thumb|400px|direita|Jesus na corte de Herodes.1308-11. Por Duccio, atualmente no Museo dell'Opera del Duomo, em Siena, na Itália. Jesus na corte de Herodes é um episódio da vida de Jesus relatado apenas em The Synoptics: Matthew, Mark, Luke by Ján Majerník, Joseph Ponessa 2005 ISBN 1-931018-31-6 page 181The Gospel according to Luke by Michael Patella 2005 ISBN 0-8146-2862-1 page 16Luke: The Gospel of Amazement by Michael Card 2011 ISBN 978-0-8308-3835-6 page 251. Após ter sido julgado pelo Sinédrio, Jesus é enviado para o governador romano Pôncio Pilatos que, ao saber que ele era galileu, entendeu que o caso estaria sob a jurisdição de Herodes AntipasNew Testament History by Richard L. Niswonger 1992 ISBN 0-310-31201-9 page 172. É um evento que é parte da chamada Corte de Pilatos.

Narrativa bíblica No Evangelho segundo Lucas, após o julgamento no Sinédrio, os anciãos judeus pedem a Pilatos que julgue e condene Jesus, acusando-o de alegar falsamente ser o "rei dos judeus". Ao questionar o prisioneiro, ele percebe que Jesus era um galileu e entende que ele estaria sob a jurisdição de Herodes, que estava em Jerusalém na ocasião. Por isso, ele o envia para ele para ser julgado.

Herodes Antipas queria há muito se encontrar com Jesus, pois esperava poder testemunhar um de seus milagresPontius Pilate: portraits of a Roman governor by Warren Carter 2003 ISBN 978-0-8146-5113-1 pages 120-121. Porém, Jesus não diz quase nada em resposta aos questionamentos do tetrarca e nem responde às veementes acusações dos sumo-sacerdotes e escribas. Por isso, ele é zombado por Herodes e por seus soldados, que colocam sobre ele um majestoso manto resplandecente e o enviam de volta a Pilatos.

Lucas não diz se Herodes condenou ou não Jesus e, ao invés disso, atribui a condenação a Pilatos que, então, reúne os anciãos judeus e diz:

Após alguma discussão, se segue a flagelação de Jesus, a zombaria com Jesus e os episódios conhecidos como Ecce Homo e a Pilatos lavando as mãos.

Cristologia Esta afirmação de Pilatos de que Herodes não encontrou culpa em Jesus é a segunda das três declarações que ele faz sobre a inocência de Jesus no Evangelho segundo Lucas (a primeira em - Corte de Pilatos - e a segunda em - quando Pilatos lava suas mãos) e é parte da chamada "Cristologia da inocência" presente neste evangelhoThe character and purpose of Luke's christology by Douglas Buckwalter 1996 ISBN 0-521-56180-9 pages 109-111Early narrative Christology: the Lord in the Gospel of Luke by Christopher Kavin Rowe 2006 ISBN 3-11-018995-X page 183Luke's presentation of Jesus: a christology by Robert F. O'Toole 2004 ISBN 88-7653-625-6 pages 96-101. Na narrativa que se segue a este episódio, outras pessoas além de Pilatos e Herodes também não encontram culpa em Jesus. Em , já durante a crucificação, um dos dois ladrões crucificados ao lado de Jesus também atesta a sua inocência, e em , um centurião romano diz: "Realmente este homem era justo". A caracterização do centurião ilustra o foco de Lucas na inocência (que começa nas cortes de Pilatos e Herodes), em contraste com e , no qual o centurião diz: "Verdadeiramente este homem era Filho de Deus", enfatizando muito mais a divindade de Jesus.

João Calvino considerava a falta de resposta de Jesus às perguntas de Herodes, seu silêncio frente às acusações dos ancião judeus e a mínima conversa travada com Pilatos antes de seu retorno da corte de Herodes como um elemento da "cristologia agente" da crucificaçãoThe Reading and Preaching of the Scriptures by Hughes Oliphant Old 2002 ISBN 0-8028-4775-7 page 125Calvin's Christology by Stephen Edmondson 2004 ISBN 0-521-54154-9 page 91. Calvino afirmava que Jesus poderia ter argumentado a sua inocência, mas preferiu ficar quieto e se submeter voluntariamente à sua crucificação em obediência à vontade do Pai, pois já sabia seu papel como "Cordeiro de Deus". A "cristologia agente" reforçada na corte de Herodes acrescenta ainda à profecia feita por Jesus em de que ele seria "...entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido".

Portanto, na corte de Herodes, Lucas continua a enfatizar o papel de Jesus não como um "sacrifício involuntário", mas como um "agente e servo" de Deus que se submeteu à vontade do PaiHoliness and ecclesiology in the New Testament by Kent E. Brower, Andy Johnson 2007 ISBN 0-8028-4560-6 page 115.

Ver também

Harmonia evangélica Corte de Pilatos Julgamento de Jesus no Sinédrio

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