Tamusida ou Thamusida é um antigo porto fluvial da época romana situado no norte de Marrocos, na margem esquerda do rio Cebu, num lugar atualmente chamado Sidi Ali ben Ahmed, 10 km em linha reta a nordeste da atual cidade de Kenitra.
O porto encontrava-se sensivelmente a meio caminho entre as cidades romanas de Sala (Chellah, junto ao que é hoje Rabat), a sul, e Banasa, a norte, esta última situada igualmente na margem esquerda do Cebu, mas a montante de Tamusida. Situado numa área exposta às inundações, o porto comunicava com uma vasta hinterlândia e era fácil de defender. A floresta vizinha de Mamora (junto à atual Mehdia) deve ter fornecido materiais de construção (sobreiros). A abundância de peixe do rio e a sua navegabilidade tanto para jusante como para montante, bem como as terras cultiváveis dos arredores contribuíram para que o sítio se tornasse um centro de ocupação importante.
Tamusida situava-se numa estrada romana que partia de Tingis (Tânger), passava por Lixo (Larache), Banasa e descia até Sala, terminando no limes que ainda é visível nos arredores a sul de Rabat.
E meados da década de 2000 o sítio encontrava-se ao abandono (2004) e não tinha quaisquer infraestruturas para os visitantes nem estava assinalado, apesar de poder ser visitado.
A antiga cidade dá nome a um festival de arte e música organizado anualmente na cidade de Kenitra, o qual tem como um dos seus objetivos oficiais dar a conhecer ao público o sítio arqueológico.
Escavações O sítio arqueológico foi reconhecido e visitado pelo diplomata e arqueólogo francês Charles Tissot em 1874 e foi escavado de esporadicamente a partir de 1913 por investigadores franceses. Foram depois retomadas nas décadas de 1950 e 1960 em dua ocasiões: em 1952-1955, por Thouvenot, Euzennat e Marmonnier, e em 1959 por Nicollet, Callu, Rebuffat, Morel e Dentzer. As escavações estão longe de ter posto a descoberto a totalidade do sítio, que ocupa uma área de cerca de quinze hectares.
As escavações revelaram um campo militar e uma cidade. Do primeiro, somente a muralha e o pretório foram escavados. Da cidade foram postos a descoberto uma parte da muralha, insulas, grandes termas e templos. Sondagens estratigráficas permitiram esboçar em traços largos a história da ocupação da cidade.
Em setembro e outubro de 2001 uma equipa ítalo-marroquina levou a cabo mais escavações.
História Quatro sondagens levadas a cabo na parte alta do sítio, que domina o Cebu a norte, permitem afirmar que é possível que tenha havido uma ocupação pré-histórica, mas há muito poucos vestígios dela. No já vivia no local uma comunidade, mas aparentemente não tinha contactos com o exterior e pouco se sabe sobre ela. No , Tamusida era habitada por uma população que tinha ligações ativas com o mundo romano (Península Itálica) ou romanizada (sul da Península Ibérica).
A partir do ano , os vestígios de cerâmica mostram uma cidade que se abre às influências mediterrânicas, as quais devem ali chegar através da cabotagem atlântica.
Em foi anexada por Roma e a partir do reinado do imperador Cláudio as construções na multiplicam-se. A cidade tinha um porto, como testemunham os numerosos restos de ânforas, e tornou-se um centro de embarque e de abastecimento. Durante as escavações descobriram-se os muros de cais do porto de comércio. Durante a dinastia flaviana , uma guarnição militar é estacionada no local. A cidade dá sinais de crescimento e são construídos um templo com três celas, termas e casas de habitação com um pátio central, o que demonstra a importação das tradições etrusco-italianas.
Durante o reinado de Trajano ou de Adriano parece ter havido uma nova reestruturação do espaço urbano, conferindo à cidade um plano urbanístico ou plano ortogonal dito , onde se inscrevem as termas reconstruídas e o pequeno templo a nordeste dedicado a Vénus-Astarte. O desenvolvimento e enriquecimento da cidade reflete-se na sua expansão e nas contínuas transformações das termas do rio, na construção de novos templos na margem do Cebu e novas habitações, das quais se destaca a Maison du dallage, que apresenta a mesma planta que as vivendas ricas de Volubilis e da Península Ibérica. Moradias mais modestas, oficinas e locais utilitários ocupam quarteirões inteiros. Além das suas atividades comerciais e industriais que estão na origem do seu desenvolvimento, a cidade devia ter um papel militar importante e nela viviam principalmente veteranos reformados dos exércitos romanos.
Durante o reinado de Marco Aurélio , foi construída em Tamusida a maior fortaleza da Mauritânia Tingitana, para assegurar a proteção da população civil. Sob Cómodo ou Septímio Severo é construída uma muralha em cuja construção foram usadas estelas funerárias, e parte da Maison du dallage foi demolida, o que indica que a obra foi ditada pelo temor de um perigo próximo. Na cidade estava então aquartelada uma coorte (subdivisão de uma legião).
A cidade foi abandonada na segunda metade do . Segundo algumas fontes, isso teria acontecido em 280, segundo outras entre 274 e 280, não se sabendo se isso se deveu à retirada das tropas durante a evacuação levada então a cabo em toda a parte meridional da província da Mauritânia, ou a algo que sucedeu depois disso. Achados dispersos e alguns muros revelam uma ocupação efémera posterior à data da evacuação. Outras fontes referem que foi abandonada em 250 após um fogo.
Bibliografia
Resumo em:
Notas e referências
O termo francês dallage tanto pode significar "ladrilhamento" como "lajeado" ou "calcetamento". Maison significa "casa".
Ligações externas
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