O Hobbit (no original em inglês: The Hobbit) é uma série de três filmes de fantasia épica e de aventura dirigido, coescrito e produzido por Peter Jackson e baseado no livro The Hobbit de J. R. R. Tolkien publicado em 1937. Os filmes são, por subtítulo: Uma Jornada Inesperada (2012), A Desolação de Smaug (2013) e A Batalha dos Cinco Exércitos (2014). O Senhor dos Anéis é originalmente uma sequência do livro, assim, a série age como uma prequela para a trilogia dos filmes, também dirigidos por Jackson.
Vários atores reprisaram seus papéis de O Senhor dos Anéis, incluindo Ian McKellen, Andy Serkis, Ian Holm, Hugo Weaving, e os atores cujos personagens não aparecem no livro, como Cate Blanchett, Christopher Lee, Elijah Wood e Orlando Bloom. Também retornando para a produção, entre outros, foram corroteiristas Fran Walsh e Philippa Boyens, ilustradores John Howe e Alan Lee, diretor de arte Dan Hennah, diretor de fotografia Andrew Lesnie e o compositor Howard Shore. Alguns adereços foram trabalhados pela Weta Workshop e efeitos visuais, produzidos pela Weta Digital, como na trilogia original. O novo envolvimento mais significativo na série é a participação de Guillermo del Toro, originalmente escolhido para dirigir os filmes, mas foi como corroteirista que ele foi creditado.
Situado no mundo ficcional da Terra Média, os três filmes seguem o hobbit Bilbo Baggins (Martin Freeman), chamado pelo mago Gandalf (Ian McKellen), para acompanhar treze anões liderados por Thorin II (Richard Armitage) em uma missão até a Montanha Solitária, onde tentarão recuperar os pertences dos anões que foram roubados pelo dragão Smaug (Benedict Cumberbatch). É nessa aventura que Bilbo encontra o Um Anel que desencadeia a trilogia O Senhor dos Anéis.
O primeiro filme da série estreou no Embassy Theatre, em Wellington, Nova Zelândia em 28 de novembro de 2012 e arrecadou $ 1.017.003.568 de dólares ao redor do mundo. Apesar do sucesso financeiro, a trilogia não alcançou a mesma aclamação de crítica e prêmios da sua antecessora, não vencendo nenhum Oscar, diferente do O Senhor dos Anéis que venceu 17 prêmios da Academia.
Desenvolvimento Primeiros estágios de desenvolvimento
Peter Jackson e Fran Walsh expressaram interesse em filmar The Hobbit já em 1995, o qual seria a primeira parte de uma trilogia (os outros dois filmes sendo baseados em O Senhor dos Anéis). O projeto foi frustrado quando o produtor de Jackson, Harvey Weinstein, descobriu que Saul Zaentz tinha os direitos de produção de The Hobbit, mas os direitos de distribuição ainda pertenciam à United Artists (que mantinham esses direitos, acreditando que os cineastas preferiria adaptar The Hobbit, em vez de O Senhor dos Anéis). O estúdio ainda disputava mercado, de forma que as tentativas de Weinstein de comprar os direitos não foram infrutíferas. Então Weinstein pediu que Jackson continuasse com a adaptação de O Senhor dos Anéis sem The Hobbit. Em última análise, O Senhor dos Anéis foi produzido pela New Line Cinema, então os direitos para filmar The Hobbit foram definidos para expirar em 2010. Em setembro de 2006, a Metro-Goldwyn-Mayer, expressou interesse em se unir à New Line e Peter Jackson para filmar The Hobbit.
