhou cada vez mais força entre o corpo docente da USP. Em 20 de abril de 1976, o Conselho Universitário da instituição aprovou a criação da Fundação Universitária para o Vestibular, a Fuvest, e posteriormente se iniciou a preparação o primeiro vestibular de 1977.

História esquerda|miniaturadaimagem|250x250px|Fachada do Prédio da Fuvest O primeiro vestibular da Fuvest ocorreu em 19 de janeiro de 1977. Uma grande tempestade na noite da véspera do exame deixou São Paulo com vários pontos da cidade de inundação e bairros alagados no dia seguinte, sendo que a prova estava marcada para as 8 horas e tinha uma tolerância de 15 minutos de atraso. Devido a situação extraordinária, a coordenação da Fuvest permitiu a entrada de candidatos retardatários até as 11:15, mas esse prazo foi estendido até o início da tarde para alunos resgatados por helicópteros e enviados para o aeroporto Campo de Marte, onde dois hangares foram excepcionalmente utilizados para a realização do exame.

Ao longo de sua história, o vestibular da Fuvest passou por diversas mudanças. Na primeira metade da década de 1990, foi abolida a exigência de uma nota mínima que algumas carreiras exigiam, pois isso fazia com que sobrassem vagas – como no exame de 1988, quando 15% das vagas não foram preenchidas, e também na prova de 1990, que obrigou a fundação a realizar um segundo vestibular para preencher as vagas remanescentes.

Para o vestibular de 1995, a Fuvest aumentou de 72 para 160 questões da primeira fase e esses pontos também passaram a contar na nota final. Nessa época, a primeira fase passou a ser realizada em dois dias distintos.

Em 2003, o número de questões da primeira fase foi reduzido para 100 e essa fase voltou a ser realiza em um único dia. Quatro anos depois, houve uma nova queda, desta vez para um total de 90 questões, mas com a manutenção do tempo máximo de cinco horas.

A partir do exame de 2010, a Fuvest passou a aceitar pela primeira vez inscrição via internet. Outra mudança foi que primeira fase tornou-se apenas classificatória para a segunda fase, ou seja, sua nota não seria contabilizada para a nota final, e a segunda fase exigiria todas as disciplinas básicas do ensino médio, independente da área pretendida pelo vestibulando.

Para o vestibular 2019, a Fuvest introduziu novidades como um sistema de reconhecimento facial dos candidatos para evitar fraudes e, pela primeira vez, um sistema de cotas, no qual 40% das vagas seriam destinadas a alunos oriundos de escola pública mais alunos de escola pública pretos, pardos e indígenas (PPI). Para o exame do vestibular seguinte, foram apresentadas provas impressas com figuras, mapas, gráficos coloridos.

O número de vagas destinadas às cotas subiu para 50% a partir do vestibular de 2021 da Fuvest.

Formato do Concurso Vestibular miniaturadaimagem|Candidatos realizam a primeira fase do exame em 2017. Tradicionalmente, o exame da Fuvest tem sido realizado em duas fases.

A primeira fase, feita em um único dia, é constituída por 90 questões, sendo algumas interdisciplinares, de disciplinas obrigatórias do Ensino Médio (Biologia, Física, Geografia, História, Inglês, Matemática, Língua Portuguesa e Química), dispostas em modelo de múltipla escolha com cinco alternativas, das quais apenas uma é correta. Com duração máxima de cinco horas, esse exame tem sua nota utilizada tanto para a classificação dos candidatos habilitados para seguir para a segunda fase do vestibular, quanto para o cálculo da nota final. São convocados para a fase seguinte os candidatos mais bem classificados em número correspondente a 4 vezes o total de vagas da cada carreira e modalidade de concorrência.

A segunda fase, realizada em dois dias diferentes, é constituída por duas provas de natureza discursiva de conhecimentos específicos considerados obrigatórios para todos os candidatos promovidos a essa fase – o primeiro exame com 10 questões de Português (envolvendo compreensão e interpretação de textos, gramática e literatura) e uma redação, enquanto o segundo exame é composto por 12 questões de igual valor sobre duas a quatro disciplinas, a depender da carreira escolhida (se forem duas disciplinas, haverá seis questões para cada uma delas; se três disciplinas, quatro questões para cada uma; se quatro disciplinas, três questões para cada uma).

Algumas carreiras também exigem uma prova, de caráter eliminatório e classificatório, de Habilidades Específicas como parte integrante da segunda fase, conforme a carreira, que também vale 100 pontos, sendo parte integrante da segunda fase.

O vestibular conta com uma lista de obras de leitura obrigatória sobre as quais versam questões de literatura, interpretação de texto e interdisciplinares, tanto na primeira quanto na segunda fase.

Notas de corte Poucas semanas após a realização da primeira fase, a Fuvest divulga as notas de corte do seu vestibular, com o número mínimo de acertos para acesso se qualificar para a segunda fase. Todos os candidatos que obtiverem nota igual ou superior a essa estão automaticamente classificados para a próxima etapa. Nessa, cada carreira possui a concorrência de aproximadamente quatro candidatos por vaga.

Essas notas variam conforme a carreira escolhida. Cursos como Medicina possuem notas de corte bastante altas se comparadas à outras carreiras.

Outros exames e processos seletivos No ano de 1986, a Fuvest tomou a responsabilidade de aplicar o vestibulinho da Academia de Ciências Humanas da USP. Com isso, o vestibulinho tornou-se um dos testes mais difíceis para os jovens brasileiros fazerem.

Entre 1988 e 2016, a Fuvest ficou responsável pelo processo seletivo de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e, entre 1996 e 2010, pela seleção da Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

Atualmente, a Fuvest organiza os exames de transferência externa para a USP, ingresso na graduação através de processos seletivos como o ENEM-USP e Olimpíadas Científicas e na pós-graduação de algumas unidades da USP. Bem como, concursos públicos para ocupar cargos na universidade.

Ver também Ensino superior no Brasil Exame vestibular Exame Nacional do Ensino Médio

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