O Operário Ferroviário Esporte Clube é uma agremiação esportiva da cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná, fundada no dia 1º de maio de 1912, sendo o segundo clube mais antigo do estado em atividade. Notícias - CBF - acessado em 20 de maio de 2017 Campeão paranaense em 2015, 2025 e 2026, 14 vezes vice-campeão estadual, apresenta também como destaques entre as suas conquistas duas nacionais, uma da Série D do Campeonato Brasileiro em 2017 e uma da Série C do Campeonato Brasileiro em 2018.

Foi o primeiro clube a conquistar consecutivamente os títulos das séries D e C do campeonato brasileiro e o segundo no interior a conquistar o estadual consecutivamente, consolidando-se como um dos principais clubes do estado e da região sul do Brasil.Globoesporte.com - Operário-PR volta ao Trem Fantasma e assusta no estadual, página editada em 18 de maio de 2011 e disponível em 3 de outubro de 2024.

História Origem do clube Há algumas discrepâncias sobre a real origem do Operário Ferroviário. Para alguns autores, o Operário originou-se de outra equipe esportiva, o Tiro de Guerra Ponta Grossense, enquanto para outros, proveio do Riachuelo Sport Club. Entretanto, a versão comumente mais aceita é que o clube surgiu de um grupo de operários ferroviários que trabalhavam nos escritórios e oficinas da Rede Viação Paraná - Santa Catarina, em Vila Oficinas, não havendo ligação alguma com o Riachuelo e o Tiro de Guerra.

Historicamente ficou definida a data de fundação do clube como 1 de maio de 1912, justamente o Dia do Trabalhador. No dia 7 de abril de 1913, o jornal Diário dos Campos trouxe a seguinte matéria em sua primeira página: "Temos a honra de levar ao vosso conhecimento que hoje, em Vila Oficinas, com grande número de pessoas propensas a fundação de uma sociedade esportiva de foot ball, em sessão ordinária foi eleita a primeira diretoria desta associação denominada de Foot Ball Clube Operário Pontagrossense, que deverá reger os destinos do mesmo durante o primeiro ano de sua fundação."

Fundadores Presidente: Raul Lara; Vice-presidente: Oscar Wanke; Primeiro secretário: Antônio Joaquim Dantas; Segundo secretário: João Gotardello; Primeiro tesoureiro: Joaquim Eleutério; Segundo tesoureiro: Álvaro Eleutério; Primeiro capitão: Victorio Maggi; Segundo capitão: Oscar Marques; Fiscal de campo: João Simonetti. Pioneiros do Operário Ferroviário Esporte Clube, assim como Pedro Azevedo, Henrique Piva, João Hoffman Júnior, Ewaldo Meister, Álvaro Meister, Adolfo Piva, José Antônio Moro, Frederico Dias Júnior, Alexandre Bach, Abel Ricci, João Fernandes de Castro, Michel Farhat, Cesário Dias, Oscar Serra, Inácio Lara, Ricardo Wagner, Alberto Scarpim, Frederico Holzmann, Francisco Barbosa, Holger Mortensen em meio a tantos outros que contribuíram para manter aceso o ideal operário naqueles primeiros tempos.

Primeiro time Em 1913, foi formado o primeiro time da história do Operário para as disputas de jogos amistosos e das primeiras competições locais e estaduais. A escalação da equipe, neste ano, foi a seguinte: José Moro, Pedro Azevedo, Alexandre Bach, Henrique Piva, João Simonetti, Souza, Ewaldo Meister, Adolfo Piva, Holger Mortensen e Ernesto.

União com o Savóia Em 1917, após perder um torneio preliminar que definiria o último participante do campeonato paranaense para o Savóia, de Curitiba, os dois clubes resolvem unir forças no estadual. Em 1915 o mesmo Savóia havia impedido o "acesso" do Operário Sport Club para a divisão principal. A parceria durou apenas um ano, e o Operário Sport Club passou a jogar apenas a liga local por algum tempo. Futuramente o campeão da Liga de Ponta Grossa enfrentaria o campeão de Curitiba.

