The Sound and the Fury (em língua portuguesa O Som e a Fúria) é um romance do escritor estadunidense William Faulkner, em que são utilizados vários tipos de narrativa, incluindo a técnica conhecida como fluxo de consciência, na qual Faulkner foi um dos pioneiros no Século XX, ao lado dos escritores europeus tais como James Joyce e Virginia Woolf. Publicado em 1929, The Sound and the Fury foi seu quarto romance, porém não foi um sucesso imediato. Em 1931, no entanto, quando publicou seu sexto romance, Sanctuary – um romance mais sensacionalista que Faulkner posteriormente confessou ter sido escrito por razões financeiras – The Sound and the Fury também alcançou sucesso comercial, e Faulkner começou a receber as atenções da crítica. É constantemente tido por crítica e público como uma das melhores e mais importantes obras literárias do século XX.

Em 1998, a "Modern Library" classificou The Sound and the Fury em sexto lugar na sua lista dos "100 melhores romances em língua inglesa do Século XX". O livro também figura entre os 100 Livros do Século pelo Le Monde. Numa votação organizada por editores noruegueses, 100 escritores de 54 países elegeram os "melhores livros de sempre", e entre eles The Sound and the Fury ficou em 27º lugar.Os 100 Melhores Livros de Sempre

Enredo inicial A história de The Sound and the Fury acontece na fictícia Yoknapatawpha County, e tem como tema central a história de uma antiga família aristocrática do sul estadunidense, descendente do herói da Guerra Civil dos Estados Unidos, General Compson. O esboço geral da história é o enfrentamento do declínio e da dissolução da reputação da família Compson, e o romance é dividido em 4 seções distintas.

A primeira parte, em 7 de abril de 1928, é escrita sob a perspectiva de Benjamin "Benjy" Compson, um deficiente mental de 33 anos, e a narrativa é caracterizada por um estilo altamente desarticulado, com freqüentes saltos cronológicos.

A segunda parte, em 2 de junho de 1910, apresenta Quentin Compson, irmão mais velho de Benjy.

A terceira parte, em 6 de abril de 1928, é escrita sob o ponto de vista de Jason, o cínico irmão mais novo de Quentin.

Na quarta e última parte, ambientada um dia após a primeira parte, em 8 de abril de 1928, Faulkner introduz um narrador com um ponto de vista global, vendo e sabendo tudo que acontece dentro do mundo da história, incluindo o que cada um dos personagens é capaz de pensar e sentir. A última parte enfoca principalmente Dilsey, uma das servas negras dos Compsons. Jason também é apresentado, mas Faulkner sugere relances de pensamentos e ações de todos da família.

Título O título do romance foi tirado do famoso solilóquio de Macbeth, de William Shakespeare. Imediatamente óbvia é a noção de uma “história contada por um idiota”, neste caso Benjy, através do qual a história dos Compsons abre o romance. A ideia pode ser estendida também para Quentin e Jason, cujas narrativas exibem suas próprias variedades de idiotice. Mais precisamente, o romance narra o declínio e morte de uma tradicional família da classe alta sulista, "the way to dusty death" ("o caminho da morte suja"). A última linha é, talvez, a mais significativa; Faulkner disse, em seu discurso após ser premiado com o Prêmio Nobel de Literatura, que as pessoas devem escrever sobre coisas que vêm do coração, verdades universais. Caso contrário, elas não significam nada. O ato 5, cena 5 de Macbeth:

Sumário As 4 partes do romance relatam muitos dos mesmos episódios, mas sob diferentes pontos de vista, e com ênfase em diferentes temas ou eventos. Essa estrutura não-linear e entrelaçada dificulta qualquer sinopse do romance, na medida em que os narradores não são todos confiáveis em sua própria maneira, apresentando relatos não necessariamente verdadeiros em todos os momentos. Faulkner utiliza, também, o itálico para ressaltar alguns pontos, localizando-os dentro de um momento significativo do passado; o uso dos itálicos pode criar confusão, porém, pois o tempo nem sempre é marcado por eles.

