Taza (; em tifinague: ⵜⴰⵣⴰ) é uma cidade do norte de Marrocos, capital da província homónima, que faz parte da região de Taza-Al Hoceima-Taounate. Em 2004 tinha habitantes e estimava-se que em 2012 tivesse habitantes.
Taza situa-se no chamado corredor ou passagem de Taza (), uma planície estreita que separa as cadeias montanhosas do Rife, a norte, do Médio Atlas, a sul, à beira da extremidade nordeste do Parque Nacional de Tazekka, a pouco menos de 120 quilómetros por estrada a leste de Fez e 165 quilómetros a sul de Al Hoceima. Está ligada a Fez e Ujda pela autoestrada A9 e está previsto que em 2015 a via rápida R505 passe a ligar Taza com Al Hoceima e Nador. A linha ferroviária Fez-Ujda passa em Taza.
O corredor de Taza foi usado por vagas sucessivas de invasores que, vindos de leste, se dirigiam para as planícies costeiras do noroeste de África.
A cidade esteve durante algum tempo separada em duas: a cidade antiga ergue-se rodeada de muralhas num planalto escarpado a pouco menos de 600 metros de altitude, enquanto que a cidade nova, criada pelos franceses na década de 1920, ocupa um planalto fértil a 445 metros de altitude.
História Da Pré-história aos Idríssidas fósseis e outros vestígios arqueológicos encontrados em à volta da cidade, como as grutas de Loghmari e a zona da ponte de Qarn Ennasrani, atestam que a ocupação humana remonta ao Paleolítico. Durante as escavações arqueológicas levadas a cabo durante o período colonial francês foram encontrados muitos artefatos que atualmente se encontram no Museu de Taza.
A posição estratégica e lugar de passagem entre o Rife e o Atlas, fez de Taza uma praça militar cobiçada pelos povos vindos de leste que desejavam conquistar as terras marroquinas, tendo a cidade passado pelas mãos de diversas dinastias que reinaram em Marrocos.
As tribos que habitavam a região de Taza e o vale do Inaouen (Ghiata, Sdarata, Tsoul, etc.), aliaram-se ao fundador da dinastia idríssida, Idris I o que tornou a cidade um ponto estratégico do Emirado Idríssida. Após a morte de , seu filho Maomé I criou uma federação e entregou o governo das regiões dos huaras ao seu irmão Daúde, que se instalou em Taza.
Mequinaças, almorávidas e almóadas Após a queda do Idríssidas, o líder mequinaças Ibne Abi Elafia conquista Taza e funda aí a sua dinastia. Posteriormente conquistou Fez e a maior parte de Marrocos, antes de ser derrotado pelo Califado Fatímida, o que o fez refugiar-se em Taza, onde construiu uma arrábita (mosteiro muçulmano fortificado). Algumas fontes associam a fundação da cidade tal como se conhece hoje à criação deste arrábita.
Em 1074, Taza é conquistada pelo emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine. A cidade permanece sob o domínio dos almorávidas até 1132, quando é tomada pelo califa almóada Abde Almumine, que a declara capital provisória do seu reino. Para lutar contra os Benamerim (zenetas originários da regiões préssaarianas que fundarão a dinastia merínida meio século depois), o califa almóada manda construir uma muralha em redor da almedina. A Grande Mesquita de Taza, uma dos melhores exemplos ainda existentes da arquitetura almóada, foi terminada em 1172.
Merínidas e sádidas Com o declínio dos almóadas, os seus sucessores Merínidas ocupam Taza desde 1216 (ou 1248 segundo outras fontes), considerada então «a chave do ferrolho do Gharb», como refere o autor do Bayân: A reconstrução da grande mesquita almóada em 1291 é a edificação mais antiga de influência merínida ainda conservada. Outro monumento merínida importante é o madraçal (escola islâmica), situado no méchouar (palácio) construído por Alboácem Ali ibne Otomão em 1323.
O sultão sádida Amade Almançor restaurou as muralhas de Taza e adaptou-as às novas técnicas de guerra de cerco, com o objetivo de barrar invasões dos turcos otomanos provenientes da vizinha Argélia.
Alauitas e Protetorado Francês Em 1665, o líder alauita Mulei Arraxide conquistou Taza como parte da estratégia da conquista de Fez, que ocorreria no ano seguinte. Mulei Arraxide, que se tornou o primeiro sultão alauita que ainda hoje governa Marrocos, instalou em Taza a sua capital provisória e ali mandou construir o Dar el Makhzen (palácio real), a sul da cidade.
