A teoria do apego em adultos lida com a teoria do apego em relacionamentos românticos adultos.
A teoria do apego foi estendida aos relacionamentos românticos adultos no final da década de 1980. Quatro estilos de apego foram identificados em adultos: seguro, preocupado-ansioso, desapegado-evitativo e assustado-evitativo. Especialistas têm explorado a organização e a estabilidade dos modelos de funcionamento mentais que constituem a base destes estilos de apego. Eles têm explorado também como o apego se encaixa nos desenlaces de um relacionamento e como funciona na sua dinâmica.
Estendendo a teoria do apego John Bowlby e Mary Ainsworth lançaram as bases da teoria do apego moderna em estudos com crianças e seus cuidadores. Crianças e cuidadores permaneceram o foco principal desta teoria por muitos anos. Então, no final dos anos 1980, Cindy Hazan e Phillip Shaver aplicaram a teoria do apego a relacionamentos românticos adultos.Hazan, C., & Shaver, P.R. (1990). Love and work: An attachment theoretical perspective. Journal of Personality and Social Psychology, 59, 270–280.Hazan, C., & Shaver, P.R. (1994). Attachment as an organizational framework for research on close relationships. Psychological Inquiry, 5, 1–22. Hazan e Shaver notaram que as interações entre parceiros românticos adultos compartilhavam similaridades com as interações entre crianças e cuidadores. Por exemplo, parceiros românticos desejam estar perto um do outro, e sentem-se confortáveis quando seus parceiros estão presentes e ansiosos ou solitários quando seus parceiros estão ausentes. Relacionamentos românticos servem como uma base segura em que os companheiros ajudam um ao outro a enfrentar as surpresas, as oportunidades e os desafios que a vida apresenta. Semelhanças como estas, levaram Hazan e Shaver a estender a teoria do apego às relações amorosas entre adultos.
Naturalmente, relacionamentos românticos entre adultos diferem em muitos aspectos de relacionamentos entre crianças e cuidadores. A afirmação não é que estes dois tipos de relacionamentos são idênticos, mas sim que os princípios fundamentais da teoria do apego aplicam-se a ambos.
Pesquisadores tendem a descrever os princípios fundamentais da teoria do apego sob a luz de seus próprios interesses teóricos. Suas descrições parecem bastante diferentes em um nível superficial. Por exemplo, Fraley e ShaverFraley, R.C. & Shaver, P.R. (2000). Adult romantic attachment: Theoretical developments, emerging controversies, and unanswered questions. Review of General Psychology, 4, 132-154. descrevem as "proposições centrais" de apego em adultos como se segue: As dinâmicas emocionais e comportamentais de relacionamentos entre recém-nascido–cuidador e relacionamentos românticos adultos são governados pelo mesmo sistema biológico. Os tipos de diferenças individuais observados em relacionamentos recém-nascido–cuidador são semelhantes aos observados em relacionamentos românticos. Diferenças individuais no comportamento de apego em adultos são reflexos das expectativas e crenças que as pessoas têm formados sobre elas mesmas e suas relações íntimas, com base em suas histórias de apego; estes "modelos de funcionamento" são relativamente estáveis e, como tal, podem ser reflexos das primeiras experiências de cuidado. O amor romântico, como é usualmente concebido, envolve a interação entre apego, cuidado e sexo.
Compare isso com as cinco "proposições fundamentais" da teoria do apego listadas por Rholes e Simpson:Rholes, W.S. & Simpson, J.A. (2004). Attachment theory: Basic concepts and contemporary questions. In W.S. Rholes and J.A. Simpson (Eds.), Adult Attachment: Theory, Research, and Clinical Implications, pp. 3–14. New York, NY: Guilford Press. Embora o impulso básico para a formação de relações de apego seja fornecido por fatores biológicos, os laços que as crianças formam com seus cuidadores são modelados por experiências interpessoais. As experiências nos primeiros relacionamentos criam modelos internos de funcionamento e estilos de apego que afetam sistematicamente as relações de apego. As orientações de apego dos cuidadores influenciam o laço afetivo que suas crianças têm com eles. Modelos de funcionamento e orientações de apego são relativamente estáveis ao longo do tempo, mas não são imunes à mudança. Algumas formas de desajustes psicológicos e distúrbios clínicos são atribuídas em parte aos efeitos de modelos de funcionamento e estilos de apego inseguro.