thumb|Peter Jackson, diretor do filme, corroteirista e produtor. Em março de 2005, Jackson lançou uma ação judicial contra a New Line, alegando não ter recebido parte dos lucros obtidos pela primeira parte da trilogia The Lord of the Rings, especialmente do filme The Fellowship of the Ring. Ele não buscou uma solução específica, mas pediu uma auditoria para ver se a New Line não havia feito uma remoção indevida de dinheiro. Embora Jackson teria resolvido antes de começar a dirigir o filme, ele pensou que foi uma pequena ação, e que a New Line ainda iria deixá-lo a fazer The Hobbit. Porém, Robert Shaye que é cofundador da New Line estava irritado com a ação e disse em janeiro de 2007 que Jackson nunca mais iria dirigir um filme para a New Line, acusando-o de ser ganancioso. Harry Sloan que é chefe da MGM (que possuía metade dos direitos de The Hobbit), parou o desenvolvimento do longa-metragem, pois queria que Jackson tivesse envolvido no projeto. Em agosto, após uma série de discussões e especulações sobre o caso, Shaye tentou reparar seu relacionamento com o diretor. Ele disse: "Eu realmente respeito e admiro Peter e adoraria que ele fosse criativamente envolvido de alguma forma em The Hobbit". No mês seguinte, a New Line foi multada em 125 mil dólares, por falhar em apresentar os documentos contábeis requisitados.
Em 16 de dezembro de 2007, a MGM, New Line e o cineasta Peter Jackson finalmente entraram em um consenso sobre o envolvimento de Peter na produção dos filmes. Os estúdios anunciaram que Jackson seria produtor executivo de The Hobbit e suas continuações. Os dois estúdios que cofinanciaram o filme iria distribui-lo, foi anunciado que os dois filmes baseado em The Hobbit serão distribuídos na América do Norte pela New Line e nos demais continentes pela MGM — o primeiro acordo real da New Line com outro grande estúdio. Orçamento de cada filme foi estimado em US$ 150 milhões de dólares, o que compara com o orçamento de 94 milhões de dólares para cada um dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis, dirigida por Jackson. Após a conclusão da fusão de New Line Cinema com a Warner Bros., em fevereiro de 2008, as duas partes do filme foram anunciados como programado para ter o lançamento em dezembro de 2011 e 2012, retrospectivamente. Produtor Mark Ordesky, que é o produtor executivo de O Senhor dos Anéis, planejava retornar para supervisionar as prequelas. Jackson explicou que ele optou por não dirigir porque teria sido insatisfatório para competir com seus filmes anteriores.
Em fevereiro de 2008, o Tolkien Estate (através do Tolkien Trust, uma instituição britânica) e HarperCollins Publishers abriu um processo contra a New Line por quebra de contrato e fraude e exigiu 220 milhões de dólares em indenização por fatos acontecidos durante o desenvolvimento da trilogia O Senhor dos Anéis. A ação alegou que New Line tinha pago apenas ao Estate uma taxa inicial de apenas 62 500 de dólares, apesar da trilogia ter ganhar cerca de 6 000 milhões de dólares em todo o mundo. A ação afirmou que o Estate tinha o direito de receber cerca de 7,5% de todos os lucros obtidos por qualquer filmes de Tolkien, conforme estabelecido por acordos anteriores. O processo também tentou cancelar todas as filmagens de The Hobbit. A ação foi resolvida em setembro de 2009 por um valor não revelado. No entanto, no final de 2009, foi informado que Tolkien Estate, recebeu um pagamento de £ 24 milhões (pouco mais de 38 milhões de dólares). Christopher Tolkien disse: "Lamentamos que uma ação judicial tenha sido necessária, mas estamos contentes de ver que esta disputa será selada em termos satisfatórios para todos. Nós reconhecemos que a New Line pode agora avançar com as suas propostas e finalizar as filmagens de The Hobbit".
Desenvolvimento com Del Toro thumb|left|Guillermo Del Toro foi originalmente definido para dirigir o filme, mas saiu por causa de atrasos. Apesar dos processos judiciais, o desenvolvimento prosseguiu e no inicio de 2008, The Hollywood Reporter anunciou que o diretor Guillermo Del Toro estaria entrando em negociações para dirigir o filme, porém, somente em abril de 2008, foi informado que Guillermo tinha sido confirmado oficialmente. Guillermo del Toro afirmou que ele era um fã da trilogia de Jackson e tinha discutido dirigir uma adaptação cinematográfica baseada no jogo Halo, em 2005. Embora este projeto tenha sido interrompido, eles se mantiveram em contato. Em uma entrevista de 2006, Del Toro é citado afirmando "Eu não gosto de caras pequenos e dragões, pés peludos, hobbits, [...] Eu odeio todo isso". Após ele ter assinado como diretor em abril de 2008, Del Toro postou em TheOneRing.net que ele se encantou com The Hobbit quando era criança e que Smaug era um de seus personagens favoritos. Ele também afirmou que os outros livros de Tolkien "continham uma geografia e genealogia complexas demais para meu cérebro infantil". Ao assumir o papel de diretor, Del Toro estava agora "lendo como um louco para se adaptar a uma terra completamente nova, um continente — uma cosmologia criada por um brilhante filólogo transformado em Xamanismo". O diretor também escreveu que sua apreciação por Tolkien foi ampliada pelo seu conhecimento do gênero fantástico e as pesquisas de folclore que ele realizou durante a realização de seus próprios filmes de fantasia.
