thumb|300px|direita|Noli me tangere.Por Tintoretto. As principais aparições de Jesus nos evangelhos canônicos (e, em menor extensão, nos demais livros do Novo Testamento) ocorreram após a sua morte, sepultamento e ressurreição, mas antes da ascensão.A saber: , (see also the article on Marcos 16), , , e . Entre essas fontes primárias, os estudiosos acreditam que I Coríntios foi escrita primeiro,Harris, Murray J. The Expositor's Bible Commentary, Vol. 10, Grand Rapids: Zondervan, 1976, p. 307 por Paulo de Tarso e Sóstenes, por volta de 55 d.C. Finalmente, o Evangelho dos Hebreus reconta a aparição pós-ressurreição a Tiago, irmão de Jesus.Além disso, o Evangelho dos Hebreus, recentemente traduzido para o grego e o latim, afirma que, após a ressurreição: "Agora o Senhor, após ter entregado sua mortalha ao servo do sacerdote, apareceu a Tiago, pois Tiago havia jurado que não comeria pão a partir do momento em que bebeu do cálice do Senhor até que ele O visse novamente, ressuscitado dos mortos". Um pouco mais adiante, o Senhor diz: "traga uma mesa e pão". E, imediatamente, acrescenta: "Ele tomou o pão, o abençoou, partiu-o e o deu a Tiago, o Justo, dizendo-lhe: 'Meu irmão, coma o pão, pois o Filho do homem ressuscitou dos mortos.". Jerome, Vir.ill., 2 Google Link
Paulo lista diversas aparições pós-ressurreição de Jesus para várias pessoas, mas não as descreve. No Evangelho segundo Mateus, Jesus aparece para Maria Madalena e outra Maria em seu túmulo vazio. Posteriormente, os onze discípulos vão para uma montanha na Galileia para se encontrar com Jesus, que lhes aparece e comanda que eles batizem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e também que façam discípulos em todos os povos (a chamada Grande Comissão).
No Evangelho segundo Lucas, Jesus aparece para os discípulos e ceia com eles, demonstrando que ele é de fato de carne e osso (veja Discípulos de Emaús), e não um ser imaterial. Ele lhes pede que esperem em Jerusalém pelo começo de sua missão pelo mundo e então ascende aos céus. Nos Atos dos Apóstolos, escrito pelo mesmo autor de Lucas, Jesus aparece para os seus discípulos após a sua morte e fica com eles por quarenta dias antes de ascender. Os Atos também descrevem uma aparição de Jesus a Paulo, na qual uma voz poderosa fala ao apóstolo e uma luz o cega na estrada para Damasco. No Evangelho segundo João, apenas "Maria" encontra Jesus no túmulo vazio e ele pede que ela não o toque (veja Noli me tangere), pois ainda não ascendeu ao Pai. Posteriormente, Jesus aparece para os discípulos. Ele atravessa uma porta fechada e pede que Tomé toque as suas chagas para demonstrar que é de carne e osso. Numa aparição posterior, Jesus dá a Pedro o papel de conduzir suas ovelhas, ou seja, o papel de liderar os discípulos. O tradicional capítulo final de Marcos sumariza as aparições pós-ressurreição de Mateus e Lucas.
Aparições relatadas nos Evangelhos thumb|400px|direita|Jesus encarrega Pedro de cuidar de seu rebanho.Por Rafael, atualmente no V&A, em Londres. Mateus 28
Quando Maria Madalena e "a outra Maria" estavam correndo do túmulo vazio para informar os demais discípulos que Jesus estava vivo, ele pede que elas os instruam a irem para a Galileia para encontrarem com ele (). A aparição aos onze apóstolos numa montanha na Galileia (vide Grande Comissão).
Lucas 24
No Encontro na estrada para Emaús, com Cléopas e seu companheiro. A princípio os "olhos deles não o puderam reconhecer", mas depois, no jantar em Emaús, "seus olhos se abriram" e eles o reconheceram. Neste trecho, Jesus é reconhecido ao "partir o pão". B. P. Robinson argumenta que isto significa que o reconhecimento ocorreu durante a refeição,B. P. Robinson, "The Place of the Emmaus Story in Luke-Acts," NTS 30 , 484. mas Raymond Blacketer acrescenta que "Muitos, talvez mesmo a maioria, dos comentarias, antigos, contemporâneos e os intermediários, enxergam nesta revelação da identidade de Jesus na partilha do pão uma espécie de referência ou implicação eucarística".Raymond A. Blacketer, "Word and Sacrament on the Road to Emmaus: Homiletical Reflections on Luke 24:13-35," CTJ 38 , 323. Para Simão Pedro. Esta aparição não é descrita diretamente por Lucas, mas é relatada por outros apóstolos. Não está claro se ela ocorreu antes ou depois das aparições em Emaús. Aos onze, juntos com alguns outros (inclusive Cléopas e seu companheiro), em Jerusalém.
