Slate é uma revista eletrônica estadunidense que cobre assuntos da atualidade, política e cultura nos Estados Unidos. Foi criada em 1996 por Michael Kinsley com o apoio da Microsoft. Em 2004, foi comprada pela The Washington Post Company, posteriormente renomeada Graham Holdings Company, e desde 2008 é administrada pelo The Slate Group, uma entidade de publicação on-line criada pela Graham Holdings. A Slate tem sede em Nova Iorque, com um escritório adicional em Washington, D.C..
Em 2025, a revista era sustentada por publicidade e também mantinha um programa de membros com acesso pago medido. É conhecida, e por vezes criticada, por adotar posições contrárias às opiniões predominantes, o que deu origem ao termo "Slate pitches". Sua linha editorial é geralmente liberal.
História
Origem A Slate foi fundada em 24 de junho de 1996 por Michael Kinsley, sob a propriedade da Microsoft. Kinsley escreveu que um dos objetivos do site era provar que "as economias do ciberespaço tornam mais fácil que nosso tipo de jornalismo se pague". A publicação foi considerada uma das pioneiras do jornalismo digital e popularizou recursos como hiperligações e a comunicação entre autores e leitores. O site recebia grande volume de tráfego da rede MSN por meio de sua relação com a Microsoft. Em 1998, a Slate introduziu um modelo de negócios baseado em acesso pago que chegou a atrair 20 mil assinantes, mas acabou sendo abandonado. A publicação registrou um trimestre lucrativo em 2003 e atingiu o equilíbrio financeiro em 2004, com receita de US$ 6 milhões e seis milhões de leitores mensais.
Propriedade da Graham Holdings Em 2004, a revista foi comprada pela The Washington Post Company. Um acordo firmado na compra determinava que o site MSN continuaria redirecionando usuários para a Slate. Em 2007, a revista lançou o Slate V, um site de revista de vídeos on-line. Mais tarde, em 2008, a The Washington Post Company lançou o The Slate Group, uma entidade de publicação on-line, para administrar a Slate e outras revistas on-line. No mesmo ano, a Slate lançou o The Root, um site de notícias voltado ao público afro-americano, e o The Big Money, um site de notícias de negócios.
Em 2011, a Slate trocou seu sistema de gerenciamento de conteúdo Gutenberg pelo Adobe CQ5. No mesmo ano, a revista demitiu vários jornalistas de destaque, entre eles o cofundador Jack Shafer e Timothy Noah, autor da coluna Chatterbox. Na época, tinha cerca de 40 funcionários editoriais em tempo integral.
Em 2012, o então editor David Plotz falou no South by Southwest sobre os esforços da Slate na produção de jornalismo de formato longo. Plotz discutiu o compromisso de fazer com que todos os editores dedicassem de quatro a seis semanas por ano a um projeto, apelidado de projeto "Fresca", em vez de trabalhar na produção de notícias. A Slate também lançou a Slate Book Review, uma seção mensal de livros editada por Dan Kois, e uma equipe dedicada à venda de publicidade.
Em 2013, a revista passou por uma reformulação visual sob a orientação da diretora de design Vivian Selbo. Depois que a The Washington Post Company vendeu o The Washington Post a Jeff Bezos em 2013, a empresa controladora da Slate foi renomeada Graham Holdings, que continuou sendo proprietária da revista.
Em 2014, estimava-se que o site tivesse 30 milhões de visitantes mensais. No mesmo ano, a Slate introduziu um sistema de acesso pago chamado "Slate Plus", que oferecia podcasts sem anúncios e materiais extras. Um ano depois, o serviço havia atraído 9 mil assinantes, gerando cerca de US$ 500 mil em receita anual. Em setembro de 2014, a Slate tornou-se lucrativa, depois de anos anteriores marcados por demissões e queda na receita publicitária. Em junho de 2015, a revista passou então a colocar todo o conteúdo atrás de um acesso pago medido para leitores internacionais, atribuindo a mudança ao fato de os anunciantes visarem o público doméstico.
Em 2018, integrantes da equipe da Slate filiaram-se ao Writers Guild of America, East. Depois que os membros do sindicato autorizaram uma greve, a Slate concordou, em janeiro de 2019, com uma convenção coletiva de trabalho de três anos.
