A Hughes Aircraft Company foi uma empresa estadunidense dos setores aeroespacial e de defesa, fundada em 14 de fevereiro de 1934 por Howard Hughes, em Glendale, Califórnia, como uma divisão da Hughes Tool Company. A empresa produziu a aeronave Hughes H-4 Hercules, a sonda de entrada atmosférica transportada pela espaçonave Galileo e o míssil guiado AIM-4 Falcon.

A Hughes Aircraft foi criada para construir o Hughes H-1 Racer, aeronave com a qual Hughes pretendia estabelecer um recorde mundial de velocidade. Mais tarde, a empresa modificou outras aeronaves usadas por ele em voos recordistas transcontinentais e de circunavegação. Em 1940, transferiu-se para Culver City e começou a fabricar peças para aeronaves como subcontratada. Durante a Segunda Guerra Mundial, Hughes tentou transformá-la em uma grande fabricante de aeronaves militares. Os primeiros projetos militares, porém, terminaram em fracasso. Milhões de dólares de recursos do governo dos Estados Unidos foram gastos na produção de apenas alguns protótipos, levando a uma investigação do Senado dos Estados Unidos sobre possíveis problemas de gestão. As forças armadas estadunidenses passaram a hesitar em conceder novos contratos de aeronaves à Hughes Aircraft. No fim da década de 1940, uma nova administração voltou-se para contratos de sistemas de controle de disparo e mísseis guiados, então tecnologias recentes. A empresa tornou-se muito lucrativa e passou a ocupar uma posição de liderança nesses segmentos.

Em 1953, numa operação contábil destinada a reduzir suas obrigações de imposto de renda, Howard Hughes doou a maior parte das ações e dos ativos da Hughes Aircraft ao Instituto Médico Howard Hughes (HHMI), entidade beneficente que ele próprio havia criado, e deixou de administrar diretamente a empresa. Hughes manteve sob seu controle pessoal um pequeno grupo de engenheiros, organizado como Aircraft Division da Hughes Tool Company. A divisão funcionou inicialmente no mesmo complexo de Culver City que a Hughes Aircraft, embora tivesse administração e propriedade separadas. Mais tarde, tornou-se totalmente independente da Hughes Aircraft e recebeu o nome de Hughes Helicopters. Depois da morte de Hughes, em 1976, a General Motors adquiriu a Hughes Aircraft do HHMI em 1985. A empresa ficou sob a Hughes Electronics, que passou a usar o nome DirecTV em 1994, até que a GM vendeu seus ativos à Raytheon em 1997.

História miniatura|250px|Logotipo da Hughes adotado depois da morte de seu fundador miniatura|direita|Hughes H-1 Racer miniatura|direita|Hughes H-4 Hercules miniatura|Sonda Galileo da Hughes sendo liberada miniatura|Módulo lunar Surveyor da NASA, construído pela Hughes miniatura|A Hughes desenvolveu o AIM-120 AMRAAM, um avançado míssil ar-ar

Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa projetou e construiu protótipos de aeronaves no Hughes Airport. Entre eles estavam o Hughes H-4 Hercules, mais conhecido pelo apelido Spruce Goose, o Hughes H-1 Racer, o Hughes D-2 e o Hughes XF-11. Os hangares da fábrica no Hughes Airport, na área onde fica Playa Vista, na zona oeste de Los Angeles, eram usados principalmente como uma unidade auxiliar para a construção de projetos de outras empresas. No início da guerra, a Hughes Aircraft tinha apenas quatro funcionários em tempo integral. Ao fim do conflito, empregava 80.000 pessoas. A empresa recebeu durante a guerra contratos para fabricar montantes para o B-25, canhões centrífugos e calhas de alimentação de metralhadoras.

Depois da Segunda Guerra Mundial A Hughes Aircraft estava entre as empresas dos setores aeroespacial e de defesa que cresceram no sul da Califórnia durante e depois da Segunda Guerra Mundial, chegando em certo momento a ser a maior empregadora da região. O número de funcionários, contudo, caiu para 800 em 1947. No verão daquele ano, políticos passaram a questionar a gestão de Hughes nos projetos do Spruce Goose e do avião de reconhecimento fotográfico Hughes XF-11. Um comitê especial foi criado para investigar Hughes, culminando em uma investigação do Senado que recebeu grande atenção pública e esteve entre as primeiras transmitidas pela televisão. Embora o relatório do comitê tenha sido bastante crítico, a investigação terminou sem responsabilizá-lo.

