direita|miniaturadaimagem|300x300px|Estatua de um arqueiro feita no Mali (séculos XIII-XV).
Ter uma aljava e um arco eram símbolos de poder entre os Mandingas O épico de Sundiata é uma história tradicional do povo Mandinga que narra a vida e ascensão ao poder do primeiro regente do Império do Mali, Sundiata Queita, seu governo durou de 1235 até o ano de seu falecimento em 1255. A história tradicional conta como Sundiata criou o império a partir de alianças entre diferentes grupos presentes na região da África Ocidental , exaltando características de lideranças de Sundiata, tendo como extrutura da narrativa o monomito.
A história é recontada por griôs por meio de tradição oral, sendo importante para a cultura dos mandês, e foi posteriormente transcrita em um formato de poema épico.
A história tem como cenário a região adjacente ao Mali no século XIII,a narrativa reflete sobre relações de parentesco, resistência, traições, destino e autoridade.
Se tratando de uma história tradicional não existe uma unica versão acerca do épico, entretanto alguns pontos do conto permanecem os mesmos.
O épico começou a ser registrado de maneira escrita depois de diferentes viagens de historiadores europeus na época do "Sudão Francês " (atual Mali), no final do século XIX . Importantes registros foram feitos pela escola francesa École William Ponty, alguns desses registros foram feitos por alunos africanos , todos esses esforços resultaram na versão "moderna" do conto, baseada no relato oral de Djeli Mamoudou Kouyate, um griô , traduzido para o francês por Djibril Tamsir Niane em 1960.
Contexto histórico e importância
História escrita Sobre o Império do Mali forma feitos alguns registros históricos por árabes que contavam a historia do império no , especialmente o feito pelo polimata Ibne Caldune.
Portanto, com poucos registros físicos, a tradição oral se torna ainda mais necessária, independentemente das alterações ocorridas no decorrer dos séculos, pois diferentes versões ajudam a identificar acontecimentos históricos que acontecem durante a narrativa.
Importancia cultural do texto Sendo uma história tradicional, o Épico não fala apenas da construção do império do Mali, mas descorre sobre importantes aspectos culturais do povo Mandé, um desses aspectos retratados são filosofias da cultura mandé, Badenya ou destrutivo ( fadenya ):
Badenya ou "relação mãe-filho", sendo o afeto existente entre filhos da mesma mãe, e, em geral, representa boa cooperação. Esse fenômeno aparece no conto na relação de Sundiata com sua irmã, Kolonkan, que protege Sundiata das tentativas de feitiçaria de Sassouma e pelo apoio posterior de seus irmãos na luta para reconquistar o Mali.
Outra relação de cooperação e afeto aparece na relação que Sundiata tem com sua mãe, essencial para que o pequeno Sundiata superasse sua deficiência física e começasse a andar (em uma das versões do conto). O narrador ainda ressalta a importância do acompanhamento materno, quando repete um ditado "a criança não vale mais do que a mãe vale".
Fadenya, ou "relação pai-filho", que é uma rivalidade entre meios-irmãos filhos do mesmo pai, que com o tempo ganhou o significado geral de uma tensão em relação a forças políticas, no conto é representada pela disputa existente entre Sundiata, filho da esposa Sogolon Condé, e Dankaran Touman, filho de Sassouma (primeira esposa do rei Kotané).As forças destrutivas envolvidas nesse desequilíbrio de poder fazem com que Sundiata e sua mãe saiam do Mali, tendo medo do que Sassouma poderia fazer com os dois.
De maneira conclusiva, Sundiata precisava tando de fadenya e badenya para cumprir a profecia, indicando que ambos os elementos são necessários nas relações construidas durante a vida para os Mandês.
O épico de Sundiata continua sendo importante para a cultura tradicional do povo Mandê, pois a história continua a contada pelos griôs. Hoje, devido à influência política de povos mandeses, o conto se tornou parte da mitologia nacional oficial das repúblicas do Mali, Gâmbia, Senegal e Guiné.
No Brasil, entre as iniciativas de estudos voltados para a história africana, estudar o épico se mostra como uma alternativa interessante.
