O cartel Phoebus foi um cartel internacional que controlou a fabricação e a venda de lâmpadas incandescentes em grande parte da Europa e da América do Norte entre 1925 e 1939. O cartel assumiu o controle de mercados regionais e reduziu a vida útil dessas lâmpadas, uma medida frequentemente citada como exemplo de obsolescência programada.

Empresas sediadas na Europa e nos Estados Unidos, entre elas Tungsram, Osram, General Electric, Associated Electrical Industries e Philips, Resumo, arquivado em 13 de abril de 2014 a partir do original. constituíram o cartel em 15 de janeiro de 1925, em Genebra,Feuille officielle suisse du commerce, Berna, 7 de fevereiro de 1925, p. 216. sob o nome , em francês, "Phoebus S.A., Companhia Industrial para o Desenvolvimento da Iluminação". O grupo pretendia manter o cartel por trinta anos, de 1925 a 1955, mas encerrou suas atividades em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial.

Após a dissolução do cartel, as lâmpadas incandescentes de uso doméstico continuaram a ser vendidas com a vida útil de cerca de 1.000 horas que ele havia padronizado.

História Osram, Philips, Tungsram, Tokyo Electric, Associated Electrical Industries, ELIN, Compagnie des Lampes, International General Electric e GE Overseas Group criaram e integraram o cartel Phoebus. Cada empresa detinha ações da companhia suíça em proporção às suas vendas de lâmpadas.

miniaturadaimagem|Estrutura do cartel

A Osram fundou uma organização precursora em 1921, a Internationale Glühlampen Preisvereinigung. Quando a Philips e outros fabricantes entraram no mercado dos Estados Unidos, a General Electric reagiu com a criação da "International General Electric Company", em Paris. As duas organizações coordenavam a negociação de patentes e a entrada em novos mercados. O aumento da concorrência internacional levou as maiores empresas do setor a negociar formas de controlar e limitar suas atividades para evitar que uma interferisse nos mercados das outras.

O acordo do cartel Phoebus deveria vigorar até 1955, mas foi anulado em 1940, depois que a Segunda Guerra Mundial tornou impossível a coordenação entre seus membros.

Objetivos O cartel reduziu os custos operacionais e procurou padronizar a vida útil das lâmpadas em 1.000 horas, ante as 2.500 horas anteriores, enquanto aumentava os preços sem receio da concorrência. A redução da vida útil foi citada como exemplo de obsolescência programada. Autoridades reguladoras do Reino Unido e alguns engenheiros independentes apontaram vantagens nas lâmpadas de menor duração, que podem produzir mais luz com a mesma potência elétrica. Entrevista com Eino Tetri, pesquisador e doutor em ciências, responsável pelo Grupo de Fontes de Luz e Energia da Universidade Aalto. As comunicações internas de dirigentes do cartel e as conclusões posteriores de um tribunal dos Estados Unidos dão a entender, porém, que o motivo direto para a mudança era aumentar os lucros, obrigando os consumidores a comprar lâmpadas com maior frequência.

O cartel testava as lâmpadas e multava os fabricantes cujos produtos durassem mais de 1.000 horas. Uma tabela de 1929 fixava os valores das multas em francos suíços, conforme a quantidade de horas que excedesse esse limite. Anton Philips, dirigente da Philips, disse a outro executivo do cartel: "Depois dos enormes esforços que fizemos para sair de um período de lâmpadas de longa duração, é essencial que não afundemos novamente no mesmo atoleiro por não prestarmos atenção às tensões elétricas e fornecermos lâmpadas com uma vida útil muito prolongada".

Em 1949, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Nova Jérsei decidiu que a General Electric havia infringido a Lei Sherman Antitruste, em parte por sua participação no cartel Phoebus. Na decisão, o tribunal reconheceu que "é preciso lembrar que a vida útil de uma lâmpada é inseparável da intensidade de sua luz". Ainda assim, concluiu que a posição dominante da General Electric no setor e a falta de concorrência lhe davam poder para determinar a vida útil das lâmpadas de toda a indústria, e que o lucro era seu principal critério ao fixar essa duração. Esse foi um dos fatores que levaram o tribunal a concluir que a empresa havia infringido a lei.

Em 1951, a Comissão de Monopólios e Práticas Restritivas do Reino Unido apresentou ao Parlamento um relatório que contestava a ideia de que o cartel Phoebus tivesse adotado a obsolescência programada. O relatório afirmava que "não pode haver uma vida útil [das lâmpadas] absolutamente ideal para as muitas circunstâncias em que se encontram os consumidores de um país, de modo que qualquer duração padronizada deve ser sempre um ponto de equilíbrio entre fatores conflitantes". Os representantes dos fabricantes de lâmpadas "disseram-nos, em seus depoimentos, que consideram as 1.000 horas o melhor equilíbrio possível no momento, e nenhuma prova em contrário nos foi apresentada". A comissão concluiu que a alegação de obsolescência programada deveria ser "rejeitada como equivocada".

Na cultura popular Em O Arco-Íris da Gravidade, de 1973, Thomas Pynchon escreveu sobre "Byron, a Lâmpada", uma lâmpada eterna e antropomórfica que luta contra o cartel Phoebus. O romance de Pynchon ajudou a tornar o cartel conhecido do público.

Ver também

Lâmpada Centenária, lâmpada incandescente cuja longa duração é discutida em relação à obsolescência programada Comprar, tirar, comprar, documentário sobre a obsolescência programada Direito da concorrência, ramo do direito que trata dos cartéis e de outras restrições à concorrência O Homem do Terno Branco, filme de 1951 sobre a reação da indústria à invenção de um tecido indestrutível

Bibliografia complementar

Ligações externas Patrick Gaughen, "Structural Inefficiency in the Early Twentieth Century: Studies in the Aluminum and Incandescent Lamp Markets", Social Science 610, dezembro de 1998, 36 páginas. Comissão de Monopólios do Reino Unido, "Report on the Supply of Electric Lamps", His Majesty's Stationery Office, Londres, outubro de 1951, v + 199 páginas. Markus Krajewski, "The Great Lightbulb Conspiracy", IEEE Spectrum, setembro de 2014. Cosima Dannoritzer, "The Light Bulb Conspiracy - Extended Video Version", New World News Network, 8 de agosto de 2016. Podcast Planet Money, "Episode 902: The Phoebus Cartel", NPR, 27 de março de 2019.

Categoria:Lâmpadas Categoria:Organizações econômicas internacionais Categoria:Organizações sediadas em Genebra Categoria:Organizações fundadas em 1925 Categoria:Organizações extintas em 1939