Zarzis ou Jarjis (), antigamente chamada Gergis, é uma cidade costeira do sudeste da Tunísia. É a capital da delegação (espécie de distrito ou grande município) homónima, a qual faz parte da província (gouvernorat) de Médenine. A delegação tem de área e em 2004 tinha habitantes (), dos quais viviam na cidade.

Descrição Zarzis encontra-se 75 km a norte da fronteira com a Líbia, 250 km a noroeste de Trípoli, 44 km a norte de Ben Guerdane, 28 km a sul da ilha de Djerba (El Kantara), 62 km a leste de Médenine e 143 km a sudeste de Gabès (distâncias por estrada). A cidade dispõe duma extensa praia de areia, onde há alguns hotéis de construção recente. A cidade tem dois museus: um arqueológico e o um etnográfico.

A economia local baseia-se principalmente na agricultura (oliveira e produção de azeite) e no turismo. A cidade tem ainda um porto importante, uma zona franca, um terminal petrolífero e três portos de pesca. Zarzis é o principal porto de pesca da Tunísia a sul de Sfax e Mahdia.

História A história da cidade remonta ao tempo dos fenícios, que lhe chamaram Gergis, um nome que deu origem ao atual. Aos fenícios seguiram-se os cartagineses e, após e a conquista de Cartago por Roma Antiga seguiram-se-lhes os romanos. Segundo o Stadiasme, a cidade situava-se na extremidade ocidental da Syrtique, não muito longe de Meninx (nome antigo de Djerba). Possuía um porto e um castelo construído sobre as ruínas duma cidadela mais antiga. É possível que o nome tenha origem nos Gergesiles, que segundo antigos cronistas judaicos deixaram Canaã na época de Josué para se ficarem no Norte de África.

As exportações muito apreciadas em Roma de pesca e o azeite fizeram prosperar a cidade. A proximidade do centro de comércio que era Djerba, o porto e a posição estratégica nas rotas de comércio do Saara tornou Gergis um entreposto entre os centros comericiais do Mediterrâneo e do Saara. Além disso, era pela cidade que se fazia a exportação do sal extraído na Sebkha El Melah, a grande salina natural situada a sudoeste da cidade.

A região foi cristianizada no . Os árabes chegaram em 647, dando origem à islamização. As relações comerciais não se limitaram aos territórios sob domínio árabe, estendendo-se igualmente a cidades da Europa. Entre 1714 e 1724 funcionou em Zarzis uma empresa franco-genovesa de exportação de sal.

Na época do protetorado francês foi uma estância de repouso de militares franceses, para os quais a cidade era uma espécie de paraíso por comparação com as paisagens desérticas do sul da Tunísia. Zarzis foi também o único local a sul de Gabès que assistiu a colonização significativa por parte dos franceses. No entanto, os militares dificultaram a instalação dos colonos por recearem perder o controlo para os civis da sua estância de férias. Houve várias queixas dos colonos para o governo colonial, que diziam que "os militares governavam com a espada e com o chicote em vez de com a lei". A indendeência chegou antes dos colonos terem conseguido uma administração civil.

Durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967 entre os países árabes e Israel, registaram-se alguns ataques a sinagogas, tendo ardido uma delas. Em 1983 houve outros ataques a sinagogas.

O turismo chegou em 1973, com um decreto que criou uma zona turística na região, instalada a cerca de três quilómetros da cidade. O grande afluxo de turistas na região com graves carências de água provocou à sua escassez nos anos 1990, levando a que se optasse pela dessalinização e pela exploração de águas subterrâneas até aí intocadas, apesar das consequências ambientais disso serem imprevisíveis.

Em 2011 era o principal ponto de embarque de imigrantes clandestinos para a Europa via a ilha italiana de Lampedusa situada cerca de 250 km a norte, a meio caminho da Itália continental.

Notas e referências

Na realidade, é possível que as duas fontes usadas se refiram a um só mesmo museu com mesmo nome, já que cada uma delas só menciona um museu.

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