Enredo Como citado anteriormente, não existe uma única versão do épico, que pode incluir mais de 40 acontecimentos em todas as variantes conhecidas, mas existem passagens principais e essenciais que são tradicionalmente incluídas. Bulman divide esses componentes em:
Paternidade de Sundiata Passagem da mulher-búfalo (mãe de Sundiata) Nascimento e infância de Sundiata Exílio de Sundiata Retorno e guerra contra Sumaoro
No épico, Naré Maghann Konaté (também chamado Maghan Kon Fatta ou Maghan, o Bonito) era um rei Mandinga que um dia recebeu um caçador que realizava advinhações, o caçador previu que se caso o rei se casasse com uma mulher feia, da união dos dois nasceria um filho, que um dia viria a se torna um grande rei. Konaté já tinha uma esposa chamada Sassouma Bereté e um filho , Dancarã-Tuma . Entretanto, dois caçadores Traorés do Kafu de Dô lhe mostraram uma mulher feia e corcunda de nome Sogolon, o rei ao lembrar da profecia se casou com Sogolon.
Sogolon deu a luz a Sundiata Queita, uma criança que não conseguia andar. Sassouma tinha inveja da criança e da mãe e humilava Sundiata por sua condição motora e pela falta de beleza que herdou da mãe. Apesar de sua deficiência, o rei concedeu ao filho, seu próprio griô em formação (esse griô era uma criança tambem); o rei fez isso com o objetivo dos dois crecerem juntos e para que fossem conselheiros um do outro, como mandava a tradição.
Com a morte do rei Konaté, seu primeiro filho, Dankaran, chegou ao trono, apesar do rei ter declarado sua preferência a Sundiata. Nesse momento, a família de Sundiata cresceu , porque Sogolon teve duas filhas e adotou um filho que era o segundo filho da terceira esposa de Konaté, Namandjé. O grupo constantemente sofria mediante o desprezo de Dankaran e de sua mãe.
Após um dos muitos insultos contra a sua mãe, Sundiata pediu uma barra de ferro ao ferreiro Nounfari, que se quebrou quando ele tentou usá-la como apoio para andar, Sundiata só conseguiu andar quando usou um galho de S'ra (baobá africano) como apoio. Em uma versão do épico, Sundiata só consegue andar depois que seu pai morre e sua mãe o ordena a andar.
Ele então se torna um grande caçador, ao fazer da barra de ferro um arco, porem a situação continuaruim pois o ódio de Sassouma e Dankaran levou Sundiata e sua mãe a se tornarem exílados no reino de Mema,Feremu, Sokana. Sundiata – Short Version. Isto porque os reinos vizinhos não quiseram abrigar Sundiata e Sogolon por medo de uma reação violenta de Sassouma e Dankaran.
Vivendo em Mema na sua adolescência, Sundiata virou um homem muito forte, sendo um poderoso e valorizado guerreiro aliado a Mema chegando ao ponto de ser cotado como herdeiro do trono, porém sua mãe (antes de falecer) o aconselha a voltar ao Mali para cumprir a profecia, o que resulta no seguinte diálogo entre Sundiata e o rei de Mema:
“Ele [Sundiata] disse para o rei [Rei de Mema], “Rei, você me deu hospitalidade em sua corte quando eu estava sem abrigo. Sob suas ordens eu fui à minha primeira campanha. Eu nunca poderei agradecê-lo por sua gentileza. No entanto, minha mãe está morta, eu sou um homem agora e eu devo retornar ao Mali para retomar o reino de meus ancestrais. Ó rei, eu lhe retorno os poderes [vice-rei] que você me há concedido, e peço para poder partir. De qualquer forma, permita-me que eu enterre minha mãe antes de sair.”
Enquanto Sundiata estava sendo referenciado em Mema, Sumanguru Cante, um rei do povo Sosso (povo esse que ganhou grande poder depois que o de Império do Gana caiu), que é citado no conto como um maldoso feiticeiro, que atacou o reino dos Mandingas, fazendo com que Dankaran fugisse. O povo Mandinga sofrendo opressão no momento e sem rei, pede ajuda a Sundiata, que cria uma união com pequenos reinos vizinhos para travar uma guerra contra os Sosso. Depois de sair vitorioso da batalha, Sundiata é coroado com o título " Mansa ", ou "rei dos reis", consagrado como o primeiro governante do Império do Mali.
Após sua coroação, Sundiata começa a administrar o núcleo do império, apresentando ao Gbara (um conselho composto de nobres de diferentes etnias do império), uma constituição oral do Império chamada de Carta de Curucã Fuga.
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