Ordem de São Basílio Magno (; em ucraniano: Чин свято́го Васи́лія Вели́кого), conhecida também como Ordem Basiliana de São Josafat é uma ordem religiosa monástica de direito pontifício presente em muitos países e cuja igreja mãe está em Roma, Itália.
Seus monges, padres e irmãos, trabalham primordialmente com os católicos ucranianos de rito bizantino e estão presentes na Europa e na América. Suas letras pós-nominais são OSBM ou ЧСВВ.
Os monges basilianos desempenharam um papel importante na disseminação do cristianismo na Rus' de Kyiv. Com a União de Brest entre a Igreja Rutena e a de Roma, o metropolita José Veliamin Rutskyj e o bispo Josafat Kuntsevych reformaram o monasticismo segundo o modelo das ordens religiosas ocidentais e promoveram a união dos mosteiros sob a liderança de um protoarquimandrita.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), coll. 1082-1084.
O Papa Urbano VIII aprovou a ordem com o decreto Exponi Nobis, em 20 de agosto de 1631.PP. Urbanus VIII, Breve Exponi Nobis: A. Welykyj, Documenta Pontificum Romanorum historiam Ucrainae illustrantia (1075-1953), Romae 1953, “Analecta OSBM”, vol. 1, n. 411, pp. 481-482.
Após a partilha da Polônia, a ordem sofreu muito devido às perseguições czaristas e às supressões josefinas: o Papa Leão XIII, em 1882, promoveu a reforma da ordem, confiando-a aos jesuítas da província da Galícia.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), coll. 1086.
O Papa Pio XII aprovou as novas constituições da ordem com uma bula em 14 de junho de 1954.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), col. 1087.
História
As origens do monasticismo ruteno Os mosteiros desempenharam um papel importante nos séculos X e XI na disseminação do cristianismo entre a população da Rus' de Kyiv, que se estendia pelo que hoje é denominado Ucrânia, Bielorrússia e grande parte da Rússia. O principal centro monástico da região foi a Pecherska Lavra, fundada por volta de 1050 pelos santos Antônio e Teodósio.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), coll. 1082-1083.
Após o colapso do Principado de Kyiv e a devastação de sua capital pelos mongóis por volta de 1240, o monasticismo continuou a se desenvolver nas regiões da Galícia, Volínia e Bielorrússia. Após 1482, os metropolitas de Kyiv transferiram sua sede para Vilnius, onde surgiram outros centros de vida monástica, como o Mosteiro da Santíssima Trindade.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), col. 1083.
A união dos mosteiros Em 1595, a Igreja de Kyiv retornou à comunhão com a de Roma. O Metropolita José Rutskyj e Josafat Kuntsevych, Arcebispo de Polotsk, reorganizaram a vida monástica seguindo o modelo das ordens religiosas ocidentais e promoveram a união de vários mosteiros das eparquias de Kyiv e Polotsk em uma ordem centralizada, tendo como sede principal o Mosteiro da Santíssima Trindade de Vilnius.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), coll. 1083-1084.
Outros mosteiros, já existentes ou recém-fundados, nas terras ucranianas e bielorrussas da Comunidade Polaco-Lituana, logo se juntaram a esse núcleo original.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), col. 1084.
O Metropolita Rutskyj concedeu aos mosteiros da ordem constituições baseadas na Regra de São Basílio Magno: o superior geral teria o título de protoarquimandrita, e capítulos gerais seriam celebrados a cada quatro anos. A Congregação de Propaganda Fide aprovou essas constituições por decreto em 4 de outubro de 1624, e o Papa Urbano VIII as confirmou com o decreto Exponi nobis em 20 de agosto de 1631.
A consolidação da Ordem A Ordem sempre desfrutou de grande prestígio, e no Sínodo de Zamost em 1720, estabeleceu-se que os bispos rutenos seriam escolhidos entre seus membros, e o protoarquimandrita e seus conselheiros estariam presentes em sua eleição.
