Figueiró da Granja é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Figueiró da Granja do Município de Fornos de Algodres, na antiga província da Beira Alta e nas atuais região do Centro e sub-região da Serra da Estrela, freguesia com 11,68 km² de área e 344 habitantes (censo de 2021), tendo, por isso, uma densidade populacional de .
Foi vila e sede de concelho entre o século XV e 1836. Era constituído por uma freguesia e tinha, em 1801, 596 habitantes.
Aldeia situada nas proximidades da margem direita do rio Mondego, a cerca de 6 quilómetros da sede do município - Fornos de Algodres - e tendo como ponto mais alto o alto de Santiago, a 614 metros de altitude.
Pertence à rede de Aldeias de Montanha.
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! colspan="17" | Nº de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
|Censo | align="center" | 1823 | align="center" | 1864 | align="center" | 1878 | align="center" | 1890 | align="center" | 1900 | align="center" | 1911 | align="center" | 1920 | align="center" | 1930 | align="center" | 1940 | align="center" | 1950 | align="center" | 1960 | align="center" | 1970 | align="center" | 1981 | align="center" | 1991 | align="center" | 2001 | align="center" | 2011 | align="center" | 2021 |- bgcolor="white" |Habit | align="right" | 490 | align="right" | 711 | align="right" | 786 | align="right" | 847 | align="right" | 874 | align="right" | 779 | align="right" | 790 | align="right" | 815 | align="right" | 820 | align="right" | 847 | align="right" | 689 | align="right" | 622 | align="right" | 606 | align="right" | 546 | align="right" | 471 | align="right" | 414 | align="right" | 344 |- bgcolor="white" |Varº ! colspan="1"| | align="right" | +11% | align="right" | +8% | align="right" | +3% | align="right" | -11% | align="right" | +1% | align="right" | +3% | align="right" | +1% | align="right" | +3% | align="right" | -19% | align="right" | -10% | align="right" | -3% | align="right" | -10% | align="right" | -14% | align="right" | -12% | align="right" | -17% |- bgcolor="white" <big> Grupos etários em 2001, 2011 e 2021
0-14 anos15-24 anos25-64 anos 65 e + anos Hab 56 | 47 | 30 68 | 43 | 27 227 | 194 | 171 120 | 130 | 116Var -16% | -36% -37% | -37% -15% | -12% +8% | -11% <big>
Património Os edifícios públicos mais importantes são a igreja paroquial, as capelas e a escola primária. Destaque, igualmente, para o Pelourinho Manuelino, para a "cruzinha", para as várias sepulturas antropomórficas e para alguns símbolos associados ao cripto-judaísmo. Referência especial para o Castro de Santiago, vestígio remoto do Calcolítico. Para além do seu valor patrimonial, é um miradouro absolutamente fantástico.
Igreja paroquial ou de Nossa Senhora da(s) Graça(s) A Igreja Paroquial, templo primitivo, é do século XII de aspecto simples e de estilo românico. Embora tenha sofrido grandes transformações conserva ainda hoje alguns aspectos daquele estilo.
História Não sabemos, ao certo, a data da sua primitiva edificação. Um documento do século XIX afirma que em 1170 (data da primeira carta de foro da povoação) ainda não existia. Santa Rosa de Viterbo parece corroborar afirmando ser muito provável ter sido instituída “logo que começaram a afluir à Granja de Figueiró muitos povoadores, por motivo dos privilégios que lhes eram concedidos na Carta de Couto, sob o nome de Nossa Senhora de Figueiró da Granja”.
Há, no entanto, uma questão que, de alguma forma, faz-nos desconfiar do que nos diz Viterbo, refere A. Almeida Fernandes: o nome da Padroeira. De facto, no final do século XII, a nomenclatura “Nossa Senhora” ainda não era utilizada, pelo que, muito provavelmente, o nome original seria Santa Maria de Figueiró, sendo posteriormente alterado, então sim, para Nossa Senhora de Figueiró.
