Mary Louise "Meryl" Streep (Summit, 22 de junho de 1949), é uma atriz estadunidense. Conhecida por sua versatilidade e habilidade em imitar sotaques, ela foi descrita pela mídia como a "melhor atriz de sua geração", é ganhadora de todos os maiores prêmios do cinema (três Oscars, dois prêmios BAFTA, oito Globos de Ouro, quatro Emmys e dois SAG Awards) em uma carreira que abrange mais de cinco décadas.
Streep fez sua estreia profissional na peça Trelawny of the Wells (1975) e sua estreia na televisão no telefilme The Deadliest Season (1977). No mesmo ano estreou no cinema com o filme Julia (1978) e Kramer vs. Kramer (1979) seguidos por, entre outros como Sophie's Choice (1982), Out of Africa (1985), The Devil Wears Prada (2006), Mamma Mia! (2008) e The Iron Lady (2011).
Streep, mais uma vez nomeada para Melhor Atriz principal na edição Óscar 2018, atinge a sua 21.ª indicação ao Oscar (recorde entre as categorias ligadas à atuação), tendo vencido três vezes. Também recebeu 29 indicações ao Globo de Ouro, vencendo oito, também um recorde para o prêmio. A atriz também recebeu quatro Emmys, dois Screen Actors Guild Awards, o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes e no Festival de Berlim, cinco New York Film Critics Circle Awards, dois BAFTA, dois Australian Film Institute Award, quatro indicações ao Grammy Award e uma indicação Tony Award, entre outros prêmios.
Recebeu o prêmio honorário do American Film Institute em 2004 e o Kennedy Center Honor em 2011, ambos por sua contribuição para a cultura dos Estados Unidos através das artes performáticas, sendo a mais jovem artista da história a receber tal distinção. Foi condecorada por duas vezes pelo presidente Barack Obama, em 2010 e 2014, com a Medalha Nacional das Artes e a Medalha Presidencial da Liberdade, mais alta condecoração civil dos Estados Unidos.
Origem Meryl Streep nasceu em Summit, no estado americano de New Jersey. Sua mãe, Mary Wolf (1915–2001), era comerciante de artes e editora em uma publicação especializada, seu pai, Harry William Streep Jr. (1910–2003), era executivo em uma indústria farmacêutica. Tem dois irmãos: Dana David e Harry William III.
A sua família é de origem alemã, especificamente da região de Loffenau, seu tataravô, Gottfried Streep, foi quem imigrou para os Estados Unidos. Outra parte de sua família paterna é da região suíça de Giswil. Sua mãe tinha origem inglesa, alemã e irlandesa. Parte da família materna da atriz é dos estados da Pennsylvania e Rhode Island, e descende de imigrantes ingleses do século XVII.
Streep cresceu em Bernardsville no estado de Nova Jérsei, onde estudou no Bernards High School.
Graduou-se em teatro dramático no renomado Vassar College em 1971 (onde por pouco tempo foi aluna da atriz Jean Arthur). Também foi estudante visitante do Dartmouth College e fez mestrado em Artes Dramáticas na Universidade de Yale, curso durante o qual participou de várias montagens teatrais, como Sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare.
Carreira Anos 1970 Meryl Streep participou de várias montagens teatrais em Nova Iorque e Nova Jérsei depois de ter se graduado na Universidade de Yale, incluindo as peças Henry V, The Taming of the Shrew (onde atuou com Raúl Juliá), e Measure for Measure (no qual contracenou com Sam Waterston e John Cazale), ambas feitas para o New York Shakespeare Festival. Nesse período começou a se relacionar com Cazale, com quem viveu até a sua morte, três anos depois. Estreou na Broadway no musical Happy End, e permaneceu atuando nos teatros até o início dos anos 1980 recebeu um Obie Award pela sua performance no espetáculo off-Broadway Alice at the Palace.
thumb|esquerda|Streep fotografada por Jack Mitchell no final dos anos 1970 No início dos anos 1970, vivendo em Nova Iorque, trabalhou na Broadway em 1976 nas peças 27 Wagons Full of Cotton, de Tennessee Williams' e A Memory of Two Mondays, de Arthur Miller, pela qual recebeu uma indicação ao Tony na categoria Melhor Atriz. Seus primeiros trabalhos na Broadway também incluem The Cherry Orchard, de Anton Chekhov e o musical Happy End de Bertolt Brecht e Kurt Weill, que foi encenado originalmente no circuito Off-Broadway. Recebeu indicações para o Drama Desk Award em ambas as produções.
