Dogue brasileiro é uma raça de cães do tipo dogue criada no Brasil para a função de cão de guarda urbano familiar. Surgiu no fim da década de 1970 a partir do cruzamento entre bull terrier e boxer. Inicialmente nomeada como bull boxer (bull terrier + boxer), o seu criador, Pedro Ribeiro Dantas, deu novo nome à raça para explicitar que se trata de um descendente de molosso(subtipo dogue) e a sua nacionalidade é brasileira.Padrão Oficial. Dogue Brasileiro. CBKC.

A raça é reconhecida pela CBKC.

Etimologia "Dogue" em português e francês é uma termo que tem seu equivalente grafado em inglês e alemão como "dogge", uma palavra que pode derivar do próprio inglês antigo "docga" que significa "cão poderoso, musculoso"; ou do Proto-germânico "dukkǭ" que significa "poder; força". A denominação "dogue" foi e é comumente utilizada para um tipo de cão de constituição física molossóide, porém atlética, com destreza para apresar grandes animais.https://en.wiktionary.org/wiki/docga

História Origem thumb|right|Dois dos bull terriers utilizados no início. Pedro Ribeiro Dantas, em 1978, era criador de bull terriers em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Após insistência de um vizinho, que tinha uma cadela boxer, aceitou cruzar um de seus bull terriers com a boxer.Sítio eletrônico do Canil Jotinha. <http://www.doguebrasileiro.com.br/content/view/12/26/ >. Acessado em 6/11/2010.

Nascida a ninhada, Pedro gostou de uma filhote e resolveu criá-la, batizando-a com o nome de Tigresa por conta da sua marcação de pelos rajada. A medida que Tigresa crescia, demonstrava excepcionais qualidades. Era muito obediente, muito carinhosa, aprendia fácil e tinha excelente compleição física e vigor. Ao contrário dos bull terriers, que com o passar dos anos sua seleção privilegiou o desenvolvimento de hipertipias (características físicas exageradas) em detrimento da funcionalidade (parecido com o que aconteceu com o buldogue inglês), Tigresa era uma cadela muito funcional, ágil, forte e excelente na guarda. Seu vigor físico era superior aos dos bull terriers e boxers, não se cansava fácil, cheia de disposição e sem problemas de saúde ou estruturais músculo-esqueléticos. Também se notou que Tigresa era uma cadela muito mais tolerante em relação aos bull terriers. Quando estes a provocavam, ela costumava esquivar-se das agressões e se impor a eles sem usar da agressividade, usando apenas o seu potencial físico superior e seu equilíbrio.

Percebendo que a cruza resultou num cão funcional, equilibrado, excelente na guarda e com excelente vigor físico, Pedro procurou informações junto a outras pessoas que pegaram filhotes da ninhada para criar. Seus donos relataram que os cães eram excelentes na guarda, extremamente dóceis com a família assim como tinham também excelente vigor físico.

Procurou-se então fazer mais uma cruza de bull terrier e boxer (entre cães diferentes da primeira cruza) para ver se as características da ninhada se mantinham.

Ao comprovar que as características se mantinham, cruzaram-se os cães de diferentes linhas de sangue para ter a certeza se nasciam cães com as mesmas características ou com as hipertipias dos seus ancestrais.

Foi comprovado mais uma vez que as características se mantinham, então foi decidido iniciar o desenvolvimento de uma nova raça canina.

Desenvolvimento Após a primeira geração de cruzamentos entre bull boxers, Pedro Dantas foi cruzando ao longo da década de 80 os cães e seus descendentes. Sem intenção de fazer números, fazia ele cruzas esporádicas e planejadas doando os filhotes a conhecidos para criar.

Com o nascimento das ninhadas, de maneira cuidadosa, anotavam-se as informações da árvore genealógica de cada cão.

Também se percebiam as características dos cães, tais como comportamento em relação à família e outros animais, seus instintos de guarda, doenças e porte físico.

