Alma Gêmea é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 20 de junho de 2005 a 10 de março de 2006, em 227 capítulos. Substituiu Como uma Onda e sendo substituída por Sinhá Moça, foi a 66ª "novela das seis" exibida pela emissora.
Teve a autoria de Walcyr Carrasco, com colaboração de Thelma Guedes, teve direção de Fred Mayrink e Pedro Vasconcelos. A direção geral e de núcleo foram de Jorge Fernando.
Contou com Priscila Fantin, Eduardo Moscovis, Drica Moraes, Malvino Salvador, Ana Lúcia Torre, Alexandre Barillari, Elizabeth Savalla, Luigi Baricelli e Flávia Alessandra nos papéis principais.
Enredo Rafael (Eduardo Moscovis) é um botânico e Luna (Liliana Castro) uma bailarina, que se encontram e se apaixonam. Casam-se e têm um filho, mas a sua felicidade é invejada por Cristina (Flávia Alessandra), prima de Luna e governanta da casa, que se sente inferiorizada por não ser rica e feliz como a prima. No dia em que Luna se apresenta pela primeira vez como bailarina principal no Teatro Municipal de São Paulo ocorre uma tragédia na vida do casal, mas que foi planejada por Cristina. Na saída do espetáculo, eles são surpreendidos por assaltantes que roubam as joias de Luna. Rafael reage ao assalto e um dos ladrões, que é conhecido de Cristina, atira nele. Luna protege Rafael, colocando seu corpo na frente do marido, acaba sendo atingida por um tiro e morre.
Enquanto Rafael se desespera com a perda de Luna, em um lugar bem distante dali, nasce a menina Serena (Priscila Fatim), filha de uma índia com um garimpeiro. Ela cresce em uma aldeia indígena e tem visões, explicadas pelo pajé (Francisco Carvalho) como sendo "sonhos que ela um dia irá concretizar". A jovem algumas vezes vê flores refletidas nas águas de um lago e faz desenhos de grandes casas que não existem na aldeia.
Vinte anos se passam da morte de Luna. Serena resolve abandonar a aldeia em busca do sonho descrito pelo pajé e chega a uma pequena cidade no interior de São Paulo, chamada Roseiral. Lá, acaba conseguindo trabalho como empregada na mansão de Rafael que, depois da morte de Luna, tornou-se um homem amargurado. Quando os dois se encontram pela primeira vez, têm a sensação de algo estranho, como se já tivessem se encontrado antes. Serena tem até em seu corpo uma marca de nascença, no mesmo lugar em que Luna levou o tiro. A trama segue envolta em mistérios e marcada por fatos inexplicáveis. Rafael passa a acreditar que Serena é de fato a reencarnação de Luna, se apaixona por ela e a pede em casamento. Cristina e sua mãe Débora (Ana Lúcia Torre), que sempre desejou a fortuna de Rafael através de um casamento com sua filha, percebem que Serena representa uma ameaça, e a novela segue com as duas tramando de tudo para separar os dois.Alma Gêmea no Teledramaturgia
Elenco Intérprete Personagem Priscila Fantin Serena Anauê Eduardo Moscovis Rafael Souza Dias Flávia Alessandra Cristina Ávilla Saboya Ana Lúcia Torre Débora Ávilla Saboya Alexandre Barillari Augusto Casali (Guto) Drica Moraes Olívia de Médici Malvino Salvador Vitório Castelli Santini Luigi Baricelli Raul de Carvalho Siqueira Elizabeth Savalla Agnes Ávilla Blanco Walderez de Barros Adelaide Ávilla Fernanda Souza Mirna dos Santos Emílio Orciollo Netto Crispim dos Santos Rita Guedes Kátia Dantas (Anja) Sidney Sampaio Felipe Ávilla Blanco Dias Cecília Dassi Mirella de Médici Siqueira Erik Marmo Hélio Castelli Santini Fernanda Machado Dalila Castelli Santini Rodrigo Phavanello Roberval da Silva / Roberval Dantas de Carvalho Neusa Maria Faro Divina Castelli Santini Fúlvio Stefanini Osvaldo Santini Nicette Bruno Ofélia Castelli Umberto Magnani Elias Dantas Ângelo Antônio Dr. Eduardo Pestana Bia Seidl Vera Souza Dias Nívea Stelmann Alexandra Montenegro