O Grupo de Combate Islâmico Líbio (GCIL), também conhecido como Al-Jama’a al-Islamiyyah al-Muqatilah bi-Libya () foi um grupo radical islâmico, fundado em 1990, que travou uma insurgência armada contra o Regime de Gadafi que teve seu auge entre 1995 e 1998THE LIBYAN ISLAMIC FIGHTING GROUP (LIFG), em inglês, acesso em 12 de outubro de 2012, grande parte de sua liderança veio de soldados que lutaram contra as forças soviéticas no AfeganistãoAnote-se que esse era o principal, mas não o único grupo armado islâmico que lutava contra Gadafi, cabendo citar também o Movimento Islâmico do Mártires (al-Shuhada'a Harakat al-Islamiyah), liderado por Al-Hami, o Movimento Jihad Islâmica da Líbia, o Movimento para a Mudança e o Ansar Allah (Os defensores de Alá) (LIBYA AND AL-QAEDA: A COMPLEX RELATIONSHIP, em inglês, acesso em 13 de outubro de 2012) (POLITICAL ISLAM IN LIBYA, em inglês, acesso em 13 de outubro de 2012).

No passado o GCIL afirmava que seu objetivo final era o de instalar um Estado Islâmico dentro da Líbia, no entanto, na época da Guerra Civil Líbia, acreditava-se que não seria capaz de causar muitos problemas dentro da oposição. Derna era tida como a principal base do CGIL.Does the Transitional Council Really Represent Libyan Democracy and Opposition to Gaddafi? , em inglês, acessado em 9 de dezembro de 2011Shifting loyalties among Libya’s Islamists, em inglês, acessado em 09 de dezembro de 2011.

Antecedentes

A Líbia é um país muçulmano sunita ortodoxo que segue em linhas gerais a Escola maliquitaEm 2012, estimava-se que 95% dos líbios eram seguidores do Rito maliquita(Libya’s rebel leader with a past, em inglês, acesso em 10 de zembro de 2012), que é mais difundida no Norte da África.

Parte do apoio ao Rei Idris vinha da Ordem Senussi que tinha orientação sufista.

A Irmandade Muçulmana surgiu na Líbia em 1950, liderada por Ezadine Ibrahim e outros egípcios que buscaram refúgio no país, em uma época de grande perseguição no Egito.

O Rei Idris permitiu a atuação do movimento que atraiu adeptos líbios e era apoiado por professores egípcios que trabalhavam na Líbia.

Quando Gadafi tomou o poder em 1969, prendeu muitos integrantes do movimento e os enviou de volta para o Egito, em 1973, o movimento anunciou sua dissolução.

Dentre aqueles que fugiram do país em decorrência da perseguição, destaca-se Abdullah Busen, um admirador de Sayid Qutb.

Após um período de ostracismo, a Irmandade: passou a se denominar como Grupo Islâmico Líbio (Al-Jama'a al-Islamiya al-Libyia); passou a operar clandestinamente por meio de células interligadas que se espalharam por todo o país, e a ganhar apoio popular por meio de trabalhos de caridade e assistência social; passou a declarar que pretendia derrubar o Regime de Gadafi e implantar a Sharia no país por meios pacíficos; se fortaleceu por meio de estudantes líbios que durante seus estudos no exterior faziam contatos com membros da Irmandade; tinha maior apoio nas classes médias, ou seja em meio a acadêmicos, estudantes, engenheiros e as pessoas envolvidas no comércio; sob o aspecto regional, encontrava maior apoio no leste do país, principalmente em torno da cidade de Bengazi.

Também durante a década de 1980, merece destaque a atuação do Emir Awatha Al-Zuwawi que viajou por todo o país pregando a jiade e defendendo a realização de operações militares para derrubar o Regime de Gadafi, alguns dos adeptos de Al-Zuwawi foram lutar contra os soviéticos no Afeganistão, onde obtiveram treinamento e experiência militar. No entanto o Regime descobriu a existência do grupo e prendeu muitos de seus integrantes por ocasião de seu retorno à Líbia, incluindo Al-Zuwawi POLITICAL ISLAM IN LIBYA, em inglês, acesso em 13 de outubro de 2012.

