thumb|200px|direita|Lenço do clube de Desbravadores sobre os ombros de um juvenil Os Desbravadores, também conhecidos como Clube de Desbravadores, são um departamento da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), que trabalha especificamente com a educação cultural, social e religiosa de crianças e adolescentes situadas na faixa etária entre 10 e 15 anos.
Semelhante em diversos aspectos ao escotismo, diferencia-se deste pela ênfase religiosa dada as atividades desenvolvidas. Faz parte do programa oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia desde 1950. Mundialmente o Clube de Desbravadores faz parte do Ministério Jovem da IASD, que tem como diretor o dominicano Andrés J. Peralta.
Diferenças de formato e idade Ao redor do mundo esse departamento da Igreja Adventista muda de nome, formato e de publico alvo, ocorrendo isto inclusive na lusofonia.
No Brasil, nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e em Timor Leste chama-se de "Desbravadores" o trabalho da igreja com juvenis entre 10 e 15 anos de idade. Em Portugal também chama-se de "Desbravadores", porém, compreendendo idades dos 12 aos 15 anos, havendo um trabalho específico voltado ao público entre 16 e 20 anos de idade, chamado de "Clube dos Companheiros", que seria semelhante aos clubes de líderes do restante da lusofonia.
História O primeiro passo rumo a organização do Clube de Desbravadores dentro da Igreja Adventista ocorreu em 1907, quando foi criado o Departamento de Jovens Missionários Voluntários (Missionary Volunteer Society), sob a liderança do pastor Milton Early Kern. thumb|200px|direita|Pastor Samuthram em 1958, fundador do movimento "Missionários Voluntários" na Malásia. Em 1909, são organizadas as primeiras sociedades de Missionários Voluntários Juvenis (MVJ), e em 1914 desenvolvem-se as primeiras lições para MV's Juvenis, que seriam a precursoras das classes progressivas dos Desbravadores.
Em 1911, formam-se os embriões do Clube de Desbravadores em Takoma Park nos Estados Unidos. Três clubes foram formados em Takoma Park em 1911, eram eles: Scouts Missions, Woodland Clan & Pals e Takoma Indians. Caracterizavam-se por somente aceitar meninos em suas fileiras.
Em 1919, Arthur Spalding fundou o clube Scouts Missionaries (Escoteiros Missionários em português), no condado de Madison, no Tennessee. Spalding estudou a organização, formulou diretrizes compatíveis com os objetivos espirituais da Igreja Adventista (característica que não foi adotada inicialmente pelos clubes de Takoma Park), e criou o esboço do movimento. Os Escoteiros Missionários desenvolveram os ideaisIdeias no clube de desbravadores referem-se ao Voto, a Lei, o Lema, o Objetivo e o Voto á bíblia, que normalmente são citados em todas as reuniões do clube fundamentais para o atual Clube dos Desbravadores.
Em 1929, pela primeira vez, é utilizado o nome pathfinder ("desbravador" em português) em uma programação de juvenis da IASD. A Associação do Sudeste da Califórnia promove um acampamento para Juvenis Missionários Voluntários, e intitula o acampamento de pathfinder. E a mesma Associação (Sudeste da Califórnia), em 1946, unilateralmente oficializa e passa a patrocinar o programa, tendo seu primeiro protótipo de clube reconhecido sendo testado em Riverside, na Califórnia.
A par da experiência na Califórnia, a Associação Geral da Igreja Adventista oficializa em 1950 o programa do clube, adotando um uniforme, uma bandeira (confeccionada por Hellen Hobbs e Henry Theodore Bergh em 1948) e um hino (composto em 1949 por Henry Theodore Bergh) oficiais para o novo departamento. O nome adotado para o programa foi Clube de Jovens – Missionários Voluntários.
Entre 9 a 11 de outubro de 1953, a Associação Sul da Nova Inglaterra promoveu o primeiro campori de desbravadores em Ashburnham, em Massachusetts. Desde então este tem sido o principal acampamento e forma de interação entre clubes de desbravadores em todo o mundo.
Desde a oficialização do movimento como programa da IASD algumas atualizações foram feitas, sendo as mais significativas: (1958) Desenvolvimento das classes progressivas; (1959) Desenvolvimento das classes de desenvolvimento físico e moral (medalhas de ouro e prata); (1976) Acréscimo dos mestrados ao currículo do clube; (1982) O emblema mundial Missionários Voluntários é substituído pelo emblema mundial dos desbravadores, com o nome Missionários Voluntários caindo em desuso; (1988) É feita a primeira revisão geral do currículo dos desbravadores; (2012) É realizada a segunda revisão geral do currículo dos desbravadores.
Em janeiro de 2018 contabilizava-se mais de 1,5 milhões de desbravadores e 40 mil clubes, espalhados por mais de 150 países.
Filosofia e objetivos O clube de desbravadores é um programa religioso centrado no tripé físico-mental-espiritual, que desenvolve atividades para atender às necessidades e interesses de crianças e adolescentes (juvenis) entre 10 e 15 anos de idade, com foco específico nesta faixa etária.
As congregações adventistas são convidadas a integrar e patrocinar as atividades dos desbravadores, pois este departamento é considerado um dos "carro-chefe" da mesma, sendo "linha de frente" do seu programa evangelístico. Desta forma, os juvenis são convidados a participar do processo de evangelização.
Grande parte do programa do clube de desbravadores é construído em torno de atividades físicas, ao ar livre e hobby's. Segundo o manual do clube de desbravadores, o foco nisto explica-se porque "os jovens entre 10 e 15 anos de idade estão num estágio de crescimento e desenvolvimento físico muito rápido". Segundo a filosofia do clube, atividades que envolvam contato com a natureza, ação, aventura, desafio e atividades em grupo, "oferecem oportunidades para o desenvolvimento de novas atitudes e habilidades que produzem o crescimento pessoal, de equipe e espírito de comunidade", além do "amor pela criação", que ainda de acordo com a filosofia do programa, fazem parte do tripé da "cidadania e lealdade" que prega o respeito para com "Deus, à pátria, e ao próximo" (ou Deus, Sua igreja e Sua criação).
Enquanto o clube de desbravadores existe principalmente para os juvenis, um de seus propósitos básicos é também reunir pais e membros da igreja através de um envolvimento ativo com o clube. O objetivo deste envolvimento é corrigir (ou fazer desaparecer) a lacuna entre gerações aproximando juvenis e adultos, para que trabalhem e se divirtam juntos em um vínculo de experiência comum.
Toda a filosofia dos desbravadores é construída sobre a premissa de que "os juvenis e as crianças aprendem melhor pelo exemplo, ao invés dos preceitos". A forma como veem os líderes e os valores dos pais é utilizada como um modelo espiritual e social a ser seguido. Com isto espera-se desenvolver altos princípios morais, atitudes de amor, carinho e determinação, sobressaltando estes em todas as atividades desenvolvidas. A filosofia educacional do clube, destaca ainda que os juvenis aprendem mais efetivamente numa atmosfera positiva, feliz e segura, sendo um dos motivadores para formação de novos quadros de liderança para a igreja e a comunidade. Segundo a Conferência Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, "a atitude dos dirigentes do clube é, portanto, um ingrediente vital em garantir o sucesso e a eficácia deste ministério para a juventude, pois será ele um dos principais modelos a ser seguido pelos juvenis".
Papel da liderança A liderança tem como papel "ajudar os jovens a compreender e amar a Deus e zelar pela igreja e pelo próximo". Segundo o Manual do clube de desbravadores, os objetivos e deveres da liderança do clube são:
"Encorajar os desbravadores a descobrir o seu potencial dado por Deus e usar seus dons e habilidades para atender as expectativas do plano de salvação"; "Inspirá-los a dar expressão pessoal de seu amor a Deus, se unindo com outros juvenis em várias atividades junto à comunidade"; "Tornar como prioridade número um do programa do clube, a salvação pessoal de cada desbravador"; "Construir no desbravador o apreço por uma vida saudável (desfrutar de atividades ao ar livre) e cultivar neles o amor pela criação de Deus", bem como uma vida "fisicamente apta, ensinando-os a cuidar de seu corpo e estabelecer hábitos saudáveis"; "Ensinar ao desbravador habilidades envolventes e interativas de forma a tornar o tempo e os talentos do juvenil mais significativos"; "Dar oportunidade para o desenvolvimento de liderança encorajando os membros do clube a trabalhar em conjunto e compartilhando as responsabilidades da liderança."; "E objetivar a promoção do desenvolvimento harmonioso do desbravador, cuidando de todos os aspectos necessários, sejam eles o físico, o social, o intelectual e o espiritual".
Organização
Cada clube de desbravadores é administrado por membros leigos adventistas (ou seja, sem formação teológica acadêmica), sendo um diretor de clube, diretores associados, conselheiros, instrutores, capelão, secretário e tesoureiro. Os cargos administrativos do clube demandam que pessoas com conhecimento técnico e treinadas estejam ocupando a função, sendo, no entanto, indicadas pela comissão administrativa da congregação à qual o clube está vinculado. O Departamento Jovem da Associação Geral instrui que, preferencialmente, sejam líderes investidos – maiores de 18 que cumpriram a "Classe de Líder" – ou no mínimo que estejam cumprindo os requisitos da Classe de Líder.
O clube é dividido em unidades separadas, classificadas por sexo e por idade. Cada unidade tem em média seis ou oito desbravadores, acompanhados de um conselheiro, que é o seu líder. A unidade funciona como uma célula do clube, ou um "micro-clube", pois também desenvolve um organograma administrativo com um capitão, um secretário e um tesoureiro (existem outras funções), além de desenvolver atividades práticas e teóricas através da interação entre seus membros.
Os clubes também são organizados em "regionais" e "distritais", que funcionam como agrupamentos de vários clubes. Normalmente tem a atribuição de desenvolver atividades de âmbito maior (a exemplo de camporis), que demandam mais esforço e planejamento, também dando suporte ao clube, através da "equipe regional/distrital". A regional e a distrital são coordenadas, respectivamente, por um coordenador regional e um coordenador distrital, normalmente um líderDesbravador maior de 18 anos que cumpriu todos os requisitos da Classe de Líder investido. Regionais e distritais (adventistas leigos) são eleitos geralmente através de uma escrutínio, onde os diretores dos clubes e pastores de sua área de atuação, na função de delegados-representantes, elegem-no.
Num âmbito maior está a coordenação local dos campos de desbravadores (posto missionário, missões, associações, uniões e divisões), que, assim como as regionais e distritais, tem a atribuição de coordenar atividades que demandem mais planejamento, além de ter o dever de reportar à Associação Geral sobre todas as atividades e trabalhos desenvolvidos em sua região geográfica. A coordenação de campos é feita por pastores.
Atividades desenvolvidas Várias atividades são desenvolvidas no programa do clube, sendo subdivididas de acordo com o tripé educacional do clube, focando o físico, o mental e o espiritual.
Âmbito físico Como parte do programa oficial, o desenvolvimento físico (prática de atividades físicas) é valorizado. Isso se explica na filosofia do clube ao afirmar que "os juvenis (entre 10 e 15 anos) estão num estágio de crescimento e desenvolvimento físico muito rápido". Várias atividades como caminhadas, trilhas na selva, ciclismo, montanhismo, entre outras, tem destaque nas atividades do departamento.