Destaque na Região dos Campos Gerais O Operário Sport Club se tornou rapidamente o maior campeão da Liga de Ponta Grossa. Infelizmente não há dados exatos sobre quantos títulos o clube conquistou. O que se sabe, porém, é que desde quando o campeão de Ponta Grossa enfrentou o campeão de Curitiba, em 1923, o Operário foi o clube que mais participou de decisões.

O time foi campeão ponta-grossense nos anos de 1923, 1924, 1925 e 1926, enfrentando Britânia, Palestra Itália, Atlético-PR e novamente Palestra Itália nas decisões subsequentes, sendo derrotado em todas. Em 1926, contra o Palestra Itália, uma decisão polêmica: o empate em 2x2 obrigaria um segundo jogo em Ponta Grossa. O encontro não aconteceu em razão dos inúmeros “compromissos” do Palestra. Assim o Palestra, apenas por ser da capital, foi declarado campeão da temporada.

Em 1927 o clube acabou participando do campeonato de Curitiba, nomeado campeonato paranaense, com outros 5 clubes, sendo quatro de Curitiba e um de Ponta Grossa, o União Campo Alegre. Ao final do primeiro turno o clube desiste da competição, tendo sua atitude repetida pelo companheiro de cidade. Em 1928, revoltados com a administração da Federação Paranaense de Desportos, todos os clubes de Ponta Grossa desistem do campeonato, que tem o menor número de times de sua história: Quatro.

Em 1929 o clube retornaria às competições da FPD, agora com um novo formato. Não se tratava apenas de um confronto entre o campeão da liga de Ponta Grossa e o campeão da liga de Curitiba, sendo acrescentada a liga de Paranaguá. Mesmo com a maior concorrência o time conquistou outro vice-campeonato estadual. O desempenho se repetiu em 1930 e 1932, dando espaço para um título do rival Guarani em 1931, que perdeu a final para o Coritiba e trouxe outro vice para a cidade. Em 1933 o campeão foi o Nova Rússia Esporte Clube, também derrotado na final do paranaense.

Incorporação em 1933 O nome Operário Ferroviário Esporte Clube, como é conhecido hoje em dia, surgiu da incorporação do Club Athlético Ferroviário (que era o grêmio dos funcionários da Rede Ferroviária) ao Operário Sport Club. Na reunião realizada em 15 de maio de 1933 presidida por Luiz Guimarães, ficou decidido as cores preta e branca e o nome atual. Participaram da reunião 48 associados. A influência dos ferroviários foi decisiva para a formação das equipes de futebol que representaram o clube e também para o crescimento do patrimônio, uma vez que o local onde hoje está erguido o Estádio Germano Kruger pertenceu à Rede Ferroviária, bem como os terrenos da sede social.

Após a incorporação o time continuou muito forte. Até 1941 o Operário venceu 5 dos 8 campeonatos citadinos que disputou, infelizmente sempre sendo derrotado na derradeira final contra o time da capital. Com a II Guerra Mundial, os embates entre interior e capital se encerraram. Os clubes do interior só voltaram a disputar o campeonato paranaense em 1950, e aos poucos foram recheando o campeonato. Em 1953 um time de Ponta Grossa voltou ao paranaense: o Guarani. Já em 1954 o Operário voltou a disputar o paranaense.

Anos 50 Os anos 50 representaram o início do profissionalismo de fato para o futebol ponta-grossense. Com o Operário não foi diferente, e a situação econômica estável, o transporte facilitado pela rede ferroviária e os lucros do clube advindos principalmente dos sócios, que eram funcionários da malha ferroviária. A dupla ponta-grossense era vista com respeito pelo trio de ferro da capital, Atlético, Coritiba e Ferroviário. Apesar da boa fase, o Guarani, time mais rico, ficou na frente do Operário durante 3 anos consecutivos, contando inclusive com um vice campeonato em 1956.

Para reverter essa situação, o Operário monta um time muito forte em 1958. Com o desaparecimento de clubes fortes do interior, como o Jacarezinho e o Monte Alegre de Telêmaco Borba, seus melhores jogadores são vendidos ao fantasma. Como eram equipes bastante qualificadas, sendo o CAMA campeão recentemente e o Jacarezinho, vice, não foi à toa que o time assombrou os tradicionais da capital. Contando com o artilheiro Zeca, o clube ficou a apenas 2 pontos de conquistar o título, disputado em pontos corridos. Um empate em casa contra o campeão Atlético foi decisivo para a perda do título. Nesse mesmo ano o time passou a ser conhecido como "Fantasma da Vila", por assombrar os grandes clubes da Capital. O terceiro lugar geral no ano seguinte confirmava a boa fase do clube.

A primeira vitória política do interior A fase era tão boa que em 1961 o Operário conseguiu derrubar um grande clube, o Coritiba, nos tribunais. O campeonato foi disputado em grupos, sendo que o Operário jogava contra os times de Curitiba. Os campeões dos grupos iriam para a fase final. As finais do zonal sul foram bastante equilibradas, sendo necessário 4 jogos para se apontar um campeão: uma vitória do Operário, uma vitória do Coritiba e dois empates. Na prorrogação, mais um empate, e o time do Coritiba levaria o título no saldo de gols.

Neste ponto, o time do fantasma entra com uma ação no TJD contra a escalação do jogador paraguaio Agapito Briez Sánchez pelo Coritiba nos dois primeiros jogos. Segundo o regulamento da época, um jogador recém chegado de outra equipe deveria cumprir um estágio na nova, o que não aconteceu no caso do Coritiba. O time perdeu na primeira instância, mas entendendo que houve favorecimento ao Coritiba (afinal o TJD fica em Curitiba) o time recorreu ao STJD, que deu ganho de causa ao fantasma. Gazeta do Povo - acessado em 20 de maio de 2017 É a primeira vitória política de um time do interior do estado, e a primeira vez em que um regulamento é cumprido integralmente, apesar de desfavorecer equipes poderosas. Infelizmente o título não veio, sendo perdido para o Comercial de Cornélio Procópio.

A decadência As equipes do Norte Novo começam a disputar o campeonato, e com isso as coisas ficam difíceis para o futebol de Ponta Grossa. Ocorreu, de fato, uma decadência até o derradeiro ano de 1965, que representou o primeiro rebaixamento do Operário, junto com o rival Guarani. Como o acesso era complicado (em alguns anos apenas o campeão subia) verificamos muitos anos de divisão de acesso para o futebol de Ponta Grossa.

A fase era tão ruim que nem uma virada de mesa beneficiava os clubes da cidade. Em 1967 o Atlético acaba em último no campeonato, e deveria ser rebaixado, sendo substituído pelo campeão Paranavaí da divisão de acesso. Depois de uma longa batalha, a diretoria do Atlético acaba por se manter na divisão especial, e ao mesmo tempo colocar o Paranavaí na competição, totalizando 13 clubes. Como era necessário 14 para um campeonato interessante, realizou-se o Torneio da Esperança entre 6 clubes da divisão de acesso: Operário, Guarani, Caramuru, Britânia, Grêmio Oeste e Rio Branco. O Britânia venceu e jogou a competição.

Finalmente, em 1969, o Operário sagra-se campeão da divisão de acesso e sobe novamente para a divisão especial. Porém nada é fácil, e a 12ª colocação dentre 14 clubes mostra que o futebol havia mudado.

Fusão com o Guarani Em 1970, Guarani Sport Club e Operário uniram os departamentos de futebol, fundando a Associação Pontagrossense de Desportos que disputou o campeonato paranaense em 1971, 1972 e 1973, desfazendo a união neste ano. Em 1974 retornava o Operário Ferroviário às competições oficiais.

O principal articulador da fusão foi Aroldo José Machado da Veiga, que reuniu industriais, comerciantes, políticos, médicos e advogados em prol da causa. Todos os 94 fundadores da nova equipe pertenciam à elite ponta-grossense, destacando a decadência dos operários ferroviários na sociedade princesina. Exatamente nesse ano acaba a lei do acesso, e todos os clubes que desejam disputar o campeonato paranaense estão na divisão principal.

Os resultados da Ponta-grossense de Desportos eram, ao menos, melhores do que os do Operário e Guarani separadamente nos últimos anos. Porém, a torcida acostumada a "assombrar" os clubes da capital não aceita um time criado apenas para "competir", e desta forma os públicos são baixos. A falta de um trabalho de base dificultava o progresso do futebol de Ponta Grossa.