Felipe Camargo Dr. Julian Enke Michel Bercovitch Ciro Almeida Thiago Luciano Ivan dos Santos Carla Daniel Zulmira dos Santos Ernesto Piccolo Eurico Aisha Jambo Sabina Bel-Lac Kayky Brito Gumercindo Alves Tammy Di Calafiori Nina Castelli Santini Marcelo Faria Jorge dos Santos Fonseca Lady Francisco Generosa Flores Andréa Avancini Tereza Santana (Terezinha) Marcelo Barros Alaôr Ferreira da Silva Emiliano Queiroz Bernardo dos Santos (Tio Nardo) Bruna di Tullio Madalena Vasconcelos Ronnie Marruda Abílio Pereira Mariah da Penha Clarice Pereira Rosane Gofman Nair Carlos Gregório Rodriguez Hilda Rebello Filó
Participações especiais Intérprete Personagem Liliana Castro Luna Ávilla Blanco Dias André Gonçalves José Aristides Anauê Luis Gustavo Romeu Dantas de CarvalhoAnkito Falecido Júlia Lemmertz Professora Cleyde Castelli Rodrigo Faro Zacarias Príncipe Louise Cardoso Doralice dos Santos Betty Faria Marielza Ferreira da Silva Othon Bastos Padre Álvaro Duse Nacaratti Feiticeira Francisco Carvalho Pajé José Anauê Thaíssa Carvalho Aliena Anauê Luciana Rigueira Jacira Anauê Maria Sílvia Jaçuí Anauê Nina de Pádua Eliete Flores José Augusto Branco Argemiro Mário Cardoso Dr. Santos Roberto Bataglin Dr. Pandolfo Ilva Niño Almerinda Alexandre Zacchia Percival Carolyna Aguiar Mafalda Carvalhinho Padre Dimas Castro Gonzaga Professor Marcelino Daniel Barcellos Dr. Ermelino Alexandre Dacosta Heráclito Hélio Ribeiro Rodolpho Jaime Leibovitch juiz do divórcio entre Olívia e Raul Luiz Baccelli prefeito de Roseiral Fred Mayrink cantor do clube de Roseiral Jorge Fernando participante do desfile de Papai Noel Augusto Madeira advogado de Raul Jorge Cherques ginecologista de Alexandra Luiz Carlos Buruca estilista do casamento de Cristina Júlio Braga contador de Dr. Santos José Steinberg médico, amigo do Dr. Julian Charles Myara técnico Leila Pinheiro cantora do restaurante chique Pietro Mário médico de Vera Lana Guelero empregada de Agnes Pedro Farah oficial de justiça Carlos Seidl escultor Chaguinha coveiro Maurício Machado Baltazar novo cozinheiro do restaurante Babu Santana peão da fazenda Dig Dutra cigana, reencarnação de LunaCarlos Satojaponês, reencarnação de Rafael Ângelo Paes Leme Terê (adulto)
Produção Antes do início das gravações, elenco e equipe da telenovela assistiram à palestras com o antropólogo Giovani José da Silva e Carlos Eduardo Sarmento, professor da Fundação Getulio Vargas, respectivamente sobre cultura indígena e costumes socioeconômicos, culturais e políticos da década de 1940. Além disso, o antropólogo deu aulas de linguagem indígena para Priscila Fantin, André Gonçalves, Francisco Carvalho, Maria Silvia, Júlia Lemmertz e Thaíssa Ribeiro. Esses atores também contaram com a orientação da pesquisadora de prosódia Íris Gomes da Costa. Fernanda Souza, Emilio Orciollo Netto e Emiliano Queiroz fizeram aulas de prosódia caipira com Silvia Nobre. Marcelo Barros ganhou noções de prosódia nordestina. Liliana Castro fez aulas de piano com Claudia Castelo Branco e aprendeu passos de balé com Cissa Rondinelli. Eduardo Moscovis foi à Roselândia, em Cotia, São Paulo, conhecer as técnicas de enxertos e plantações de rosas – no local há mais de 300 espécies de roseiras. Malvino Salvador treinou em restaurantes de São Paulo o manuseio de utensílios culinários e a fabricação de pão. Para dar a vida à vilã Cristina, a atriz Flávia Alessandra assistia a filmes de terror, suspense, obsessão e loucura, em busca de inspiração para compor as diversas fases da personagem. A atriz também dispensava dublê nas cenas mais difíceis. Alexandre Barillari visitou o Presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro, onde conversou com detentos para ajudar na composição do vilão Guto.
