Irmão Vicente Cañas Costa, SJ (Albacete, — Juína, ), também conhecido como Kiwxi, foi um missionário jesuíta espanhol, naturalizado brasileiro.

Vocação religiosa e missionária Vicente Cañas ingressou no Noviciado da Companhia de Jesus, com 21 anos, no dia . Após o noviciado, já no juniorado, manifesta ao padre provincial de Aragon sua vocação missionária. No dia , na festa de São Francisco Xavier, o Irmão Vicente recebe o crucifixo de missionário no Castelo de Xavier, em Navarra, Espanha. Chega ao Rio de Janeiro, com outros irmãos jesuítas, no dia . Missão com os povos indígenas

Em 1969, Ir. Vicente e o Pe. Antônio Iasi, a pedido da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), foram fazer atendimento de saúde de Tapaiúnas que ainda restavam dos contatos catastróficos com as frentes de expansão no vale do rio Arinos. O Ir. Vicente Cañas manteve este trabalho até e conseguiu que sobrevivessem os 40 Tapaiúnas que encontrou.

Os jesuítas Vicente Cañas e Tomás de Aquino Lisboa, em , mantiveram os primeiros contatos pacíficos com os Myky. Os dois missionários são fundadores do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Em 1974, Vicente Cañas e Tomás A. Lisboa estabeleceram os primeiros contatos com os Enawenê-Nawê, no estado de Mato Grosso, povo ao qual Cañas passa a se dedicar no final de 1975. Cañas começou a residir entre eles em 1977, trabalhando pela preservação de seu território, com demarcação da Terra Indígena Enawenê-Nawê e por ações de saúde.

Recebeu, em 1977, dos índios Myky, o nome de Kiwxi.

Assassinato O Irmão Vicente Cañas foi assassinado em , presumivelmente no dia 6 ou 7, de acordo com o momento em que seu relógio de pulso parou. Ele estava com óculos, dentes e crânio quebrados, perfuração na parte superior do abdômen para atingir o coração e os órgãos genitais cortados ou arrancados. Seu corpo mumificado e preservado foi encontrado quarenta dias depois, próximo ao barraco que usava como pouso, no dia . O primeiro julgamento sobre o caso só aconteceu 19 anos depois, em 2006, e os acusados foram absolvidos. Um novo julgamento aconteceu em 29 de novembro de 2017, e o único dos acusados de organizar o assassinato ainda vivo, Ronaldo Antônio Osmar, delegado aposentado da Polícia Civil de Juína, localidade onde ocorreu o crime, foi condenado a 14 anos e 3 meses de reclusão em regime inicial fechado. A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) em 2023.

Sepultura No dia , de manhã cedo, foi enterrado conforme costume indígena, em sua rede. Indígenas Enawenê-Nawê, Rikbaktsa e Myky, junto com missionários deram-lhe sepultura.

Ver também Ir. Cleusa Carolina Rody Coelho, MAR (1933 - 1985) Pe. Ezequiel Ramin, MCCJ (1956 - 1984) Pe. João Bosco Penido Burnier, SJ (1917 - 1976) Pe. Rodolfo Lunkenbein, SDB (1939 - 1976)

Categoria:Ativistas católicos Categoria:Cidadãos naturalizados do Brasil Categoria:Jesuítas da Espanha Categoria:Jesuítas do Brasil do século XX Categoria:Brasileiros de ascendência espanhola Categoria:Naturais de Albacete Categoria:Religiosos assassinados Categoria:Religiosos ligados ao Cimi