Constatou-se que, de maneira praticamente uniforme, os bull boxers tinham as seguintes características

Extremamente eficientes na guarda, provavelmente pegando as boas características de guarda do boxer e do bull terrier num cão só. Extremamente apegados à família e equilibrados, pegando do boxer e do bull terrier a dedicação e amor que têm pelo dono e pela família. Porte físico equilibrado e potente, herdando as características físicas do boxer melhoradas assim como as do bull terrier melhoradas, herdando, também, a maior tolerância a dor do bull terrier. Cão com longevidade por volta de 13 anos.

A esta altura, o criador da raça não estava totalmente convencido de que o bull boxer era um cão com características físicas e de temperamento únicas para formar uma outra raça. Sendo assim, adquiriu alguns exemplares de raças similares para comparar. Adquiriu o American Staffordshire Terrier.

Percebeu-se que fisicamente eram suficientemente diferentes e a questão do caráter e do instinto também eram suficientemente diferentes.

Decidiu-se, então, por cruzar alguns exemplares de bull boxer com o american staffordshire terrier para ver se as características se mantinham (físicas e psicológicas). Para surpresa de Pedro Dantas, ao menos na primeira geração, as características do bull boxer se mantinham nos filhotes e exemplares adultos.

Com o teste, não foi inserido mais sangue de American Staffordshire Terrier e se convenceu criar a raça, fechando o sangue nos exemplares de bull boxers já existentes.

Bull Boxer Club Bull Boxer Club é a entidade responsável pela manutenção da raça e definição do padrão. Seu presidente é Pedro Ribeiro Dantas, criador da raça.Pedro Ribeiro Dantas, sítio eletrônico do Canil Tasgard <http://www.tasgard.hpg.com.br/clube.htm >. Acessado em 6/11/2010..

Ela foi criada em 1986 quando começou a crescer o interesse pela raça em Caxias do Sul, emitindo um Pedigree do clube a partir de então para os cães nascidos e registrados. Como já se tinha o registro genealógico dos cães usados anteriormente para fins de experiência, foi relativamente fácil organizá-los na entidade criada.

Nos dias atuais a entidade conta com um banco de dados com registro superior a 2000 exemplares. O número atual não reflete o número de cães vivos, visto que os mais antigos certamente já morreram.

O Bull Boxer Club possui um banco de dados com informações de todos os cães desta raça. A expedição do pedigree é feita mediante pedido e após a verificação da ninhada, feita pessoalmente por um avaliador. Não existe ônus algum para o proprietário ou criador que deseja certificar suas ninhadas. Se ao adquirir um cão os pais nem os filhotes têm pedigree, significa que não é um dogue brasileiro.

Hoje o dogue brasileiro não é simplesmente uma cruza de bull terrier e boxer, é um trabalho de mais de 30 anos de seleção planejada que amenizou os defeitos herdados da raça, aprimorou suas qualidades, tornou mais homogênea as características físicas e o temperamento dos cães e o trabalho continua a ser feito. Houve uma alteração no padrão em 2007 e hoje o trabalho continua em produzir proles o mais homogêneas possíveis com características muito bem fixadas.

Atualmente, além do citado anteriormente, o dogue brasileiro para adquirir o título de campeão nas pistas da CBKC precisa antes ser submetido à prova de apreciação de caráter. Prova essa aplicada e homologada pelo Bull Boxer Club, constituindo uma exigência no padrão da raça. Assim se direciona a criação e reprodução na preocupação em aprimorar não só o físico da raça, mas também o temperamento do cão para produzir cães de excelente qualidade para guarda e companhia.

Estado Atual Durante a década de 90, a raça cresceu de maneira consistente na região Sul do Brasil, mas obteve grande exposição ao sair na revista canina Cães & Cia em 1999 onde ficou conhecida nacionalmente no meio cinófilo. Diversos interessados no Brasil entraram em contato com o criador da raça para saber mais da nova raça e muitos acabaram adquirindo exemplares. Posteriormente, apareceu outras vezes na mesma revista e em outras publicações se tornando mais conhecida.