Monsenhor Pinheiro Marques afirma que “O título de Nossa Senhora de Figueiró ainda se conservava nos inícios de seiscentos (1610) sendo que a invocação de Nossa senhora da(s) Graça(s) aparece, pela primeira vez, em 1617. Terá sido, então, no primeiro quartel do século XVII que se mudou o nome do patronato da paroquial. No entanto, depois da data de 1617 ainda aparecerá, esporadicamente, o nome antigo da padroeira”.
Acreditava-se que seria sufragânea de S. Miguel, em Fornos, mas hoje temos documentos que comprovam que era anexa de Santa Maria de Algodres. Mais tarde – sem sabermos, ao certo, a data – terá passado a responder perante o próprio Mosteiro de São João de Tarouca, que apresentava o pároco e recebia as rendas eclesiásticas, sendo a congrua e as obras no edíficio da sua responsabilidade.
Monsenhor Pinheiro Marques escreve, “em 1551 foi elevada à dignidade de Abadia, apesar do Mosteiro ainda ficar com o direito de apresentação in solidum, não podendo o pároco renunciar sem o seu consentimento. Parece que o Mosteiro terá resistido à mudança e teimou em cobrar o dízimo que lhe havia sido retirado, o que terá provocado revolta entre a população. Reza a lenda que o povo amotinado chegou a maltratar o procurador do Mosteiro que se teria deslocado para cobrar o dízimo tendo-lhe, na altura, matado a besta em que se deslocava. Diz-se que é este episódio que terá dado origem à alcunha de Guímaros ao povo de Figueiró. Diziam os povos vizinhos: “Guímaros!, que comestes o cavalo e nem as ferraduras deixaste”.
e ainda segundo Monsenhor Pinheiro Marques Em 1559, com o consentimento do Rei D. Sebastião, é separada a igreja de Figueiró da jurisdição do Mosteiro retirando, não só todos os dízimos e rendimentos que estavam afectos à igreja mas também o direito de apresentação do pároco.
Templo Com a porta principal virada, como era costume na altura e como acontece com praticamente todas as igrejas do atual concelho, a oeste, esteve, até ao século XX, situada no extremo nordeste da povoação – com o crescimento de novos bairros, hoje encontra-se praticamente no centro da povoação. O templo primitivo, talvez da época da instituição da igreja, no final do século XII/inícios XIII, deve ter sido muito simples, porventura de estilo românico cluniacense, tal como o é (era) o Convento de S. João de Tarouca, a que pertencia.
Sofreu imensas alterações ao longo dos tempos e do seu aspecto original pouco ou nada resta. A estrutura de hoje é praticamente toda do século XIX/XX, apesar de aproveitar elementos mais antigos. "Em 1933, e a expensas do povo, fizeram-se novas avultadas obras, sendo as paredes levantadas 2 metros, aproveitando-se a cornija antiga. Também a parede norte da sacristia foi levantada e nela se abriu uma ampla janela. Também na capela-mor e no corpo da igreja foram ampliadas as janelas e a fachada foi alteada em mais de 4 metros – ainda hoje se nota o acrescento, então feito. À direita ergue-se a nova torre, de 22 metros de altura, construída em 1938”, refere-nos Monsenhor Pinheiro Marques, contemporâneo das principais obras.
Uma vez dentro do templo, despertam logo a nossa atenção os dois altares laterais, o arco cruzeiro e o altar-mor, pela magnífica talha dourada que os reveste.
Os dois laterais, da Senhora do Rosário e de Santa Luzia (hoje Santa Luzia e a Nossa Senhora das Dores estão sobre 2 pequenas mísulas, ocupando os altares laterais o Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora do Rosário), são primorosos, em estilo barroco. Têm a forma de elegantes baldaquinos, de colunas salomónicas, com dossel e cortinados em que predominam figuras angélicas juntamente com decoração vegetalista (parra). Foram dourados em 1740 - a mesma altura em que se pintou o camarim do trono, provavelmente pelo mesmo artista.