Em 2021, Mike Pesca, apresentador do podcast The Gist, foi suspenso da Slate após uma discussão no Slack sobre Donald G. McNeil Jr. e o uso de um insulto racial, e posteriormente deixou a publicação, levando seu podcast para uma plataforma independente.
Em 16 de setembro de 2025, a Slate entrou com uma ação judicial contra o Google por supostas violações da legislação antitruste.
slate.fr Em fevereiro de 2009, foi lançado o slate.fr, uma versão da Slate em língua francesa. Seus cinco fundadores foram os editores do Le Monde Jean-Marie Colombani e Éric Leser, o editor do Libération e do 20 minutes Johan Hufnagel, o editor do Les Échos Éric Le Boucher e o assessor político Jacques Attali. Os fundadores detinham 50% da editora, enquanto a The Washington Post Company detinha 15%. Em 2011, o slate.fr criou um site separado dedicado a notícias africanas, o Slate Afrique, com uma equipe editorial sediada em Paris.
Conteúdo
Reputação por argumentos contraintuitivos ("Slate pitches") Desde 2006, a Slate é conhecida por publicar textos que defendem posições contrárias a opiniões amplamente aceitas sobre determinado assunto, o que deu origem à hashtag #slatepitches no Twitter em 2009. A Columbia Journalism Review definiu as Slate pitches como "uma ideia que parece errada ou contraintuitiva, apresentada como se fosse a lógica mais sólida já formulada". Em 2014, a então editora-chefe da Slate, Julia Turner, reconheceu que a reputação de publicar argumentos contraintuitivos fazia parte da marca "distintiva" da Slate, mas afirmou que a hashtag representava de forma equivocada o jornalismo do site.
Em 2019, editores da Slate, entre eles David Plotz, disseram que a Slate pitch havia se tornado mais difícil por causa da política polarizada da administração Trump. Em 2022, o The New York Times informou que funcionários anônimos da Slate consideravam que a reputação da publicação por posições contrárias às opiniões predominantes havia diminuído ao longo dos anos. O ex-redator da Slate Matthew Yglesias concordou com esse relato, afirmando que a indústria jornalística havia se tornado homogênea nos últimos tempos.
Podcasts A Nieman Foundation for Journalism descreveu a participação da Slate em podcasts como existente "quase desde o início" do meio. Seu primeiro podcast, Political Gabfest, foi lançado em 2005 e inspirado pelas teleconferências editoriais da Slate. Os podcasts da Slate tornaram-se mais longos ao longo dos anos. O Gabfest original tinha 15 minutos; em 2012, a maioria durava cerca de 45 minutos. Naquele ano, foi relatado que os podcasts da Slate tinham as maiores taxas de publicidade e de venda de inventário publicitário entre seus conteúdos em razão do elevado engajamento dos usuários.
Em junho de 2012, a Slate havia ampliado sua programação para 19 podcasts, sendo Political Gabfest e Culture Gabfest os mais populares. Esse número havia caído para 14 em fevereiro de 2015, e o conjunto recebia seis milhões de downloads por mês. Em 2018, a publicação oferecia uma programação de 25 podcasts.
Amicus Audio Book Club Culture Gabfest Decoder Ring – com Willa Paskin Hang Up and Listen – esportes Hit Parade – música pop e as paradas da Billboard Lexicon Valley – questões de linguagem Manners for the Digital Age Money Negotiation Academy One Year – discussão de acontecimentos de determinado ano Political Gabfest Spoiler Specials – discussão de filmes Studio 360 – cultura popular e artes, em parceria com a Public Radio International The Gist Thirst Aid Kit Trumpcast Slow Burn What's next
Seções recorrentes
Assessment Books Dear Prudence Dispatches Drink Food Foreigners Gaming Science Denial Shopping The Good Word (língua) The Movie Club The TV Club Slatest (agregador de notícias)
Recepção A Nieman Foundation for Journalism considerou a publicação "a revista viva mais antiga da web". Em 2004, o The New York Times avaliou que a publicação produzia "jornalismo bem conceituado". Em 2010, a Columbia Journalism Review elogiou os elevados padrões editoriais da Slate e seu uso de conteúdo interativo e multimídia, que descreveu como "consistentemente inovador e, muitas vezes, um grande sucesso entre os leitores". Em 2019, o The New York Times escreveu que a Slate era conhecida por "análises contraintuitivas e seus muitos podcasts". Em 2022, Katie Robertson, do The New York Times, observou que a Slate era conhecida por sua "análise inteligente, debate interessante e talento jornalístico de primeira linha".
