Luanda é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região centro-norte do país. Tem como capital o município de Ingombota.
Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, contava com uma população de habitantes e área territorial de , sendo a província mais populosa e densamente povoada de Angola.
É a mais rica e desenvolvida província da nação, sede de grandes conglomerados industriais, comerciais e de serviços, sendo também aquela que dispõe de mais recursos de infraestrutura.
Sua formação administrativa confunde-se com a própria construção do Estado nacional angolano, iniciando-se ainda no século XVII, porém somente consolidando-se como província após a própria independência da nação, quando coube-lhe ser uma área de relativa tranquilidade enquanto o restante do país ainda sofria com intensas guerras.
É nesta província que encontra-se a formação mais cosmopolita do povo angolano, onde as diversas etnias, línguas e credos convergem e constroem um riquíssimo mosaico cultural.
História |miniatura|200px|esquerda|Panorama dos primórdios do distrito de Luanda, em carta de 1755. Terra dos povos ambundos, o território provincial de Luanda começou sua formação política, segundo a tradição oral, ainda no século XIII, com o primitivo reino do Dongo, tributário do poderoso reino do Congo.
A região era muito importante em termos agrícolas para os reinos do Dongo e Congo, mas especialmente financeiramente para o Congo por ser um dos centros de coleta e distribuição de zimbo (cauris ou nzimbu), a moeda de livre circulação em toda região do Congo.A história da moeda angolana à vista no museu. MPLA. 3 de novembro de 2019.
Formação do entreposto colonial e do distrito
O estabelecimento colonial na região luandina tinha se tornado um objetivo ímpar para Portugal, graças à geografia costeira local que fornecia elementos propícios a instação de um porto marítimo/estuarino ou na ilha de Luanda (ainda uma ilha, hoje cabo-península) ou no corrdão-litoral do Mussulo. Assim, em 29 de outubro de 1562, o padre António Mendes organiza uma missão de catequese junto a um povoado do reino do Dongo que estava estabelecido na foz do rio Cuanza, iniciando a povoação do actual distrito urbano da Barra do Cuanza. Esta localidade tornou-se o primeiro chamariz colonial, mas ainda não passava de uma diminuta vila de pescadores.Silva, Luciana Lucia da.. O Ndongo no Século XVI: Presença Portuguesa e Agência Mbundu. XIX Encontro de História da Anpuh-Rio. 25 de setembro de 2020.
Em 1576 Portugal funda São Paulo de Loanda como posto comercial avançado junto a vila de pescadores dos axiluandas do reino do Dongo, constituindo a Capitania-Geral do Reino de Angola, estrutura administrativa colonial. Como elemento militar, foi erguida a Fortaleza de São Miguel de Luanda (1576/1577) para a defesa do posto comercial e em seguida o Forte de São Francisco do Penedo (1620/1630) para defesa do porto de Luanda.
Após a afirmação em Luanda, a primeira tentativa de expansão territorial luandina foi em direção à Quissama-Muxima onde, em 1580, havia uma localidade bem estruturada liderada pelo soba Cafuxi Cá Ambari. Os portugueses firmaram um tratado comercial com a localidade naquele ano. Em 1594 Francisco de Almeida, com o apoio de Pedro Álvares Rebello, teve que travar guerra contra Cafuxi Cá Ambari que recusava sujeição aos colonizadores. Os portugueses foram derrotados em 1594 e só conseguiram retomar Muxima em 1599, erguendo a Fortaleza da Muxima. Os rios Bengo e Cuanza eram utilizados como rotas de penetração no interior do território.Thornton, John K. History of West Central Africa. Cambridge University Press, 2020. p. 101
Antes da ocupação holandesa de Angola, o reino de Portugal já havia decidido por dar foral elevando a vila de São Paulo de Loanda a cidade, tornando-a capital do "distrito de São Paulo de Loanda".. No esteio da reconquista de Angola e da derrota do reino do Dongo, a Capitania-Geral do Reino de Angola assume maiores responsabilidades sob as regiões do Congo, Benguela e Mossâmedes, sendo que para a antiga porção do reino do Dongo surge o Estado fantoche reino de Angola, com o distrito de São Paulo assumindo a condução dos negócios coloniais a nível regional.Divisão Administrativa (arquivado no webcache). Comissão Administrativa da Cidade de Luanda. 21 de julho de 2019.Histórias e tradições dos Municípios do Bengo. Governo Provincial do Bengo. 2019.