Enquanto estas duas listas refletem claramente os interesses teóricos dos pesquisadores que as criaram, um olhar mais atento revela uma série de temas em comum. Estes temas afirmam que: As pessoas são biologicamente conduzidas a formar vínculos com outras pessoas, mas o processo de formação de vínculos é influenciado por experiências aprendidas. Indivíduos formam diferentes tipos de vínculo, dependendo das expectativas e crenças que eles têm sobre seus relacionamentos. Estas expectativas e crenças constituem "modelos de funcionamento" internos usados para guiar os comportamentos em uma relação. "Modelos de funcionamento" internos são relativamente estáveis, embora eles possam ser influenciados pela experiência. Diferenças individuais no apego podem contribuir positiva ou negativamente para a saúde mental e para a qualidade das relações com os outros.
Não há dúvida de que estes temas podem ser descritos em uma variedade de formas (e outros temas adicionados à lista). Independentemente de como se descreve os princípios fundamentais da teoria do apego, o aspecto-chave é que os mesmos princípios de apego aplicam-se às relações íntimas durante toda a vida. Os princípios do apego entre crianças e cuidadores são fundamentalmente os mesmos que os princípios de apego entre parceiros românticos adultos.
Estilos de apego Adultos têm quatro estilos de apego: seguro, preocupado-ansioso, desapegado-evitativo, e assustado-evitativo. O estilo de apego em adultos corresponde ao estilo de apego em crianças. Por exemplo, o estilo preocupado-ansioso em adultos corresponde ao ansioso-ambivalente em crianças. As descrições de estilos de apego em adultos expostas abaixo são baseadas no questionário de relacionamento elaborado por Bartholomew e Horowitz e em uma análise feita por Pietromonaco e Barrett.
Existem várias abordagens de tratamento baseadas no apego que podem ser usadas com adultos.Sable, P., (2000). Attachment & Adult Psychotherapy. Northvale NJ: Aaronson. Além disso, existe uma abordagem para tratamento de casais baseada na teoria do apego.Johnson, S., (2002). Emotionally Focused Couples Therapy with Trauma Survivors. NY: Guilford.
Apego seguro Pessoas com apego seguro tendem a concordar com as seguintes afirmações: "É relativamente fácil para mim me tornar emocionalmente íntimo dos outros. Eu estou confortável dependendo de outros e tendo outros dependendo de mim. Eu não me preocupo em estar/ficar sozinho ou em não ser aceito por outros." Este estilo de apego usualmente resulta de um histórico de interações íntimas e receptivas com parceiros. Pessoas com apego seguro tendem a ter opiniões positivas sobre si mesmas e sobre seus parceiros. Elas tendem também a ter opiniões positivas sobre seus relacionamentos. Muitas vezes elas relatam maior satisfação e harmonia em seus relacionamentos que pessoas com outros estilos de apego. Pessoas seguramente apegadas sentem-se confortáveis tanto com a intimidade quanto com a independência. Muitos buscam um equilíbrio entre ambos em seus relacionamentos.