Prêmios e reconhecimentos Em 2003, a Slate ganhou o National Magazine Award (NMA) de Excelência Geral. A Slate também recebeu quatro indicações ao National Magazine Award digital em 2011 e ganhou o NMA de Excelência Geral. Entre 2009 e 2014, a Slate foi indicada ao NMA 14 vezes, vencendo o prêmio duas vezes. A Slate recebeu um NMA de excelência geral em 2016. O investimento da Slate em podcasts levou a alguns prêmios, inclusive para Slow Burn e Political Gabfest.
National Magazine Awards Ano Categoria Artigo(s) Autor(es) Ref. 2003 Excelência geral, mídia digital N/A N/A 2011 Excelência geral, mídia digital N/A N/A 2013 Colunas e comentários "It's Not About the Law, Stupid", "The Supreme Court's Dark Vision of Freedom", "Where Is The Liberal Outrage?" Dahlia Lithwick 2016 Podcasts Slow Burn: "Deal or No Deal", "Tell-All", "Move On" N/A
Controvérsias
"Monkeyfishing" Em 7 de junho de 2001, a Slate publicou um artigo de Jay Forman sobre uma suposta prática de pescadores de uma ilha em Florida Keys de pescar macacos-rhesus. O The Wall Street Journal e o The New York Times concluíram, após investigação, que a alegação era uma fraude. Mais tarde, Forman admitiu a seu editor, Jack Shafer, que havia inventado a história.
Equipe Michael Kinsley foi o fundador da Slate e exerceu o cargo de seu primeiro editor-chefe de 1996 a 2002. Foi sucedido por Jacob Weisberg, que ocupou o cargo de 2002 a 2008. Em seguida, David Plotz tornou-se editor e permaneceu na função até julho de 2014, quando foi substituído por Julia Turner. Depois que Turner deixou o cargo em 2019 para ingressar no Los Angeles Times, Jared Hohlt tornou-se editor em 1 de abril de 2019.
Hillary Frey, ex-editora do HuffPost, foi nomeada nova editora-chefe da revista em maio de 2022.
Principais executivos Hillary Frey (editora-chefe) Dan Check (diretor-executivo)
Colaboradores e seções de destaque
Anne Applebaum (Foreigners) John Dickerson (Politics) Simon Doonan (Fashion) Stefan Fatsis (Hang Up and Listen) Ashley Feinberg (Politics) Daniel Gross (The Juice) David Greenberg (History Lesson) Margo Howard (Dear Prudence, 1998–2006) Fred Kaplan (War Stories) Juliet Lapidos (Books / Explainer / Brow Beat) Dahlia Lithwick (Jurisprudence) Michael Moran (Reckoning / Foreign Policy) Timothy Noah (The Customer) Meghan O'Rourke (The Highbrow/Grieving) Daniel M. Lavery (Dear Prudence, 2015–2021) Robert Pinsky (editor de poesia) Phil Plait (Bad Astronomy / Science) Ron Rosenbaum (Spectator) William Saletan (Human Nature) Jack Shafer (Press Box) Eliot Spitzer (The Best Policy) Herbert Stein (Dear Prudence, 1997–1998) Mike Steinberger (Drink) Dana Stevens (Surfergirl até 2005/Movies) James Surowiecki (The Book Club) Leon Neyfakh (Podcast) Tom Vanderbilt (Transport) Jacob Weisberg (The Big Idea) Tim Wu (Technology/Jurisprudence) Emily Yoffe (Dear Prudence, 2006–2015; Human Guinea Pig) Reihan Salam (Politics) Laura Miller (Books and Culture) Carl Wilson (Music)
Ex-colaboradores
Emily Bazelon Jamelle Bouie Pete Buttigieg Paul Boutin Ian Bremmer Phil Carter David Edelstein Franklin Foer Sasha Frere-Jones Atul Gawande Austan Goolsbee David Greenberg Robert Lane Greene Virginia Heffernan David Helvarg Christopher Hitchens Ken Jennings Jodi Kantor