O Regime de Gadafi reprimia aqueles que se opunham a sua própria visão do islamismoA Líbia sob o Regime de Gadafi tinha um calendário islâmico próprio, no qual o marco zero não era a Hégira, mas o nascimento de Maomé, além disso todo o corpo de hádices foi descartado, segundo THE LIBYAN ISLAMIC FIGHTING GROUP (LIFG), em inglês, acesso em 12 de outubro de 2012, tendo por isso:

Torturado até a morte o pregador salafista Muhammad al-Bashti, em 1981; Executou um dos integrantes da Irmandade Muçulmana em 1983; Executado seis militantes radicais wahabitas (incluindo três oficiais do exército), que seriam financiados pela Arábia Saudita em 1987, e que teriam assassinado um oficial de alta patente, tal execução teve maior repercussão pois ocorreu em um estádio desportivo em Bengazi e foi transmitida pela televisão.

Nesse contexto, pelo menos 500 militantes islâmicos líbios foram ao Afeganistão lutar contra as forças soviéticas, depois da derrota soviética, alguns voltaram para a Líbia no início da década de 90, outros viajaram para o Sudão, onde Osama bin Laden tinha começado a construir o que viria a ser a Alcaida, ou viajaram para a Grã-Bretanha.

Estes líbio que lutaram no Afeganistão não se associaram à Irmandade Muçulmana ou ao Hizb al-Tahrir, pois não tinham como objetivos a restauração de privilégios clericais, e começaram a organizar um movimento para derrubar o Regime de Gadafi e estabelecer um Estado Islâmico, em um contexto de crise econômica decorrente de sanções da Organização das Nações Unidas em decorrência da suposta participação do Regime Líbio no Atentado de Lockerbie. A insurgência armada islâmica era uma realidade regional na década de 90, quando também o Egito e a Argélia enfrentavam militantes islâmicos apoiados pelo Sudão

Década de 1990

O GCIL foi fundado em 1990 por líbios que lutaram contra as forças soviéticas no Afeganistão, que tinha como objetivo estabelecer um Estado Islâmico na Líbia e via o Regime de Gadafi como opressivo e anti-muçulmano.

Inicialmente Hassan Turabi não permitia que militantes líbios radicados no Sudão iniciassem uma campanha militar contra o Regime de Gadafi, pois temia represálias contra cerca de um milhão de trabalhadores sudaneses na Líbia, e também porque Gadafi não bloqueava a passagem de militantes argelinos baseados no Sudão na travessia do deserto da Líbia em direção à Argélia, mas depois de uma rebelião militar em outubro 1993 que resultou em centenas de mortos, passou acreditar na derrubada do Regime Líbio e a permitir que militantes líbios radicados no Sudão iniciassem uma campanha contra Gadafi.

Em resposta, Gadafi começou a expulsar milhares de trabalhadores sudaneses da Líbia, como meio para exigir que o governo do Sudão expulsasse os militantes islâmicos líbios baseados naquele país. Sob a pressão do governo sudanês, Bin Laden ordenou a retirada dos militantes islâmicos líbios do Sudão, fornecendo passagens aéreas e 2.400 dólares para cada um, mas a maioria deles se recusou a aceitar a retirada.

Em setembro de 1995, teve início uma violenta luta em Bengazi, que resultou em dezenas de mortos em ambos os lados.

Em fevereiro de 1996, o GCIL realizou um tentativa de assassinato contra Muamar Gadafi em Sirte PROSCRIBED TERRORIST ORGANISATIONS), acesso em 12 de outubro de 2012Segundo David Shayler, o Serviço Secreto Britânico financiou essa tentativa (vide: BBC screens Shayler interview, em inglês, acesso em 12 de outubro de 2012), por outro lado, Gary C. Gambill (ainda que admita permissividade com angariação de fundos pelo GCIL em território britânico) classifica essa teoria como controversa, e aponta Osama Bin Laden como principal financiador do GCIL (vide THE LIBYAN ISLAMIC FIGHTING GROUP (LIFG), em inglês, acesso em 12 de outubro de 2012.

Em março de 1996 houve uma fuga da prisão de Al-Kuwaifiya, próxima à Bengazi, em direção às montanhas do nordeste da Líbia (Montanhas Verdes), tiveram início intensos combates, que resultaram no fechamento da principal rodovia costeira que liga Bengazi à fronteira com o Egito por dias. Nessa época Abdel Hakim Belhadj foi nomeado dirigente do GCILLibya’s rebel leader with a past, em inglês, acesso em 10 de dezembro de 2012.