Atualmente, existem plantéis em boa parte dos estados brasileiros e a raça tem crescido de maneira consistente e sem pressa.

Pedro Ribeiro Dantas já declarou que: "Prefiro ver a raça crescer devagar com um trabalho bem planejado e consistente sendo criada por pessoas responsáveis. Não quero que aconteça com o dogue brasileiro o que aconteceu com o pit bull, dobermann, rottweiler e várias outras raças que cresceram de maneira explosiva e acabaram em mãos erradas causando muitos acidentes, tanto por culpa de criadores inescrupulosos que somente queriam saber de ganhar dinheiro por venda em massa de filhotes assim como por donos irresponsáveis e sem capacidade pra educar um cão de maneira correta."

A raça obteve reconhecimento pela CBKC em 1999, tem um padrão definido e está no grupo de raças não reconhecidas pela FCI.

Mas o presidente do Bull Boxer Club deixa claro sua opinião sobre este tema: "Não tenho mais interesse no reconhecimento do dogue brasileiro por parte da FCI, visto que a FCI nos últimos tempos vem tomando caminhos que não condizem com a filosofia de criação do dogue brasileiro."

Filosofia de criação da raça

thumb|right|Pállus de Tasgard e Pedro Ribeiro Dantas, em 2008. Nas palavras de Pedro Ribeiro Dantas: "A base filosófica da criação do dogue brasileiro é a busca de um cão que morfologicamente seja desprovido de hipertipia, embora com tipo bem definido. No aspecto temperamental, busca-se um animal que resgate para os nossos tempos o verdadeiro cão de guarda perdido pela decorativização cinológica. O dogue almeja aprimorar-se cada vez mais em sua eficiência e efetividade como cão exclusivo de guarda, enquanto muitos outros cães perdem, dia a dia, tal paradigma.

Um cão saudável, morfologicamente perfeito para as características que busca de um guardião possante e relativamente compacto, ágil e forte, dono de uma mordida poderosa e praticamente insensível ao castigo. Equilibrado, sem nunca perder seu foco de ataque, obstinado, com uma coragem que não deve conhecer limites e, por outro lado, meigo, dócil e amigo.

A seleção também visa o bom convívio com outros cães e animais. O dogue foi forjado na coragem e resistência dos cães de luta. Mas, de forma alguma deve ser um cão de luta. Os animais com agressividade contra outros cães têm sido evitados pelos criadores, e a seleção moldada com preferência no cão beta, firme, mas submisso a um líder, e não nos alfas, como é feito em quase todas as raças. A disposição do cão de combate, no entanto, foi desviada para a guarda, e a agilidade e resistência do cão de combate agregada à força dos grandes guardiões.

Se o lado do bull & terrier(2003), sítio eletrônico em inglês Bulldog Information, <http://www.bulldoginformation.com/bull-and-terrier-breeds.html>. Acessado em 6/11/2010 trouxe energia e obstinação, o lado do boxer veio a trazer equilíbrio, moderação e obediência. E é nesse conflito entre obstinação e controle, entre força e agilidade, entre coragem e meiguice, que se busca o cão perfeito." (2010), comunidade da raça no desativado Orkut,<http://orkut.google.com/c5374462-tb8a18057891040e8ffcccbfbb99bc9d3.html >. Acessado em 5/11/2016

Comportamento Temperamento thumb|right|Uma fêmea de dogue brasileiro no colo.O temperamento do dogue brasileiro é de um cão equilibrado e vivo. É um cão que não costuma ser desconfiado ao extremo como na maior parte das raças de guarda, só vindo a agir quando realmente necessário. É um cão corajoso, tenaz e com grande resistência a dor. É um cão cheio de alegria e energias para gastar, portanto necessita de um certo espaço físico para sua saúde física e mental.

Inteligência A inteligência da raça é notável, não costuma oferecer resistência para aprender e aprende rápido. Muito obediente, faz tudo que pode para agradar ao dono.

Agressividade