Na metade do século XVIII, a Ordem contava com mais de 1180 monges e 180 mosteiros organizados em duas províncias (da Santíssima Trindade, na Lituânia e da Proteção da Bem-Aventurada Virgem, na Ucrânia). A partir de 1742, o Papa Bento XIV reorganizou a Ordem: as províncias seriam lideradas por proto-hegúmenos eleitos por um quadriênio pelos capítulos provinciais e confirmados pelo protoarquimandrita, eleito por oito anos pelo capítulo geral e que tinha sua sede em Roma, na Igreja dos Santos Sérgio e Baco.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), coll. 1084-1085.
Os basilianos rutenos dedicavam-se à educação (seus colégios cresceram significativamente após a expulsão dos jesuítas da Polônia), à atividade editorial (publicação de livros litúrgicos), à pregação de missões populares e ao cuidado de santuários, como os de Zirowice e Pochaiv.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), col. 1085.
A decadência Em 1773, os basilianos eram 1280 (sem contar noviços), mas a Ordem sofreu graves consequências com a partilha da Polônia e a russificação forçada dos povos ucraniano e bielorrusso pelo regime czarista: em 1705, Pedro I fez exterminar a comunidade basiliana de Polotsk (ele mesmo matou pessoalmente três monges); Catarina II dissolveu três das quatro províncias da Ordem; sob Alexandre I, em 1804, foi abolido o cargo de de protoarquimandrita; Nicolau I suprimiu numerosos mosteiros, cedeu outros aos monges ortodoxos e transformou outros em prisões para confessores do primado romano. Os últimos cinco mosteiros basilianos existentes no Império Russo, da Eparquia de Chełm, foram suprimidos entre 1864 e 1872.
Dos 44 mosteiros basilianos da província da Galícia, que após a partilha da Polônia passou para o Império Austro-Húngaro, apenas 14 sobreviveram às supressões de José II: o imperador, além disso, reduziu a possibilidade de receber noviços e concedeu aos bispos uma considerável interferência nos assuntos internos dos mosteiros.
A restauração da Ordem Os basilianos na Galícia, em 1882, foram reduzidos a 60: isso levou o Papa Leão XIII a intervir na corte austríaca (carta apostólica Singulare Praesidium de 12 de maio de 1882) e a iniciar, com a ajuda dos jesuítas, a restauração da Ordem.M. Wawryk, DIP, vol. I (1974), col. 1086.
O monge basiliano Andrey Sheptytsky, metropolita de Lviv, foi o protagonista do renascimento da Igreja Católica Ucraniana: ele favoreceu a reforma do ramo feminino da Ordem, a fundação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, o envolvimento dos basilianos na assistência aos imigrantes ucranianos que foram para as Américas e seu emprego na direção do Colégio Pontifício de São Josafat em Roma.
A retomada da Ordem sofreu uma interrupção devido à Primeira Guerra Mundial e à deportação de Sheptytsky e de muitos monges para a Sibéria. A Ordem voltou a se expandir após o conflito e a se consolidar na Ucrânia, Hungria, Iugoslávia, Romênia, Canadá, Estados Unidos, Argentina e Brasil, mas a ascensão ao poder do regime soviético levou à dissolução das províncias da Galícia e da Transcarpátia e à deportação de muitos monges (os bispos basilianos Josafat Kotsylovsky, de Przemyśl, e Paulo Pedro Goidych, de Prešov, morreram na prisão).
Os basilianos também desapareceram da Romênia, da Checoslováquia e da Hungria, enquanto enfrentaram grandes restrições na Polônia e na Iugoslávia.
As constituições elaboradas após a restauração da Ordem promovida pelo Papa Leão XIII foram aprovadas pela Congregação pro negotiis Ritus Orientalis em 1º de junho de 1886 e depois pelo Papa Pio X em 29 de fevereiro de 1909.
Após a reforma da legislação monástica estabelecida pelo Papa Pio XII com o motu proprio Postquam Apostolicis em 9 de fevereiro de 1952, as constituições foram revisadas e aprovadas pela bula Divus Basilius Magnus em 14 de junho de 1954.