Primeira Parte: 7 de Abril de 1928 A primeira parte do romance é narrada por Benjamin "Benjy" Compson, uma fonte de vergonha para a família devido ao seu autismo; os únicos personagens que evidenciam um cuidado genuíno para com ele são Caddy, sua irmã mais velha; e Dilsey, uma serva negra matriarcal. A narrativa é caracterizada predominantemente por sua não-linearidade: abrangendo o período 1898–1928, a narrativa de Benjy é um pastiche de eventos apresentados em um perfeito fluxo de consciência. A presença de itálico no relato de Benjy se destina a indicar mudanças significativas na narrativa. Originalmente Faulkner deve ter usado diferentes tintas coloridas para significar a quebra cronológica. Esta não linearidade faz com que o estilo desta secção seja particularmente desafiador, mas desenvolve uma cadência que, apesar de não cronologicamente coerente, fornece uma visão imparcial sobre as verdadeiras motivações de muitos personagens. Além disso, o cuidador de Benjy muda para indicar o período de tempo: Luster no presente, T.P. na adolescência e Versh durante a infância.

Benjy tem três paixões: o fogo, o campo de golfe na terra que pertencera à família Compson, e sua irmã Caddy. Mas, por volta de 1928, Caddy fora banida do lar dos Compson, após seu marido ter se divorciado dela porque o filho que tivera não era dele. A família vende seu pasto favorito para um clube de golfe local, para financiar a educação de Quentin em Harvard. Na cena de abertura, Benjy, acompanhado de Luster, um servo ainda menino, assiste os jogadores de golfe enquanto espera apenas para ouvi-los chamar o carregador, “caddie” – o nome de sua irmã favorita. Quando um deles chama o seu carregador de golfe, Benjy, em sua mente, embarca em um turbilhão de memórias de sua irmã, Caddy, concentrando-se em uma cena crucial.

Em 1898, quando sua avó morrera, os quatro filhos dos Compsons foram forçados a permanecer fora do funeral. Para ver o que estava acontecendo no interior, Caddy escalara uma árvore no quintal e ao olhar lá dentro, seus irmãos — Quentin, Jason e Benjy — olham para cima e notam que suas roupas de baixo estão enlameadas. Como cada um deles reage a esta cena é a primeira visão que o leitor tem das tendências que irão moldar a vida desses meninos: Jason é aborrecido, Quentin é revoltado e Benjy parece ter um “sexto sentido” em que ele geme (ele é incapaz de falar usando palavras), como se sentindo a natureza simbólica da sujeira de Caddy, que sugere sua promiscuidade sexual mais tarde. Na época, Quentin tinha 9 anos, Caddy 7, Jason 5 e Benjy 3 anos.

Outras memórias cruciais nesta primeira parte são a troca do nome de Benjy (antes chamado Maury, como seu tio) em 1900, após a descoberta de sua deficiência; o casamento e o divórcio de Caddy (1910) e a castração de Benjy, resultantes de um ataque a uma menina que é um assunto aludido brevemente neste capítulo, quando uma porta fora esquecida aberta e Benjy ficara fora, sem supervisão.

Essa parte do romance apresenta alguma dificuldade para a leitura e o entendimento, devido à sua linguagem impressionista, ditada pelo autismo de Benjamin e suas mudanças frequentes no tempo e no ambiente.

Segunda Parte: 2 de Junho de 1910 Quentin, o mais inteligente e atormentado dos Compson, oferece a melhor visão da técnica narrativa de Faulkner. Nós o vemos como um calouro da Universidade Harvard, vagando pelas ruas de Cambridge, contemplando a morte e relembrando o afastamento da sua irmã Caddy da família. Como na primeira parte, sua narrativa não é estritamente linear, embora dois elementos se entrelacem, intercalando de um lado Quentin na Universidade de Harvard e do outro suas memórias, de forma claramente discernível.