O primeiro filme da atriz foi Julia (1977), no qual interpreta um papel pequeno, porém de destaque, nas cenas de flashback. Nesta época Streep estava vivendo em Nova Iorque com Cazale, que foi diagnosticado com câncer ósseo. Participou do filme The Deer Hunter (1978), unicamente para ficar com Cazale o máximo de tempo possível, não estando especialmente interessada pela produção. "Eles precisavam de uma garota entre os dois caras, e fui eu".
Em 1978, estrelou a minissérie Holocausto como uma alemã casada com um artista judeu durante o período nazista. Posteriormente explicou que achou o material "forçadamente nobre", e só aceitou o papel porque precisava de dinheiro. citing Meryl viajou para a Alemanha e a Áustria para filmar enquanto Cazale permaneceu em Nova Iorque. Quando voltou, descobriu que a doença dele havia progredido e cuidou dele até a sua morte, em 12 de março de 1978. Segundo ela, a dor pela perda de Cazale fez com que perdesse também a esperança de que o trabalho lhe pudesse trazer alegria; aceitou um papel em The Seduction of Joe Tynan (1979) com Alan Alda, e segundo a própria, atuou no "piloto automático". Também atuou na peça The Taming of the Shrew. citing
Com uma audiência estimada em 109 milhões de pessoas, Holocaust tornou Meryl uma atriz nacionalmente famosa. Ela descreveu o agosto de 1978 como "a fronteira da fama". Venceu o Emmy de Melhor Atriz em uma Minissérie ou Telefilme pela performance. The Deer Hunter (1978) foi lançado um mês depois e Meryl foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.
Em 1979. Meryl foi coadjuvante no filme Manhattan de Woody Allen, explicando depois que não lera o roteiro completo, e que lhe foram dadas apenas seis páginas somente com as suas cenas, citing e que não lhe foi permitido improvisar uma palavra sequer dos diálogos.
Perguntada sobre o roteiro de Kramer vs. Kramer (1979), em um encontro com o produtor Stan Jaffee, o diretor Robert Benton e o ator principal Dustin Hoffman, Meryl insistiu que a personagem feminina não representava as muitas mulheres que enfrentam uma crise no casamento e a batalha pela guarda de uma criança, e que a personagem estava escrita de maneira "muito má". Jaffee, Benton e Hoffman concordaram com Streep, e o script foi modificado. Na preparação para o personagem conversou com a própria mãe sobre como ser mãe e dona de casa e manter, ao mesmo tempo, uma carreira,Hollinger, p. 75 e frequentou a região de Upper East Side onde o filme se passava. Benton permitiu que Meryl Streep escrevesse seus diálogos em duas de suas cenas-chave, contra a vontade de Hoffman.Hollinger, p. 77 Jaffee e Hoffman, posteriormente, sobre como o espírito incansável de Meryl, comentaram: "Ela é uma extraordinária trabalhadora, de modo que ela é obsessiva. Eu acho que ela não pensa em nada a não ser no trabalho que está fazendo", disse Dustin Hoffman. citing
Streep foi aclamada pela crítica nos seus três filmes lançados em 1979: a comédia romântica Manhattan, o drama policial The Seduction of Joe Tynan e o drama familiar Kramer vs. Kramer. Recebeu o Los Angeles Film Critics Association Award, o National Board of Review Award e o National Society of Film Critics Award (em todos como Melhor Atriz Coadjuvante/Secundária) pelo conjunto dos três filmes. Além disso, com Kramer vs. Kramer, venceu o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante no Cinema.
