Iázide ibne Abi Sufiane ibne Harbe ibne Omaia (; m. ) foi um comandante militar árabe, governador e companheiro de Maomé, pertencente ao ramo Banu Omaia dos coraixitas. Destacou-se como um dos principais comandantes da conquista muçulmana da Síria durante os califados de Abu Becre e Omar, participando de campanhas decisivas como a conquista de Bostra, o cerco de Damasco e a Batalha do Jarmuque. Após a conquista da Síria, governou Damasco e dirigiu campanhas que consolidaram o domínio muçulmano sobre o litoral mediterrânico. Em 639, após a morte de Abu Ubaida ibne Aljarrá durante a Peste de Emaús, Omar confiou-lhe o governo dos jundes de Damasco, Alurdune e Filastine. Contudo, Iázide também sucumbiu à epidemia poucos meses depois, sendo sucedido por seu meio-irmão Moáuia I, cuja ascensão ao governo da Síria abriu caminho para a fundação do Califado Omíada. As tradições islâmicas descrevem Iázide como um dos mais virtuosos filhos de Abu Sufiane, razão pela qual recebeu o epíteto Iázide Alcair (Yazīd al-Khayr, "Iázide, o Bom"). Algumas tradições também o incluem entre os escribas da revelação de Maomé e entre os transmissores de hádices, preservando sua memória tanto pela atuação militar quanto por sua contribuição à consolidação da administração muçulmana na Síria.
Vida
Iázide era filho de Abu Sufiane, um dos chefes da tribo dos coraixitas de Meca, pertencente ao ramo omíada do clã dos abedexemecitas. Sua mãe era Ume Aláqueme Zainabe binte Nauful — identificada por algumas fontes como Zainabe binte Haxime —, da tribo dos quinanaítas. Antes do advento do islã, Iázide já gozava de reputação por sua inteligência, coragem e por saber ler e escrever. Converteu-se ao islã em 630 juntamente com seu pai e seu meio-irmão , quando Maomé conquistou Meca. Pouco depois, combateu ao lado dos muçulmanos contra a tribo dos taquifitas e seus aliados nômades na Batalha de Hunaine. Foi um dos coraixitas cuja fidelidade Maomé procurou consolidar mediante generosas doações, recebendo, segundo a tradição, cem camelos e quarenta onças de prata. Maomé encarregou-o de recolher o zacate dos Banu Firas, um ramo dos Banu Maleque da tribo Quinana. Segundo Maomé ibne Habibe, Iázide foi um dos oito omíadas que exerceram cargos oficiais durante a vida de Maomé; na ocasião da morte de Maomé, encontrava-se em Temá desempenhando a função de coletor de impostos, enquanto seu pai exercia missão semelhante em Najrã. Iázide casou-se com Faquita, filha de Abederramão ibne Aufe, um dos mais destacados companheiros de Maomé.
O califa Abu Becre nomeou Iázide um dos principais comandantes da campanha de conquista da Síria bizantina, iniciada em 633 ou 634. À frente de uma força que, segundo as fontes, variava entre três mil e homens, foi inicialmente enviado para a região da Balca, situada a leste e nordeste do mar Morto. Abu Becre acompanhou os exércitos por parte do trajeto e dirigiu recomendações pessoais aos comandantes, entre eles Iázide. Em sua força encontravam-se também seu pai, Abu Sufiane, sua madrasta Hinde e seu meio-irmão Moáuia, que exercia a função de porta-estandarte. Marchando pela rota de Tabuque, o exército de Iázide travou seu primeiro combate em Dacim, uma aldeia próxima de Gaza, derrotando as forças bizantinas. Em maio de 634, Iázide e os demais comandantes muçulmanos — entre eles Anre ibne Alas, Xurabil ibne Haçana e Calide ibne Alualide — cercaram e conquistaram Bostra, a primeira grande cidade bizantina da Síria a cair em poder dos muçulmanos. Após a vitória na Batalha de Ajenadaim, na qual atuou como comandante subordinado, prosseguiu as operações militares na Balca, conquistando, entre outras posições, a fortaleza de Amã em 635.
