O Aeroporto de Paris Charles de Gaulle (IATA: CDG; ICAO: LFPG; WMO: 07157) (em francês: Aéroport Paris-Charles de Gaulle), tradicionalmente chamado de Aeroporto de Roissy-Charles-de-Gaulle ou Aeroporto de Roissy, está localizado em Roissy, 25 km ao norte do centro de Paris, e é um centro de aviação mundial. Anteriormente denominado de Aéroport de Roissy, o nome foi alterado em 8 de março de 1974 para o atual nome em homenagem a Charles de Gaulle (1890-1970), general francês fundador da Quinta República Francesa. O aeroporto serve como ponto de referência para empresas como Air France, Air France Cargo, FedEx Express, EasyJet e Delta Air Lines. Seu funcionamento é assegurado pela marca Paris Aéroport (anteriormente Aéroports de Paris) do Groupe ADP, que administra o Aeroporto de Paris-Orly e outros 26 aeroportos ao redor do mundo.
Geografia O Aeroporto de Paris-Charles de Gaulle cobre uma área de 32,38 quilômetros quadrados e estende-se por três departamentos e seis municípios: Departamento de Seine-et-Marne: municípios de Le Mesnil-Amelot (terminais satélites S3 e S4 e terminais 2E e 2F), Mauregard (terminais 1, 3) e Mitry-Mory (terminal 2G); Departamento de Seine-Saint-Denis: municípios de Tremblay-en-France (terminais 2A, 2B, 2C, 2D e Roissypôle); Departamento de Val-d'Oise: municípios de Roissy-en-France e Épiais-lès-Louvres; A escolha de construir um hub de aviação internacional fora do centro de Paris foi devida à perspectiva limitada de possíveis realocações ou desapropriações e ainda, à possibilidade de expandir o aeroporto futuramente.
O projeto e a história O planejamento e construção do que era então conhecido como Aéroport de Paris Nord (Aeroporto do Norte de Paris) começou em 1966. Observando o rápido crescimento do transporte aéreo de passageiros, o governo comprometeu-se, desde 1962, a identificar terrenos grandes o suficiente, fora da cidade, para poder acomodar um novo aeroporto nacional. Os aeroportos nacionais existentes eram o Aeroporto de Paris-Orly e o Aeroporto de Le Bourget, construídos no período da Primeira Guerra Mundial. As perspectivas para o tráfego nesse momento são de uma duplicação do volume a cada cinco anos, ou seja, doze milhões de passageiros entre 1975 e 1980.
Um decreto de 16 de junho de 1964 decidiu criar o aeroporto Paris Nord sobre uma grande superfície agrícola na região, a 23 quilômetros a nordeste de Paris. Essa área oferecia muitas vantagens: a previsão de eliminação de uma fazenda de tamanho reduzido, que permitiria aumentar a extensão quando a saturação fosse atingida. Um quinto da pista foi incorporado no esquema de Paris-CDG no final dos anos 1960. De 10 julho a 10 de agosto do mesmo ano realizou-se um inquérito público, que emitiu parecer favorável em 30 de outubro. O aeroporto ocuparia uma área de 2915 hectares.
O município de Roissy-en-France e outras cidades diretamente envolvidas tentaram em vão lutar contra a criação do aeroporto, que provocou, já no início, uma série de problemas com a chegada de equipamentos, que causaram danos significativos nas ruas de Roissy devido ao tráfego de caminhões, a formação de lamaçais, canos destruídos, entre outros. Os agricultores protestaram contra a construção do aeroporto, mas rapidamente entenderam que a obra seria inevitável e aceitaram negociar, visando a obtenção de compensações financeiras adequadas à compra de terras agrícolas em outros locais.