A empresa expandiu-se então para o setor de eletrônica, que estava em crescimento, e chegou a empregar 3.300 pessoas com doutorado. Hughes contratou Ira Eaker, Harold L. George e Tex Thornton para administrar a companhia. Em 1953, a Hughes Aircraft tinha 17.000 empregados e US$ 600 milhões em contratos governamentais.

Em 1948, Hughes criou uma nova divisão, o Aerospace Group. Dois engenheiros da empresa, Simon Ramo e Dean Wooldridge, desenvolveram novas formas de organizar componentes eletrônicos para formar sistemas completos de controle de disparo. O sistema MA-1 combinava sinais do radar da aeronave com um computador digital para conduzir automaticamente o avião interceptador até a posição correta para disparar seus mísseis. Outras equipes trabalhavam ao mesmo tempo com a recém-criada Força Aérea dos Estados Unidos no desenvolvimento de mísseis ar-ar, entre eles o AIM-4 Falcon, então chamado F-98. O conjunto MA-1/Falcon, com sucessivas atualizações, permaneceu por muitos anos como o principal sistema de armas dos interceptadores da Força Aérea, chegando à década de 1980. Sem chegar a um acordo com Howard Hughes sobre problemas administrativos, Ramo e Wooldridge deixaram a empresa em setembro de 1953 e fundaram a Ramo-Wooldridge Corporation. Mais tarde, a empresa juntou-se à Thompson Products para formar a Thompson-Ramo-Wooldridge, com sede em Canoga Park. Hughes alugou espaço ali para programas de física nuclear, na área que corresponde a West Hills. A empresa passou a se chamar TRW em 1965 e tornou-se uma concorrente da Hughes Aircraft no setor aeroespacial.

Em 1951, a Hughes Aircraft construiu uma fábrica de mísseis em Tucson, Arizona, porque Howard Hughes temia que a unidade de Culver City pudesse ser atacada. No fim daquele ano, a Força Aérea dos Estados Unidos comprou a propriedade e contratou a Hughes, e mais tarde a Raytheon, para operar o local como Air Force Plant 44.

Em 1953, Howard Hughes doou a Hughes Aircraft ao recém-formado Instituto Médico Howard Hughes (HHMI), numa operação que teria também a finalidade de evitar impostos sobre a elevada renda da empresa. No ano seguinte, Lawrence A. "Pat" Hyland foi contratado como vice-presidente e gerente-geral da Hughes Aircraft. Depois da morte de Howard Hughes, em 1976, Hyland chegou à presidência e à direção executiva da empresa.

Sob a direção de Hyland, o Aerospace Group ampliou suas atividades, tornou-se muito lucrativo e passou a concentrar grande parte do trabalho da empresa. Desenvolveu sistemas de radar, sistemas eletro-ópticos, o primeiro laser funcional, computadores para aeronaves, sistemas de mísseis e motores de propulsão iônica para viagem espacial. O Electronic Properties Information Center (EPIC) dos Estados Unidos funcionava na biblioteca da Hughes em Culver City na década de 1970. O EPIC publicou em documentos de acesso público os vários volumes do Handbook of Electronic Materials.

Os laureados com o Prêmio Nobel Richard Feynman e Murray Gell-Mann tiveram vínculos com a Hughes. Feynman ministrava seminários regulares no Hughes Research Laboratories. Gell-Mann dividiu um escritório com Malcolm R. Currie, que mais tarde presidiu o conselho de administração e ocupou o cargo de diretor executivo da Hughes Aircraft. Gregory Jarvis e Ronald McNair, dois dos astronautas do último voo do ônibus espacial Challenger, a missão STS-51-L, também haviam trabalhado na Hughes.