João 20–21 thumb|320px|direita|Dúvida de Tomé.1601-02. Por Caravaggio, atualmente no Sanssouci, em Potsdam, na Alemanha.
Para Maria Madalena. A princípio, ela não o reconhece e o confunde com o jardineiro. Quando ele a chama, ela o reconhece. Aos discípulos (menos Tomé) naquele mesmo dia. Eles estavam dentro de casa com medo da perseguição dos judeus. Jesus entrou e foi até o meio deles, mesmo estando a porta trancada. Aos discípulos, inclusive Tomé, chamado "Dídimo". Esta aparição ocorreu uma semana depois, novamente em ambiente fechado, e o evento ficou conhecido como a Dúvida de Tomé. A "Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná na Galileia, os filhos de Zebedeu e dois outros discípulos", às margens do Lago Tiberíades, imediatamente antes do milagre da pesca dos 153 peixes. O discípulo amado estava presente neste grupo (supostamente João Evangelista, que era um dos filhos de Zebedeu).
Marcos 16
No chamado "final mais longo de Marcos", há três aparições: Para Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Maria Salomé (as chamadas Três Marias). Para dois dos discípulos, quando eles estavam caminhando no campo (Jesus "manifestou-se sob outra forma"). Aos onze, durante uma ceia.
Este capítulo de Marcos difere substancialmente nos diversos manuscritos antigos e os acadêmicos são quase unânimes em afirmar que esta parte final de Marcos, na qual todas as aparições pós-ressurreições estão, é uma adição posterior e não estava presente na versão original do Evangelho segundo Marcos.D. C. Parker, The Living Text of the Gospels (Cambridge: Cambridge University Press, 1997), p. 125; um comentário do século XII sobre Mateus e Marcos também termina em Marcos 16:8. Eles também enxergam a ausência de relatos sobre aparições em Marcos (exceto neste final adicionado posteriormente) como tendo uma importância teológica. Richard Burridge compara o final de Marcos com o seu início:
Concordância e discordância entre os evangelhos As aparições são tidas por alguns como exemplo de harmonia evangélica. Já o ex-pastor e cético Dan Barker lista discordâncias quanto a detalhes de eventos entre evangelhos e até mesmo dentro do mesmo evangelho.
Concordâncias:
NúmeroEventoMateusMarcosLucasJoão1Três Marias2Túmulo vazio3Ressurreição de Jesus4Encontro na estrada para Emaús 5Aparições de Jesus após a ressurreição 6Grande Comissão7Ascensão de Jesus Algumas das discordâncias citadas por Barker: NúmeroQuestãoMateusMarcosLucasJoão1Que horas as mulheres visitaram a tumba?Ao amanhecer ()Ao amanhecer ()Ao amanhecer ()Quando ainda estava escuro ()2O túmulo estava aberto ou fechado? Quem estava lá?Fechado ; um anjo ()Aberto; um rapaz ()Aberto; dois homens ()Aberto; dois anjos ()3O que o mensageiro disse?Ele ressuscitou, anunciem aos discípulos ()Ele ressuscitou, anunciem aos discípulos()Ele ressuscitou ()Mulher, por que choras? ()4Jesus poderia ser tocado depois da ressurreição?Sim () Não (); sim ()5As mulheres contaram o que aconteceu?Sim ()Não ()Sim ()Sim ()6Jesus ficou na terra por um tempo? Não (); compare com para ver que tudo isso foi feito no domingoNão (); tudo aconteceu no domingoSim, pelo menos oito dias (, ); comparar com (pelo menos 40 dias)
Outras aparições no Novo Testamento Atos thumb|direita|250px|Conversão de Paulo.1527-8. Por Parmigianino, atualmente no Kunsthistorisches Museum, em Viena. Para Igreja em Jerusalém — quarenta dias após a ressurreição, quando ele então ascendeu para o céu deixando a profecia de que retornaria (). Para Saulo (Paulo), na estrada para Damasco, embora, de acordo com o texto, foi um voz e não uma visão, pois o apóstolo foi cegado por uma luz (, , ). Além disso, Paulo também teria visto Jesus falando quando estava em transe (). Estevão viu Jesus antes de seu martírio (). A Visão de Pedro de uma toalha com animais ( e ).