Em 1810 o distrito de São Paulo que já paulatinamente estava sendo chamado de "distrito de Luanda" tomou definitivamente essa denominação; em 1857 foi extinto o distrito do Golungo Alto (atual Cuanza Norte), sendo integrado ao distrito de Luanda. O Golungo Alto foi recriado novamente em 1861 e extinto em 1866, ocorrendo a recriação definitiva, a partir da repartição do distrito de Luanda, somente em 1914, quando passou a existir como distrito do Cuanza.
De 1900 a 1960 miniatura|200px|esquerda|Aspecto da Fortaleza de São Miguel, em foto datada de 1846. O início do século XX trouxe grandes investimentos em infraestrutura para o distrito, ocorrendo um grande boom econômico na região de Luanda. Ligado a essa explosão econômica, uma onda populacional fez surgir algumas zonas periféricas à cidade de Luanda, como Viana, Cacuaco, Belas e Barra do Cuanza. Mudou-se o panorama, agora não habitado somente por ambundos e portugueses, mas também por toda miscelânea étnica angolana.
Até a década de 1950 o distrito resumia-se somente à cidade de Luanda quando, pela portaria n.º 9.585 de 19 de dezembro de 1956, assinada pelo então governador-geral Horácio José de Sá Viana Rebelo, a parada ferroviária de Viana passou a sede do novo Posto Administrativo de Viana, integrado na área do antigo concelho de Luanda em dois departamentos: o do concelho de Luanda que passara a abranger a área essencialmente urbana da cidade de Luanda e o outro, o da Circunscrição Administrativa de São Paulo, compreendendo as áreas dos postos da Sede, Barra do Cuanza, Belas, Boavista, Cacuaco e Viana.Município de Viana transforma-se de área rural em zona urbana em 51 anos de existência. Agência Angop. 13 de dezembro de 2016.
Elevação a província O decreto nº. 23 848, de 14 de maio de 1934, acabou por dividir Angola em 5 províncias e 14 distritos, tendo Luanda ficado com o estatuto de província, algo que existiu muito mais de jure do que na prática, já que em 1951 Angola torna-se província ultramarina.
Em 1972, numa tentativa de melhorar o aspecto administrativo e sinalizar alguma abertura política para a Província Ultramarina de Angola, o Estado Novo dá mais autonomia à colônia, tornado-a "Estado de Angola". Os antigos distritos de Angola ganham mais atribuições legais e administrativas, ocorrendo assim a elevação de facto do distrito de Luanda à província.
Período das guerras
A Guerra de Independência de Angola veio explodir justamente em Luanda, nos acontecimentos de 4 de fevereiro de 1961,Diário de Notícias: Tiro de partida para a independência de Angola foi há 50 anos quando um grupo de cerca de 3000 angolanos ligados ao MPLA, ataca a Casa de Reclusão Militar, em Luanda, a Cadeia da 7ª Esquadra da polícia, a sede dos CTT e a Emissora Nacional de Angola. O objectivo era libertar alguns detidos, mas o ataque seria um fracasso, tendo morrido cinco polícias, um cipaio e um cabo da Casa de Reclusão e 40 dos atacantes, e nenhum dos prisioneiros libertados. Os portugueses responderam com muita violência. Em 9, 10, 17 e 19 de fevereiro de 1961 os guerrilheiros do MPLA atacaram, de novo, a cadeia de São Paulo e guarnições militares, ao qual os portugueses responderam violentamente, provocando um massacre contra as populações civis negras.
Até então as forças de segurança portuguesas em Angola limitavam-se a 1500 soldados das Forças Armadas, e 5000 recrutadas localmente. No dia 15 de março de 1961 tinham partido quatro Companhias de Caçadores Especiais e, no dia seguinte, chegam a Luanda os primeiros pára-quedistas. Os contingentes navais de reforço chegaram em 1 de maio. Todos esses contingentes foram deslocados para combater a FNLA, ao norte.