Em 1803, durante as suas viagens em África e na Ásia, o explorador e espião espanhol Domingo Badía e Leblich (conhecido no Oriente pelo seu pseudónimo e nome falso Ali Bei Alabassi) relata:
Em 1902, , um notável da corte do sultão Mulei Abdalazize e pretendente ao trono, volta a Marrocos sob uma identidade falsa depois de estar exilado na Argélia. Faz-se passar por Mulei Maomé, irmão do sultão e faz-se proclamar sultão em Taza. Evocando sentimentos piedosos, incita os berberes da região a revoltarem-se contra o verdadeiro sultão e permanece como governante da cidade durante sete anos. Perde o apoio das tribos das montanhas depois de vender concessões mineiras aos espanhóis, sendo capturado em 1909 e fuzilado e queimado em Fez por ordem do sultão Mulei Abdal Hafide.
Nos termos do Tratado de Fez, assinado a 30 de março de 1912, Taza passa a fazer parte do Protetorado Francês de Marrocos a 10 de maio de 1914, uma situação que se manteve até à independência em 1956.
Monumentos e atrações turísticas A principal artéria da cidade é animada pelo Mercado de Cereais e os socos (mercados ou zonas comerciais) onde é vendido artesanato berbere, como esteiras, tapetes, joalharia, bijuteria e todo o tipo de artefatos fabricados pelos berberes das montanhas.
A rua termina na antiga praça de armas ao fundo da qual se ergue a Mesquita dos Andaluzes ou Grande Mesquita, originalmente construída pelos almóadas no e um dos mais belos exemplos da arquitetura almóada, a par da Kutubia de Marraquexe e da mesquita de Tinmel, as quais foram inspiradas na de Taza. O minarete, construído no , tem a particularidade de ser mais largo na parte alta do que na base.
A rua Bab el-Qebbour atravessa a Kissaria (mercado coberto), conduzindo depois à Mesquita do Mercado, onde desemboca na porta Bab Jamaa, a entrada principal da cidade velha. Mais a sul, na porta oposta de Bab el-Rih (Porta do Vento), um bastião do encerra a casbá (fortaleza). As muralhas de Taza, construídas no e reforçadas várias vezes, foram dotadas no pelo sultão sádida Amade Almançor de um borj (forte) de 26 metros de lado cuja porta com grade e as casamatas superiores denotam uma clara influência europeia.
Arredores Parque Nacional de Tazekka — Criado em 1950 com uma área inicial de 680 hectares, este parque nacional tinha como objetivo principal proteger os recursos naturais do Jbel Tazekka, uma montanha verdejante que domina a região e cujo cume se ergue a de altitude.
Gruta Friouato — Uma das grutas mais importantes da região. Situada no Parque Nacional de Tazzerka, tem com numerosas salas
Buiblane — Situado a cerca de 60 quilómetros de Taza, o Monte Buiblane é uma montanha que é coberta de neve seis meses por ano, o que faz dela uma das zonas com mais neve de Marrocos, quer em quantidade quer em duração. Há planos para a sua exploração turística.
Ras-El-Ma — Zona montanhosa onde os cumes chegam aos , situa-se a 13 quilómetros da cidade onde existe uma nascente, um ribeiro, cascatas, florestas e grutas. Faz parte de um circuito turístico que engloba vários locais com vocação turística, como Sidi Majbeur, Bab Boudir, Maghraoua, Bab Azhar, Bouiblane, etc.
Bab-Boudir — Localizada no interior do Parque Nacional de Tazekka, a 30 quilómetros de Taza, destaca-se pelo seu património construído e pelas atividades culturais. Nas imediações há nascentes, florestas e montanhas.
Bab Marzouka — Situada a uma dezena de quilómetros a oeste de Taza, na estrada de Fez, é uma comuna com elevada densidade populacional, que ocupa um vale panorâmico e fértil que tem como pano de fundo montanhas escarpadas que constituem a continuação do maciço de Tazzeka. . É um centro comercial de primeira importância para os habitantes de Beni Wajjan, Sidi Ahmed ben Ahmed e outras localidades. A população pertence sobretudo a duas tribos: os Ghiata, que falam árabe, e os berberes Béni Warayen.
Bouchfaâ Bouchfaâ é um comuna rural composta de vários douares (aldeias), como Bouchfaâ, Lemrabtine, Aghbal, Ahl Boudriss, etc., faz parte dos territórios da tribo dos Ghiata dos quais também faz parte a a comuna rural de Bouhlou, Bab Marzouka e parte da de Ghiata Al Gharbiya. A sede da comuna de Bouchfaâ encontra-se em frente ao espaço onde se realiza o soco (mercado semanal), perto de um duplo cotovelo do Uádi Ziregue, afluente do Inaouen.
A população vive principalmente da criação de uma raça local de caprinos e uma agricultura arcaica. A produção de azeite também tem alguma importância, existindo um lagar privado perto de Bouchfaâ e uma cooperativa em Aghbal. A riqueza florestal (sobretudo de alfarrobeiras e cedros) não é muito explorada.
Segundo uma lenda oral ainda viva, o personagem conhecido pelo nome de Bouhmara, que pretendia o trono entre 1902 e 1908 viveu entre Aghbal e Ahl Boudriss mais tempo do que viveu em Taza, a cidade que utilizou como capital do seu regime efémero.
Clima
Notas
Referências
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