Cenografia right|thumb|230px|Alma Gêmea teve cenas gravadas na Gruta do Lago Azul, em Bonito, Mato Grosso do Sul. As cenas de Serena na comunidade indígena – incluindo seu nascimento, a morte da mãe, seu crescimento, a invasão e destruição da aldeia, até a partida para São Paulo – foram distribuídas por Bonito, no Mato Grosso do Sul, Carrancas, em Minas Gerais, e o bairro de Camorim, no Rio de Janeiro. Em Bonito, a produção de cerca de 70 profissionais contou com a ajuda de bombeiros, militares do Exército e uma equipe de rapel para transportar os equipamentos. No Camorim foi construída uma aldeia cenográfica feita basicamente de palha e madeira, com 13 ocas – incluindo a oca comunitária do pajé, a da mãe de Serena e a sala de aula onde Cleyde ensinava às crianças. Ali foram realizadas as cenas da invasão dos garimpeiros e do incêndio, que contaram com a participação de 80 figurantes. Pedaços da aldeia foram usados nas gravações em Bonito e em Carrancas. As primeiras gravações em São Paulo incluíram cenas de Serena passando por locais históricos da cidade, como a Estação Júlio Prestes, a Pinacoteca do Estado, o Museu do Ipiranga e a Catedral da Sé, além de cenas na Vila dos Ingleses com cerca de 20 atores figurantes.
A cidade cenográfica de Roseiral construída dos Estúdios Globo (antigo Projac) foi inspirada em várias localidades, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro da época em que se passa a trama. Também foram usadas como referências cidades do interior de São Paulo, como Bernardino de Campos (onde nasceu o autor Walcyr Carrasco) e a estância hidromineral Águas de Santa Bárbara; e municípios do Paraná, como Castro, Morretes, Antonina e Lapa. Erguida em uma área de nove mil metros quadrados, Roseiral comportava as casas de Rafael e Agnes, o prédio residencial de Vera, a vila da pensão de Divina, além de igreja, loja de flores, farmácia, estação ferroviária, barbearia, mercearia, prefeitura, cinema, sorveteria, consultório médico e sapateiro, alguns com interior. A estufa, um dos cenários relevantes da trama, ganhou uma parte externa na cidade cenográfica e interior em estúdio. Este foi um dos ambientes mais trabalhosos por causa da manutenção das rosas. As flores tinham de ser guardadas em geladeira, a uma temperatura entre oito e 12 graus, e não podiam ficar em locais abafados. Rosas artificiais foram misturadas às naturais para compor o cenário.
Figurino e caracterização A década de 1920 da trama foi caracterizada por um figurino com cortes retos, sem cintura e bustos achatados para as mulheres, e roupas mais estreitas, acinturadas, com boca das calças mais fechada e uso do chapéu coco para os homens. Na década de 1940, seguiu-se o tom das comédias italianas do início da década de 1950, com referências, entre outras, a filmes do cineasta italiano Federico Fellini. Um dos destaques é Cristina, que abusava das cores vermelha, roxo e vinho, como uma típica vilã de desenho animado. Também teve repercussão a composição da personagem Kátia, de Rita Guedes, uma mistura das atrizes Veronica Lake, Lana Turner e Rita Hayworth e de Jessica Rabbit, personagem da animação Uma Cilada para Roger Rabbit, de Robert Zemeckis. A maior dificuldade encontrada pela equipe de maquiagem foi a caracterização dos índios. A solução para atender à agilidade da televisão e não se distanciar muito das referências do real foi adotar o carimbo.
Foi encomendada uma maquiagem especial à prova d'água para que a pintura resistisse ao suor das gravações e aos mergulhos no rio. Diariamente, os atores e figurantes eram carimbados e depois pintados com a tinta, em um processo que levava, em média, 40 minutos. Priscila Fantin ainda teve de escurecer os cabelos e alisá-los todos os dias. No núcleo da cidade, as atrizes usaram meias-perucas para fazer a diferenciação entre as duas fases da novela. Nicette Bruno e Walderez de Barros usaram uma peruca grisalha na década de 1940. Os atores, embora na vida real os homens já usassem gomalina nos anos 1920, só adotaram o recurso na segunda fase da trama, uma licença da equipe de caracterização para marcar a diferença.
Acusações de plágio