Anos 1980 thumb|direita|Streep na cerimônia de entrega do Oscar, em 1989 Depois de duas grandes performances como coadjuvante em dois dos filmes de maior sucesso dos anos 1970 (os vencedores do Óscar de Melhor Filme The Deer Hunter e Kramer vs. Kramer), e reconhecida pela sua versatilidade em papéis secundários, Meryl começou a ser chamada para fazer papéis principais. Seu primeiro foi The French Lieutenant's Woman (1981). Uma história sobre um romance, o filme uniu Meryl Streep e Jeremy Irons como atores contemporâneos contando a sua história moderna, enquanto o livro é encenado na Era Vitoriana. Um artigo na New York Magazine afirmou que enquanto muitas estrelas femininas do passado haviam cultivado uma identidade singular em seus filmes, Meryl era uma "camaleoa", capaz de interpretar qualquer tipo de papel. A atriz recebeu o BAFTA de Melhor Atriz pelo trabalho.
Seu próximo filme, o thriller psicológico, Still of the Night (1982), a reuniu com Robert Benton, o diretor de Kramer vs. Kramer e foi co-estrelado por Roy Scheider e Jessica Tandy. Vincent Canby, em artigo publicado no The New York Times, afirmou que o filme era uma homenagem a Alfred Hitchcock, mas que um dos pontos baixos do filme era a falta de química entre Streep e Scheider, concluindo que Meryl "é incrível, mas não está em nenhum lugar da tela, e nem mesmo perto dela".
Como uma polonesa sobrevivente do holocausto em A Escolha de Sofia (1982), a performance emocional e dramática e seu sotaque polonês receberam muitos elogios. William Styron escreveu o romance pensando em Ursula Andress para o papel de Sophie, mas Meryl estava bastante determinada em consegui-lo. Depois de obter uma cópia "contrabandeada" do roteiro, foi até Alan J. Pakula e se atirou ao chão lhe implorando pelo papel. Meryl filmou a cena da "escolha" em uma tomada e se recusou a fazê-la novamente, já que havia achado o trabalho extremamente doloroso. Além de muitos prêmios importantes de atuação, Meryl ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua performance. Roger Ebert disse sobre a atuação, "Streep faz as cenas do Brooklyn com um encantador sotaque polonês (ela tem o primeiro sotaque que eu tenho vontade de abraçar), e faz os flashbacks em polonês e alemão fluentes. Dificilmente se encontra uma emoção que Streep não toca no filme, e ainda assim nunca estamos conscientes de seu esforço. Este é um dos mais surpreendentes e, mesmo assim, uma das mais naturais performances que eu consigo me lembrar".
Ela continuou fazendo sucesso com o filme Silkwood (1983), no qual interpreta, pela primeira vez, um personagem real, a sindicalista Karen Silkwood. Ela comentou a preparação para o papel em uma entrevista a Roger Ebert e disse que se encontrou com pessoas próximas a Karenpara conhecer mais sobre ela, e fazendo isso, percebeu que cada pessoa viu um aspecto diferente da personalidade dela. Meryl se concentrou nos acontecimentos da vida de Karen e disse, "Eu não tentei me tornar Karen. Eu apenas tentei olhar para o que ela fez. Eu juntei cada informação que eu pude encontrar sobre ela… O que eu fiz então foi olhar os acontecimentos de sua vida, e tentar entendê-los de dentro para fora".
Seus próximos filmes foram o drama romântico, Falling in Love (filme) (1984), com Robert De Niro, e o drama britânico, Plenty (1985). Roger Ebert disse sobre a atuação de Meryl Streep e Plenty que ela transmitiu "grande subjetividade; é difícil interpretar uma mulher desequilibrada, neurótica e autodestrutiva, e fazer isso com tanta suavidade e charme… Streep criou todo o personagem ao redor de uma mulher que poderia ser simplesmente um catálogo de sintomas".
Out of Africa (1985) teve Meryl Streep como a escritora dinamarquesa Karen Blixen e foi coestrelado por Robert Redford. Para o filme o diretor Sydney Pollack não considerava a atriz por achá-la pouco sexy para a personagem. A opção original era Audrey Hepburn. Interessada no papel, Meryl foi num encontro com o diretor usando um sutiã com enchimento e um decote, conseguindo o papel.