A principal obsessão de Quentin é a virgindade e a pureza de Caddy. Ele é obcecado pelos ideais sulistas de cavalheirismo e é altamente protetor das mulheres, especialmente sua irmã. Quando Caddy se engaja na promiscuidade sexual, Quentin fica horrorizado e vai até seu pai para pedir ajuda e conselho, mas o pragmático Mr. Compson lhe diz que a virgindade é uma invenção masculina que não deve ser levada a sério. Ele também lhe diz que o tempo vai curar tudo. Quentin, frustrado e decepcionado, passa o tempo tentando provar que seu pai está errado, mas não consegue. Pouco antes de Quentin deixar Harvard, no outono de 1909, Caddy fica grávida de Dalton Ames, a quem Quentin confronta. Os dois lutam, com Quentin perdendo vergonhosamente e Caddy promete, por causa de Quentin, nunca mais falar com Dalton novamente.

Quentin diz a seu pai que cometeram incesto, mas seu pai sabe que ele está mentindo. Em sua mente, ele sente a necessidade de assumir a responsabilidade pelo pecado de Caddy. Grávida e sozinha, Caddy tenta se casar com Herbert Head, e está resoluta: precisa casar antes do nascimento da criança. Herbert descobre que o filho não é dele e manda mãe e filha se afastarem. As andanças de Quentin através de Harvard, como ele corta as classes, seguem o padrão do seu desgosto sobre perder Caddy. Por exemplo, ele conhece uma garota imigrante italiana que não fala inglês. Significativamente, ele a chama de “irmã” e passa o tempo tentando se comunicar e cuidar dela, sem sucesso. Ele pensa tristemente sobre a queda e a miséria do sul após a Guerra Civil Americana. Por não conseguir lidar com a amoralidade do mundo ao seu redor, ele comete suicídio.

Enquanto o relato de Benjy é difícil de entender, o de Quentin se torna ainda mais difícil. Não somente eventos cronológicos se juntam, mas muitas vezes (especialmente no final) Faulkner ignora qualquer arremedo de gramática, ortografia ou pontuação, e ao invés disso escreve uma série desmedida de palavras, frases e sentenças sem separação que indique onde um pensamento termina e outra começa. Essa confusão é devida à depressão severa de Quentins e e sua deterioração mental. Devido à complexidade surpreendente dessa parte, frequentemente é a mais amplamente estudada pelos estudiosos do romance.

Terceira Parte: 6 de Abril de 1928 A terceira parte é narrada por Jason, o terceiro filho e o favorito da mãe, Caroline. A ação ocorre um dia antes da parte de Benjy, numa Sexta-Feira Santa. Das três partes narradas pelos irmãos, a de Jason é a mais simples, refletindo sua vontade obstinada de riqueza material. Em 1928, Jason é o fundamento econômico da família após a morte do pai. Ele sustenta sua mãe, Benjy e Miss Quentin (filha de Caddy), bem como os servos da família. Seu papel é amargo e cínico, ao contrário da sensibilidade apaixonada que marca seu irmão e irmã. Ele passa a chantagear a irmã para torná-lo o único guardião da sobrinha e, em seguida, usa essa função para roubar a pensão que Caddy envia para a filha.

Essa é a primeira parte narrada de forma linear. Segue-se o curso da Sexta-feira, um dia em que Jason decide deixar o trabalho para procurar Miss Quentin (filha de Caddy), que fugiu novamente, aparentemente em busca de aventuras. Aqui visualizamos mais claramente o conflito entre os dois traços predominantes da família Compson, que a mãe de Jason, Caroline, atribui à diferença entre seu sangue e o de seu marido: de um lado, a imprudência e a paixão de Miss Quentin, herdadas de seu avô e do lado dos Compson; do outro lado, o cinismo implacável de Jason, herdado do lado de sua mãe. Essa parte também nos dá a imagem mais clara da vida doméstica na família Compson, em que Jason e os serventes cuidam da hipocondríaca Caroline e de Benjy.

Quarta Parte: 8 de Abril de 1928 Essa data é o Domingo de Páscoa. Nessa parte, a única sem o narrador em primeira pessoa, Dilsey, a poderosa matriarca dos serventes negros da família, é enfocada. Ela, em contraste com o franco declínio dos Compsons, apresenta uma grande força em sua fé, permanente como uma figura orgulhosa em meio a uma família agonizante. Pode-se dizer que Dilsey ganha sua força olhando para fora (ou seja,encontra suporte externo) enquanto os Compsons crescem fracos procurando aperfeiçoamento interno.