A pré-produção começou por volta de agosto de 2008, com Del Toro, Jackson, Philippa Boyens Walsh, escrevendo o enredo. Del Toro colaborou com Jackson, Walsh e Boyens através de videoconferência e voou a cada três semanas, rapidamente de Los Angeles (onde alguns dos projetos foram realizados) à Nova Zelândia, para visitá-los. O cineasta disse que disciplinou-se para escrever o roteiro da adaptação pelas manhãs. A tarde ele reservava para leituras e sessões de documentários que ele acredita que influenciarão os filmes - como influenciaram Tolkien a escrever o livro. Ele assistiu documentários da Primeira Guerra Mundial, e disse que "The Hobbit é um livro nascido das experiências da geração de Tolkien com a guerra, os campos de batalha e a decepção de ver o colapso de valores". Del Toro também pediu recomendações de Peter Jackson, que segundo ele, coleciona aviões, tanques, canhões e tem reproduções de uniformes antigos.
Em novembro de 2008, Del Toro disse que ele, Jackson, Walsh e Boyens em cada semana percebia algo de novo sobre a história e o roteiro sempre estava continuamente em mudança. As horas de escrita aumentaram para 12 a cada dia, tal medida que foi dedicada em três semanas para finalmente decidir uma estrutura dos filmes. Durante os primeiros meses de 2009, as escritas começam a partir de 8h30 e terminam às 15h00 quando Del Toro se reuniria com a Weta (ou seja, a Weta Workshop e Weta Digital, empresas de efeitos cinematográficos). A conclusão dos contornos da história e tratamentos terminou em março de 2009 e os estúdios aprovou o início de definir o roteiro.
As filmagens foram previstas para ocorrer ao longo de 2010 na Nova Zelândia, eventualmente Del Toro reformulava os conjuntos Hobbiton em Matamata. Em novembro de 2008, o diretor revela que as filmagens de The Hobbit podem levar cerca de 370 dias, também revela para os fãs que o filme vai possuir criaturas diferentes, semelhantes com as de Hellboy II, o diretor disse que vai levar ao limite da tecnologia onde vão fundir os bonecos animatrônicos com a computação gráfica em uma nova forma de arte quando o assunto é o desenvolvimento de criaturas.
Interpretação de Del Toro
Del Toro e Jackson possuem um relacionamento profissional positivo, onde se comprometerão com os desentendimentos de forma a beneficiar o filme. Jackson se ofereceu para atuar como diretor de uma segunda unidade. Del Toro irá filmar The Hobbit com a mesma proporção 2.35:1 da trilogia, ao invés do seu padrão 1.85:1.
Del Toro pretende levar a tecnologia dos animatrônicos a novos patamares: "Nós realmente desejamos pegar o estado-da-arte em animatrônicos e fazer um salto de dez anos para o futuro com a tecnologia que desenvolveremos para as criaturas no filme. Nós temos toda a intenção de fazer para os animatrônicos e os efeitos especiais o que os outros filmes fizeram pela realidade virtual". Imagens geradas por computador irão melhorar ainda mais o desempenho dos animatrônicos na tela. Del Toro citou isto como importante, pois ele requererá que os animais falem no filme, então a fala de Smaug não será incongruente. Os Wargs serão refeitos para serem mais fiéis ao livro, e as aranhas da Floresta das Trevas serão diferentes de Laracna. Del Toro acrescentou que ele entende que mostrar os animais falando tem mais a ver com as pessoas podendo entendê-los.