Mary (c. 1894 – 13 de setembro de 1916), também conhecida como "Mary Assassina", foi uma fêmea de elefante asiático de cerca de cinco toneladas que atuava no circo Sparks World Famous Shows.
Mary Mary integrava as atrações do circo Sparks World Famous Shows, dirigido por Charlie Sparks. Apresentada como "o maior animal terrestre vivo", supostamente maior até mesmo que Jumbo, o famoso elefante de P.T. Barnum. Pesando cinco toneladas, e com cerca de 30 anos de idade, era uma das principais atrações do circo, destacando-se por suas habilidades impressionantes: era capaz de tocar 25 músicas em cornetas sem errar uma nota, e fazia uma notável participação em um número de beisebol, em que sua média de rebatidas era de .400.
A fêmea de elefante era cercada de rumores e exageros. Comentava-se que Mary valia 20 mil dólares, e que já teria matado entre dois e dezoito homens, embora essas alegações fossem incertas. Apesar disso, ela era considerada a favorita de Charlie Sparks, bem como sua principal fonte de renda e símbolo de prestígio de seu circo. Como líder do pequeno grupo de elefantes, Mary era vista como uma atração exótica, imprevisível e capaz de atrair multidões.
A morte de Red Eldridge Em 11 de setembro de 1916, após a partida repentina do treinador regular de Mary, o Sparks World Famous Shows contratou um andarilho chamado Walter "Red" Eldridge em St. Paul, Virgínia, para trabalhar com os elefantes do circo como treinador de animais. Eldridge havia trabalhado no Riverside Hotel de St. Paul, como zelador e mensageiro, mas não possuía nenhuma experiência prévia com elefantes, e ignorava completamente quaisquer detalhes quanto ao manuseio e cuidados com estes animais.
No dia seguinte, a apresentação da manhã realizada em Kingsport, no Tennessee, correu muito bem, atraindo uma grande e entusiasmada multidão. Após o espetáculo, os elefantes e outros animais foram levados a uma lagoa localizada próxima ao circo, para que pudessem se refrescar, beber água e brincar, antes da realização da apresentação daquela noite. Eldridge, sentado às costas de Mary, conduzia-a e aos outros elefantes, quando uma casca de melancia despertou a atenção da elefanta, que se desviou na tentativa de comê-la. Tratadores profissionais saberiam o quanto elefantes adoram frutas, porém, Eldridge, inexperiente, usou um gancho afiado que carregava em suas mãos e cutucou Mary com força, em uma tentativa de fazê-la continuar andando.
Em reação, Mary envolveu Eldridge com sua tromba, arrancou-o de suas costas e o arremessou com violência contra uma barraca de madeira. Em seguida, aproximou-se do corpo inerte do homem, erguendo um dos pés e esmagando sua cabeça. O ferreiro da cidade, Hench Cox, correu para fora de seu estabelecimento e atirou em Mary cinco vezes, sem sucesso, com uma pequena arma. Outros relatos atestam que outra pessoa atirou nela, utilizando uma arma .45, conseguindo arrancar-lhe pequenos pedaços de carne, mas sem ferir gravemente o animal. O jornal Johnson City Staff informou que "Mary colidira a sua tromba com força contra o corpo de Eldridge, elevando-o a uma altura de cerca de 3 metros no ar, e então estilhaçou-o com fúria contra o chão… e com toda sua força". Comentou-se, também, que Mary teria perfurado o corpo do homem com suas presas, dilacerando-o, e que, terminada a chacina, "repentinamente balançou o corpo sem vida com seus enormes pés, arremessando-o, em seguida, contra a multidão".
Os demais tratadores conseguiram levar Mary e os outros elefantes, extremamente agitados, de volta ao circo. Charlie Sparks, proprietário do Sparks World Famous Shows, que havia galopado até a cena da morte de Eldridge, ouviu a multidão que se formou, gritando: "Vamos matar o elefante! Vamos matá-lo!"
Execução Os detalhes e motivos são imprecisos, com certo sensacionalismo folclórico do noticiário e testemunhos de pessoas que presenciaram a cena. Alguns citaram que ela calmamente agarrara Eldridge e o transportara para próximo dos espectadores que começaram com um coro de Kill the elephant! (Mate a elefanta). Dentro de alguns minutos, o ferreiro local tentou matar Mary com cinco tiros, mas que pouco efeito tiveram. Entretanto, os líderes de diversos locais vizinhos e próximos do local ameaçaram não permitir que o circo fosse armado nessas localidades com a presença de Mary. Nos dias seguintes, num dia nublado e chuvoso de 13 de setembro de 1916, ela foi transportada em sua jaula para Erwin no Tennessee, onde cerca de 2 500 pessoas juntaram-se nas proximidades da linha de trem de Clinchfield.
A elefanta foi erguida pelo pescoço com uma corrente metálica alçada por um guindaste montado num vagão. A primeira tentativa resultou numa corrente trincada, causando um grande tombo, onde Mary caiu com a bacia quebrada próximo a dezena de crianças, colocando-as em terror. A grande elefanta ferida veio a ser morta na segunda tentativa, na qual foi enforcada próxima aos trilhos. Apesar da contestação da autenticidade da fotografia (com pesados retoques) que foi distribuída pelas localidades, anos depois sua autoria foi exigida pela revista Argosy, e outras fotografias foram tiradas durante o incidente confirmando sua procedência.
Consequências O enforcamento de Mary, à época considerado pela opinião pública um acontecimento peculiar mas necessário, é atualmente visto não apenas como um golpe publicitário e exemplo de manipulação da imprensa, mas principalmente, de acordo com os valores e padrões atuais da sociedade, como um dos incidentes de crueldade com animais mais horríveis da história.
No século seguinte à controversa morte de Mary, Erwin foi estigmatizada como "a cidade que enforcou um elefante". Nos últimos anos, os moradores locais vêm tentando se livrar do estigma, recuperando a imagem da cidade como um bom lugar para se viver ao arrecadar milhares de dólares destinados ao resgate de elefantes.
Ver também Hanno (elefante) Julgamento de animais Jumbo (elefante) Niceia (elefanta) Topsy
Bibliografia
Ligações externas "The Hanging of Big Mary: Someone Worth Remembering" by elephant advocacy expert Mike Jaynes The Moonlit Road: Murderous Mary
Categoria:Elefantes famosos Categoria:1916 nos Estados Unidos Categoria:Animais expostos em circos Categoria:Animais mortos em execuções públicas