Hipofosfatemia é o nível baixo de fósforo no plasma sanguíneo, ou seja, abaixo de 2,3 mg/dL.
Causas Os três principais mecanismos que causam hipofosfatemia são: redistribuição do fósforo extracelular para o espaço intracelular, redução na absorção intestinal de fosfato e aumento da excreção renal de fosfato. Redistribuição Alcalose respiratória Abstinência alcoólica Queimaduras extensas Síndrome da realimentação Síndrome da fome óssea Tratamento da cetoacidose diabética Redução na absorção intestinal de fosfato Abuso de antiácidos diarreia crônica Jejum ou anorexia Alcoolismo Uso de quelantes de fosforo Deficiência de vitamina D Aumento da excreção renal de fosfato Hiperparatireoidismo Após transplante renal Diurese osmótica Síndrome de Fanconi Glicosúria (após tratamento da cetoacidose diabética) Diurese pós-obstrutiva Acetazolamida Osteomalácia oncogênica Raquitismo hipofosfatêmico familial ligado ao X Raquitismo hipofosfatêmico autossômico dominante Expansão volêmica
Sintomas Os sintomas geralmente aparecem quando o fósforo plasmático encontra-se abaixo de 1 mg/dL, cursando com os seguintes achados clínicos: Hemólise Alteração da função de plaquetas e leucócitos Encefalopatia metabólica Confusão mental Coma Convulsões Polineuropatia Rabdomiólise Disfunção do músculo diafragma com insuficiência respiratória Raquitismo na criança Osteomalácia no adulto Insuficiência cardíaca
Tratamento O tratamento adequado inclui estabelecer a causa da hipofosfatemia, eliminando, se possível, a causa básica do problema; além de ser feita a reposição adequada de fósforo. Os níveis de fósforo no plasma não refletem bem os estoques corporais dessa substância, portanto não se pode dizer exatamente a quantidade de fósforo necessária para corrigir a deficiência de fósforo com base nos seus níveis plasmáticos. Sabe-se que quanto menor a quantidade de fósforo no sangue, maior a quantidade a ser reposta, e que, em situações de desnutrição crônica (por exemplo: anorexia, alcoolismo), a reposição de fósforo dever ser mais prolongada, ao passo que em hipofosfatemia por outras causas (por exemplo: ingestão de antiácidos, acetazolamida), a correção do problema de base pode ser suficiente para normalizar os níveis de fósforo.
Pacientes com hipofosfatemia leve a moderada (fósforo plasmático entre 1mg/dL e 2,5 mg/dL) e assintomáticos, podem receber reposição de fósforo por via oral na dose total de 2,5 to 3,5 g (80 a 110 mmol) por dia, divididas em duas a três dosagens. O fósforo administrado por via oral pode causar diarreia, por isso, uma alternativa é estimular o consumo de alimentos ricos em fósforo como leite e derivados, lembrando que a administração concomitante de vitamina D irá aumentar a absorção intestina de fósforo.
A reposição de fósforo por via endovenosa, com fosfato de potássio ou fosfato de sódio, está indicada para os pacientes com hipofosfatemia sintomática; naqueles com hipofosfatemia severa (fósforo plasmático menor que 1mg/dL), mesmo na ausência de sintomas e em pacientes com hipofosfatemia moderada mas em ventilação mecânica. A dose de fósforo reposto varia de acordo com o nível plasmático do mesmo, segundo o seguitne esquema:
Fósforo plasmático Reposição Tempo 2,1 a 2,5 mg/dL 0,16 mmol/kg (5 mg/kg) 4 a 6 horas 1,5 a 2,0 mg/dL 0,32 mmol/kg (10 mg/kg) 4 a 6 horas menor que 1,5 mg/dL 0,64 mmol/kg (20 mg/kg) 6 a 8 horas
Em pacientes recebendo nutrição parenteral, 10 a 25 mmol (312 a 781 mg) de fosfato de potássio devem ser acrescentados para cada 1000 kcal, tomando cuidado para evitar hiperfosfatemia.
Atualmente considera-se segura uma dose de fosfato de até 45 mmol/dia (1,4 g/dia) e uma velocidade de infusão de 20 mmol/hora (625 mg/hora).
A via endovenosa não é isenta de riscos, sendo as principais complicações a hiperfosfatemia, a precipitação do fósforo quando administrado juntamente com preparações contendo cálcio, hipomagnesemia, hipocalcemia e hipotensão. A hiperpotassemia pode ser prevenida usando fosfato de sódio ao invés de fosfato de potássio, para os pacientes com potássio plasmático maior que 4 mg/dL.
Categoria:Transtornos de eletrólitos