O tecto da capela-mor é apainelado em caixotões, de representação vegetalista (espécie de volutas ou conchas). Nas paredes esteve, outrora, representado o tetramorfos, numa pintura de fresco que é uma pena ter-se perdido. No pavimento havia pedras sepulcrais rasas, algumas com inscrições – alusão na visita pastoral de 1786 - também no adro podemos encontrar sepulturas. Nestes dois casos – a representação dos Evangelistas, em fresco, e as campas – Monsenhor Pinheiro Marques afirma ter ainda visto ambos, nos seus devidos lugares.
Pelourinho O pelourinho quinhentista, com cerca de quatro metros de altura, é uma estrutura em cantaria de granito, composta por soco octogonal de quatro degraus, estando o primeiro semi-enterrado no solo, de onde evolui a coluna de fuste octogonal e capitel tronco-piramidal invertido. Apresenta, na união, friso decorado com motivo cordiforme. Escudo adossado a NO do remate e circundado por motivo decorativo em forma de cabo. O campo de escudo apresenta nove compartimentos cavados nos quais figuram cinco besantes em aspa. Finalmente, o remate é encimado por coruchéu em forma de cilindro estriado ou esfera armilar muito rudimentar. Apresenta certas afinidades com os pelourinhos, no mesmo distrito, de Ínfias ou Casal do Monte. Terá sido edificado por volta da data em que D. Manuel outorga (1518) foral à povoação.
Castro de Santiago Localiza-se no topo do cabeço do Crasto, que tem o topónimo de Santiago e onde a crença diz já ter existido uma capela dedicada a este santo. Edificado há cerca de 4500 anos, é o vestígio arqueológico mais antigo da freguesia. Antes da chegada dos romanos, ao noroeste peninsular, era muito comum às populações autóctones agregarem-se à volta de uma estrutura fortificada, sempre construída em zonas altas, com naturais condições defensivas e de domínio sobre a envolvente, sempre junto de um curso de água e acesso a campos agrícolas e/ou zonas de caça. Aqui, aproveitaram-se grandes penedos graníticos para a edificação de dois recintos fortificados. Escavações realizadas ao longo de 7 anos, permitiram identificar várias estruturas de cariz habitacional (cabanas e empedrados) e recolher abundante espólio arqueológico (cerâmicas lisas e decoradas, pontas de seta, "foicinhas", machados de pedra polida, mós manuais, pesos de tear).
Capela de S. Pedro Capela humilde mas antiga. Monsenhor Pinheiro Marques afirma que "já existia, pelo menos, em 1582, nessa altura no sítio da Lameira, ficando a este local, inclusive, associada a toponímia de S. Pedro Velho. Em fins do século XVI mandou um visitador que o povo a mudasse para mais perto da vila, sendo escolhido para o efeito o sítio da Torre" – atual átrio do cemitério. Por detrás desta capela foi construído o cemitério, em 1879. Por essa razão acabou demolida e transferida, primeiro para a parte sudoeste do mesmo cemitério, depois para onde hoje se encontra, servindo, muitos anos, como capela mortuária.
Capela do Mártir ou de S. Sebastião Muito antiga. Era também edifício de telhado muito baixo e acreditamos que estava plantada, mais ou menos, onde hoje está a atual. Tinha um adro, com pequena escadaria de pedra que, do caminho, lhe dava acesso. Foi demolida em 1887 e substituída pela atual, com um pé direito um pouco mais alto. A imagem é de grande devoção na povoação, fazendo parte do calendário festivo.
Capela de S. Silvestre É uma ermida elegante, muito antiga, plantada no sítio a que deu nome, situado ao sul da povoação. De boas proporções e tamanho, circunda-a um também espaçoso adro, onde antigamente se fazia uma espécie de feira/romagem – o sagrado e o profano – no dia da festa. Foi praticamente refeita, em 1756 e com as esmolas dos devotos, no mesmo sítio onde se encontrava a primitiva. Interessante o pavimento calcetado que, muito provavelmente, já ali existia nos tempos do templo mais antigo. Talvez a capela mais interessante da povoação, em termos arquitectónicos.