Ground Systems Group O Ground Systems Group da Hughes Aircraft ficava em Fullerton, Califórnia. O complexo tinha cerca de 279.000 m² e reunia áreas de fabricação, laboratórios, escritórios e uma pista de testes rodoviários conhecida como Munson. O grupo projetava, desenvolvia e produzia sistemas de defesa aérea. Entre eles estavam os sistemas que substituíram o Semi-Automatic Ground Environment (SAGE) nos Estados Unidos pelo Joint Surveillance System (JSS) AN/FYQ-93, usado na estrutura do NORAD e integrado ao Joint Tactical Information Distribution System (JTIDS). A divisão também fornecia sistemas de defesa e de controle de tráfego aéreo para outros países. No auge, o Ground Systems Group empregava cerca de 15.000 pessoas e tinha receita anual superior a US$ 1 bilhão.

Entre os subsistemas produzidos pelo Ground Systems Group estavam o computador H5118, os consoles HMD-22 e HMD-44, grandes telas de cristal líquido e software desenvolvido a partir de métodos de ciência e engenharia que começaram com o sistema Combat Grande. Esses métodos passaram a orientar o processo de desenvolvimento de software na organização. O grupo trabalhou ainda com computadores, telas, redes locais, interfaces homem-máquina e software usados em sistemas altamente distribuídos que exigiam intensa interação humana.

Hughes Space and Communications Group

Em 1963, o Hughes Space and Communications Group e a Hughes Space Systems Division construíram o Syncom, primeiro satélite de comunicação geossíncrono do mundo. Em 1966, construíram o ATS-1, primeiro satélite meteorológico geossíncrono. Mais tarde naquele ano, o Surveyor 1 realizou o primeiro pouso suave na Lua dentro dos preparativos para os pousos tripulados do Programa Apollo. A Hughes também construiu as sondas Pioneer Venus, lançadas em 1978 e usadas no primeiro mapeamento extenso de Vênus por radar, e a sonda Galileo, que viajou até Júpiter na década de 1990. Em 2000, a empresa havia construído quase 40% dos satélites comerciais em operação no mundo.

Negócio de helicópteros

Em 1947, Howard Hughes redirecionou o trabalho da Hughes Aircraft, afastando-o dos aviões e aproximando-o dos helicópteros. O projeto ganhou força em 1948, quando a fabricante Kellett Aircraft Co. vendeu à Hughes seu projeto mais recente para que fosse produzido. O XH-17 "Flying Crane" voou pela primeira vez em outubro de 1952, mas não teve sucesso comercial. Em 1955, Howard Hughes separou a unidade de produção de helicópteros da Hughes Aircraft Company e a reorganizou dentro da Hughes Tool Company sob o nome Aircraft Division. A divisão concentrou-se em helicópteros leves, principalmente o Hughes 269/300 e o OH-6 Cayuse/Hughes 500.

Venda da Hughes Aircraft pelo Instituto Médico Howard Hughes Hughes não deixou testamento quando morreu em 1976, e surgiram muitas reivindicações sobre seu espólio. Um executivo e um advogado ligados a Hughes afirmaram ter o direito de criar um "comitê executivo" para assumir a administração do HHMI e de sua subsidiária Hughes Aircraft. O procurador-geral de Delaware, Richard R. Wier Jr., contestou a iniciativa e entrou com uma ação judicial em 1978. Charles M. Oberly prosseguiu com a ação depois de assumir o cargo de procurador-geral em 1983. Oberly queria que um conselho independente de curadores garantisse que o instituto cumprisse sua finalidade beneficente e não continuasse funcionando como abrigo fiscal.Ted Griffith, "Delaware shaped legacy of 'Aviator'; Court helped Howard Hughes tax shelter become leading charity", The News Journal, p. 1, 12 de fevereiro de 2005.

Em janeiro de 1984, o juiz Grover C. Brown decidiu que o Tribunal de Chancelaria de Delaware deveria nomear os curadores porque Hughes não havia deixado um plano de sucessão. Brown pediu ao comitê executivo e ao gabinete do procurador-geral que apresentassem listas de candidatos para sua aprovação. A lista foi aprovada em abril de 1984. Em janeiro de 1985, o novo conselho de curadores do HHMI anunciou que venderia a Hughes Aircraft por meio de uma operação privada ou de uma oferta pública de ações.Gillot, Roger. "Medical Institute to Sell Hughes Aircraft". Associated Press, 10 de janeiro de 1985.

Hughes Electronics Corporation

miniatura|Logotipo da Hughes Electronics