Apego inseguro Apego preocupado-ansioso Pessoas que são ansiosas ou preocupadas com o apego tendem a concordar com as seguintes afirmações: "Eu quero ser completamente íntima emocionalmente dos outros, mas muitas vezes eu percebo que os outros são relutantes a se aproximarem como eu gostaria. Eu fico desconfortável sem relacionamentos íntimos, mas às vezes me preocupo com o fato de que os outros não me valorizam tanto quanto eu os valorizo." Pessoas com este estilo de apego buscam por altos níveis de intimidade, aprovação, e receptividade de seus parceiros. Elas, muitas vezes, valorizam a intimidade a tal ponto que se tornam excessivamente dependentes de seus parceiros — uma condição coloquialmente denominada de clinginess. Comparadas às pessoas com apego seguro, pessoas com este estilo tendem a ter opiniões menos positivas sobre si mesmas. Elas, frequentemente, duvidam de seu valor como parceiras e culpam-se pela falta de receptividade de seus parceiros. Pessoas ansiosamente apegadas podem exibir altos níveis de expressividade emocional, preocupação, e impulsividade em seus relacionamentos.
Apego desapegado-evitativo Pessoas com um estilo de apego desapegado evitativo tendem a concordar com as seguintes afirmações: "Eu estou confortável sem relacionamentos emocionais íntimos", "é muito importante para mim me sentir independente e autossuficiente", e "eu prefiro não depender de outros ou ter outros dependendo de mim." Pessoas com este estilo de relacionamento desejam um alto nível de independência. O desejo de independência, frequentemente, aparece como uma tentativa de evitar completamente o apego. Eles veem a si mesmos como autossuficientes e invulneráveis a sentimentos associados com estarem intimamente ligados a outros. Eles muitas vezes negam necessitar de relações íntimas. Alguns podem até mesmo ver as relações íntimas como relativamente sem importância. Não surpreendentemente, eles buscam menos intimidade com seus parceiros, a quem muitas vezes eles veem menos positivamente do que eles veem a si mesmos. Pesquisadores geralmente notam o cárater defensivo deste estilo de apego. Pessoas com o estilo de apego desapegado-evitativo tendem a reprimir e esconder seus sentimentos, e a lidar com a rejeição distanciando-se das fontes deste sentimento (i.e., seus parceiros de relacionamento).
Apego assustado-evitativo Pessoas que sofreram danos psicológicos ou abusos sexuais na infância e na adolescência frequentemente desenvolvem este tipo de apego e tendem a concordar com as seguintes afirmações: "Eu fico um pouco desconfortável ao ficar íntimo dos outros. Eu quero relacionamentos íntimos, mas acho que é difícil confiar nos outros completamente, ou depender deles. Às vezes, eu me preocupo com o fato de que serei magoado se eu me permitir ser íntimo dos outros." Pessoas com este estilo de apego têm sentimentos mistos sobre relacionamentos íntimos. Por um lado, elas desejam ter relações emocionalmente íntimas. Por outro lado, elas tendem a se sentir desconfortáveis com a intimidade emocional. Estes sentimentos mistos são combinados com, às vezes inconscientemente, opiniões negativas sobre si mesmas e seus parceiros. Elas geralmente veem a si mesmas como indignas da receptividade de seus parceiros, e não confiam nas intenções deles. Da mesma forma que o estilo de apego desapegado-evitativo, as pessoas com o estilo assustado-evitativo buscam menor intimidade com seus parceiros e frequentemente reprimem e negam seus sentimentos. Em vez disso, elas ficam muito menos confortáveis ao expressar afeto inicialmente. Muitas vezes elas se sentem compelidas a deixar a pessoa a quem amam profundamente, porque algo dentro delas "não parece certo", embora elas possam dar outras desculpas para seu comportamento, por causa de sua necessidade de racionalizar.
Para uma pessoa com o estilo de apego assustado-evitativo melhorar, ela tem que trabalhar ativamente para aprender a confiar em seu atual parceiro tanto quanto a opôr-se a seus sentimentos mais profundos; psicoterapia é frequentemente um pré-requisito para esta melhora. Muitas pessoas com este estilo de apego nunca admitem a si mesmas que elas têm um problema ou sentem que estão prontas para lidar com suas dificuldades.
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