Em junho de 1996, o GCIL matou oito policiais em um centro de treinamento perto da cidade de Derna.

Em julho de 1996, o Regime de Gadafi fez prisões maciças em todo o país e utilizou aviões para bombardear as bases do GCIL nas montanhas, dizimando as forças do GCIL.

Em novembro de 1996, um militante do GCIL atirou uma granada contra Gadafi durante sua visita à cidade desértica de Biraque, o líder líbio escapou ileso, mas foi hospitalizado.

No período posterior o GCIL continuou a realizar ataques contra postos militares e policiais de forma intermitente, mas impôs lei marcial na região de Derna e fez uma série de represálias, como o corte de eletricidade e abastecimento de água, contra as cidades onde havia suspeita de abrigar militantes do GCIL.

Em outubro de 1997, Salah Fathi bin Salman (também conhecido como Abu Abd al-Rahman Hattab), foi morto em combate com as forças do Regime Líbio.

No verão de 1998, o Regime Líbio lançou um grande ataque contra esconderijos do GCIL e prendeu dezenas de simpatizantes, mais de 150 de seus líderes foram mantidos incomunicáveis ​​por muitos anos, foram condenados em um julgamento em massa em 2002, que resultou em duas penas de morteDentre os condenados à morte pode-se citar Abdel Hakim Belhadj, que acabou não sendo executado e libertado pelo Regime Líbio em março de 2010 (Ex-Guantánamo prisoner freed in Libya after three years’ detention – and information about “ghost prisoners” , em inglês, acesso em 21 de outubro de 2012), e diversas penas de prisão perpétuaThe Libyan Islamic Fighting Group – from al-Qaida to the Arab spring, em inglês, acesso em 16 de outubro de 2012.

No final da década de 90, as operações do GCIL estavam bastante reduzidas.

Em uma entrevista em 1999, Omar Rashed, na época o porta-voz do GCIL, lamentou que o povo líbio não tinha "passado para além da fase de sentimentos para o estágio de ação", e sugeriu uma mudança de foco, como Bin Laden havia feito, deixando de lado a luta pela mudança de regime em casa e partindo para a jiade internacional.

Após o 11 de setembro

Antes dos Atentados de 11 de Setembro, o GCIL tinha pelo menos dois campos de treinamento no Afeganistão, um deles, localizado a cerca de 19 quilômetros ao norte de Cabul, denominava-se Shahid Cheikh Abu YahyaTOP LIBYAN REBEL LEADER HAS DEEP AL QAEDA TIES , em inglês, acesso em 10 de dezembro de 2012.

Os Atentados de 11 de Setembro criaram uma oportunidade para uma aliança inusitada entre o Regime de Gadafi e as potências ocidentais na luta contra o GCIL que era visto como uma filial da Alcaida, em 25 de setembro o presidente George W. Bush determinou o bloqueio dos bens do GCIL nos EUALIBYA AND AL-QAEDA: A COMPLEX RELATIONSHIP, em inglês, acesso em 13 de outubro de 2012, apenas algumas semanas após os atentados, uma equipe da CIA voou para Londres para se encontrar com Musa Kusa, chefe da inteligência líbia, que supostamente teria planejado o Atentado de Lockerbie, mas que, na ocasião forneceu à CIA e ao M16 os nomes de militantes islâmicos líbios que treinaram ou lutaram no Afeganistão, incluindo aqueles que viviam no Reino Unido.

Embora o GCIL não tivesse uma presença nos Estados Unidos, sua classificação como organização terrorista por aquele país teria seus efeitos, pois, desse modo, qualquer Estado que prestasse assistência ao GCIL poderia ser designado um Estado patrocinador do terrorismo, e qualquer militante do GCIL que vivesse em países não democráticos aliados dos Estados Unidos, como, por exemplo, o Paquistão e o Egito, poderia ser preso e deportado para a Líbia, além disso, a cooperação com a CIA ajudou o Regime Líbio a cortar linhas de apoio financeiro e logístico do GCIL.

Por outro lado, o Reino Unido não designou o GCIL como uma organização terrorista, e vários líderes do GCIL continuaram a viver em Londres e em Manchester, todos eles negavam qualquer relação com a Alcaida e enfatizavam que o GCIL nunca havia realizado um ataque fora da Líbia ou contra civis.