Rodovia dos Tamoios (SP-099), também conhecida como Estrada dos Tamoios, é uma rodovia do estado de São Paulo, Brasil, que conecta São José dos Campos, no planalto, à Caraguatatuba, no litoral. Trata-se da principal ligação entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte paulista, desempenhando papel estratégico para o turismo, logística e desenvolvimento regional.
A denominação Rodovia dos Tamoios foi oficializada pela Lei nº 1.796, de 18 de outubro de 1978, em referência à tribo indígena Tamoios, que habitava o Litoral Norte paulista e o Litoral Sul fluminense.
No trecho entre o km 4+500 m e o km 9+300 m, a rodovia recebe a denominação de Rodovia Octavio Frias de Oliveira, em homenagem ao empresário e jornalista fundador do Grupo Folha.
Desde 2015, o maior trecho da rodovia passou a ser administrado pela Concessionária Tamoios, pertencente ao Grupo Queiroz Galvão S/A, responsável pela operação, manutenção e ampliação da infraestrutura viária, incluindo a duplicação do trecho de serra.
Histórico miniaturadaimagem|Trecho de serra ainda em tráfego bidirecional antes da abertura da Rodovia SPI-065/099.|288x288pxminiaturadaimagem|288x288px|Trecho de planalto antes da duplicação.
Construção A abertura e construção da antiga estrada que hoje corresponde à Rodovia dos Tamoios teve como principais responsáveis o Coronel Edgard Armond, da então Força Pública de São Paulo, e o engenheiro João Fonseca de Camargo e Silva, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP).
Em dezembro de 1931, durante suas férias, o Coronel Armond embarcou no vapor Iraty, em Santos, com destino a São Sebastião. A bordo, conheceu o ex-deputado estadual Manuel Hipólito do Rego, natural da cidade, com quem conversou sobre o estado de abandono da região e a urgente necessidade de comunicações terrestres com o planalto. Na época, o Litoral Norte estava isolado, com poucas ligações viárias: Paraty a Cunha, Ubatuba a São Luiz do Paraitinga, e Caraguatatuba a Paraibuna por caminhos estreitos, íngremes e acidentados, utilizados apenas por pedestres, cavaleiros e cargueiros. O trânsito marítimo também era precário e irregular. As autoridades governamentais demonstravam pouco interesse pela região, que permanecia isolada e alheia ao progresso que se espalhava por outras partes do estado.
Em 16 de fevereiro de 1932, acompanhado por João Fonseca, Armond realizou pessoalmente o reconhecimento da área. Escolheram Paraibuna, a 35 km de São José dos Campos, como base inicial. Após três horas e meia de viagem de automóvel, chegaram ao ponto extremo da estrada carroçável, no km 35. Fonseca retornou, e Armond seguiu a cavalo pelo caminho de cargueiros até Caraguatatuba, onde chegou ao final da tarde. O reconhecimento seguiu a pé, abrindo-se novas picadas, carregando víveres nas costas e enfrentando chuvas constantes. A expedição durou cerca de 20 dias, percorrendo a Enseada de Caraguatatuba, a barra do Rio Juqueriquerê, a ponta do Arpoar, a Serra do Dom, o bairro de São Francisco, até chegar à cidade de São Sebastião.
Em 12 de abril de 1932, aos 38 anos e sem recursos materiais, Armond iniciou a abertura da rodovia no topo da serra de Caraguatatuba, começando pelo trecho mais difícil. Utilizou 15 praças da Força Pública, em sua maioria soldados prestes a serem desincorporados, e dirigiu pessoalmente os trabalhos. Instalou o grupo no Alto da Serra e lavrou a ata oficial, marcando o início das obras. Como o número de militares era insuficiente, utilizou uma verba de 50 contos para contratar cerca de 30 auxiliares civis, que trabalharam junto à equipe militar sob sua coordenação direta.