Iázide participou do cerco de Damasco, iniciado em 634. Durante o assédio, comandou as tropas posicionadas diante da Porta Pequena de Jabia e, após a rendição da cidade em setembro de 635, figurou entre os signatários do tratado de capitulação. Em seguida, foi nomeado governador de Junde de Damasco, subordinado ao comando geral de Abu Ubaida ibne Aljarrá sobre as forças muçulmanas na Síria. Segundo algumas das primeiras fontes islâmicas, enviou destacamentos para consolidar a conquista das regiões vizinhas. Dia Alcalbi, pertencente aos calbitas, foi destacado para Palmira, enquanto um comandante chamado Zara, dos cuxairitas, marchou contra a planície de Bataneia, no Haurã. Em ambos os casos, as cidades renderam-se após negociações. Posteriormente, deixou Damasco para enfrentar um exército bizantino comandado pelo patrício Teodoro, enviado pelo imperador Heráclio para reconquistar a cidade. Reforçado por Calide ibne Alualide, Iázide derrotou os bizantinos e assegurou a manutenção do domínio muçulmano sobre Damasco.
Na Batalha do Jarmuque, travada em 636, Iázide comandou a ala esquerda do exército muçulmano e distinguiu-se durante os combates, que culminaram numa vitória decisiva sobre os bizantinos e consolidaram a conquista da Síria. Apesar da idade avançada, Abu Sufiane e Hinde acompanharam o exército e incentivaram os combatentes durante a batalha, contribuindo para reorganizar as tropas nos momentos de maior dificuldade. Após a vitória, Abu Ubaida distribuiu entre seus comandantes a administração das regiões conquistadas, mantendo Iázide à frente de Damasco. Com a aprovação do califa Omar, ele permaneceu no cargo e conquistou os importantes portos mediterrânicos de Sidom, Irca, Biblos e Beirute, em campanha cuja vanguarda era comandada por Moáuia. Durante seu governo, demonstrou preocupação com a instrução religiosa da população. Em carta enviada ao califa Omar, informou que o rápido crescimento demográfico da Síria tornava necessário o envio de mestres para ensinar a leitura do Alcorão e os princípios do islã, pedido que foi atendido com o envio de destacados companheiros de Maomé à região. Quando Abu Ubaida morreu durante a Peste de Emaús, em 639, o comando supremo passou inicialmente para Muade ibne Jabal, que, ao adoecer, designou Iázide como sucessor, escolha posteriormente ratificada por Omar. Pouco depois, porém, Iázide também sucumbiu à epidemia, sem deixar descendentes. Algumas tradições afirmam que sua morte ocorreu apenas em 640, após a conquista de Cesareia Marítima. Antes de falecer, deixou o governo de Damasco a cargo de seu meio-irmão Moáuia, decisão confirmada pelo califa Omar e que representou um passo decisivo para a ascensão política do futuro fundador do Califado Omíada.
Legado
Nas fontes islâmicas posteriores, por ser considerado um dos mais virtuosos filhos de Abu Sufiane, ficou conhecido pelo epíteto Iázide Alcair (Yazīd al-Khayr; "Iázide, o Bom"), em reconhecimento ao papel que desempenhou na conquista muçulmana da Síria. Em razão de ter morrido durante a Peste de Emaús, enquanto ainda exercia funções militares em meio às campanhas de conquista, essas mesmas tradições também o consideram um mártir. Algumas tradições também incluem Iázide entre os escribas da revelação de Maomé. Além de sua atuação militar e administrativa, transmitiu hádices de Maomé e de Abu Becre, tendo entre seus principais transmissores Junada ibne Abi Omaia Alazedi, e .
Bibliografia
Categoria:Escribas da revelação Categoria:Quinanaítas Categoria:Abedexemecitas Categoria:Muçulmanos envolvidos nas guerras bizantino-árabes Categoria:Conquista muçulmana da Síria Categoria:Árabes do século VII Categoria:Generais do Califado Ortodoxo Categoria:Governadores da Síria do Califado Ortodoxo