As três personalidades carismáticas da Ordem A Ordem Basiliana de São Josafat foi edificada sobre o fundamento do patrimônio espiritual de São Basílio Magno (329-379), mas a sua organização como Ordem religiosa ela deve ao metropolita de Kyiv, José Veliamin Rutskyj (1574-1637) e ao santo hieromártir Josafat Kuntsevych (1580-1623), o qual, pela sua espiritualidade e sua obra de apostolado orientada à união dos cristãos, imprimiu um claro rumo para a criação desta instituição.
Essas três personalidades marcaram a Ordem e a sua identidade espiritual conferiu a ela três elementos constitutivos: a vida em comunidade, o trabalho apostólico e a ação orientada à união dos cristãos.
São Basílio Magno e a vida comunitária As Regras e as obras do nosso santo Padre Basílio impuseram à vida em comunidade uma estruturação concreta e orientaram os monges para o serviço à Igreja. De acordo com São Basílio, a perfeição monástica se realiza na comunidade, que é imitação do estilo de vida dos cristãos da Igreja primitiva. Tal vida comunitária é uma das formas de vocação divina para realizar o serviço do anúncio do Reino de Deus na terra.
O verdadeiro critério desse estilo de vida é o cumprimento dos mandamentos de Deus e da doutrina da Sagrada Escritura e a total submissão à autoridade da Igreja. Cada basiliano é chamado a fazer a oferenda de si mesmo em nome de seus coirmãos, renunciando à vontade própria, a fim de melhor servir ao próximo no espírito da caridade fraterna. O monge não vive para si mesmo, mas para o bem de seus irmãos. O carisma particular de cada monge torna-se um enriquecimento para toda a comunidade. Na comunidade é mais fácil cumprir os mandamentos de Deus, praticar o amor ao próximo, viver o combate espiritual, buscar a perfeição por meio da prática das virtudes evangélicas. O Espírito Santo une os corações dos irmãos em Nosso Senhor, Jesus Cristo, e com os seus dons sustenta e santifica a comunidade.
Nas suas 80 Regras Morais, São Basílio recolhe cerca de 1500 citações da Sagrada Escritura, as quais se tornaram também a base das suas 55 Regras Extensas e 318 Regras Breves. Em todas as regras de Basílio, e também nas suas cartas e outras obras, verificamos um equilíbrio que revela a harmonia que deve existir entre a vida de oração e o trabalho da comunidade monástica, sob a guia de um superior.
São Basílio, como todos os grandes santos, oferecendo respostas a questões espirituais de seu tempo, responde às aspirações e problemas de todas as gerações monásticas posteriores. Suas Regras expressaram de maneira permanente a verdadeira essência do monaquismo.
O espírito do ensinamento de São Basílio, ilustrado por citações selecionadas de suas obras, é apresentado neste livro na unidade sob o título de “Ensinamentos do nosso santo Padre Basílio Magno”.
Metropolita José Rutskyj e os inícios da nossa Ordem O metropolita José Rutskyj desenvolve a concepção basiliana da vida comunitária na Ordem, introduzindo nos seus mosteiros uma disciplina única e os submete a um único superior. A nova Ordem reúne em si a espiritualidade do Oriente e a estrutura organizacional do Ocidente.
O Estatuto da Ordem reproduz na sua essência essa estrutura, desenvolvida pelo metropolita José e pelos seis primeiros Capítulos gerais, que aconteceram durante a sua vida, e também em outros posteriormente.
O metropolita José ampliou o papel dos basilianos na Igreja e na sociedade e favoreceu o desenvolvimento da ação pastoral, educacional e missionária na Igreja Oriental. De acordo com as suas instruções, os religiosos devem não só observar o regulamento no mosteiro, mas também serem santos, sábios, prontos a exercer toda e qualquer missão e estarem abertos às necessidades da Igreja e da sociedade.
São Josafat e a união dos cristãos A piedade de São Josafat constituiu um estímulo para a disciplina e para o espírito monástico, favorecendo de maneira decisiva para a rápida difusão do monaquismo basiliano. A vida de São Josafat, como monge e posteriormente como bispo, transcorreu na oração e na pregação. A fonte da sua profunda espiritualidade foi a vida litúrgica, da qual ele hauria a força e as inspirações para o seu ministério apostólico. São Josafat rezava continuamente e tinha especial predileção pela oração litúrgica dentro da sua Igreja Oriental.