A guerra afastou-se de Luanda a partir de 1962, até que houve a abertura da IV Região Militar (Luanda-Malanje) pelo MPLA, em 1968, que tinha o objectivo de ligar o norte ao leste; o apoio logístico (armamento e munições, alimentos enlatados e medicamentos) a esta região era dado a partir da Zâmbia - era a designada "Rota Agostinho Neto". Foi ao longo desta rota que tiveram lugar os maiores combates entre o MPLA e as forças portuguesas.
Em 1973 o governo português conseguiu afastar os conflitos de Luanda, porém os mesmos retornaram no final de 1974, na esteira do Acordo do Alvor, onde ficava patente a necessidade do controle sobre a zona da capital para se afirmar como o grupo vencedor da guerra de independência. Assim, os três grupos guerrilheiros — MPLA, UNITA e FNLA — tentaram lançar o ataque final (Campanha para Conquista de Luanda), onde o maior dos confrontos ocorreu na vila de Quifangondo, na batalha de Quifangondo, com o MPLA sagrando-se vencedor na província de Luanda, em novembro de 1975.
Conseguido manter afastados os rivais, o MPLA formou o governo independente de Angola a partir das terras de Luanda, Cabinda e Namibe e, com o auxílio de Cuba, conquista paulatinamente os demais territórios do país.
Na expectativa dos resultados dos Acordos de Bicesse e das eleições gerais em Angola em 1992, explodiu na província o massacre do Dia das Bruxas, perpetrado pelo MPLA contra os partidários da UNITA e da FNLA. Rapidamente a violência espalhou-se por toda a nação.Massacre de Outubro em Angola completa 20 anos. Deutsche Welle. 29 de outubro de 2012.
Dos acordos de paz à década de 2010 Em 1 de setembro de 2011, a reforma administrativa-territorial, proposta pela Assembleia Nacional de Angola, fez a província de Luanda ganhar os municípios do Ícolo e Bengo e Quissama, por desanexação da província do Bengo. Em 2016 foram criados na província os municípios de Talatona e Quilamba Quiaxi, a partir de terras dos municípios de Belas e Luanda.
Em 2024, após uma nova reforma administrativa-territorial, a província de Luanda passou a ter 16 municípios, ao mesmo tempo em que cedeu boa parte de seu território para ser criada a província de Ícolo e Bengo.
Geografia miniatura|200px|esquerda|Panorama da província, com o Mausoléu do Presidente Agostinho Neto em destaque, em 2006. A província de Luanda mantém os seguintes limites: ao norte limita-se com as províncias do Bengo e Ícolo e Bengo; ao leste e sul limita-se com a província de Ícolo e Bengo; e; ao oeste com o Oceano Atlântico.
Com uma população extremamente miscigenada e cosmopolita, a principal língua falada na província é o português, sendo registrado a variante dialeto luandense, um dos quatro que há dentro do português angolano.Angola. L'aménagement linguistique dans le monde. 6 de novembro de 2018. Já entre as tradicionais a presença maior é da língua quimbunda.Língua Nacional Quimbundo. Embaixada de Angola em Portugal. [s/d].
Proteções litorâneas Seu principal referencial geográfico é a ilha de Luanda, um cabo-restinga, que serve como importante protetor natural da baía de Luanda, onde localiza-se o porto de Luanda.United States, Naval Oceanographic Office of. Sailing Directions for Southwest Coast of Africa, Cape Palmas to Cape of Good Hope. 1969. pg. 208-212.
Outro importante referencial em formato de cabo é o cordão litoral do Mussulo, que abriga a baía do Mussulo; nesta baía encontra-se a ilha da Cazanga (ou ilha dos Padres), o ilhéu dos Pássaros, a ilha do Desterro e a ilha da Quissanga. Há ainda as baías da Samba (ou estuário da Corimba) e de São Braz, além da enseada do Cacuaco (ou baía do Bengo).
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