A palavra chinês para "crise" () é muitas vezes invocada em palestras e textos motivacionais de autoajuda junto com a declaração de que esses 2 caracteres representam "risco" e "oportunidade". Porém, essa tradução pode ser um tanto falaciosa, uma vez que o caráter jī, isoladamente, não significa necessariamente "oportunidade." Análise de wēijī O sinólogo Victor H. Mair, da Universidade da Pensilvânia, classifica essa interpretação popular do wēijī no mundo anglófono (e no Ocidente em geral) como "uma percepção popular equivocada muito difundida." Mair argumenta que, enquanto wēi (危) significa aproximadamente "perigo, perigosos; causar perigo, ameaçar; risco; precário, precipitado; alto; medo, pavor, receio" (como em wēixiăn 危险, "perigoso"), o polissêmico jī (机) não necessariamente significa "oportunidade". O substantivo composto jīhuì (机会) significa "oportunidade", mas jī pode adquirir muitos significados diferentes, incluindo "maquinaria, avião, ocasião apropriada, ponto crucial, momento incipiente, oportuno, oportunidade, sorte, segredo, palavra-chave, ardiloso." Todavia, esses são significados secundários. Segundo Mair, jī somente tem alguma dessas conotações secundárias (tais como "oportunidade") quando usado em conjunção com outro morfema (nesse caso jīhuì); sozinho, não tem esses significados. O filólogo sugere que jī, em wēijī, significa "ponto crucial, crítico", e não "oportunidade". Origem O linguista norte-americano Benjamin Zimmer apresentou a história do significado de weiji, em 1938, no editorial de um jornal em língua inglesa para missionários na China.Chinese Recorder (January 1938, "The Challenge of Unusual Times")

O uso do termo provavelmente teve o seu grande momento quando John F. Kennedy fez um discurso em Indianápolis, no dia 12 de abril de 1959: Quando escrita em chinês, a palavra crise é composta por dois caracteres. Um representa perigo e o outro representa oportunidade.Remarks by President Kennedy at the Convocation of the United Negro College Fund.

Kennedy usou frequentemente essa ideia como recurso retórico nas suas mensagens, e o mesmo foi apropriado por Richard M. Nixon e outros políticos, sendo imitados por consultores motivacionais e palestrantes do mundo dos negócios. Condoleezza Rice, por exemplo, usou essa interpretação durante as discussões sobre o conflito israelo-palestino, em 2007, e Al Gore fê-lo, tanto no seu testemunho na “U.S. House of Representatives” do Congresso dos Estados Unidos (Comitê de Energia e Comércio”, como no seu discurso de agradecimento, ao receber o o Prêmio Nobel da Paz, em 2007.

Citando Mair, que sugerira que a popularidade dessa interpretação da palavra chinesa se devia em parte ao seu caráter de ''wishful thinking", Benjamin Zimmer atribuiu o grande apelo dessa anedota à sua extrema conveniência, como ferramente retórica otimista, no caso de um "apelo à ação".

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