Em paralelo, uma grande polêmica desenvolveu-se no recém-criado departamento de Val-d'Oise, acerca dos impactos da construção do aeroporto - primeiramente, sobre as áreas a serem desapropriadas e, depois, sobre as perspectivas de progresso econômico da região. Durante três anos, de 1969 a 1972, persistiu o boato de que o projeto estava cheio de erros e teria que ser expandido. Isso levou o governo a estabelecer três zonas de planejamento urbano no departamento:
A: (cinco e dez mil habitantes) - proibida qualquer construção; B: (sessenta mil habitantes) - construção de edifícios utilitários; C: (Cento e oitenta mil habitantes) - áreas urbanas limitadas ao máximo;
Mesmo assim, a discussão alcançou dimensão nacional. A imprensa se dividiu entre os que eram a favor e os que eram contra a construção do aeroporto, sendo que, muitas vezes, a atitude com relação à obra era relacionada com a filiação partidária. A maior crítica ao Estado francês foi referente à falta de transparência e de informação sobre o projeto. Assim, no início dos anos 1970, a administração impôs limitações à realização de obras, visando a preservação do local, e afinal comprou o terreno do aeroporto. Em seguida, foi desmentido que a construção iria durar mais de 10 anos. O novo aeroporto foi finalmente inaugurado em 1974, após dez anos de trabalho.
Em 8 de março de 1974, o aeroporto, renomeado Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, entrou em operação.
O terminal 1 foi construído no estilo avant-garde de arquitetura: um grande edifício circular de dez andares rodeado por sete outros edifícios satélites, cada um com quatro portas. O principal arquiteto foi Paul Andreu, que também desenhou as extensões do aeroporto, nas décadas seguintes.
Os terrenos em que se encontra o aeroporto são propícios a coelhos, lebres e raposas, que podem ser vistos pelos passageiros em determinadas horas do dia. O aeroporto organiza periodicamente caças e capturas, como forma de controle da população de animais no local.
Após a introdução da marca Paris Aéroport em todos os seus aeroportos parisienses, o Groupe ADP também anunciou grandes mudanças para o Aeroporto Charles de Gaulle: os terminais do Satélite 1 seriam fundidos, assim como os terminais 2B e 2D. Um novo sistema de triagem automatizada de bagagem e transportador no Terminal 2E foi instalado para acelerar o tempo de entrega de bagagem para as companhias aéreas que operam o hub do aeroporto. O CDG Express, a ligação ferroviária direta de Paris ao aeroporto está prevista para ser concluída em 2023.
Em 2021, o aeroporto começou a melhorar e reparar suas estruturas, a pista de número 3, com 2.7 km, aberta nos anos 2000, seria reparada e a área de escape (EMAS) seria reforçada, além disso a taxiway 7 também seria melhorada. Pequenas modificações na estrutura do ILS e equipamento meteorológico também seriam realizadas, a pista também receberia iluminação em LED. O aeroporto ocupa atualmente 3,257 hectares.
Identidade corporativa O tipo de letra "Frutiger" foi imposto sobre as indicações para o aeroporto em 1975. Inicialmente chamada Roissy, foi reconhecida pelo seu projetista Adrian Frutiger. Até 2005, cada anúncio público no terminal era precedido por um selo distintivo apelidado "Roissy indicatif", composta por Bernard Parmegiani, em 1971. Esse selo sonoro pode ser ouvido numa cena do filme "Frantic", de Roman Polanski. Ele foi substituído por outro conhecido como "código ADP", a fim de adicionar um toque de magia ao aeroporto.
Em 26 de agosto de 1988, Mehran Karimi Nasseri encontrou-se detido no aeroporto Charles de Gaulle como imigrante em situação ilegal, ele afirmou que era um refugiado, mas que tinham roubado os seus documentos. Após anos de questões burocráticas, concluiu-se que Nasseri tinha entrado legalmente no aeroporto e não poderia ser expulso de suas dependências, mas, uma vez que ele não tinha documentos, não havia país para deportá-lo, deixando-o no limbo residencial. Nasseri continuou a viver dentro dos limites do aeroporto até 2006, embora as autoridades francesas tenham decidido que ele poderia sair se assim o desejasse. Esse fato foi a inspiração para o filme O Terminal (2004). Em julho de 2006, foi hospitalizado, e quando saiu no fim de janeiro de 2007, não retornou para o aeroporto. Passou inicialmente pelos cuidados da Cruz Vermelha Francesa e vive em abrigos desde 2008.