Em maio de 1932, com a saída do General Miguel Costa do comando da Força Pública e do Coronel Mendonça Lima da Secretaria da Viação, o novo secretário Fonseca Telles suspendeu a verba concedida. Técnicos da secretaria defendiam que a estrada deveria ser construída pela serra de São Sebastião, e não pela de Caraguatatuba. Armond, junto a 14 municipalistas da região, protestou e solicitou a designação de uma comissão para inspecionar as obras. A comissão foi formada pelos diretores do DER, Carlos Quirino Simões e Aristeu Reis, além do Major Euclides Machado, chefe do Serviço de Engenharia da Força Pública. Após inspeção e análise do traçado, a comissão aprovou o projeto e recomendou a liberação de uma nova verba de 200 contos para continuidade das obras.
Com a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, em julho, Armond suspendeu os trabalhos e dispensou os civis, mantendo apenas os cavoqueiros, que continuaram atuando mesmo durante o conflito. O efetivo militar foi incorporado às tropas irregulares, formando o Grupamento Capitão Armond. Armond assumiu o comando do litoral, monitorando os movimentos da Armada, que mantinha navios de guerra em São Sebastião. Organizou e comandou tropas em Paraibuna, Caraguatatuba, e posteriormente no sul do estado, em Itaí, Taquarituba e Avaré.
Após o fim do conflito, foi nomeado Chefe de Polícia do Estado de São Paulo e passou a integrar a Casa Militar do governador militar do estado, General Valdomiro Lima. Sessenta dias depois, pediu demissão dos cargos e foi designado para comandar o Batalhão de Sapadores, criado para dar continuidade à construção da estrada. Sensibilizou o governo para obter os recursos necessários e, em 8 de dezembro, deixou o cargo de ajudante de ordens do governador, assumindo o comando interino do batalhão no dia seguinte.
Em 25 de dezembro, os integrantes da 2ª Companhia estavam concentrados no Alto da Serra. Em 4 de fevereiro, Armond fixou a sede do batalhão e da 3ª Companhia em Paraibuna. Os efetivos foram distribuídos da seguinte forma:
1ª Companhia – 120 homens – Trecho Rio Ouro – Alto 2ª Companhia – 130 homens – Trecho Alto – Rio Ouro 3ª Companhia – 120 homens – Trecho Paraibuna – Alto
Em fins de 1934, os trabalhos da equipe militar foram suspensos, segundo Armond, para “satisfazer injunções políticas e dar empreitadas a interessados”. Em agosto de 1934, entregou ao DER o trecho Paraibuna a Caraguatatuba, já em operação, incluindo a serra. Em seguida, o DER completou o trecho Caraguatatuba a São Sebastião.
Pavimentação e recuperação Em 1957, durante o governo Jânio Quadros, a estrada foi pavimentada com o método Mixed in Place, popularmente conhecido como “virado”. A pavimentação resolveu os problemas de excesso de pó e lama, que, somados à neblina constante, causavam graves acidentes. Antes do asfalto, a estrada era praticamente intransitável em períodos de chuva.
Em 1967, o município de Caraguatatuba foi atingido por uma catástrofe natural que destruiu o trecho em serra, exigindo sua reconstrução. As obras foram realizadas com tecnologia moderna e novo traçado, demandando grande concentração de recursos e esforços.
Em 1970, o DER executou melhorias significativas no traçado entre São José dos Campos e Paraibuna. Com a inundação provocada pelo enchimento da Barragem Paraibuna–Paraitinga, que prejudicou o trecho entre Paraibuna e o alto da serra, a reconstrução ficou a cargo da CESP (Companhia Energética de São Paulo), sob coordenação do DER.
Duplicação A duplicação da Rodovia dos Tamoios teve início em maio de 2012, sob gestão do então governador Geraldo Alckmin. A previsão inicial era de que as obras fossem concluídas em dezembro de 2013, porém a entrega oficial ocorreu em janeiro de 2014.
O trecho duplicado no planalto correspondeu a quase 50 quilômetros, divididos em dois lotes: o primeiro compreendeu o segmento entre o km 11,5 e o km 35,8, e o segundo, entre o km 35,8 e o km 60,5. A duplicação abrangeu os municípios de São José dos Campos, Jambeiro e Paraibuna, e representou um avanço significativo na infraestrutura viária da região.
O investimento total na obra foi de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, refletindo a complexidade do projeto e a importância estratégica da rodovia como principal ligação entre o Vale do Paraíba e o Litoral Norte paulista.
Concessão e administração O trecho inicial da rodovia, em São José dos Campos, foi aberto e integrado à malha viária em 2009, proporcionando acesso direto ao Anel Viário da cidade. Esse segmento é administrado pela Prefeitura Municipal. Até então, a rodovia se iniciava na Praça Marechal do Ar Eduardo Gomes, na entrada do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).
Desde 2009, o trecho da Rodovia dos Tamoios compreendido entre os km 4,5 e 11,5, que faz interseção com a Rodovia Governador Carvalho Pinto (SP-070), passou a ser administrado pela concessionária Ecovias Leste Paulista, integrante do Grupo EcoRodovias, como parte do pacote de concessão do complexo viário Ayrton Senna/Carvalho Pinto.
Em 3 de outubro de 2014, o Consórcio Litoral Norte, liderado pela empresa Queiroz Galvão, venceu o leilão de concessão da Rodovia dos Tamoios, assumindo a responsabilidade pela administração da via por um período de 30 anos. A nova concessionária, sob o nome de Concessionária Tamoios, passou a operar o restante da rodovia a partir de 18 de abril de 2015, iniciando no km 11,5, incluindo os acessos em Paraibuna.
Conforme estabelecido no contrato de concessão, a nova administração ficou encarregada da construção da nova pista no trecho de serra, e, após atingir 6% de execução das obras, foi autorizada a iniciar a cobrança de pedágio. Com a inauguração das rodovias SPI-065/099 (Serra Nova) e SPI-097/055 (Contornos), ambas foram integradas à malha sob responsabilidade da Concessionária Tamoios, ampliando o escopo de gestão e operação do sistema viário.
Características miniaturadaimagem|265x265px|Trecho duplicado do planalto, em Paraibuna.miniaturadaimagem|266x266px|Vista do trecho de serra da Rodovia dos Tamoios e a Rodovia SPI-065/099 (à época em construção). Ao fundo a cidade de Caraguatatuba. A rodovia A Rodovia dos Tamoios (SP-099) possui 83,4 quilômetros de extensão e conecta as cidades de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, e Caraguatatuba, no Litoral Norte paulista, passando pelos municípios de Jambeiro e Paraibuna.
Ao longo de seu trajeto, a rodovia estabelece interseções com a Rodovia Presidente Dutra (BR-116), Rodovia Governador Carvalho Pinto (SP-070), Rodovia Júlio de Paula Moraes (SP-103), Rodovia Professor Alfredo Rolim de Moura / Estrada das Pitas (SP-088), Rodovia SPI-097/055 (Contornos), Rodovia SPI-065/099 (Serra Nova) e Rodovia Doutor Manuel Hipólito Rego / Rio-Santos (SP-055).
O trecho de planalto é totalmente duplicado, com duas faixas de rolamento e acostamento em cada pista. Nesse segmento, o limite de velocidade é de 80 km/h para veículos leves e 60 km/h para veículos pesados.
Trecho de serra Entre os km 68 e 81, a Rodovia dos Tamoios atravessa a Serra do Mar, descendo de aproximadamente 750 metros de altitude até o nível do mar. Esse trecho apresenta pista simples, com duas faixas de rolamento e acostamento, em um percurso sinuoso, onde o limite de velocidade varia entre 30 km/h, 40 km/h e 50 km/h. Desde a inauguração da Rodovia SPI-065/099 (Serra Nova), em março de 2022, o trecho passou a operar em sentido único, geralmente no sentido litoral. No entanto, conforme a demanda, é possível realizar a inversão do sentido de tráfego, além da operação em regime bidirecional, quando necessário.
Por questões de segurança, o trecho de serra é totalmente interditado quando os pluviômetros registram 100 mm de chuva acumulada em um intervalo de 72 horas. Nesses casos, o tráfego é redirecionado para a Rodovia SPI-065/099 (Serra Nova), onde é implantada a “Operação Comboio”, utilizando o sistema “Pare & Siga”, com alternância de sentido — ora em direção a Caraguatatuba, ora a São José dos Campos — sob acompanhamento da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) e da Concessionária Tamoios.