thumb|225px|Operários amotinados em frente à fábrica de Río Blanco, 7 de janeiro de 1907. A Greve de Río Blanco foi uma rebelião operáriaHernández Padilla, Salvador, El magonismo: historia de una pasión libertaria 1900/1922, Ed Era, México, 1984, p. 76. na fábrica de tecidos de Río Blanco, em Veracruz, México, em 7 de janeiro de 1907, e que se estendeu às fábricas vizinhas de Nogales e Santa Rosa. É considerada um acontecimento precursor da Revolução Mexicana de 1910.

Greve operária em Río Blanco Em 1905 foi fundada a Sociedad Mutualista de Ahorros a qual teve uma grande adesão e em 1 de junho de 1906 foi constituído o Gran Círculo de Obreros Libres promovido por José Neira Gómez e Juan Olivar, delegados do Partido Liberal Mexicano. Nas cláusulas secretas da constituição do referido Círculo estipulava-se que seriam mantidas relações secretas com a Junta Revolucionaria residente em Saint Louis, à qual presidia Ricardo Flores Magón.<ref>Gil Olivo, Ramón. "El Partido Liberal Mexicano y la huelga de Río Blanco", Historia Obrera" Vol. 2 Núm. 6. Septiembre de 1975. p.15.</ref>

Em dezembro de 1906, operários têxteis de Tlaxcala e Puebla declararam-se em greve exigindo melhores condições laborais. Para travar a organização crescente do movimento operário na região, os industriais realizaram uma greve patronal (lockout) em 24 de dezembro em toda a zona industrial. Os operários solicitam a intervenção de Porfirio Díaz, o qual favorece os empresários e ordena a retoma dos trabalhos nas fábricas em 7 de janeiro de 1907, sem satisfazer as exigências dos trabalhadores e indo contra a liberdade de associação e da imprensa.

A rebelião Os operários de Río Blanco não aceitaram a resolução do presidente. Em 7 de janeiro, em Río Blanco, cerca de dois mil operários agrupados no Circulo de Obreros Libres amotinaram-se em frente à fábrica , atirando pedras ao edifício e tentaram incendiá-la mas a polícia montada impediu-o, e então saquearam e pegaram fogo à loja da companhia. Em seguida os operários dirigiram-se à cadeia e libertaram os presos.

Soldados do 13º Batalhão abriram fogo sobre a multidão, a qual fugiu para Nogales e Santa Rosa (atual Ciudad Mendoza), onde também saquearam a loja da companhia, paralisaram o serviço dos elétricos, cortaram os cabos de energia elétrica e saquearam casas de particulares abastados. No regresso a Río Blanco, os amotinados foram interceptados por mais forças federais que dispararam sobre homens, mulheres e crianças. Não existe registo exato, mas estima-se que tenham sido mortas entre 400 e 800 pessoas, durante duas noites testemunhas viram plataformas do caminho-de-ferro com dezenas corpos amontoados. Dos 7 083 operários da zona, faltavam 1 571 entre mortos, feridos e deslocados. Cerca de 223 operários homens e 12 mulheres foram presos.Anónimo. "Los sucesos de Río Blanco". La Voz de México, a. XXXVII, núm. 11, 13 de enero de 1907, p. 3.

Os acontecimentos de Río Blanco ficaram conhecidos na história oficial como Greve de Río Blanco, porém nessa localidade foi o lockout'' que havia encerrado as fábricas e não a greve dos trabalhadores, pois aqueles que haviam entrado em greve pretenciam às fábricas de Tlaxcala e Puebla. A rebelião que ocorreu em Río Blanco resultou da inconformidade perante o decreto de Porfírio Díaz e a greve patronal que afetou a todos os operários têxteis da zona.

Uma vez restabelecida a ordem pelas forças militares, o governo de Porfírio Díaz ofereceu um grande banquete aos empresários estrangeiros proprietários das fábricas, como compensação pela rebelião operária.

Ver também Greve de Cananea Magonismo

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