thumb|left|Línguas Chinantecas - nº 7, verde “oliva”, centro-leste

As línguas Mazatecas formam um grupo de línguas mesoamericanas do México bastante relacionadas entre si e faladas por cerca de 200 mil pessoas que vivem na áreas da Sierra Mazateca, parte norte do estado de Oaxaca no sul do país, bem como em áreas adjacentes dos estados de Puebla e Veracruz. Falantes Em 2005 foram identificados cerca de 200 mil falantes das mazatecas conforme INEGI. Aproximadamente 80% desses falantes usam o espanhol para alguns objetivos. Porém, muitas crianças mazatecas conhecem muito pouco ou nada da língua castelhana ao iniciar a escola.

A língua mazateca (uma do grupo) tem presença forte muitas pequenas comunidades menores da grande área mezateca, sendo que em muitas áreas é falada pela maioria da população, embora venha perdendo espaço para o espanhol em cidades maiores como Huautla de Jimenez e Jalapa de Díaz. Classificação O grupo é muitas vezes descrito como se fosse uma língua única, a mazateca, mas como há muitas variantes que não são mutuamente inteligíveis, uma melhor definição do mazateco seria o de grupo línguístico.Gudschinsky 1958 As línguas são classificadas como parte das línguas popolocanas, sub-grupo das otomangueanas. Conforme a lei mexicana dos direitos línguísticos, as mezatecas são reconhecidas como “línguas nacionais” junto com outras línguas ameríndias locais e o espanhol.

Entre as línguas popolocanas figuram ainda a popoloca, a ixcateca e as línguas chocho. Daniel Garrison Brinton foi o primeiro a classificar as mazatecas junto as zapotecasBrinton 1891 Porém, em 1892, o próprio Brinton mudou sua clasasificação e posicionou as mazatecas junto com a língua chapianaca, mangue e as chibchanas.Brinton 1892

Comparações mais antigas feitas por Morris Swades, Roberto Weitlaner e Stanley Newman iniciaram os estudos para comparar as línguas otomangueana e uma discípula de Weitlaner, María Teresa Fernandez de Miranda, foi a primeira a propor uma reconstrução das popolocanas. Ela citou os dados das mazatecas, mas não as classificou entre as popolocanas.</ref>

Trabalhos posteriores de Sarah Gudschinsky do Summer Institute of Linguistics reconstruíram totalmente um grupo de línguas proto-Mazatecas (Gudschinsky 1956) e um grupo proto-popolocano-mazateco (Gudschinsky 1959) . Línguas O padrão ISO 639-3 considera a existência de oito línguas mazatecas, cujas denominação esse referem aos vilarejos onde são faladas Chiquihuitlán (2500 falantes em San Juan Chiquihuitlán. A mais divergente em relação às demais) Central Huautla (50 mil falantes. A mais prestigiada do grupo) Ayautla (3500 falantes em San Bartolome Ayautla. Muito similar a Huautla.) Mazatlán (13 mil falantes em Mazatlán e áreas próximas. Bem similar a Huautla.) Eloxochitlán ou Jeronimo Mazatec (34 mil falantes em San Jerónimo Tecóatl, San Lucas Zoquiapan, Santa Cruz Acatepec, San Antonio Eloxochitlán e outras vilas. Algo similar a Huautla) Ixcatlán (11 mil falantes em San Pedro Ixcatlan, Chichicazapa, Nuevo Ixcatlan. Algo similar a Huautla) Jalapa (16 mil falantes em San Felipe Jalapa de Díaz. Algo similar a Huautla) Soyaltepec (23 mil falantes em San Maria Jacaltepec e San Miguel Soyaltepec. Algo similar a Huautla) Estudos sobre mútua inteligibilidade entre as comunidades mazatecas identificaram que a maioria das formas são próximas entre si, mas suficientemente distintas de modo que programas de alfabetização devem respeitar os padrões locais.. As formas Huautla, Ayautla, e Mazatlán são cerca de 80% inteligíveis entre si; Tecóatl (Eloxochitlán), Jalapa, Ixcatlán e Soyaltepec se distinguem um pouco mais, sendo 70% inteligíveis com Hautla ou entre as próprias. Chiquihuitlán é bem divergente.Egland (1978).