Escolha da localização Um folheto sobre o aeroporto de Paris, de março de 1964, intitulado «L'aéroport de Paris va entreprendre la construction d'un nouvel aéroport Paris-Nord» (em português: «Aeroporto de Paris começará a construção de um novo aeroporto Paris-Nord») explica que durante o estudo preliminar que começou em 1957, um inventário das plataformas prestou-se a construir um novo aeroporto, desenvolvido exclusivamente tendo em conta as condições de tipografia e habitação.
Para ajudar a travar a tendência de crescimento de Paris em direção a oeste, seria preferível optar pela localização ao Norte de Paris, a fim de preservar as vantagens do ponto de vista das vias terrestres e assim fazer uma cobertura equilibrada da área, por dois aeroportos situados simetricamente (um ao norte e outro ao sul). O local proposto para a construção estava situado a 23 km do centro de Paris. Consiste num platô povoado, inteiramente destinado à agricultura, à implantação de um aeroporto que abrange 3 000 hectares só é possível através da destruição dos edifícios nas áreas que a construção será regulamentada, onde terá superfície de oito mil hectares.
Terminais O aeroporto internacional Charles de Gaulle tem três terminais: O Terminal 1 é o mais antigo; O Terminal 2 foi construído para a Air France, mas agora hospeda outras companhias aéreas; O Terminal 3 hospeda charters e companhias de baixo custo;
Terminal 1 thumb|esquerda|Vista aérea do Terminal 1 O primeiro terminal, projetado por Paul Andreu, foi construído como uma espécie de polvo. É constituído por um núcleo circular em torno das quais se encontram os satélites que estão dispostos a acolher aviões.
Os passageiros entram no edifício de carro através de rampas que dão acesso aos vários pisos. O principal edifício tem seis andares. As boutiques, lojas e restaurantes estão localizados no segundo andar chamados de "Boutiques et services", as partidas (check-in e bagagens) estão no piso superior (terceiro piso) excepto para algumas companhias aéreas (Aer Lingus e Vueling, cujo registo é feito no segundo piso). As chegadas (recuperação de bagagem, as formalidades aduaneiras de importação) efectuam-se no quinto andar. O nível intermédio, ou seja, o quarto andar é dedicado às formalidades aduaneiras de exportação e permite acesso ao "satélite" que são os terminais de embarque, propriamente dito. O primeiro andar (o menor), é principalmente composto de lojas. Finalmente, no sexto andar e seguintes são parques de estacionamento (sétimo, oitavo e nono andar) ou pisos reservados para governos e companhias aéreas.
A transição entre o terceiro, quarto e quinto andar é feito através de escadas rolantes dispostas no centro do edifício. Estas escadas passam acima de um pátio e portanto não são cobertas. Cada escada rolante é coberta por um tubo transparente para o isolamento entre o interior e o exterior do edifício. Estas esteiras têm sido usadas em filmes, como em Le Dernier Gang, do diretor Ariel Zeitoun.
O quarto andar dá acesso a sete satélites. Estes satélites são acessíveis através de um longo túnel, no final do qual há dez portões. Cada um desses túneis é um "tentáculo do polvo".
O desenho original do edifício não permite uma grande área de trânsito. Não há uma grande sala no interior do edifício, ao contrário de outros modelos de aeroportos mais convencionais, tornando as suas operações mais complicadas quando há voos. Acrescentando que muitos visitantes têm sido confundidos e decepcionados porque não podiam ver os aviões. O trabalho está em curso para alcançar cerca de 12 milhões de passageiros por ano.
Terminal 2 Também projetado por Paul Andreu, o segundo terminal foi inaugurado em 1982 (terminal 2A e 2B) e adotaram a filosofia de modular os terminais. A construção da terminal 2D (1989), 2C (1993) e da primeira península 2F (1999), que acompanha o desenvolvimento da sua principal operadora, a Air France.