I Coríntios 15
(também em )
O relato de Paulo nestes trechos parece representar uma forma de credo pré-paulino derivado das primeiras comunidades cristãsNeufeld, The Earliest Christian Confessions (Grand Rapids: Eerdmans, 1964) p. 47; Reginald Fuller, The Formation of the Resurrection Narratives (New York: Macmillan, 1971) p. 10; Wolfhart Pannenberg, Jesus—God and Man translated Lewis Wilkins and Duane Pribe (Philadelphia: Westminster, 1968) p. 90; Oscar Cullmann, The Early Church: Studies in Early Christian History and Theology, ed. A. J. B. Higgins (Philadelphia: Westminster, 1966) p. 64; Hans Conzelmann, 1 Corinthians, translated James W. Leitch (Philadelphia: Fortress 1969) p. 251; Bultmann, Theology of the New Testament vol. 1 pp. 45, 80–82, 293; R. E. Brown, The Virginal Conception and Bodily Resurrection of Jesus (New York: Paulist Press, 1973) pp. 81, 92: a antiguidade do credo foi comprovada por muitos acadêmicos bíblicos como se originando menos de uma década depois da morte de Jesus, na comunidade apostólica de Jerusalém.see Wolfhart Pannenberg, Jesus—God and Man translated Lewis Wilkins and Duane Pribe (Philadelphia: Westminster, 1968) p. 90; Oscar Cullmann, The Early church: Studies in Early Christian History and Theology, ed. A. J. B. Higgins (Philadelphia: Westminster, 1966) p. 66–66; R. E. Brown, The Virginal Conception and Bodily Resurrection of Jesus (New York: Paulist Press, 1973) pp. 81; Thomas Sheehan, First Coming: How the Kingdom of God Became Christianity (New York: Random House, 1986) pp. 110, 118; Ulrich Wilckens, Resurrection translated A. M. Stewart (Edinburgh: Saint Andrew, 1977) p. 2; Hans Grass, Ostergeschen und Osterberichte, Second Edition (Gottingen: Vandenhoeck und Ruprecht, 1962) p. 96; Grass favors the origin in Damascus. Sobre este credo, Campenhausen escreveu "Este relato cumpre todos os critérios de confiabilidade histórica que podem ser impostos a um texto como esse",Hans von Campenhausen, "The Events of Easter and the Empty Tomb," in Tradition and Life in the Church (Philadelphia: Fortress, 1968) p. 44 enquanto que A. M. Hunter diz "A passagem, assim, preserva um testemunho primitivo e verificável. Ele cumpre todas as demandas razoáveis de confiabilidade histórica".Archibald Hunter, Works and Words of Jesus (1973) p. 100 Pelo caminho inverso, Robert M. Price e Hermann Detering afirmaram que não era um credo cristão primitivo, mas apenas um interpretação pós-paulina.http://depts.drew.edu/jhc/rp1cor15.html. 'Apocryphal Apparitions:1 Corinthians 15:3-11 as a Post-Pauline Interpolation' by Robert M PriceThe Falsified Paul; pg 3 Herman Detering
Porém, de acordo com o acadêmico judeu Geza Vermes, em sua obra The Resurrection (2008), estes versos não são interpolações e foram de fato escritos por Paulo no início da década de 50 do século I. Vermes diz que as palavras de Paulo são "uma tradição que ele herdou dos que eram mais antigos que ele na fé na morte, sepultamento e ressurreição de Jesus".Geza Vermes (2008) The Resurrection. London, Penguin: 121-2 De acordo com a Epístola aos Gálatas, também de Paulo, ele já havia encontrado duas pessoas mencionadas nestes versos como testemunhas da ressurreição: Tiago, o Justo e Cefas (Simão Pedro):
Apocalipse
João de Patmos teve uma visão de Jesus ressuscitado conforme a descrição em . De acordo com , o Filho do Homem visto por João é o mesmo que estava escrevendo as cartas para as sete igrejas da Ásia nos capítulos 2 e 3.
Aparição para Maria Madalena thumb|esquerda|300px|Noli me tangere.1525. Por Correggio, atualmente no Museu do Prado, em Madrid.