Dialetos A língua ou o grupo linguístico é dividido em diversos dialetos ou variantes, muitos dos quais não são mutuamente inteligíveisa. Os do oeste, os falados em Huautla de Jimenez, San Mateo Huautla, Santa Maria Jiotes, Eloxochitlán, Tecóatl, Ayautla e Coatzospan são geralmente chamados como das “terras baixas”, enquanto que aqueles do nordeste, os falados em en San Miguel Huautla, Jalapa de Díaz, Mazatlán de Flores, San Pedro Ixcatlán e San Miguel Soyaltepec, são chamados das “terras baixas”.

Esses dois grupos diferem principalmente por características fonéticas compartilhadas pelas línguas de cada um desse grupos, principalmente pelo modo como se pronuncia o fonema proto-mazacano //. Naqueles das terras baixas, esse fonema se junta ao /*t/ antes das vogais /*i/ e /*e/; nos das terras altas se junta com // diante de /*k/.

O dialeto de San Miguel Huautla ocuopa uma posição intermediária apresentado características dos dois grupos acima. Há uma significativa divisão entre os dialetos, a geográfica e política que existiu entre 1300 e 1519. Durante a dominação azteca de 1456 a 1519, os territórios da terras altas eram governados a partir do que é hoje Teotitlán del Camino (Oaxaca e os das terras baixas a partir de Tuxtepec, divisão que existe até hoje.

Os dialetos das’’ terras baixas’’ se dividem naqueles ditos do Vale e no de San Miguel Huautla, no qual o som // é modificado para to // para /*k/, como também ocorre em dialetos das terras altas, porém, em San Miguel Huautla esa mudança ocorreu depois da junção de // com /*t/ diante de /*i/ e /*e/. Nos dialetos do Vale ocorre a mudança de /*n/ para // em sequências com /vogall-hn-a/ ou /vogal-hn-u/.

Os dialetos do Vale, por sua vez se dividem em meridionais (Mazatlán e Jalapa) e setentrionais (Soyaltepec e Ixcatlán). Nos do sul, ocorre a mudança de // para /t/ diante de /*k/ (mais tarde mudando *tk em /hk/ no Mazatlán e simplificando para /k/ em Jalapa). Nos dialetos do norte as mudanças são de // para // diante de /*/a. O dialeto de Ixcatlán veio de uma separação do de Soyaltepec ao mudar as sequências // e // em /tik/ e /tuk/, respectivamente.

Os dialetos das’’ terras altas’’ se dividem naqueles do ’’oeste’’ e do ‘‘leste’’ (Huautla de Jimenez e Jiotes). Nos ocidentais a sequência // se altera para /sk/ e nos orientais para /hk/. O de Huautla de Jimenez muda as sequências // para antes de vogais curtas, enquanto que o de Santa Maria Jiotes junta a velar labializada oclusiva com . Fonologia Como as outras línguas otomangueanas, as mazatecas têm uma complexa fonologia caracterizada por um sistema de tons bem complexo e por fonemas incomuns e quase exclusivas dessas línguas, tas como o uso de voz muito gutural , de voz sussurrante e também de sílabas ditas balísticas, súbitas e curtas (intensidade e tom especiais) . As listas seguintes de fonemas mazatecas se basearam na forma de Jalapa de Díaz publicada por Silverman, Blankenship, Kirk e (1995). Fonologia comparada A variante mazateca cuja fonologia foi descrita em maior profundidade foi a de Jalapa de Díaz. A sua análise foi baseada num estudo acústico e em formas atuais de análise fonológicas. Apresenta-se aqui uma comparação entre uma prévia descrição do mazatec de Chiquihuitlán publicada por A. R. Jamieson do “Summer Institute of Linguistics” (SIL) em 1977. Essa análise mais antiga não se baseou em modernas análises acústicas e confiou mais em antigas teorias de fonologia, devendo ser vista como uma tentativa de análise. A grande diferença entre as duas análises é que a de Silverman considerou a distinção entre consoantes analisadas e aspiradas, enquanto que Jamieson analisou essas sequências de dois ou poucos mais fonemas, chegando a uma quantidade muito menor de fonemas consoantes. Vogais Há consideráveis diferenças entre as quantidades de vogais das variantes de Huautla de Jímenez Mazatec que tem somente quatro vogais contrastantes /i, e, a, o/, enquanto que a de Chiquihuitlán apresenta seis.Suárez 1983:59

O mazateco de Jalapa tem um sistema de cinco vogais básicas apresentando contrastes entre anteriores e posteriores, abertas e fechadas, também com um meio aberta . Outras distinções existem entre tons orais, nasais, sussurrantes e guturais e ainda entre sílabas balísticas e não balísticas. Anterior Posterior Oral Nasal Gutural Sussurrante Oral Nasal Gutural Sussurrante Fechada Vogal meio fechada Aberta O mazateco de Chiquihuitlán, por outro lado, apresenta seis vogais com distinções para nasais. Jamieson não descreve as sussurrantes/guturais, mas em lugar disso descreve vogais interrompidas por consoantes glotais oclusivas ou aspiradas que podem corresponder àquelas características descritas como sussurrantes ou guturais respectivamente.Jamieson 1977 Anterior Posterior Oral Nasal interrompida por interrompida por h oral nasal interrompida por interrompida por h FechadaVogal meio fechada Aberta Consoantes O mazateco de Jalapa apresenta um contraste triplo entre articulações aspiradas-surdas, sonoras e nasalização para plosivas, nasais e aproximantes. A consoante lateral ocorre somente em palavras de origem estrangeira e a consoante vibrante simples ocorre tão simplesmente em um único fonema, o clítico a "(provavelmente)". Também são fonemas quase não usados aqueles bilabiais aspirados e oclusivas planas. Silverman et al. 1995:83 Bilabial Dental Postalveolar Velar Glotal Plosiva aspirada (pʰ) tʰ kʰ plana (p) t k ʔ prenasalizada mb nd ŋɡ Africada aspiradatsʰ tʃʰ não aspirada ts tʃ prenasalizadand͡znd͡ʒ Fricativa surda sʃ hNasal/Oclusiva surda m̥ n̥ ɲ̥ plana m n̥ ɲ Modal m̰ n̰ ɲ̰ Aproximante surda ȷ̊ ʍ plana   (l) j w nasalizada j̃w̰  Vibrante  (ɾ) Tons Como ocorre em outras línguas otomangueanas, as línguas mazatecas são tomais o os tons representam um importante papel para distinção entre léxicos e categorias gramaticais. O ponto principal dos tons mazatecos está no fato de serem as mazatecas línguas assobiadas na maioria das suas comunidades, o que permite que haja falantes que têm conversas inteiras somente com assovios.

O sistema de tons difere de forma significativa entre as variantes: Jalapa apresenta três tons de nível (alto, médio, baixo) e pelo menos seis de contorno (alto-médio, baixo-médio, médio-baixo, médio-alto, baixo-alto; alto-beixo-alto).Silverman et al. 1995:72 Chiquihuitlán tem um sistema ainda mais complexo com quatro de níveis (alto, médio alto, médio baixo, baixo) e treze de contorno (alto-baixo, médio alto-baixo, médio baixo-baixo, alto-alto (mais longo que o simples alto), médio alto- alto, médio baixo-alto, baixo-alto; alto-aslto-baixo, meio alto-alto-baixio, médio baixo-alto-baixo, baixo-alto-baixo, baixo- meio alto-baixo, baixo-meio alto). Huautla de Jimenez apresenta tons diferenciadores em cada sílaba,Suárez 1983:52 enquanto que o de Chiquihuitlán s´faz a distinção em certas sílabas. O de Huautla não apresenta sistema tonal sândi,K Pike 1948:95 enquanto que o SoyaltepecE. Pike 1956 e o de Chiquihuitlán têm regras sândi bem complexas.Jamieson 1977:113Suárez 1983:53 Assobios A maioria das comunidades mazatecas faz uso do que se denomina linguagem assobiada, na qual as sutis variações da fala são produzidas quando se assobiam os contornos tonais de palavras ou frases. As línguas mazatecas foram bem levadas a se tornar assobiadas pela grande carga de funcionalidade de tons da gramática e semântica mazatecas. Os assobios são muito comuns nas conversações entre jovens,, os quais podem ter longas conversações somente com assobios. Em geral, as mulheres não usam essa fala assobiada, bem como a maioria dos homens mais maduros. Os meninos aprendem a assobiar junto com o aprendizado da fala.

O uso dos assobios é mais usado para conversa a distâncias maiores, para chamar a atenção de alguém que está passando, para interferir em conversações de outros e também em conversas sobre negócios. Como os assobios não carregam informações sobre vogais a vogal, mas somente sobre o tom, muitas vezes os significados de palavras são ambíguos. Porém, como os assobios são usados para uma quantidade limitada de tópicos não há grandes dificuldades para entender o que é dito com base no contexto de uma frase.Cowan 1948 Escrita As línguas Mazatecas usam o alfabeto latino: